Blog do Rodrigo Mattos

Grêmio articula apoio político e vai à Conmebol para reclamar de arbitragem

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Com Jeremias Werneck

A diretoria do Grêmio buscou apoio político e vai se encontrar com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, para reclamar da arbitragem do primeiro jogo da final da Libertadores. O encontro foi articulado com o representante brasileiro na confederação sul-americana Reinaldo Carneiro Bastos, que é também presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol). É uma forma de contrabalancear um suposto peso argentino e do Lanús nos bastidores da entidade. A reunião ocorrerá nesta sexta-feira.

No jogo da Arena do Grêmio, o chileno árbitro Julian Bascuña deixou de dar um pênalti no último minuto no atacante Jael, empurrado na área. Outra reclamação gremista é em relação ao cartão amarelo dado para o zagueiro Kanemann em lance na área – o jogador ficou suspenso para a final.

No dia seguinte, ainda há indignação entre cartolas gremistas e as palavras para descrever a arbitragem são roubo. O presidente Romildo Bolzan Jr decidiu recorrer diretamente a Carneiro Bastos por entender que ele tem maior articulação dentro da Conmebol. De fato, ele é o principal elo do futebol brasileiro na confederação sul-americana.

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, perdeu espaço por não poder viajar ao exterior por ser indiciado pela Justiça dos EUA. Por isso, a diretoria gremista nem recorreu ao mandatário da confederação – Carneiro Bastos tem um cargo na CBF.

A tendência é que seja marcada entre a diretoria gremista e Dominguez, além de possivelmente o chefe de arbitragem da Conmebol, Wilson Seneme. Um dos principais questionamentos será por que Bascuña não recorreu ao árbitro de vídeo para verificar o lance de pênalti em Jael se o dispositivo eletrônico estava disponível. Outro protesto é pela falta de critério no cartão dado a Kanemann.

Outra questão foi a indicação do argentino Hector Baldassi para assessor internacional de arbitragem para a segunda partida da decisão. Pelo regulamento da Libertadores, no artigo 13.3, é vedado que o escolhido para esta função seja da mesma nacionalidade de um dos times disputantes da final, e o Lanús é argentino.

Um terceiro temor é uma suposta influência do Lanús nos bastidores da Conmebol. A busca de Carneiro Bastos como ponto de apoio foi justamente para ter maior peso nas reclamações à Conmebol.