Blog do Rodrigo Mattos

Suspensão gera guerra entre Del Nero e Fifa que irá para tribunal externo

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Suspenso de forma provisória pela Fifa, por acusação de corrupção, o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, abriu guerra contra a entidade e pretende lutar para voltar ao cargo. Com isso, a disputa entre o cartola e a federação internacional deve ir para cortes externas, como o CAS e o tribunal suíço. A Fifa dificilmente voltará atrás de sua suspensão, e Del Nero vê a decisão como política.

O Comitê de Ética da Fifa decidiu por suspender Del Nero por 90 dias enquanto não o julga. Baseou-se nos depoimentos de testemunhas na Justiça dos EUA que apontaram o dirigente como beneficiário de propinas por contratos. A intenção é julga-lo neste período, ou pode ser estendido a suspensão.

Advogados de Del Nero preparam um recurso à corte de apelação da Fifa para tentar derrubar essa punição provisória. Ao mesmo tempo, vão entrar também com um recurso para acelerar o julgamento do mérito. O objetivo é levar o caso o mais rápido possível para o CAS (tribunal desportivo).

Explica-se: há entre aliados do dirigente da CBF a certeza de que na Fifa tem poucas chances de obter uma reversão da punição. Entendem que foi Infantino por decisão política que determinou que Del Nero deveria ser punido para melhorar a imagem da entidade.

Ao mesmo tempo, o cartola da Fifa daria uma resposta à Justiça dos EUA de que tomou uma medida. Depois do CAS, a outra instância que Del Nero pretende recorrer é o tribunal da Suíça.

A defesa de Del Nero avalia que não há evidências de que o dirigente levou propina porque não foi apresentado um documento de depósito ou transferência em favor do dirigente. Essa é o principal embasamento para tentar derrubar a punição.

A questão é que pelo menos dois ex-dirigentes de empresas de televisão, Alejandro Burzaco e José Hawilla, afirmaram ter pago propinas a Del Nero. O total relatado é de US$ 6,5 milhões para o cartola em troca de obtenção de contratos da Conmebol e da Copa América. Há ainda anotações de Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo e dono da Klefer, com dados de supostas propinas.