Blog do Rodrigo Mattos

CBF investiga clube da 3ª divisão de SP que atua em transferências da elite

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A CBF deu início a primeira investigação de clube por supostamente fazer ponte sem fins esportivos em uma intermediação: trata-se do Monte Azul, da terceira divisão do Paulista. É analisada a sua operação em relação ao volante Patrick, que estava no Sport e agora vai para Internacional. O time já atuou em outras negociações de times de elite.

A Fifa proibiu em 2015 que terceiros tenham direitos sobre a venda de jogadores. A partir daí, agentes e empresas passaram a usar clubes menores para registrar atletas. A entidade internacional passou a punir esses clubes-pontes, e a CBF criou um regulamento em 2016 para coibir a prática.

Pelas regras, o regulamento da CBF prevê punição às transferências-ponte, que são todas aquelas que não têm finalidade esportiva e, sim, obtenção de vantagens por terceiros. Um exemplo é uma negociação definitiva, seguida por outra temporária.

Pois bem, houve uma denúncia à confederação de que a saída de Patrick do Sport para o Inter feria o regulamento. Seu registro definitivo é com o Monte Azul, e ele saiu de empréstimo do time pernambucano para a equipe gaúcha. A questão é que a operação para o Internacional não foi concluída do ponto de vista burocrático, embora já anunciada. Antes, Patrick fora emprestado ao Goiás e ao Sport.

Questionada pelo blog, a CBF confirmou a investigação do time da 3ª Divisão do Paulista e informou que, quando esta for concluída, será enviada à Câmara de Resolução de Disputas e Litígios, formada pela entidade. Não quis se aprofundar nos detalhes da apuração. Na câmara, pode haver sanções que vão da proibição de registros até exclusão de filiação. O clube já foi notificado.

O empresário do jogador é Marcelo Robalinho. Foi ele o agente da operação e, por isso, faz parte da investigação. Outros jogadores da elite ligados ao agente e a seus antigos sócios que são donos da OTB já tiveram vínculos com o Monte Azul.

Robalinho atua por meio da empresa Think Ball, que teve uma associação com a OTB, dos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb. A sociedade foi desfeita em 2015, e hoje as partes não têm relação.

O volante Gabriel, que era agenciado pela OTB, era vinculado ao Monte Azul antes de jogar no Corinthians. O lateral Edílson, ex-atleta do Grêmio e agora Cruzeiro, também já teve vínculo com o time da 3ª divisão e era empresariado pela OTB. O lateral Fabrício, ex-Internacional, é apresentado na página da OTB como tendo um título pelo Monte Azul.

Detalhe: o Monte Azul tem receitas entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão nos últimos quatro anos. Renda Insuficiente, portanto, para bancar salários de atletas desse padrão.

Questionado pelo blog, Robalinho afirmou que não vê nenhuma irregularidade no empréstimo de Patrick. ''Se existe uma norma de 2015 que jornalista não pode fumar maconha, e você fumar maconha antes disso, você não vai mais poder ser jornalista?'', questionou. ''A norma não é retroativa''.

Seu argumento é de que o vínculo de Patrick com o Monte Azul é de 2014, portanto, anterior à norma da CBF. Desde 2014, o volante jogou apenas três meses no time de 3ª Divisão, segundo o empresário. ''Foi uma cessão temporária igual a todas as outras que são permitidas no Brasil. Qual a ilegalidade nisso? Não pode emprestar jogador?''.

Ele ainda afirmou que as decisões de punições da Fifa sobre clube-ponte têm caído no CAS (tribunal esportivo) porque não há norma sobre esse tipo de operação. E disse desconhecer a investigação da CBF porque não faz parte do clube, nem foi notificado.

Pela apuração do blog, Patrick, jogador que atuou na Série A em 2017, tinha salário de R$ 1 mil no Monte Azul. O salário e o período do jogador no clube que é acusado de ser ponte contam para a análise do caso da CBF para identificar se há uma ''transferência ponte''.

O blog tentou contato com o presidente do Monte Azul, Marcelo Favero, por meio de seu escritório e de seu celular, sem retorno até o final do dia. Ninguém atendia no telefone do clube.