Blog do Rodrigo Mattos

Conmebol decide enfrentar resistência à final única por Libertadores global

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Ao forçar a aprovação da final em jogo único da Libertadores a partir de 2019, a Conmebol entendeu que haveria ganhos comerciais e de visibilidade para a competição que justificavam enfrentar a resistência esperada e ocorrida por parte dos torcedores. A intenção é criar um evento global para atrair atenção para o campeonato que ainda tem repercussão tímida fora do continente.

Logo após o anúncio, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, expôs em seu Twitter as explicações sobre a decisão pela final única. Quase todas as respostas que obteve foram de críticas pesadas à medida por parte dos torcedores. Mas a entidade já esperava esse tipo de reação.

Pelo modelo da Conmebol, a entidade vai cuidar de toda a organização do jogo, desde o controle do estádio aos ingressos (com exceção do percentual dos clubes). A intenção da confederação é promover uma semana de eventos na cidade para atrair atenção para a Libertadores.

Por isso, a entidade avaliava como essencial colocar o jogo no sábado à tarde quando poderia ter a atenção do mundo. Na visão dos dirigentes da confederação, jogos nas quartas-feiras à noite não geram tanta repercussão quanto uma  partida no final de semana.

Outra questão que pesou em favor da final única foi a da segurança. Os problemas enfrentados na final da Sul-Americana entre Flamengo e Independente fizeram a entidade temer por manchar outras decisões. Com o controle sobre toda a partida, a confederação espera conseguir evitar incidentes similares. O próprio presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, falou na questão da segurança no anúncio.

A Conmebol tinha noção que enfrentaria uma resistência grande de torcedores com a mudança pela tradição da Libertadores de confrontos ida e volta, e pelos custos para se assistir ao jogo. Outro ponto negativo reconhecido pelos dirigentes da confederação é a falta de infraestrutura de transportes na América do Sul em comparação com a Europa.

O entendimento na cúpula da Conmebol, no entanto, é de ser possível superar essa barreira com uma marcação prévia do local que prepararia a cidade para receber visitantes. Como um quarto dos ingressos irá para cada clube, o restante a entidade pode vender entre torcedores locais ou mesmo a fãs dos times por outros meios. Uma parte também será para atender patrocinadores.

Como evento global, a avaliação é que o jogo único vai valer bem mais do que rendas de bilheteria de duas partidas. Um cartola da Conmebol conta que, se a entidade já garantiu US$ 4 milhões aos clubes finalistas, é por que estima ganhar bem mais com a exibição desse jogo. Mas repita-se: a questão para a confederação não é só comercial e visa aumentar o tamanho da Libertadores no mundo.

Uma compensação financeira aos clubes pelas perdas de bilheteria também era vista como essencial na Conmebol para reduzir a resistência deles. O valor para cada finalista de US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões) praticamente cobre a maior renda líquida da história da final, obtida pelo Atlético-MG com R$ 7 milhões em 2013 no Mineirão. E os clubes ainda terão 25% da bilheteria que venderem a seus torcedores.

A ideia da final única vem desde que a Conmebol contratou a mesma consultoria que tratou da remodelagem da Liga dos Campeões. Ali, o relatório apontava que a essa decisão daria maior valor à Libertadores. Faltava convencer os dirigentes das federações nacionais o que foi feito em várias reuniões.

As empresas IMG e Perform, que são as agências que negociam os direitos da Libertadores, vão tratar agora de realizar o projeto da final única com esse objetivo de torna-lo global.