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Cotas de TV dos Estaduais para times se desvalorizam em relação ao mercado

rodrigomattos

05/03/2018 04h00

Quando questionados sobre a validade de jogar Estaduais, dirigentes de clubes grandes costumam responder que as competições valem por conta das altas cotas de TV em proporção ao número de jogos. Só que essa realidade mudou com o aumento do valor pago por outras competições. Agora, os regionais são menos vantajosos do que a maioria das outras competições disputadas durante o ano considerado valor por partida. E devem se tornar quem pior paga no próximo ano.

Essa nova realidade ocorre porque houve novos contratos da Copa do Brasil (2018), Brasileiro (a partir de 2019) e Libertadores (reajuste de cotas e novo contrato em 2019) e Sul-Americana (novo contrato em 2019). A tendência é cada vez mais um aumento da vantagem financeira nesses campeonatos mais relevantes em relação aos Estaduais.

Vamos considerar as cotas dos grandes clubes nos quatro Estaduais de maior relevância no Brasil: Paulista, Carioca, Gaúchão e o Mineiro. O valor dessas cotas por jogo se compara ao confronto básico (1a fase) das outras competições, perdendo feio para as fases seguintes.

No Paulista, cada grande leva em torno de R$ 17 milhões, o que dá R$ 940 mil por jogo. No Rio, são R$ 15 milhões para cada um dos grandes, resultando em R$ 830 mil. Valor similar por jogo ao Mineiro que paga R$ 12,3 milhões a Cruzeiro e Atlético-MG, mas tem menos jogos (R$ 820 mil por partida). Por fim, o Gaúchão paga R$ 12,5 milhões à dupla Grenal, o que dá R$ 735 mil por jogo.

Em comparação, a cota do primeiro jogo da primeira fase da Copa do Brasil passou a valer R$ 1 milhão neste ano para os clubes da Série A. Ou seja, já supera todos os Estaduais. Na terceira fase, com dois jogos, ficaria R$ 700 mil por jogo. Mas, nas fases seguintes, isso já aumenta para R$ 900 mil por partida e segue crescendo.

Na Libertadores, na primeira fase, ganha-se US$ 300 mil por jogo, ou R$ 978 mil. De novo, cada fase seguinte aumenta esse valor. E a tendência é de reajuste considerável em 2019 com o novo contrato de Tv que vai quase triplicar de valor.

Na Sul-Americana, a cota básica é de Us$ 250 mil (R$ 815 mil) na primeira fase, o que daria metade por jogo. Aí, sim, seria uma competição que no início é menos rentável do que o Estadual. Mas, além das cotas subirem mais à frente, há previsão de reajuste para 2019 com novo contrato de televisão.

O Brasileiro já supera com vantagem os Estaduais em valor por jogo. Considerado o contrato de 2019, a Globo e Esporte Interativo devem pagar juntos em torno de R$ 1,1 bilhão por Tvs Aberta e Fechada. Com o ppv, chega a R$ 1,750 bilhão. Isso dá R$ 2,3 milhões por time em cada jogo em média.

Contratos dos Estaduais de Rio, São Paulo, Minhas e Rio Grande do Sul foram renovados recentemente, isto é, essas cotas vão vigorar até 2022 dependendo do campeonato. E não há perspectivas de valorização com as competições com menor prestígio. Assim, a última justificativa para manutenção de Estaduais grandes já cai por terra pouco a pouco.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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