Blog do Rodrigo Mattos

Oposição, Atlético-PR vê em Fernando Diniz chance de ser diferente em campo

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Oposição à CBF e crítica da Globo, a diretoria do Atlético-PR vê no técnico Fernando Diniz a chance de ser diferente também em campo, com um estilo de jogo inovador. É o que conta o homem-forte do clube, Mário Celso Petraglia. Ele decidiu contratar o treinador e ao mesmo tempo lhe dar poderes para implantar suas ideias em todas as divisões dos clubes.

''Fernando Diniz trouxe o que nós buscávamos dentro de campo: inovação, excelência. Não podíamos fazer mais do mesmo no futebol. Estamos eternizados como clube que enfrenta esse cartel da Globo, do sistema. Faltava trazer algo de diferente no futebol, que é o coração do clube'', contou Petraglia.

Logo em seus primeiros jogos, o Atlético-PR tem se caracterizado por um sistema moderno de jogo com prioridade para a posse de bola e jogo de triangulações ofensivo. O esquema com três zagueiros que saem com a bola, em geral, no chão, e abre bastante as jogadas com dois alas, além de contar com três atacantes móveis.

Menos importante do que o esquema, é a ideia de ter a bola e dominar o adversário. Isso baseado em um jogo coletivo, não necessariamente em valores individuais extraodinários. ''Temos que ser independentes de craques porque não podemos pagar salários de R$ 500 mil'', analisou Petraglia, que vê no tipo de jogo a chance de compensar a desvantagem financeira para times mais ricos.

A questão é que Petraglia não é exatamente um dirigente muito paciente com treinadores. É notório que o Atlético-PR costuma dispensar rápido treinadores por falta de resultados. Desta vez, ele pretende agir diferente.

''Seguimos a cultura (do futebol brasileiro de trocar técnicos). Vai ser diferente nesse caso. Mudamos muito porque outros treinadores não traziam algo. Era sempre mais do mesmo, com exceção da passagem do Paulo (Autuori). A intenção agora é manter. Felizmente, começamos bem'', afirmou.

Animado com o trabalho inicial de Diniz, o dirigente deu a ele poderes para implantar o modelo em todas as divisões de base do clube desde a sub-14. A ideia é ter uma relação entre Fernando Diniz e os outros técnicos, respeitando-se os treinadores da base. Pela segunda vez, tenta-se uma estrutura verticalidade, como foi feito com Autuori.

A diretoria do Atlético-PR vê paralelos entre sua busca por inovação em campo e às reivindicações por mudanças no futebol. Coincidentemente, o clube terá um jogo importante da Copa do Brasil diante do São Paulo após Petraglia se negar a aparecer em eleição do futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo. Outros dois opositores foram Flamengo e Corinthians.

Petraglia falou com o dirigente da confederação por telefone para explicar porque não iria, após receber um pedido para comparecer. ''Expliquei que a gente não concordou com o que havia sido feito'', disse ele, sobre a manobra de Caboclo e Marco Polo Del Nero por uma chapa única na confederação. O discurso de Caboclo afirmando que estava comprometido ''com os que o apoiaram'' desagradou o dirigente atleticano.

''Foi um recado que entendi claro. Quem diz que não está comigo está contra mim. Pode não ter sido a intenção, mas dá uma dupla interpretação'', analisou. O dirigente, no entanto, não teme retaliações como em relação à arbitragem, pois entende que isso é uma prática antiga no futebol.