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Rodrigo Mattos

Cinco mudanças feitas por Barbieri que explicam a evolução do Flamengo

rodrigomattos

04/06/2018 10h59

Ao final da nona rodada, o Flamengo abriu quatro pontos na liderança do Brasileiro. É cedo para saber se o time vai se consolidar na ponta como indica o histórico do Brasileiro. Mas há jogos suficientes para constatar a evolução de um modo de jogar construído pelo técnico interino Maurício Barbieri. O jogo diante do Corinthians talvez tenha sido a melhor atuação coletiva rubro-negra neste ano.

Primeiro, lembremos que os primeiros jogos sob Barbieri não foram promissores. O time se classificou na Libertadores e Copa do Brasil, mas capengava. Faltava jogo coletivo, jogadores isolados uns dos outros, e mesmo uma composição defensiva mais ordenada.

Não por acaso a diretoria do Flamengo chegou a tentar Renato Gaúcho e Abel Braga. Passados alguns jogos, no entanto, o trabalho de Barbieri já mostrou sua cara, principalmente no Brasileiro. O sistema é o mesmo do antecessor Carpegiani com um volante, 4-1-4-1, mas a execução torna a equipe bem diferente. Vamos às principais mudanças.

Posicionamento dos meias

A partir do jogo com o Ceará, Barbieri ajustou a posição de seus meias, com um recuo de Paquetá para atuar de segundo volante e avanço de Diego. A bola passou a sair com mais velocidade nos pés do jovem meio-campista que também tem ido bem no combate. Diego, por sua vez, cresceu atuando mais próximo à área, onde é mais decisivo. Everton se consolida como armador pela direita. Nada disso é fixo, os jogadores rodam bastante, especialmente Paquetá que, como vem de trás, muitas vezes aparece mais livre.

Marcação à frente com pressão na perda de bola

Em casa, o Flamengo tem jogado com uma marcação adiantada. Isso até era praticado com Carpegiani, mas a diferença é que agora a pressão é exercida em bloco, dificultando as opções de passe adversárias. Quando perde a bola, o time também prioriza a retomada rápida no campo de ataque, como faz muito bem o Grêmio. O time de Renato ainda é bem superior neste quesito, e sofre menos com contra-ataques do que o rubro-negro. O time carioca tem melhorado aos poucos neste item.

Coordenação nas duas laterais 

As parcerias nas laterais do Flamengo têm funcionado bem com Everton e Rodinei de um lado, e Vinicius Jr e Renê, do outro. A armação do time tenta encaixar um jogador de mais velocidade (Rodinei e Vinicius Jr) com outro que o apoie na triangulação. Esse novo posicionamento melhorou os rendimentos dos laterais que vinham mal no ano. Sem ir ao fundo, Renê cresceu como defensor e avançando pelo meio, pois não tem muita velocidade na ponta. Uma saída de Vinicius Jr. prejudicará bem este sistema, pois é o jogador que se destaca no um contra um.

Zaga mais rápida

O modelo de jogo do Flamengo necessita de zagueiros rápidos para cobrir espaços deixados pelo meio-campo e laterais. Neste cenário, as contusões de Juan e Rever acabaram proporcionando uma nova zaga com Léo Duarte e Rodholfo que é mais veloz. O zagueiro vindo da base vive uma fase especialmente boa, tendo acumulado algumas boas atuações.

Redução dos cruzamentos na área

Um problema recorrente no Flamengo, nas gestões de Zé Ricardo, Rueda e Carpegiani, era o excesso de cruzamentos na área pelo alto, meio sem objetivo. Era também fruto de pegar o time adversário armado, e de o rubro-negro ser mais previsível por se movimentar pouco. Como a bola agora em geral sai pelo chão, e não há Guerrero para fazer pivô, o time carioca agora tenta jogadas de triangulação. Ou sai em velocidade no contra-ataque para pegar o rival desarmado, ou gira a bola bastante até achar espaço.

 

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.