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Ataques a Neymar lembram campanha contra Suárez na Copa-2014

rodrigomattos

03/07/2018 10h37

Sim, Neymar exagera na reação às faltas sofridas e isso não é correto por tentar criar uma vantagem indevida no jogo. Dito isso, há um exagero nas críticas ao atacante brasileiro especialmente em parte da mídia estrangeira ao se maximizar os seus erros e se minimizar suas qualidades. Algo parecido com o que ocorreu com o uruguaio Luis Suárez durante a Copa-2014 pela sua agressão a jogador italiano – os dois atos não são comparáveis, as campanhas, sim.

Como já dito neste blog, e virtualmente em todos os lugares, Neymar promoveu um excesso de quedas com giros nos dois primeiros jogos do Brasil. Isso criou uma antipatia entre estrangeiros até compreensível no início da Copa. Mas, a partir daí, a postura do jogador mudou.

Diante do México, ele rodopiou no chão quando sofreu um pisão de Layun, um teatro descenessário. Mas o pisão existiu e não foi punido com cartão como merecia. E, depois disso, começou a onda com Osório dizendo que "futebol para homem", seguido por outros jogadores mexicanos atacando o e esquecendo que foram superados na bola.

Um jornal inglês chamou o de falso. O ex-jogador Lineker, um dos mais lúcidos comentaristas do futebol atual, ironizou ao dizer que ele tinha um baixa capacidade de suportar a dor. No centro de imprensa de estádio de Moscou, onde eu estava, havia exclamações de indignação de jornalistas estrangeiros como se Neymar tivesse agredido alguém.

Lembra bastante o ataque de fúria contra Luis Suárez após ele morder Chielini na Copa-2014.  Não, não estou comparando os dois fatos, são bem diferentes. Suárez agrediu, errou feio e mereceu sua punição ao ser excluído da Copa. Mas, a partir daí, houve uma gritaria como se ele fosse um animal que não soubesse se comportar entres seres-humanos. Houve quem defendesse que fosse banido do futebol.

Peraí, onde estava essa cobrança toda por comportamentos éticos e postura quando ingleses e belgas botaram times reservas quando uma derrota os dava uma chave mais fácil? Onde estava a gritaria toda quando japoneses "jogaram para perder"? Neymar é o único jogador do futebol mundial que simula? O que fez Cristiano Ronaldo em seus saltos contra o Marrocos para cavar pênaltis (muito mais discretos do que os de Neymar, diga-se)?

A transformação de um jogador em vilão da Copa não faz nenhum sentido. Neymar trouxe para si mesmo essa onda ao se jogar demais no início da Copa, mas os ataques que sofre são exagerados e ofuscam a ótima Copa que faz. E só enxerga-se defeitos em um jogador que tem muitas qualidades. O ser-humano é complexo: reduzir sua descrição a apenas uma faceta não é correto.

Entres as maiores estrelas Mundiais, incluídos aí Messei e Cristiano Ronaldo, Neymar e Mbappé foram os únicos capazes de atuações brilhates nas eliminatórias da Copa. Considerado todo o Mundial, o atacante brasileiro tem tido um desempenho de ótimo nível, com alto número de dribles, passes decisivos e conclusões a gol. Resumir um jogador desse só ao seu defeito é uma injustiça.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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