Blog do Rodrigo Mattos

Nova proposta por direitos internacionais do Brasileiro balança clubes

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Uma nova proposta de um fundo inglês pelos direitos internacionais do Brasileiro a partir de 2019 leva os clubes a repensarem o acordo com um grupo nacional que ainda não foi assinado. A nova oferta é de um valor garantido de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), superior aos R$ 110 milhões aceitos anteriormente do banco Riza Capital por quatro anos. Dirigentes de clubes marcaram nova reunião para discutir o caso pois a segunda proposta já foi enviada à CBF.

Com os novos contratos do Brasileiro para 2019, a Globo não comprou os direitos internacionais, nem de placas em volta do campo. Isso deixou em aberto esses direitos e a CBF se ofereceu para negociar em nome dos clubes.

Houve uma concorrência e apresentação de propostas. A melhor delas até então foi do banco de investimentos Riza Capital, que tem entre seus investidores Alexandre Grendene, Patrícia Coelho e Cesar Rocha. A oferta foi de R$ 550 milhões por ambos os direitos, sendo R$ 440 milhões pelas placas e R$ 110 milhões pelos direitos internacionais.

A comissão de clubes aceitou a oferta e o contrato estava pronto para ser assinado. Durante a Copa, no entanto, surgiu uma nova proposta de um fundo inglês cujo nome não foi revelado que a apresentou por meio de um dos clubes. Inicialmente, era uma oferta informal, mas esta foi formalizada nesta semana.

Estão na mesa US$ 220 milhões. Mas esse dinheiro seria como luvas que seriam pagas aos clubes. Enquanto isso, todas as vendas de direitos internacionais ficariam com o fundo até que se atingisse esse valor. A partir daí, os clubes e o fundo passariam a dividir o dinheiro meio a meio.

No caso do Riza Capital, o contrato seria de quatro anos com R$ 110 milhões garantidos pelos direitos internacionais. Clubes e o grupo atuariam de forma conjunta para a venda dessas propriedades.

Foi marcada uma reunião para terça-feira em Brasília com os clubes que fazem parte da comissão para discutir a nova proposta. Entre os times, estão Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético-PR e Coritiba. Também se analisará a possibilidade de criação de uma associação dos clubes para revender os direitos em vez de a CBF atuar como intermediadora.

''Já tinha sido encaminhado o acerto com esse fundo (Riza Capital) então existe uma discussão que os clubes vão ter sobre o timing dessa proposta. Temos que ver quanto teremos de tempo para analisar a nova proposta (do fundo inglês) porque a outra estava para ser assinada'', contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que é parte da comissão.  ''Economicamente, existe uma vantagem. Clubes têm que ver se abrem nova negociação.''

Lage ainda ressaltou que entende como importante que os clubes tenham participação na negociação dos direitos internacionais do Brasileiro que são uma propriedade pouco trabalhada no exterior. Quer a valorização desta marca. ''Temos que desenvolver um projeto para tornar o produto mais conhecido.''

Para o dirigente do Cruzeiro, a negociação pode se dar por meio da CBF, sem necessidade da criação de uma associação de clubes. Questionada, a confederação não informou se já recebeu, de fato, uma nova proposta.

Há ainda uma demanda de alguns clubes de que a Globo abra mão dos direitos que tem no exterior para o seu canal internacional. É improvável, no entanto, que este pedido seja atendido visto que a emissora tem contratos que lhe garantem isso.

Em relação às placas, é possível que exista uma nova proposta também pelos direitos de placas. Flamengo e Corinthians já se retiraram do acordo relacionado às placas por entenderem que é mais vantajoso negociarem individualmente essas propriedades.