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Espanholização? Disparidade entre clubes do Brasil é menor do que na Europa

rodrigomattos

2022-01-20T19:04:00

22/01/2019 04h00

A distância de gastos entre clubes ricos e de menor investimento no Campeonato Brasileiro ainda é menor do que na Europa com exceção da Inglaterra. É o que mostra uma comparação do blog entre as despesas de futebol dos times nacionais com as equipes das principais ligas europeias. Como consequência, a competição local ainda é mais equilibrada embora essa diferença esteja aumentando nos últimos anos.

Para fazer a comparação, o blog utilizou números de 2017 de um estudo da UEFA sobre os times europeus e outro da Ernest & Young para o Brasil. É preciso fazer uma ressalva: no caso europeu, em relatório recém-publicado, a UEFA considerou apenas os gastos com salários. No Brasil, a empresa de consultoria levantou todo o custo do futebol por ser impossível diferenciar só os vencimentos de jogadores no balanço.

Mas a comparação é possível porque trata da diferença percentual entre o que investem os times com maior renda e aqueles com menor arrecadação, a grosso modo, ricos e pobres. No relatório da UEFA, os clubes da liga da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França foram divididos em três grupos em cada um dos seus campeonatos. No primeiro escalão, estão os quatro clubes mais ricos; no segundo, ficam os times de quinta à oitava posição; e, depois, as outras equipes até o final da tabela.

Entre as ligas pesquisadas, o Brasil tem uma disparidade menor do que Alemanha, Espanha, Itália e França. No caso inglês, há menor distância entre os times do topo e os do final.

Na Inglaterra, liga com menor disparidade na Europa, os quatro clubes mais ricos gastaram em média 285 milhões de euros com salários durante a temporada de 2017. Aqueles que estão no grupo da 9ª à 20ª colocação têm folhas salariais médias de 98 milhões de euros. Assim, as despesas com salários do primeiro grupo são 292% maiores do que os últimos.

Em outras ligas europeias, o percentual revela uma disparidade muito maior. Na Alemanha, o grupo de times mais ricos gasta 420% mais em salários e na Itália, 470%. Já na França, do bilionário PSG, a diferença sobe para 560%. Por fim, a terra de Real Madrid e Barcelona justifica o termo espanholização: o abismo entre a elite e o grupo com menos dinheiro é de impressionantes 870%.

No caso espanhol, os quatro times que mais ricos gastam um total de 265 milhões de euros, enquanto o que os que menos gastam com salários estão com 30 milhões de euros de patamar. Isso ocorre porque Real Madrid e Barcelona tinha, em 2017, as maiores folhas salariais da Europa.

A disparidade é a menor do que a do Brasileiro, isto é, o país está ainda longe de uma espanholização. Utilizando o mesmo critério da UEFA, o blog fez o cálculo da diferença na Série A em relação ao custo do futebol dos times. Utilizou para isso levantamento da Ernest & Young sobre os balanços de 2017.

No Brasileiro, o grupo de quatro times que mais gastaram, São Paulo, Flamengo, Palmeiras e Corinthians, teve um investimento médio em futebol de R$ 331 milhões. No conjunto de equipes do meio, de 5ª a 8ª posição, com Grêmio, Atlético-MG, Cruzeiro e Santos, o investimento médio foi de R$ 227 milhões. Por fim, o grupo que menos investe formado por 11 clubes teve uma despesa média com futebol de R$ 90,9 milhões. Ou seja, as despesas com gasto com futebol da elite para aqueles com menos dinheiro foi de 364%.

Apesar dos altos gastos com salários, os times europeus mostram-se bem mais equilibrados financeiramente agora em 2017 do que em 2012 quando foi implantado o fair play financeiro pela UEFA (são medidas que limitam os gastos ao que o clube pode investir). Os vencimentos de jogadores representaram 61,3% das receitas dos clubes e cresceram em ritmo mais lento do que as rendas dos times. Assim, os clubes europeus tiveram somados um lucro de 1,4 bilhão de euros na temporada de 2017. Como resultado, as dívidas passaram a representar uma fatia inferior da receita dos clubes: 34% da renda. Isso mostram, em média, uma boa situação financeira.

A CBF ainda não implantou o fair play financeiro no Brasil. Criou uma legislação para dar licenças para os clubes, mas que, por enquanto, só tem exigências de infraestruturas e de apresentação de documentos financeiros.

Em relação à disparidade, clubes como Palmeiras e Flamengo têm aumentado a diferença para outros times com rendas médias ou pequenas em comparação com estes. Basta lembrar que ambos têm orçamentos que ultrapassam R$ 500 milhões para 2019.

Errata: o blog o cálculo da diferença entre os clubes do topo do Brasileiro em relação aos que estão abaixo na publicação original, calculando um percentual diferente do real que é de 364%. Por isso, constatou inicialmente que haveria maior disparidade no Brasil do que na Inglaterra. O cálculo foi corrigido e reflete a realidade de que o Nacional é mais equilibrado em gastos do que quatro ligas europeias, mas não do que a inglesa.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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