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Fla tinha vínculos amadores com jovens mortos e caso é diferente da Chape

rodrigomattos

09/02/2019 04h00

O Flamengo mantinha vínculos amadores com os dez jogadores mortos no incêndio no CT Ninho do Urubu, sem contratos profissionais. Isso ocorre por conta da idade dos atletas abaixo de 16 anos, com exceção deles. A natureza do vínculo não tira a responsabilidade do clube em relação aos garotos, mas torna o caso diferentes do acidente da Chapecoense em relação a indenizações.

Pela legislação brasileira, os clubes podem estabelecer vínculos registrados com jogadores a partir dos 14 anos. Assim, firma-se um esse vínculo por não amador que é uma espécie de segurança para receber indenização se o jovem deixar o time. A partir dos 16 anos, podem assinar acordos profissionais.

Dos nove jogadores mortos confirmados, quatro tinham registros na CBF ou na Ferj, segundo consulta feita pelo blog junto às entidades. São eles: Arthur Vinicius de Barros Silva Freitas, Christian Esmério, Jorge Eduardo dos Santos, Pablo Henrique da Silva Mattos. O décimo nome não foi confirmado.

Desses, Christian já tinha contratos de formação, o que indicava apostas mais firme nos jogadores. Goleiro, o primeiro era considerado a maior promessa entre os que morreram. Os outros tinham vínculos não-profissionais que envolvem basicamente pagamento de uma espécie de bolsa. Mas em nenhum caso há vínculo empregatício.

Outros quatro não constam nos registros, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Vitor Isaías e Rykelmo. Mas, segundo o blog apurou, também têm alguma espécie de vínculo com o clube ou não estariam no centro de treinamento. Até porque jogaram pelo clube e para isso precisariam de registro.

Quem tinha acabado de chegar foi o garoto Gedson Santos, que estava há apenas uma semana no clube e portanto deveria estar formalizando sua situação.

Em todos os casos, o clube se responsabilizava por eles quando o garoto chegava ao alojamento. Pela Lei Pelé, em seu artigo 29, o clube é obrigado a dar alojamento, higiene e alimentação para estabelecer o vínculo com o atleta, garantir assistências médicas e psicológicas, entre outros pontos. E o contrato de formação prevê um seguro de vida.

Mas o fato de não haver vínculo profissional cria uma discussão sobre onde se arbitrará indenizações a serem pagas pelo clube, independentemente do que causou o incêndio. O Ministério Público do Trabalho montou força-tarefa para atuar no caso apesar de os jogadores não terem vínculo empregatício.

"O contrato de formação serve especificamente para estabelecer o vínculo entre o clube e o jogador para evitar a saída do atleta. O seguro previsto pela CBF é para contrato profissional que estabelece 14 salários de indenização", contou o advogado Marcelo Amoretty, especialista em direito esportivo e que defende a Chapecoense em alguns casos. "No caso da Chapecoense, a CBF complementou com mais salários pela comoção."

Mas, além disso, as famílias dos jogadores mortos da Chapecoense também entraram com ações indenizatórias contra o clube. O clube tem feito acordos. No caso do Flamengo, os valores das bolsas eram baixos e portanto dificilmente devem servir de parâmetro.

"O grande dilema (neste caso do Flamengo) é se chegar a uma valor moral já que não é difícil saber qual seria o valor legal neste caso", analisou Amoretty.

Oficialmente, o Flamengo não está falando sobre o caso além de breve pronunciamento de seu presidente Rodolfo Landim.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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