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Lição do Fla-Flu: VAR não resolve se jogadores só querem pilha e agressões

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2028-03-20T19:04:00

28/03/2019 04h00

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Eram apenas cinco minutos quando saiu um gol do Fluminense em lance que foi parar na revisão do árbitro de vídeo. O bandeira apontava impedimento, o árbitro Marcelo de Lima Henrique viu uma falta (existente) de Matheus Ferraz em Rodrigo Caio e anulou o tento. O Fla-Flu que já era tenso desandou.

A partir daí, a cada lance era uma roda em volta de Lima Henrique, uma tentativa de intimidação. E não eram poucos lances discutidos já que sobravam entradas ríspidas e provocações entre rubro-negros e tricolores. Atitude incompreensível se levarmos em conta que o clássico não valia tanto assim.

Faltava bola. O Fluminense, que se propõe a ser um time de posse, não sabia controlar o jogo. Longe de suas melhores noites, o Flamengo pressionava, era mais eficaz na recuperação de bola e partia em contra-ataque nos espaços dados pelos tricolores. Chegou ao gol no chute de Renê.

Mas a pilha que impedia os times de jogarem levou Bruno Henrique a dar uma solada fortíssima no joelho de Gilberto. Poderia ter machucado o tricolor. Foi expulso com justiça. Até ali, já eram seis amarelos.

A vantagem de um a mais ajudou o Fluminense, mas não o jogo. O time teve um domínio no início do segundo tempo e empatou em mais um lance com árbitro de vídeo. Em um choque de Léo Duarte com Everaldo, Lima Henrique não viu pênalti ao vivo, mas entendeu que houve falta no vídeo. Na minha opinião, houve a falta, mas o lance era discutível já que boa parte dos comentaristas entende de forma contrário. Ou seja, não deveria haver VAR.

O Flu recuou e o time rubro-negro foi para o tudo ou nada. Mas praticamente não havia jogo em meio às ofensas de parte a parte, entradas duras, e mais rodas em volta ao juiz. Por duas vezes a bola bateu nas mãos de jogadores tricolores na área, claramente sem intenção e nada para marcar, e os jogadores do Flamengo gritavam a ponto de parar de jogar para pedir o uso do árbitro de vídeo.

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Ninguém queria jogar bola, só reclamar e ganhar na pilha. Em um cenário assim, o lance decisivo acabou sendo um excesso de força imposto pelo zagueiro Léo Santos que deu um tranco em Lucas Silva que iria sair da área com pouco perigo. Everton Ribeiro protagonizou o único momento de calma no jogo ao fazer a cobrança no canto. Pode-se observar que o árbitro Marcelo de Lima Henrique não conseguiu viabilizar um clássico com bola rolando, mas será que alguém teria êxito nisso com a postura dos atletas e técnicos?

Ao final da partida, mais tiro, porrada e bomba no corredor do vestiário entre jogadores. Em meio a isso, o técnico Abel Braga foi para o vestiário sentindo-se mal. Pode ser que tivesse ocorrido em um jogo bem jogado e emocionante, sem tanta pilha. Fato é que não vai adiantar nada ter VAR no futebol brasileiro se os jogadores continuarem mais preocupados em ganhar no grito do que na bola.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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