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CBF ignora oferta final de R$ 238 mi pelo Brasileiro-2019 ao encerrar venda

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2004-05-20T19:04:00

04/05/2019 04h00

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

A CBF e os clubes encerraram a concorrência para direitos internacionais do Brasileiro sem conclusão o que gerou uma perda entre RS$ 160 milhões e R$ 230 milhões aos times neste ano. A justificativa foi o pedido da empresa vencedora Sport Promotion para incluir propriedades extras na assinatura. Só que a CBF ignorou proposta final do concorrente Prudent que queria apresentar nova oferta e aceitava pagar US$ 604 milhões (R$ 2,380 bilhões) por dez anos dentro das regras originais.

A concorrência dos direitos internacionais do Brasileiro se iniciou desde o meio do ano passado com a CBF atuando como aglutinadora dos clubes. Houve um fracasso da primeira concorrência já que a vencedora não pagou (BR Foot) e agora da segunda. Não será possível vender os direitos para edição 2020 que valeriam até R$ 238 milhões pelas propostas apresentadas.

Em reunião na terça-feira, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, abriu a reunião afirmando que recomendava o encerramento do processo após a Sport Promotion pedir a inclusão da exploração de apostas no contrato. A empresa tinha batido a Prudent em concorrência e, depois disso, pediu ampliação dos seus direitos sem pagar nada a mais. Todos os clubes presentes concordaram, segundo presentes.

Só que, na mesma terça-feira, a empresa Prudent tinha enviado uma carta para a CBF, para a Ernst & Young e para clubes reclamando da falta de tratamento isonômico na concorrência. No documento, o Prudent afirma que perdeu a disputa porque a Sport Promotion aceitara incondicionalmente o escopo do contrato. Enquanto isso, o fundo Prudent chegou a oferecer um total de US$ 800 milhões desde que fossem incluídos Games e publicidade estática virtual nos direitos do acordo.

Depois, a proposta caiu para US$ 604 milhões como mínimo com a retirada desses direitos extras. Ainda oferecia 50% da receita bruta da venda internacional, enquanto a Sport Promotion queria repassar entre 30% e 40% da receita líquida. Pelo menos é essa a versão da carta do Prudent.

Em seguida, no documento, o fundo lembra que, apesar de ter perdido o processo, o contrato não foi assinado. "E depois, o que é gravíssimo, a concorrente (que havia ameaçado se houvesse alteração de escopo) , ela própria, condiciona a assinatura à ampliação do escopo, como foi veiculado na mídia", diz trecho da carta à CBF.

Em seguida, completa: "Para pedir a ampliação de escopo, Prudent ofereceu US$ 200 milhões a mais. Agora a concorrente quer ampliação do escopo sem aumentar em nenhum centavo a proposta apresentada". Ao final, o Prudent completa: "Se, depois de tudo isso, ampliarem o escopo para beneficiar o concorrente, o Prudent gostaria de pedir para apresentar nova proposta com o escopo ampliado".

O entendimento do concorrente é que a inclusão de apostas tornaria a propriedade muito mais valioso e poderia gerar aumento de proposta. Inicialmente, o Prudent tinha pedido para colocar Games e publicidade estática virtual, sem apostas. A proposta do Prudent era também pagar US$ 100 milhões logo de cara para os clubes, o que daria quase R$ 20 milhões por clube em divisão igualitária. O representante do fundo, Hélio Viana, preferiu não comentar a carta.

A CBF não botou em votação a proposta final do Prudent, nem a Ernst & Young respondeu à carta do fundo. Pelas regras da licitação, caso uma proposta fracasse, pode ser chamado novamente o outro concorrente ou ser encerrado o processo. Oficialmente, nem CBF, nem a Ernst falam do assunto.

Internamente, o blog apurou que a justificativa da confederação é que os clubes não queria mais a ampliação do escopo e não gostavam da proposta da Prudent por ser de dez anos, e não de quatro. De acordo com a versão de fontes ligadas à CBF, todos os clubes queriam recomeçar.

Além disso, há a alegação de dirigentes da entidade de que outras empresas que participaram do processo desde o início, como DAZN e IMG, não tiveram a chance de fazer proposta com maior quantidade de propriedades.

Não há perspectiva de quando a CBF vai começar a nova concorrência, mas, como deve demorar tempo, não será possível vender os direitos desse ano dentro do pacote. Em resumo, os clubes perderam uma receita de um ano dos direitos internacionais.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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