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Fla supera trauma da Libertadores jogando bola após 1a fase ruim

rodrigomattos

09/05/2019 04h00

O Flamengo realizou uma das suas melhores atuações no ano diante do Peñarol e ainda assim sofreu para se classificar às oitavas-de-final da Libertadores. Haverá quem atribua a um estigma na competição ou à ineficiência de atacantes. Mas é preciso lembrar que o sufoco rubro-negro é fruto de uma primeira fase fraca para o nível da equipe.

Desde o início, ressaltemos que o Flamengo dominou o Peñarol enquanto teve 11 jogadores em campo. Abel Braga parece, enfim, ter recebido uma luz divina e entendido que os jogadores atuam melhor nas posições mais afeitas as suas características, e não em escalações forçadas por um "gênio inventivo".

Foi com Gabigol como centroavante, Bruno Henrique na esquerda, e principalmente com Éverton Ribeiro e Arrascaeta na direita e no centro que o jogo do Flamengo fluiu desde o primeiro minuto do jogo no Uruguai. Óbvio que podem e devem trocar de posições durante a partida, mas é nessas funções que se encaixam melhor. Pausa para elogio para os dois meias rubro-negros: há uma inteligência no jogo de ambos que não é vista no futebol nacional.

Assim, o Flamengo dominava o Peñarol e criava uma chance atrás da outra, assim como as desperdiçava como se fossem moedas jogadas em uma fonte do desejo. De frente para o goleiro, Gabigol jogou para fora um lance construído pelos dois meias. Era para o Flamengo sair do primeiro tempo com a vaga decidida.

A volta para o intervalo desenhava panorama muito similar e o time carioca já tinha perdido dois outros gols quando a se tragédia se anunciou. Pará deu uma trombada em Braian Rodriguez, o árbitro Roberto Tobar lhe deu um segundo amarelo e, por consequência, o vermelho. Era bastante exagerada a punição. Haverá quem critique Abel Braga por não ter tirado o jogador (que sofria para marcar Rodriguez). É uma observação discutível que só se transformou em certeza porque ele foi expulso.

Enfim, drama posto, o Flamengo sofreu alguns minutos, mas soube ser maduro como raras vezes em Libertadores. Abel Braga, que como já dissemos falha na temporada, foi bem nas substituições. Vitinho entrou para garantir um contra-ataque, Diego, para manter a posse de bola. O time posto se fechou bem, controlou o jogo e até teve uma chance melhor do que o Peñarol para matar o jogo com Vitinho, mais livre ainda do que Gabigol no primeiro tempo.

No final, o Peñarol exibiu o seu costumeiro espetáculo lamentável de arremessos de objetos em campo e jogadores valentões, somado aos gestos racistas de um torcedor pre-jogo. Já se sabe o roteiro do time uruguaio: falta bola, sobra selvageria, e a Conmebol finge que não vê. Ano que vem eles fazem de novo e fica por isso mesmo.

Como saldo, o Flamengo teve uma classificação sofrida além do necessário em um grupo com três times que lhe são bem inferiores. Isso porque jogou duas partidas boas (uma delas esta no Uruguai) e quatro meia-bocas. A lição para o time é que, se o seu técnico fizer ao menos o básico, se o time se preocupar em jogar bola e não na "mística da Libertadores", se for mais atento nas conclusões, há um caminho possível para as próximas fases e para acabar com esse estigma da competição.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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