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Por que Bolsonaro não entregou a taça da Copa América para a seleção

rodrigomattos

09/07/2019 16h21

Juan MABROMATA / AFP)

Antes da final da Copa América, organizadores da competição diziam que era normal a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, em campo. É padrão que o chefe-de-estado participe da cerimônia de premiação em Copas do Mundo e, em certas ocasiões, entregue o troféu. A Conmebol, no entanto, não o convidou para dar a taça de campeão à seleção brasileira para evitar politizar a cerimônia, chamando-o para participar da premiação de medalhas aos jogadores.

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Pelo regulamento da Copa América, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, que passa o troféu ao capitão. Mas há a possibilidade, sim, de a confederação sul-americana convidar o chefe-de-estado do país para acompanha-lo, segundo membros da entidade. No domingo, no entanto,  Dominguez levou, sozinho, o troféu para Daniel Alves.

A avaliação da Conmebol é de que a participação de Bolsonaro na taça causaria um uso político da cerimônia, com possibilidade de vaias e aplausos. A entidade quer quer os jogadores sejam protagonistas. Por isso, convidou o presidente para entregar medalhas aos jogadores. Na semifinal no Mineirão, a AFA (Associação de Futebol Argentino) já tinha criticado a presença do presidente do Brasil em campo, classificando como "manifestação política". Havia um incômodo também na CBF de que Bolsonaro quisesse assumir protagonismo em campo.

Na última Copa do Mundo na Rússia, a Fifa também preferiu adotar esse procedimento da Conmebol. Foi o presidente da Fifa, Gianni Infantino, quem entregou o troféu para a França – o chefe-de-estado russo, Vladimir Putin, deu medalhas na premiação. Nos dois Mundiais anteriores, no entanto, Dilma Rousseff, no Brasil-2014, e Jacob Zuma, na África do Sul-2010, entregaram os troféus juntamente com o então presidente da Fifa Joseph Blatter, que chamou ambos para participar.

Apesar da intenção da confederação sul-americana de evitar política no Maracanã, Bolsonaro entrou em campo sob vaias dos torcedores na arquibancada, enquanto apoiadores gritavam seu nome. Esteve discreto no pódio. Depois, foi até os jogadores para tirar uma foto segurando a taça com alguns atletas festejaram o presidente. Logo em seguida, se retirou. Ainda assim, dirigentes da Conmebol avaliam que sua participação foi contida.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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