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Como Cruzeiro evita perder pontos mesmo após Fifa dar pena por calote

rodrigomattos

11/07/2019 06h00

O Cruzeiro foi punido em duas instâncias em cortes da Fifa por um dívida com o clube ucraniano Zorya Luhansk: a pena é a perda de seis pontos. Mas o clube brasileiro retardou a aplicação da pena pela CBF com um recurso alegando que não sabe para quem tem que pagar a débito pois há disputa entre times. E, agora, há a expectativa de meses para um julgamento e depois prazo para o time mineiro pagar, o que o livraria da punição.

Willian foi contratado em definitivo pelo Cruzeiro em 2014, há cinco anos, em transação feita com o Zorya.  O time da Toca da Raposa deixou de pagar 1,5 milhão de euros (R$ 6,3 milhões) das parcelas. Em 2017, o clube ucraniano entrou com ação contra o time mineiro cobrando este valor.

O processo corre pelas regras disciplinares mais antigas da Fifa, isto é, é mais lento do que ações atuais. Há prazos longos para sair uma decisão, quando há uma sentença demora para ser comunicada a todas as partes, e um recurso interrompe a execução. Foi assim que demorou cinco anos para o Comitê Disciplinar da Fifa determinar, em 22 de março, a decisão definitiva de perda de pontos pelo Cruzeiro a não ser que pagasse o valor em 60 dias.

A partir daí, o clube tem direito a pedir o inteiro teor da decisão e depois a recorrer ao CAS (Tribunal Arbitral do Esporte). A partir do recurso do clube, a pena imposta pelo comitê da Fifa fica suspensa. "A CBF não puniu o Cruzeiro porque, dentro do prazo estipulado para pagamento da dívida, o clube recorreu e a FIFA suspendeu o processo até a decisão final da Corte Arbitral do Esporte (CAS)", explicou a própria confederação.

E o que o Cruzeiro alegou em seu recurso ao CAS contra a Fifa? O clube mineiro diz que não sabe para qual clube tem que quitar o dinheiro da transferência de Willian – ou seja, reconhece a dívida. Isso porque o jogador era do Metalist, time da Ucrânia, enquanto atuava emprestado ao Cruzeiro. O clube faliu e o staff de Willian informou que agora ele tinha contrato com o Zorya.

Bem, o Cruzeiro então negociou com o Zorya o pagamento da multa para contratar Willian. Não pagou e veio o processo. Só que o clube mineiro alegou ao CAS que, no meio do processo, a massa falida do Metalist disse ser a real dona dos direitos sobre o jogador. Depois, o clube ucraniano sumiu e reapareceu agora para cobrar. Por isso, internamente, o time celeste defende que não está simplesmente atrasando pagamentos.

Do lado do Zorya, há a certeza de que a atitude do Cruzeiro é meramente uma forma de protelar o pagamento já que o contrato com o clube é claro. Nesta versão, o CAS inclusive já teria derrubado os argumentos do clube mineiro de que não dá para saber a quem pagar. A expectativa do clube ucraniano é de que o julgamento ocorra em alguns meses ( o máximo são 10 meses) e seja uma vitória fácil por conta dos contratos.

Se a decisão do CAS confirmar a punição da Fifa ao Cruzeiro, será dado novo prazo para o Cruzeiro pagar. O clube mineiro espera ter mais 90 dias o que poderia protelar a dívida para 2020. Já o Zaroya tem a expectativa de um prazo mais curto de um mês para o pagamento porque vai alegar à Fifa que há manobra para atrasar pagamentos.

Não é a primeira vez que o Cruzeiro estende limites para quitar dívidas com ameaça de punição. Neste ano, pagou por Latorre, contratado juntamente com Arrascaeta, também por temer sanção. O mesmo ocorreu com o Atlético-MG com Diego Tardelli, cujo débito não gerou punição da Fifa por dias. Como mostram os balanços de 2018, os dois clubes tinham dívidas de R$ 182 milhões com outros clubes ao final do ano passado.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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