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Diretoria do Cruzeiro é mais culpada do que Mano pela crise

rodrigomattos

08/08/2019 04h00

Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Quando faltava pouco para o final do jogo no Mineirão, e o Internacional vencia, a torcida do Cruzeiro chamou seu técnico Mano Menezes de burro enquanto o treinador fez um gesto de positivo, reconhecendo o problema. Pareciam aqueles casais em que marido e mulher se afastam de tal forma que só resta hostilidade ou silêncio. Ao final da partida, houve o divórcio.

A demissão de Mano reflete o desempenho do Cruzeiro na temporada. Um time que não faz gol em oito jogos seguidos torna seu técnico indefensável. É portanto correta a decisão do treinador e do clube de se separarem.

Foi por causa dele que o Cruzeiro adotou o defensivismo quase como um dogma. A ponto de, quando decidiu ser um pouco mais ofensivo como contra o Internacional, o time não sabia como fazê-lo. Não havia uma ideia de como atacar, nenhuma movimentação coordenada dos quatro jogadores ofensivos, nenhuma conclusão perigosa a gol no primeiro tempo. E vem sendo assim, jogo após jogo.

Mas todos esses erros do treinador não o tornam o principal culpado pela crise do Cruzeiro que está na zona de rebaixamento do Brasileiro. A maior responsabilidade está na diretoria do clube.

A gestão do presidente Wagner Pires de Sá levou o Cruzeiro a uma crise provavelmente sem precedentes em sua história. Decidiu gastar bem além do que as finanças do clube permitiam, seja no time, seja em comissões de empresários, seja em contratos para conselheiros, seja em salários milionários para dirigentes como Itair Machado, agora afastado.

O clube vive ameaçado por ações na Fifa em que pode perder pontos, por cobranças financeiras de todos os lados e até por atrasos de salários. Desmonta seu elenco a cada proposta meia-boca que surge. O total descalabro administrativo transformou a agremiação em um caso de polícia, literalmente, quando houve batidas na sede para recolher documentos em investigação de irregularidades.

Havia quem desse declarações de que era possível manter o time isolado desse ambiente externo – foi o caso do meia Thiago Neves. Trata-se de um pensamento alienado que não se sustenta na realidade. São vários os casos de clubes grandes brasileiros que foram rebaixados em meio a crises administrativas graves.

Mano deixou o Cruzeiro assumindo responsabilidade pela má fase e até viu como legítima a hostilidade da torcida. Reconheceu sua parcela de culpa. Resta saber quando o presidente do Cruzeiro e seus aliados vão admitir os problemas que causaram ao clube e tomarem uma atitude igual.

PS Como o futebol é imprevisível, é sempre possível que um novo técnico leve o Cruzeiro para a final da Copa do Brasil e até sejam campeões. Isso não amenizará em nada a culpa dos dirigentes celestes.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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