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Como Jesus fez funcionar rotação de posições no Fla que fracassou com Abel

rodrigomattos

22/08/2019 04h00

Diante de uma defesa fechada do Internacional, o Flamengo rodou seus jogadores ofensivos  na maior parte das posições de ataque até achar o espaço para fazer seus gols e levar às ruínas o sistema de proteção colorado. Surpreendentemente, o time não se desorganizou com esses deslocamentos. Essa flexibilidade tática tem sido um mérito do time de Jorge Jesus.

Lembremos que o antecessor do português Abel Braga também tentou estabelecer uma espécie de rotação entre seus jogadores ofensivos. Gabigol caía mais pela direita, Bruno Henrique centralizava e Everton ia para o meio. Não deu certo em nenhum momento, o time nem conseguia aproximação ofensiva, nem se postava de forma segura para defender.

Já com Jesus os movimentos são ainda mais complexos e, ainda assim, ocorrem de forma quase natural sem bagunçar a disposição do time. Questionado em entrevista pós-jogo, ele explicou que viabiliza essa estratégia com trabalhos coletivos em que cada um tem uma função seja na fase ofensiva ou defensiva. Assim, nas palavras dele, é fácil graças à qualidade dos jogadores rubro-negros.

Veja o caso de Everton Ribeiro, que foi uma surpresa na escalação no lugar de Gerson que vinha sendo o titular. O meia começou centralizado em cima do volante Lindoso e às vezes caía pela esquerda para trocar passes com Arrascaeta. Ao final do primeiro, voltou ao seu setor habitual pela direita.

Como Arrascaeta não estava bem, Gerson entrou após o intervalo pela esquerda. Em seguida deslocou-se para direita que lhe dá o pé invertido para cortar para dentro. Por ali, achou os espaços para armar ataques em uma brecha defensiva do Internacional. Quem ocupou a armação pelo lado esquerdo foi o lateral Filipe Luís, dono de passe inteligente entre as linhas.

Destaque óbvio do jogo, Bruno Henrique flutuou o tempo inteiro entre a esquerda e o centro da área. Já Gabriel em algumas vezes era como um 10 encostado por trás dele, em outras voltava a ser centroavante e teve fases atuando aberto pela direita.

O fluxo de jogadores era tão constante que é até difícil botar em números o esquema de Jesus. Seu preferido é o 4-1-3-2. Mas, como bem observou meu colega de "O Globo" Carlos Eduardo Mansur, Arão e Cuellar estão cada vez jogando mais próximos como dois volantes, e não mais com Arão como meia como no início de Jesus. Ou seja, seriam dois volantes. E, se de início, são dois atacantes, quando um deles se descola para a ponta, resta um na frente da linha de três jogadores ofensivos.

Havia uma contraste marcante com o Internacional de Odair Hellmann que só tem um jeito de jogar fora de casa: com nove jogadores atrás da linha da bola, bloqueando todas as passagens do adversário e abdicando de tentar o gol.

É difícil saber como será o formato final do Flamengo de Jesus e mesmo se haverá um formato definitivo. É um time ainda em construção. Mas pode ser que venha a ser uma equipe eternamente em construção, se adaptando às condições, obrigando seus jogadores a pensarem em novos espaços para jogar.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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