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Athletico gasta só valor de um 'Deyverson' por ano em contratações

rodrigomattos

20/09/2019 04h00

Campeão da Copa do Brasil, o Athletico tem como fórmula para superar rivais mais ricos uma folha salarial baixa, dinheiro limitado para contratações de apostas e investimento forte na divisão de base. É o que mostram os números dos documentos financeiros do rubro-negro. Em média, o clube paranaense gastou cerca de R$ 18 milhões por temporada em contratações nos últimos cinco anos, valor equivalente ao pago pelo Palmeiras por Deyverson em 2017.

Há uma explicação para a estratégia do Athletico: é apenas o 13o clube em receita no Brasil até o ano passado com R$ 150 milhões. Essa realidade vai mudar na atual temporada porque sua renda deve praticamente dobrar na atual temporada com a premiação da Copa do Brasil e as vendas de Renan Lodi e Pablo.

Mas, com a realidade até o ano passado, a solução foi garimpar atletas como Bruno Guimarães, que saiu do Audax, ou Rony. O valor gasto nos últimos cinco anos com contratações foi de R$ 88,6 milhões, o que dá a média de R$ 17,7 milhões por ano. Em 2017, o Palmeiras contratou Deyverson por 5 milhões de euros (R$ 19 milhões na época). No ano passado, o Athletico foi mais ousado e gastou R$ 32 milhões em transferências.

Com custos menores, o Athletico consegue ter saldo amplamente favorável em transações de jogadores. No total, vendeu R$ 200 milhões em jogadores durante esse período de cinco anos.

As saídas de atletas são inevitáveis porque o clube não paga altos salários para se manter com superávit e com uma dívida operacional baixa – o débito significativo é o da reforma da Arena da Baixada que deve pressionar as contas no futuro. Sua folha salarial é a 13a na lista dos times da Série A, publicada pelo colega Mauro Cezar Pereira. Em relação às despesas com pessoal do clube inteiro, o gasto é de R$ 64,1 milhões que é apenas o 15o no ranking da Série A. Por isso, a diretoria do Athletico sabe que, quando um outro clube brasileiro ou um europeu oferece R$ 500 mil de salário para o jogador, fica difícil segurar.

Em compensação, o clube rubro-negro tenta investir o máximo possível na divisão de base. Nos últimos cinco anos, foram cerca de R$ 70 milhões, segundo o relatório. É um das quatro agremiações que mais investiram na base considerados os últimos cinco anos, segundo o relatório do Itaú BBA sobre contas de times de futebol. A questão é que outros clubes como mais potencial de investimento têm crescido suas apostas nas categorias inferiores também. Fato é que a fórmula atleticana possibilitou ao time ganhar dois títulos relevantes em dois anos, jogando contra adversários com investimentos bem superiores.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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