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Futebol vertigem leva Flamengo a igualar recorde do Cruzeiro

rodrigomattos

26/09/2019 04h00

Foi o futebol vertigem instituído por Jorge Jesus desde o primeiro jogo que levou o Flamengo ao recorde de oito vitórias nos pontos corridos ao bater o Internacional. Assim, igualou marca do Cruzeiro (2003 e 2013). O time rubro-negro tem a liderança do campeonato, disparado o melhor ataque com 47 gols, e apenas a 6a defesa menos vazada.

Esse salto de desempenho ofensivo se deu nas mãos do técnico português. Sob seu comando, a média de gols do Flamengo saltou para 2,46 gols no Brasileiro. Antes, com Abel Braga e o interino Marcelo Salles, a média era de 1,7 gol.

Não foi à toa. Desde a primeira partida, diante do Athletico pela Copa do Brasil, Jesus armou seu time com linha de defesa alta e ataque pressionando os adversários em seu campo. A ideia era jogar neste modelo com intensidade o tempo inteiro.

Com o correr dos jogos, o time foi ganhando uma variação de posicionamento de jogadores, de jogadas, de formas de chegar ao gol adversário. Além disso, seus dois laterais Rafinha e Filipe Luís tornaram-se verdadeiros armadores, construtores de lances ofensivos com passes entrelinhas ou arrancadas até a ponta. São pontos de apoio essenciais ao jogo dos meias Arrascaeta e Éverton Ribeiro.

Obviamente, isso se complementa com a fase de Gabigol e sua média de gols acima de um por partida, além da velocidade de Bruno Henrique. Foi Gabigol que abriu o caminho para a vitória sobre o Internacional, ao girar em cima da zaga, driblar o goleiro Lomba e sofrer pênalti de Bruno, que foi expulso.

Foi um primeiro tempo intenso do Flamengo, comprometido em achar espaços na defesa colorada. Mas foi também um tempo com ritmo quebrado pelas expulsões. No segundo tempo, um time rubro-negro ainda intenso, mas algo desconcentrado, e errando muito em lances dentro da área, construiu a vitória porque nunca parou de criar aproveitando a vantagem de dois jogadores a mais.

Essa quantidade de alternativas tornou o ataque mais efetivo até do que daqueles Cruzeiros espetaculares de 2003 e 2013. No mesmo estágio do campeonato, tinham número de gols levemente inferior ao atual Flamengo, eram 45 gols.

A defesa, é verdade, não é tão sólida como de outros times que jogam atrás. Mas tem ganhado em eficiência em coberturas principalmente quando Jesus pede a Gerson e Arão cubram os espaços entre laterais e zagueiros, ponto frágil da equipe.

Como marca de todo o time, a agressividade na marcação, a pressão, a capacidade de cortar as linhas de passes do adversário. Jesus vem provando que nem sempre recuar é a melhor forma de evitar derrotas. E certamente ousar é a forma mais óbvia de enfileirar triunfos.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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