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Por que volta da geral no Maracanã só acontece com um "dono do estádio"

rodrigomattos

26/09/2019 04h01

Durante a semana, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou a possibilidade de se tirar assentos do Maracanã para criar setores em pé. Mas o projeto não é viável enquanto não houver um clube ou empresa que assuma em definitivo a concessão do estádio. Por enquanto, Flamengo e Fluminense administram de forma provisória a arena, e são candidatos a ficar.

Atualmente, o Maracanã tem recebido públicos máximos entre 60 mil e 65 mil. Restrições de segurança por torcida visita inviabilizam o uso de todos os cerca de 77 mil lugares. E, com assentos, os setores Norte e Sul têm capacidade limitada.

Para aumentar o público recebido, seria necessário não só tirar os assentos, mas mexer em outros itens do estádio. No caso do Flamengo e Fluminense, isso poderá ser feito e se analisar se é vantajoso fazer a obra no caso de uma concessão definitiva. O Estado, atualmente, não tem dinheiro para investimento.

"Não é simplesmente tirar cadeira. Todo acesso é calculado de acordo com o número de pessoas, bares, banheiros", contou Severiano Braga, administrador do Maracanã na empresa criada pela dupla Fla-Flu. "Não dá para estimar um valor de obra. Tem que fazer estudos, projetar, chamar os bombeiros para analisar."

Segundo Braga, o Flamengo é favorável a ter um setor popular e tem, neste ano, tentado reduzir os preços dos ingressos para manter boa média de público. "Estamos sempre favoráveis a que tenha um setor popular. Conseguimos calibrar o preço do ingresso de forma que temos média de 51 mil-50 mil no estádio. Um público grande."

A concessão provisória de Flamengo e Fluminense vai até o meio de outubro. O governo do Estado do Rio de Janeiro terá de fazer um novo processo provisório, aceitando outros candidatos, para os próximos seis meses. A tendência é que os dois clubes se mantenham. Aí, daria tempo ao governo para estabelecer as regras definitivas.

"Nossa concessão é provisória e não temos garantia de que vamos ficar. O edital vai ser feito para ter uma concessão por 50-60 anos. Talvez tenha algo relacionado a essas cadeiras no edital", contou Braga.

Por enquanto, a empresa Fla-Flu tem conseguido manter o estádio em dia, segundo contou Braga. Houve renegociação de contratos de patrocínio que tiveram aumentos depois da saída da Odebrecht. De acordo com Severiano Braga, isso tem relação com os clubes garantirem que haverá jogos no locais por serem os administradores.

Os custos do Maracanã são estimados em R$ 24 milhões. E a empresa Fla-Flu vai custear as despesas de meio ano do estádio, mais um pagamento ao Estado.

"Estamos pagando as contas. Estamos em fase de conhecer o estádio. Tem uma parte do clube que vem aqui, joga e vai embora, mas tem outra que fica. Estamos conseguindo zerar as contas, água, luz, gás", contou o administrador Severiano Braga.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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