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Por que o Flamengo não quer virar empresa e virou opositor de projeto

rodrigomattos

10/10/2019 04h00

Durante as discussões do projeto de clube-empresa, o Flamengo é o clube que tem se mostrado como um dos principais opositores da proposta defendida pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ) neste sentido. Não é à toa. A diretoria do clube, que virou modelo de gestão com práticas do mundo corporativo, entendeu que não faz sentido uma transformação do clube em sociedade empresária após discussões sobre o tema.

Essa posição rubro-negra fica clara na fala do presidente do clube, Rodoldo Landim, na audiência para discussão do projeto, nesta quarta-feira. Ele explicou como a agremiação se reestruturou financeiramente sem mudar sua pessoa jurídica, mas alterando regras internas de controle, inclusive em seu estatuto.

"A gente fala de associação desportiva, fala de clube-empresa, fala de como deve ser a empresa. Nada resiste à má gestão. Tudo resiste a uma boa gestão. O primeiro grande ponto. Projeto de lei deveria ser para que as boas práticas de gestão sejam aplicadas nos clubes. A revolução que fizemos no Flamengo foi fundamentalmente de gestão, aumentamos as receitas, diminuímos as despesas. Sofremos pressão da torcida quando o Flamengo estava em situação ruim em 2014, não tomamos nenhuma decisão louca. Com isso, botamos o clube nesses números."

A posição de Landim foi externada ao restante de sua diretoria em reunião na segunda-feira. Nenhum dos seus pares manifestou qualquer oposição. E por que o clube não quer virar empresa?

Paga mais imposto e investe menos

Durante a audiência, o deputado Pedro Paulo disse que o Flamengo paga R$ 53 milhões de impostos como associação sem fins lucrativos, o que aumentaria para R$ 120 milhões no caso de virar empresa. Internamente, no clube, os números levantados são parecidos. O impacto sobre o clube seria de R$ 80 milhões no caso da tributação de empresa. Isso fatalmente reduziria a capacidade do clube de investimento no futebol. Por isso, o clube lutou contra a equiparação da taxação dos clubes associativos em relação às empresas, que foi retirada do projeto de lei.

Profissionalização da gestão

Apesar de ser uma entidade sem fins lucrativos, o Flamengo trabalha atualmente com fortes mecanismos de controle e gestão financeira. Há softwares que acompanham centenas de itens diferentes do orçamento para saber se os valores de receitas e despesas estão sendo cumpridos. Quando há uma requisição de investimento extra, como uma contratação por exemplo, o departamento financeiro faz levantamento para avaliar os impactos e isso é levado à diretoria para esta decidir sobre a viabilidade. Foi assim que se desistiu de Balotelli. Em 2019, o clube será auditado pela EY, uma das principais empresa do setor no mundo. Outro aspecto é que o clube incorporou ao seu estatuto regras de responsabilidade fiscal para impedir que se repetissem casos de má gestão tão vistos no passado rubro-negro, além de publicar trimestralmente seus balancetes como fazem empresas.

Exemplos de Real Madrid e Barcelona

Entre os dirigentes do clube, há um entendimento de que, para que exista um investimento de alto valor no clube, quem colocasse o dinheiro iria querer mandar nos rumos da agremiação. O modelo em que a associação continua com o poder de voto, cedendo apenas uma parte minoritária do capital, não é visto como ideal. Dois clubes no mundo que permanecem com o modelo associativo e estão na elite mundial são o Real Madrid e Barcelona. São citados como exemplos de que é possível manter a gestão neste modelo e competir com clubes-empresa.

Diretos iguais ao clube-empresa

Ao mesmo tempo em que rejeita sua transformação em empresa, o Flamengo defende que o projeto de lei para clube-empresa não pode beneficiar clubes que não tenham se esforçado para realizar um ajuste em suas finanças e precisem virar empresa. Por isso, lutou para derrubar o fundo garantidor que incluía contribuição de todos os clubes para os falidos (isso foi retirado do projeto). A diretoria rubro-negra também não aceita que receitas sobre apostas sejam dadas apenas para aqueles que virarem empresas. Além disso, não quer que seja concedido um aumento no mecanismo de solidariedade para transferência, o que aumentaria possíveis repasses no caso de venda de jogadores que tivessem sido comprados anteriormente. O clube ainda critica a forma acelerada que o projeto tramita. "Uma preocupação que os clubes têm é que o projeto está em maturação e gera uma insegurança nos clubes a pressa pela qual as coisas vêm evoluindo. Será que isso tudo é necessário? É para ser feito de forma corrida?", indagou Landim, durante a audiência.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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