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É clara a xenofobia da declaração de Valentim sobre Jesus

rodrigomattos

08/11/2019 05h00

Após a vitória do Flamengo sobre o Botafogo, houve uma troca de declarações duras entre os técnicos Jorge Jesus e Alberto Valentim. Os termos usados pelos dois são normais em bate-bocas de treinadores em jogos disputados. O que sai do tom é a afirmação do técnico botafoguense de que o colega português não pode usar a expressão "aqui no Brasil". É uma clara demonstração de xenofobia.

Primeiro, a declaração de Jesus: "Não tem a ver com os jogadores do Botafogo, tem a ver com o treinador. Não é essa forma de parar a equipe, não é dessa forma que o Botafogo vai sair da zona de rebaixamento. Hoje jogadores do Botafogo fizeram 'caça ao homem"', afirmou o português, querendo dizer que o time rival só usou jogo brusco.

De fato, o Botafogo protagonizou lances desleais. Mas Jesus foi injusto ao não reconhecer os méritos defensivos do rival, que foi, sim, superior em determinado momento do primeiro tempo com uma marcação intensa. Além disso, não cabia a Jesus provocar o zagueiro Carli ao final do jogo. Mas a resposta de Alberto Valentim foi bem fora do tom.

"Jorge Jesus falou uma grande bobagem, coitadinho dele. Ele deveria ter deixado a boquinha dele calada. Falou uma bobagem, coitadinho dele.  Ninguém veio aqui caçar ninguém. Que termo ele acha que veio usar aqui no Brasil?", disse ele, acentuando com irritação a última frase. 

Ora, será que Valentim faria tal afirmação para um técnico brasileiro? Obviamente que não. Sua declaração deixa claro que entende que Jesus tem menos direitos de fazer críticas no Brasil ou de usar determinadas expressões por não ser um local. Algo como um aviso: "Estrangeiro, aqui no Brasil não é assim que se comporta". A definição de xenofobia pelo dicionário Houaiss é: "desconfiança, temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio daquele que as ajuíza, ou pelo que é incomum ou vem de fora do país".

Não há muitas dúvidas de que a declaração de Valentim se encaixa nesta definição visto que não falaria para um brasileiro. Nenhum técnico brasileiro tem que baixar a cabeça para afirmações de Jesus que muitas vezes são exageradas. Mas, quando rebate-lo, o normal seria que o fizessem como com qualquer outro colega brasileiro. A nossa Constituição ainda garante os mesmos direitos de expressão aos nacionais e estrangeiros.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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