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Não há nada de especial neste Flamengo

rodrigomattos

11/11/2019 04h00

Poderia iniciar essa crônica dizendo que o Flamengo ao vencer o Bahia está a cinco pontos de bater o recorde histórico do Brasileiro de pontos corridos faltando seis rodadas para o final. Seria redundante pois já cansamos aqui de exibir estatísticas que mostram que não há paralelo para este time no Brasil neste século.

Poderia exaltar os números de Gabigol ao igualar a marca de Zico como maior artilheiro do time rubro-negro no Brasileiro, e autor da maior quantidade de gols em uma temporada pelo rubro-negro no século superando Hernane. Seria meio óbvio pois qualquer criança já assiste aos jogos esperando a placa "Hoje tem gol do Gabigol".

Poderia mencionar o craque Filipe Luís que acabou com seu exílio do futebol europeu para mostrar como é possível se jogar com inteligência mesmo no caos que é nosso futebol. Seria ofensivo porque a inteligência sempre ofende.

Poderia citar como Willian Arão se transformou de um volante com algumas qualidades técnicas em um monstro do meio-campo que é capaz até de bater faltas na trave. Seria quase inacreditável para quem tivesse visto o mesmo jogador há um ano.

Poderia pontuar que há algum encanto no Flamengo de 2019 que todos os jogadores contratados conseguiram jogar em um time notoriamente difícil de jogar, vejamos os exemplos de Arrascaeta, Bruno Henrique e Gerson. Inclui-se aí o "garoto de condomínio" Rodrigo Caio que deveria fazer todos os clubes brasileiros passarem a fazer peneiras constantes em condomínios por ser o maior zagueiro brasileiro nos nossos campos atuais. Seria improvável pois a realidade do futebol prevê que há um índice bem considerável de erros em contratações.

Poderia lembrar que este Flamengo de Jesus está há 19 jogos invicto no Brasileiro, tendo perdido sua única partida para este mesmo Bahia em um dos primeiros confrontos do técnico. Ou recordar como a equipe saiu de oito pontos de desvantagem para o Palmeiras para dez de frente na era do técnico português. Seria polêmico porque Jesus tem seu nome gritado no Maracanã enquanto treinadores pelo país trincam os dentes ao falar dele.

Poderia ainda complementar dizendo que um time que leva mais de 50 mil torcedores todos os jogos para seu estádio deve ter algo de especial. Seria parcial – clubista diriam alguns – porque afinal temos que igualar todos os times inclusive aqueles que batem recorde de público, de pontos, de gols e de bom futebol.

De fato, não há nada de especial neste Flamengo.

 

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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