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Flamengo desconta anos de fracassos com jornada épica de títulos

rodrigomattos

24/11/2019 04h30

"Flamengo na Libertadores é sempre uma piada", "Vai ficar de novo no cheirinho no Brasileiro", "Vai ganhar o troféu balancete financeiro de novo". A década rubro-negra foi marcada mais por fracassos dentro de campo do que por triunfos, exceção a uma Copa do Brasil em 2013. A impressão é de que tudo que pudesse dar errado em momentos decisivos, sim, aconteceria.

O ano de 2019 é aquele em que o rubro-negro vê se apagar toda essa sina. Em um só final de semana, ou talvez com quatro dias de diferença, o Flamengo deve enfileirar os dois principais títulos da temporada, a Libertadores e o Brasileiro, restando aí dois pontos a serem ganhos para confirmar a taça. É um feito inédito para um time brasileiro na era moderna.

E, desta vez, tudo que pode dar certo ocorre. Quase como se o clube tivesse se livrado de um feitiço. Troca-se o técnico no meio da temporada e Jorge Jesus acerta a mão no time rapidamente, todas as contratações caras conseguem render o esperado, jogadores contundidos se recuperam miraculosamente a tempo de jogos decisivos.

É óbvio que não estou aqui a falar que trata-se apenas de sorte e azar. Há grande competência na diretoria rubro-negra na montagem deste time e na preparação das condições financeiras para que o investimento fosse possível. A questão é que, no futebol, às vezes se faz as coisas certas e o acaso o derruba.

Peguemos o exemplo da derrota do Flamengo para o América do México, talvez no maior vexame do time na Libertadores, em 2008. O último gol do fatídico Cabañas é uma falta que ele chuta na barreira que desvia a trajetória do goleiro Bruno. Ou pense quando o time foi eliminado pelo Emelec em 2012 que marcou seu gol contra o Olimpia no final do jogo.

Esse é outro aspecto, o time rubro-negros tinha um costume em Libertadores e mesmo em Brasileiros de tomar gols e viradas improváveis, muitas vezes no final. Foi assim diante do San Lorenzo em 2017, com a reversão do placar no minutos finais.  Em campanhas mais longas, o clube também começava bem e depois rateava. Casos dos Brasileiro de 2016 e 2018 perdidos para o Palmeiras.

Não foi por acaso que o Flamengo entrou com a perna pesada no início do jogo com o River. Houve mérito do time argentino que impôs um esquema de marcação agressivo. Mas o time carioca errava além da conta, quase como sentisse a partida. Nenhum rubro-negro, por mais otimista que seja, vai dizer que acreditava em uma virada sobre o River Plate em três minutos finais do jogo.

Pois o que aconteceu nesta temporada quase como o oposto do que ocorria antes. O último gol rubro-negro, por exemplo, é bem casual, uma bola lançada de qualquer jeito para a frente, Gabigol ganha a disputa do zagueiro e a bola cai à feição. Quase como o desvio na barreira de Cabañas.

O mesmo vale para o Brasileiro. O Flamengo afastou velhos fantasmas nesta campanha, virou partidas como contra o Fortaleza e Bahia, sendo esta primeira com gol no final. E, em vez de fraquejar na campanha como fizera antes, o time se tornou extremamente seguro e assertivo: enfileirou mais de um turno de invencibilidade, tirou oito pontos do líder para impor uma vantagem de 13 pontos, jogava partidas fora como faz em casa.

É quase como se o rubro-negro tivesse entrado em um conto de fadas nesta temporada de 2019. Uma história que pode ter seu desfecho, momentâneo, com uma comemoração de um segundo título no domingo, menos de 24 horas depois de ter ganho a Libertadores. Na maré que vive o rubro-negro, não duvide que os jogadores ainda estejam em cima do trio elétrico pela Rio de Janeiro quando, de repente, alguém anuncie que o Palmeiras empatou, e que o Flamengo é de novo campeão.

 

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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