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Comissões a agentes crescem 170% após Fifa vetar rachadinha em negociações

rodrigomattos

05/12/2019 09h00

As comissões pagas a agentes quase triplicaram de valor desde que a Fifa proibiu que terceiros lucrassem com a venda de direitos de jogadores. Os montantes totais por transferências não cresceram no mesmo ritmo do que a parte destinada aos empresários. Isso indica que clubes podem estar disfarçando o pagamento de fatias de direitos de jogadores por meio das comissões.

A Fifa proibiu que terceiros tivessem direitos sobre vendas de jogadores no início de 2015. Foi vetado o chamado TPO (Third Partnership Owner) em legislação da entidade. Recentemente, a federação internacional permitiu só que atletas tenham parte de suas transferências.

Nesta quarta-feira, um relatório da Fifa sobre intermediários apontou que foram pagos US$ 654 milhões (R$ 2,7 bilhões) em comissões para agentes durante a temporada de 2019. Em 2014, esse valor era de US$ 241 milhões (R$ 1,041 bilhão). Ou seja, houve um crescimento de 170% em apenas cinco anos.

No mesmo período, houve, sim, um aumento no valor das transferências, mas em ritmo mais lento. Em 2014, o montante era de US$ 4 bilhões e saltou para US$ 7 bilhões. Assim, o crescimento foi de 75%.

Houve um aumento em especial de comissões pagas por clubes que venderam os jogadores. Eram portanto os times que podiam ter acordos escondidos com os empresários para cessão de direitos. Em 2014, os clubes vendedores de atletas eram responsáveis por 18% das comissões. Essa taxa foi subindo e chegou a 35% na temporada de 2019. O restante é de comissões pagas pelos clubes que contratam os atletas que é bem mais normal por ser o time que, em geral, inicia a operação.

A maior parte das comissões é paga nos mercados conhecidos como Big 5, Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha e França. No Brasil, está indicado pela Fifa que houve pagamento de US$ 13 milhões em comissões no ano (R$ 56 milhões). O valor é visto no mercado brasileiro com ceticismo pois há muitas comissões que não são declaradas. E, no Brasil, US$ 5,5 milhões das comissões foram pagas pelos clubes vendedores, isto é, um total de 42% das comissões.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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