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Futebol movimenta R$ 53 bi na economia do Brasil, mas só gera 1% de imposto

rodrigomattos

13/12/2019 17h13

O futebol movimenta um total de R$ 52,9 bilhões na economia, o que representa 0,72% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Mas só gera arrecadação de R$ 761 milhões em impostos, isto é, 1,4% do total. É o que aponta um estudo feito pela EY a pedido da CBF para analisar toda a cadeira produtiva e impacto do futebol com dados de 2018.

A análise da EY foi apresentada nesta sexta-feira e tem como objetivo estabelecer um diagnóstico do esporte para expandir sua participação na economia nacional. Foram avaliados impactos diretos e indiretos de receitas do futebol.

No total, o estudo apontou que CBF, federações e clubes respondem por R$ 11 bilhões de movimentação da economia, e outros R$ 37,8 milhões são de efeitos indiretos. Por fim, somam-se ainda valores de salários, encargos sociais e impostos para chegar ao número final. A contribuição em impostos não é relevante para o tamanho.

"Não dá para fazer uma comparação com outros setores. Essa contribuição de imposto tem relação com a característica do modelo associativo", explicou o Gustavo Hazan, analista da EY, lembrando que clubes e federações têm isenções de impostos. A CBF é das poucas que paga imposto como empresa. Entre os clubes, só 83 são empresas em um universo de 1.347. E os clubes representam 72% do impacto direto na renda do futebol.

O secretário da Indústria, Comércio, Indústria e Inovação do Ministério da Economia, Caio Megale, defendeu o modelo de clube-empresa e até o refinanciamento de dívidas fiscais para os clubes neste contexto de mudança de modelo. Entende inclusive que o futebol tem que estar inserido na reforma tributária. "É uma dos setores que estará na discussão", disse ele, dizendo que o futebol paga pouco imposto. O novo projeto de clube-empresa, aprovado na Câmara Federal, prevê alíquota de 5% sobre as receitas para os clubes que aderirem.

Em termos de geração de empregos, o futebol também está aquém das suas possibilidades. Segundo o estudo do EY, são 156 mil empregos gerados. Para Megale, atividades que movimentam esse volume de recursos poderiam proporcionar até 700 mil empregos.

Da mão de obra empregada, a maior parte (55%) é de pessoas envolvidas nas operações de jogos, chamado matchday. E o potencial de renda com partidas ainda está bem abaixo do potencial. Para se ter ideia, o Brasileiro tem ocupação de estádios de 48,6%, bem inferiores a todas as cinco primeiras ligas, Premier League, Bundesliga, Serie A, La Liga, e França.

A conclusão de Hazan é que, se conseguir aumentar a presença de público nos estádios, o futebol brasileiro como consequência vai gerar mais emprego. Ou seja, se houver uma reforma no modelo de exploração do futebol brasileiro, a atividade pode proporcionar mais impostos e cargos de trabalho para a sociedade.

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, ressalvou que nem todo o futebol pode ser analisado pelo topo da cadeia como Flamengo e Palmeiras e, portanto, não deve ser obrigado a ser tributado como empresa. Por isso, ele disse que foi importante que a nova lei não tenha obrigado os clubes a aderirem ao novo modelo.

"Estamos analisando um Flamengo com receita de quase R$ 1 bilhão que será recorde, o Palmeiras já era recorde com R$ 600 milhões antes, o Corinthians e o São Paulo, com R$ 400 milhões. Não podemos analisar os clubes pelo ápice deles e por clubes que são exceção no futebol. É como os salários dos jogadores em que menos de 1% ganha salários acima de R$ 200 mil", disse o dirigente, lembrando que a maioria das agremiações têm receitas modestas.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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