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Bruno Henrique é o antídoto do Flamengo contra o nervosismo

rodrigomattos

17/12/2019 17h19

Não, o Al Hilal não era um time que lutaria contra o rebaixamento no futebol brasileiro como pintaram antes do jogo. É uma equipe bem organizada com postura tática moderna e alguns valores individuais. A ponto de se impor como superior a um Flamengo extremamente nervoso e com a perna presa no início da semifinal do Mundial – Rafinha reconheceu o fator psicológico.

Pois não era um time rubro-negro que conseguisse desenvolver o seu jogo. A marcação avançada do Al Hilal impunha dificuldades na saída do time carioca, conseguia ganhar boa parte das segundas bolas e tinha qualidade para aproveitar ofensivamente quando recuperava a bola. Giovinco alimentava Gomis, Carrilho e Salem, cercando e penetrando toda a área.

Tanto que não foi surpresa quando Salem meteu a bola para a rede no meio da área livre, sem marcação no meio da área. A jogada pela esquerda do setor defensivo rubro-negro que falhou em todo o jogo, com um Marí abaixo do que se pede no jogo e Filipe Luís com outra atuação ruim, e Arrascaeta pouco participativo na marcação. Faltava proteção a zaga, acerto de passe no contra-ataque, faltava quase tudo. Houve, sim, poucas chances não aproveitadas.

A torcida rubro-negra temia, com razão, os destinos do jogo com seu time incapaz de praticar o futebol que o levou ao Qatar. Esse futebol só surgiu no início do segundo tempo em triangulação, de pé em pé, com a assistência de Bruno Henrique para o gol de Arrascaeta. As linhas de defesa rubro-negra se aproximaram, os passes de ataque saíram e o Al Hilal passava a conceder espaços.

Essa é uma tônica desse time de Jorge Jesus no Brasileiro e na Libertadores. Para marcar o Flamengo, e seus talentos, é preciso correr e marcar pesado como fez o River Plate durante 70 minutos na final sul-americana. E sempre significa cansaço e desconcentração no segundo tempo.

A entrada de Diego no lugar de Gerson deu ao Flamengo a saída de bola que lhe faltou, com inteligência no jogo, na movimentação, assim como final da Libertadores. O time carioca passou a roubar bolas na intermediárias ofensiva, como é seu hábito, e pegava uma defesa mais aberta. Foi assim que a bola chegou em Diego para meter uma bola para Rafinha cruzar para a cabeçada de Bruno Henrique. De novo, Bruno Henrique, duas participações em dois gols da virada.

Foi de novo o ponteiro quem recebeu de Diego na esquerda, superou seu marcador e cruzou para o gol contra AL-Bulayhi. O jogo estava decidido quando o Al Hilal ficou com um a menos por expulsão. Bruno Henrique, o mesmo que iniciou o gol do empate rubro-negro na final em Lima, influiu em três gols. Foi ele o retrato da virada do Flamengo. Ao final, apesar dos nervos, o placar refletiu a diferença entre um time sul-americana exuberante dentro do continente e uma boa equipe saudita com uma defesa frágil.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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