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Não é um problema do Flamengo se ingleses se importam pouco com Mundial

rodrigomattos

21/12/2019 04h00

Durante a preparação para a final do Mundial, mesmo antes da confirmação da final Flamengo x Liverpool, houve considerável discussão sobre que importância que os ingleses e o time de Jurgen Klopp dão para a competição. Está claro que o técnico do alemão trata o campeonato com respeito, mas está longe de ser uma prioridade. E a imprensa e torcedores britânicos veem a competição como secundária.

E que peso tem isso? Bom, para o Flamengo, não importa qual a relevância que os ingleses dão ao Mundial. É uma competição da Fifa que reúne todos os campeões continentais, pelo menos quatro deles de bom para ótimo nível (Al Hilal, Monterrey, Flamengo e Liverpool), e a única oportunidade em que se podem testar diferentes culturas e forças do futebol mundial.

Sim, a Champions League é a competição mais forte de clubes do mundo. Mas a realidade do futebol não se resume a isso. É um pensamento eurocentrista achar que o esporte mais popular do planeta se restringe ao velho continente e que só ali há valor técnico. Não são os europeus e os ingleses que determinam sozinhos o que vale ou não vale, ainda que pratiquem o melhor futebol.

A competição da Fifa sucedeu um torneio importante e tradicional, o Mundial Interclubes, que já teve os maiores craques do planeta, de Pelé a Zico, de Cruyff a Beckenbauer, de Platini a Zidane. Não por acaso foi reconhecido como Mundial pela Fifa. E mais recentemente, com a organização da entidade, o Mundial teve Messi e Cristiano Ronaldo, entre outros protagonistas de times no topo da sua forma. É certo que tem problemas de formato (que vai gerar uma reformulação), mas isso não tira a relevância da competição

"Ah, mas os europeus e especialmente os ingleses vão para lá jogar meia-boca" Bom, isso é não é verdade. Klopp levou todos os seus principais jogadores para Doha. E, independentemente da prioridade que dá à competição, seus titulares quando entrarem em campo vão querer ganhar como qualquer outro jogo. Um exemplo disso é a fala de Klopp ao chegar a Doha: "Se você me perguntar se deveria haver uma Copa do Mundo no meio da temporada então, honestamente, eu diria que não. Mas, no momento, essa é a competição mais importante do mundo porque estamos aqui".

Na semifinal diante do Monterrey, o Liverpool percebeu que correrá um sério risco de sair derrotado se não usar todas suas forças. Só com a maioria dos titulares foi capaz de vencer. O mesmo ocorrerá na final desta sábado: não há dúvidas do favoritismo dos ingleses, mas o Flamengo é um time forte o bastante para só ser batido pelo time inglês no topo de seu jogo.

Lembremos que este time rubro-negro é a melhor equipe brasileira pelo menos desde a década de 90 como mostra sua pontuação recordista no Brasileiro de pontos corridos e sua taça Libertadores. Ambos os títulos ganhos em um final de semana. Se o Liverpool tem melhores jogadores na maior parte das posições, o time rubro-negro tem, sim, um dose impressionante de talento em sua linha ofensiva com Everton Ribeiro, Gabigol, Arrascaeta e Bruno Henrique (especialmente este último, em fase iluminada).

Isso para não falarmos da experiente linha de defesa que já jogou seguidas Champions League composta por Filipe Luís, Rafinha e Diego Alves. No banco, o técnico Jorge Jesus é um desafiante de respeito para Klopp. É, portanto, um confronto técnico a ser desfrutado pelo torcedor, e não um embate do porquinho com o lobo mau.

Dito isso, é certo que o Flamengo tem um desafio esportivo imenso que pode resultar ou não em um feito para ser marcado na história como o de 1981. Não há por que tratar como apenas um bônus da Libertadores. É uma das competições mais importantes da história do clube rubro-negro e assim deve ser vista. Se perder, é do jogo, não manchará sua campanha memorável deste ano. E, quanto ao Liverpool, se vai festejar pouco um título ou minimizar a derrota, tem pouquíssima importância ou nenhuma. Quem vencer terá provado ser o melhor em uma final de Mundial. É o que conta. 

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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