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Derrotado, Flamengo diminui a distância da América do Sul para Europa

rodrigomattos

22/12/2019 04h00

Estávamos acostumados na década de 90 a rivais, sejam eles quais forem, a gozarem das caras dos rivais que perderam a final do Mundial. Deste a implantação do novo Mundial Fifa, no entanto, a disparidade entre os europeus e sul-americanos se tornou tão grande que a partida se tornou um confronto entre David e Golias, onde perder de pouco era considerado um feito. Pois bem, não foi assim com o Flamengo e Liverpool, o time rubro-negro perdeu, mas enfrentou o time inglês de igual para igual por 120 minutos.

O início da partida foi de alguma pressão britânica, com dois lances claros de gol com Firmino e Salah. Era de uma forma a tônica do jogo de um um Liverpool mais incisivo do que o Flamengo durante a toda a partida.

Passou o tempo e o time rubro-negro passou a dominar as ações do jogo. Parecia surpreendente, mas, no final do primeiro tempo, o Flamengo terminava com 58% de posse de bola contra o Liverpool. Tinha a bola, mas lhe faltava ser mais objetivo nas conclusões a gol, nos passes finais. Bruno Henrique, por exemplo, levava vantagem sobre o Alexander Arnold, melhor lateral-direto do mundo.

Na volta do intervalo, o jogo era igual. Mas o Liverpool seguia com mais chances de gol, Tanto que Firmino perdeu um gol na frente de Diego Alves ao bater na trave após um drible brilhante em Rodrigo Caio. Mas o Flamengo tinha ainda posse de bola, tinha o jogo e alternativas principalmente com o Bruno Henrique. Faltava aquele passe ou conclusão final.

Em determinado momento, Jorge Jesus decidiu por substituições pouco comuns para seu trabalho, tirando Everton Ribeiro e Arrascaeta por Vitinho e Diego. Tirava assim seu ponto cerebral do time, seu equilíbrio, sua segurança. E o jogo desandou para o Flamengo.

O Liverpool passou a ser dono das ações, a criar seguidas chances de gol e poderia ter decidido o jogo no final da partida no ataque polêmico em que Rafinha tirou a bola ou fez falta em Mané que poderia ser um pênalti (a imagem da Fifa não é conclusiva sobre o lance que o juiz marcou pênalti e depois desistiu). Seu gol acabou saindo na prorrogação com o belo lançamento de Henderson para Mané que encostou para Firmino fazer o gol que tinha perdido duas vezes. Era justo, o Liverpool teve as melhores chances de gol.

Feitas todas essas descrições, o Flamengo mostrou que -com um investimento pesado, um técnico de padrão europeu, e coragem – é possível, sim, enfrentar um time europeu, mesmo na sua melhor forma como é o caso do Liverpool. É preciso encontrar uma fórmula como a rubro-negra, com jogadores de alto nível mais velhos, mesclados com os que voltaram da Europa, para reduzir a diferença entre os continentes. Não é fácil. Mas o Flamengo deixa um legado.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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