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Libertadores-2020 tem controle rígido até sobre rede social de jogadores

rodrigomattos

05/01/2020 04h00

O regulamento da Libertadores-2020 prevê um controle bem rígido sobre procedimentos durante os jogos e relacionados aos direitos da competição. Há regras detalhadas até sobre a hidratação e uso de redes sociais pelos jogadores, e multas mais pesadas por atrasos de times. A Conmebol também ampliou a exploração dos direitos da competição para videogames.

O documento elaborado pela confederação sul-americana tem 227 páginas, e incorpora tanto as regras da competição quanto manual dos clubes para procedimentos relacionados à partida, e controle sobre os direitos da competição. Trata-se no texto de quase todos os itens da Libertadores.

Por exemplo, um artigo regula as redes sociais dos clubes e dos membros da delegação, o que inclui jogadores. Está previsto que os representantes dos times só podem fazer postagens que levem em conta o Fair play, "bons costumes" e "moral", sem divulgação privada de informações de terceiros. Além disso, está escrito que membros da delegação "podem ser responsabilizados pessoalmente por qualquer comentário difamatório, obsceno, racista ou contrário aos fins e objetivos da Conmebol declarados nos seus Estatutos Sociais". Esse tipo de limitação é similar ao que ocorre nos Jogos Olímpicos que também controlam as redes sociais de atletas.

Clubes também têm limitação para filmagens para uso em suas redes sociais ou TVs próprias. Só podem ser feitas imagens até 20 minutos antes do início do jogo.

Os procedimentos para realização da partida são um capítulo a parte. Há cronograma previsto iniciado três horas antes do jogo com um total de 17 itens a serem cumpridos. Há horário marcado em segundos para troca de flâmulas, aperto de mãos e foto oficial. Está previsto até que o time visitante faz uma saudação antes do local, seguindo roteiro pre-determinado. Esse tipo de procedimento é similar ao seguido pela Champions League em sua organização de jogos.

A preocupação em que a partida comece na hora é tão grande que a Conmebol aumentou a multa para o técnico em caso de atraso de seu time. Na primeira vez que sua equipe não entrar em campo na hora, ele é punido só com advertência como era em 2019. Mas, na segunda vez, há uma multa mínima de US$ 50 mil (R$ 201 mil) para o treinador que também é suspenso por um jogo – antes, a multa era de US$ 1,5 mil. Além disso, o clube também paga mais US$ 15 mil (R$ 60 mil) pelo atraso.

As multas são uma marca do regulamento já vista durante o ano de 2019. Estão mantidas por exemplo multas por gandulas expulsos (US$ 10 mil), não cumprir obrigações com a imprensa (US$ 5 mil), não devolver os coletes da Conmebol (US$ 3 mil) ou usar uniforme fora do padrão (US$ 15 mil).

Há um detalhismo tão grande sobre os procedimentos de jogos que até a forma como os jogadores bebem água é regulado. São seis instruções diferentes explicando a posição da garrafa d'água na beira do campo, vetos a arremessar garrafas em campo. O regulamento, pelo menos, permite que os jogadores possam tornar água a "qualquer momento".

Se de um lado há uma preocupação com os procedimentos dos jogos, a Conmebol determinou regras para garantir a exploração comercial. Então, os clubes são obrigados a ceder suas marcas e símbolos, além de nomes de jogadores para videogame, no caso o Fifa feito pela empresa EA. Antes, havia apenas uma menção genérica sobre cessão de direitos, sem mencionar o videogame.

E clubes são obrigados a se referir à Libertadores como Conmebol Libertadores ou cometerão falta grave, segundo o regulamento. Patrocinadores ocupam espaços no jogo como backdrops, contagem regressiva no placar eletrônico, e promoções.

No geral, as regras da Conmebol tem como objetivo tornar a competição mais organizada, padronizada e como consequência que esta gere mais dinheiro no futuro.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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