Blog do Rodrigo Mattos

‘Intenção é não destruir emoção do futebol’, diz Fifa à CBF sobre VAR
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Em sua carta de reposta à CBF, que reclamou de erros em seu jogo, a Fifa explicou que não tem a intenção de que o árbitro de vídeo atrapalhe a fluidez e a emoção do futebol. É essa expressão que consta do documento ao explicar porque as partidas não são paradas constantemente, com a prioridade para o uso de consultas silenciosas.

Em seu documento, a federação internacional informou que só há paradas no jogo para ''erros claros e óbvios'' e ''sérios incidentes'', segundo dados divulgados pela CBF. Para a confederação, não houve uma avaliação se o árbitro Cesar Ramos acertou ou não suas decisões ao não dar a falta em Miranda, nem um suposto pênalti em Gabriel Jesus.

A frase usada pela Fifa para explicar o procedimento é: ''a intenção é não destruir a emoção e a fluidez do futebol''. A reportagem já tinha explicado que a federação internacional não queria matar o futebol com excesso de paradas e discussões longas sobre cada lance. Só haveria intervenção em lances claros. Por isso, a explicação à CBF.

Em sua resposta, a Fifa ainda informou que o seu comitê de arbitragem (que está acima do departamento) não fez comentários sobre a correção das decisões. O UOL Esporte confirma que o departamento arbitragem considerou corretas as decisões do árbitro no jogo do Brasil.

Ao final do imbróglio, a avaliação da diretoria da CBF é de que o resultado foi positivo. Embora não tenha obtido os áudios e vídeos do VAR, a confederação entende que colocou pressão sobre a arbitragem, e sobre os procedimentos do árbitro de vídeo. Tanto que contou com o apoio da Conmebol em seu questionamento.

 


Resta saber até onde Ronaldo carregará Portugal nas costas
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No confronto entre os dois times, Marrocos teve mais posse de bola, mais conclusões a gol, mais bolas recuperadas do que Portugal. Para além dos números, trabalhou melhor no coletivo. A equipe portuguesa só venceu por um motivo: Cristiano Ronaldo.

Com quatro gols em dois jogos, o atacante tem refletido literalmente a máxima de ''carregar um time nas costas''. Foi preciso apenas quatro minutos para que ele marcasse o seu gol aproveitamento cruzamento na área.

Depois disso, o jogo foi essencialmente marroquino. Triangulações pelos dois lados de campo, chegadas constantes na área portuguesa. Ao final, foram 14 finalizações do time africano contra seis dos portugueses, considerando apenas as que não foram bloqueadas.

Não dá nem para dizer que a defesa portuguesa funcionou como em outras competições como a Euro conquistada. Foi graças a Rui Patrício, em uma belíssima defesa, e à falta de pontaria marroquina que não ocorreu o empate.

No ataque, Ronaldo recebia poucas bolas, muitas delas truncadas, e cercadas. Errou uma conclusão na área que sobrou para ele, e desperdiçou duas cobranças de falta. Mas é fato que a única chance clara que teve converteu. Sem espaço, forçou dribles para sofrer faltas e até pediu um pênalti inexistente após queda na área.

O problema é que não há nenhum resquício de bom futebol em Portugal para além de seu craque. Resta saber até que fase da Copa o melhor jogador do mundo conseguirá levar sua seleção.


Com árbitro de vídeo, Copa tem explosão de pênaltis na primeira rodada
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A Copa da Rússia teve um aumento considerável no número de pênaltis marcados por conta do árbitro de vídeo. Foram marcadas nove penalidades na primeira rodada, composta por 16 jogos. Para efeito de comparação, foram dez pênaltis em toda a primeira fase do Mundial do Brasil-2014.

Do total de nove penais marcados até agora, foram três deles assinalados por meio do árbitro de vídeo. Foi o caso da marcação em favor da Suécia diante Coréia do Sul, para o Peru contra a Dinamarca, e para a França em confronto com a Austrália. Ou seja, sem essas penalidades, seriam apenas seis.

A seguir neste ritmo, a Copa da Rússia vai se tornar a de maior número de pênaltis. Em 2014, no Brasil, foi um total de 13 marcações dentro da área. Na África do Sul, em 2010, foram 15 pênaltis.  Na Alemanha, houve 17, e no Japão/Coréia do Sul-2002, 18 penalidades. Por fim, na França, em 1998, foram 18 pênaltis.

O número podia ser ainda maior se tivesse sido marcados pênaltis reclamados por alguns times. É o caso de dois agarrões no atacante Harry Kane na partida diante da Tunísia. Houve também a reclamação brasileira e argentina em seus jogos, em lances em cima de Gabriel Jesus e Pavón. Esses não foram marcados.

Normalmente, em relatório sobre erros de arbitragem, o maior número de falhas apontado é de pênaltis não marcados. É assim, por exemplo, no caso do Brasileiro em que a CBF faz um levantamento de erros dos árbitros. Assim, o VAR, na realidade, passa a permitir a marcação de penalidades que antes eram ignoradas. Por isso, o aumento.

 

 


Neymar fará bem se entender arbitragem: contorcer-se não expulsará rivais
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Neymar sofreu um número excessivo de faltas por parte do time suíço? Fato, foram 10, um número dos mais altos na história da Copa do Mundo. E qual foi o efeito para o time brasileiro neste caso? Dois cartões amarelos para os jogadores adversários, apenas uma falta perigosa, um desgaste desnecessário sobre o principal atleta nacional.

O excesso de faltas teve relação direta com Neymar segurar muito a bola. Sem toca-la com mais rapidez, ficou exposto a um rodízio dos jogadores suíços. Cada vez um cometia falta sobre ele.

Tite reclamou desse método. Mas, embora sua ponderação tenha sido ouvida na Fifa, o departamento de arbitragem da entidade não entendeu que houve qualquer erro do árbitro Carlos Ramos. Marcou todas as faltas, deu os amarelos. Não entendeu que houve nenhuma falta que merecesse um cartão vermelho. E não houve de fato.

Em diversos lances, Neymar ainda exigiu cartões com gestos, ou se contorceu no chão exagerando o efeito da falta sofrida. Isso não teve nenhum efeito sobre Carlos Ramons, nem impressiona o comando da arbitragem da Fifa. A avaliação final é de que ele foi protegido como deveria pelo árbitro.

Ora, Neymar pode no próximo jogo tentar tudo de novo ao tentar com outro juiz. Mas a realidade é que ficou claro o padrão adotado pela Fifa: não adianta que sofra várias faltas de nível médio para arrumar uma expulsão. Isso só ocorrerá com lances mais duros de fato.

O atacante brasileiro sempre foi um jogador inteligente. Cabe a ele interpretar essa realidade do jogo e se adaptar a ela. Ou seja, soltar mais a bola para evitar pancadas constantes, e deixar de lado as reclamações excessivas. Talvez caso se concentre mais em desenvolver o excepcional jogo de que é capaz em vez de se preocupar com o árbitro.


Fifa vê replay inconveniente no telão que gerou reclamação do Brasil
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A Fifa entendeu que houve um erro no estádio de Rostov ao exibir o replay do lance do gol da suíça em que há uma discussão sobre falta em Miranda. Após o replay, aumentou a pressão de reclamação de jogadores brasileiros. Oficialmente, a federação internacional não fala do assunto.

O gol ocorreu em um cruzamento em que Zuber completou de cabeça após apoiar os braços em Miranda, teoricamente, empurrando. Logo após o lance, o goleiro Alisson reclamou.

Em seguida, o lance apareceu no telão duas vezes. Isso foi um erro porque lances polêmicos não deveriam aparece em replay no telão do estádio. Logo após, a reclamação aumenta e Neymar tenta mostrar ao árbitro Cesar Ramos para ele ver a imagem no telão.

A questão é que não há um funcionário do departamento de arbitragem da Fifa para decidir se o lance vai ou não ao ar. Não é a primeira vez em Copa do Mundo que um replay é exibido de forma inconveniente no telão quando não deveria acontecer, e gera reclamação local.

Neste momento, o árbitro de vídeo já tinha sido consultado de forma silenciosa e tinha dito que não houve nenhuma falta. O entendimento da Fifa é que o jogo não deve ser parado constantemente, e que só lances claros devem ser analisados.

 


Osório dá a sua blitz na Alemanha em Moscou
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Quem tem o controle da bola tem um controle do jogo. É uma frase muitas vezes ouvidas na descrição de jogos de futebol. Não poderia estar mais longe da verdade no caso do confronto México contra a Alemanha. O técnico Juan Carlos Osório armou uma verdadeira blitz em Moscou para surpreender os alemães. E, ao contrário de outras blitze sobre a capital russa, deu certo.

Desde o início, o time mexicano exerceu uma pressão fortíssima sobre a saída de bola e sobre o jogo de passes alemães. Retomava a bola só para tê-la por pouco tempo. Não eram em mais de cinco ou seis toques que o time latino americano chegava na frente do gol de Neuer.

Contribuía para o cenário uma recomposição defensiva frágil da Alemanha que expunha seus zagueiros. E o México cansou de perder gols, parecendo que repetiria fracassos anteriores em Mundiais quando esteve tão perto de vencer e não vencer. Na estreia da Copa, no entanto, o México jogou como nunca… e venceu.

Uma lição de contra-ataque foi armada com a bola retomada na intermediária defensiva. A bola saiu em uma triangulação que acabou nos pés de Lozano para driblar o zagueiro e chutar no canto de Neuer. A Alemanha estava atônita.

Na volta para o segundo tempo, não havia mais pernas no time mexicano para manter o ritmo. Foi a tática de Osório. Atacar no primeiro tempo e poder esperar mais atrás depois do invervalo.

A Alemanha era tão ofensiva que quem cruzava as bolas na áreas era Boateng. Na defesa, estavam expostos ao um contra um. O México podia ter matado o jogo, não matou. Nem os alemães foram capazes de transformar sua pressão em gol.

Ao final, o estádio Luznik ouviu um estrondo como poucas vezes no festejo da torcida mexicana, jogadores se abraçavam, o comentarista de TV Jorge Campos chorava na tribuna de imprensa. E o som do estádio tocou uma música mexicana.

Tags : México


Copa gera uma dúvida para o árbitro de vídeo: o que é um pênalti claro?
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Os jogos de sábado da Copa do Mundo levantaram uma questão sobre o uso do árbitro de vídeo: o que é um pênalti claro e um interpretativo? Só no primeiro caso o vídeo pode ser usado, enquanto lances duvidosos não devem ser decididos na telinha. A questão é que definir se um possível pênalti é uma interpretação ou claro continua a ser uma decisão subjetiva da cabeça do juiz de plantão.

De manhã, o árbitro Andres Cunha apelou ao vídeo para marcar o pênalti sobre Griezmann em favor da França. Houve quem achasse que não foi, uma minoria diga-se. Mas, sendo assim, não seria um caso de interpretação? Na realidade, Cunha entendeu que era tão claro que apelou ao auxílio tecnológico.

Na sequência, uma atitude bem diferente do árbitro polonês Szymon Marciniak durante a partida de Argentina e Islândia. Ele preferiu não consultar o árbitro de vídeo em nenhuma situação. Seu único pênalti marcado foi no argentino Mezza, sem consulta.

Ora, o argentino Pavón entrou na área quase no final do jogo e se chocou com um defensor islandês. Os argentinos reclamaram de ser uma penalidade clara. O árbitro se recusou a olhar no vídeo. Eu estava na frente do lance na arquibancada e, ao vivo, não pareceu falta. No replay, com câmera lenta, a ideia pode mudar. Pela regra do uso do VAR, a câmera lenta só deveria ser usada para identificar o ponto da falta, não se houve a falta. Certo é que a câmera lenta complica ainda mais as coisas.

E houve outro lance, uma mão de um zagueiro islandês. Estava longe do corpo, mas a bola resvala em seu corpo antes. Assim, não deveria ser pênalti. Mas, de novo, é uma questão de interpretação.

Por fim, na última partida do dia, Peru e Dinamarca, o árbitro Baraky Gassama não apelou imediatamente ao árbitro de vídeo quando Cueva foi derrubado na área. Haverá discussão de uma minoria, mas ali, sim, o lance parece claro para a maioria, uma rasteira. Ele demorou, mas finalmente olhou a televisão… e deu o pênalti. Até na mesma cabeça há duas interpretações.

Assim, o árbitro de vídeo é, sim, um avanço enorme por acabar com erros bizarros no futebol. Não dá para aceitar que falhas inacreditáveis da arbitragem decidam jogos. Isso não acabará, no entanto, com a subjetividade das decisões dos árbitros que continuarão a existir como a Copa já provou.

Tags : Copa-2018


Libertadores-2019 terá jogos mais cedo e Globo terá de antecipar novela
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Após a conclusão da licitação dos direitos de televisão, a Conmebol confirma que os jogos da Libertadores terão novos horários. Em um mudança emblemática, os jogos das quartas-feiras serão antecipados de 21h45 para 21h30, entrando no horário da novela da Globo. A emissora carioca ganhou os direitos de TV aberta da competição, com Fox Sports e SporTV ficando com os direitos de tv fechada.

Durante a concorrência, a Conmebol tinha colocado como horário previsto para jogos às quartas-feiras: 21h30. Havia resistência da Globo por afetar sua grade, mas, após negociação, isso foi aceito.

São duas justificativas para as mudanças nos horários: melhorar o atendimento ao torcedor que não precisará sair tão tarde do estádio e atender vários mercados, não só o brasileiro. Por isso, foram adotados horários padrões que valerão para todos os jogos.

Para as quartas-feiras, serão jogos às 19h15 e às 21h30. Nos outros dias, haverá jogos 19 horas, 21 horas e às 23 horas. Nesse último caso, serão partidas mais tardes, mas, em geral, não se aplica ao Brasil.

Essa medida faz parte de um pacote que inclui a Conmebol tomar para si as filmages e geração de imagens da Libertadores. Também assumiu a confecção da tabela sem interferência da televisão e fará rotatividade entre os times nos jogos nas quartas-feiras, sem a possibilidade de as emissoras escolherem só um ou dois times.


Queimado, Coronel Nunes seguirá como representante da CBF na Conmebol
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O presidente da CBF, Coronel Nunes, ficou queimado na Conmebol após descumprir acordo para votação da sede da Copa-2026. Não foi em evento da confederação nesta quinta-feira. Mas, pelas regras, terá de continuar como representante do Brasil em reuniões da Conmebol que vão tratar da Libertadores, Copa Sul-Americana e Copa América. Há uma pressão da Conmebol para evitar isso.

Pelas regras da Conmebol, o representante do país no Conselho da entidade, cúpula do poder do futebol sul-americana, é o presidente da federação nacional. Essa tradição foi quebrada pelo Brasil porque Marco Polo Del Nero não podia viajar para o exterior sob o risco de ser preso.

Foi substituído pelo presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, durante dois anos. Este, no entanto, tentou uma chapa de oposição ao futuro presidente da CBF Rogério Caboclo. Sendo assim, foi destituído do cargo neste ano em favor justamente do Coronel Nunes.

Agora, cria-se a situação constrangedora na Conmebol porque, pelas regras, não seria possível substitui-lo. Só que o clima para o Coronel na confederação sul-americana é péssimo. Além disso, a CBF teria de confiar nele como representante do voto brasileiro nas decisões. Como se viu, sua posição pode ser inconstante. Além do Coronel, Fernando Sarney participa das reuniões de cúpula da Conmebol como membro da Fifa.

No segundo semestre, a Conmebol terá reuniões para discutir a organização da Copa América e possivelmente a divisão de dinheiro da Libertadores. Haverá um novo contrato de televisão para 2019 com o triplo do valor pela competição de clubes. Ou seja, o Brasil precisará ser ouvido sobre a divisão.

Obviamente, o Coronel deve ser alijado das discussões práticas sobre posição da CBF. No final da linha, no entanto, o voto brasileiro é dele.


Desempenho saudita é argumento contra aumento da Copa
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Em reuniões anteriores à Copa-2018, cartolas da Fifa enchiam a boca para dizer como o aumento da Copa para 48 times não afetaria o nível técnico porque há muitos times bons fora. Pois o jogo de abertura entre Rússia e Arábia Saudita apontou na direção oposta. O time saudita se revelou incapaz de dar sequer um chute de fato no gol.

Obviamente, não é inédita a presença de times fracos na Copa. É incomum, no entanto, ver um time tão frágil quanto o saudita a ponto de a Rússia sequer fazer esforço para ganhar o jogo. Conseguiu dois belos gols com Cheryshev, um com drible na área e outro em belo chute.

A Arábia Saudita terminou com apenas três finalizações, nenhuma delas no gol. Por incrível que pareça, a equipe tinha mais posse de bola, em torno de 60%, mas era estéril, muitas vezes na defesa.

Para se ter ideia, a Associação Asiática de Futebol, na qual a Arábia Saudita se classificou nas elimininatórias, passará de quatro para oito vagas na Copa. Ou seja, teríamos quatro times piores do que o saudita se esse sistema já estivesse implantado.

O time russo pode se dar ao luxo até de jogar em ritmo lento, e só atacar incisivamente quando necessitava. Os cinco gols foram resultado de sete conclusões. Lembremos que antes da Copa a Rússia era o time pior ranqueado na competição. É verdade que houve os dois belos gols de Cheryshev.

Feitas as contas, a Fifa vai ter dificuldade para justificar tecnicamente o aumento da Copa para 48 times já aprovado para o Mundial de 2026, marco para EUA, Canadá e México. Imagine quatro times piores do que o saudita na Copa.