Blog do Rodrigo Mattos

Sem dinheiro público, Copa América já cortou 48% do custo e reduzirá mais
Comentários 14

UOL Esporte

Sem ter acesso a dinheiro público, a Copa América, que será realizada no Brasil em 2019, já teve uma redução de 48% em seu orçamento inicial e terá novos cortes para não gerar prejuízos para a CBF e a Conmebol. Atualmente, o custo da competição está avaliado em US$ 98 milhões (R$ 372 milhões), perto da metade dos R$ 703 milhões previstos inicialmente no ano passado.

Na Copa do Mundo do Brasil em 2014, o comitê organizador chefiado pela CBF impôs gastos altíssimos aos cofres públicos para a imposição do padrão Fifa. A maior parte dos gastos foi feito pelos Estados, inclusive instalações provisórias em estádios para atender demandas da federação internacional.

Foi esse o padrão inicial idealizado para a Copa América. Só que, no meio do caminho, percebeu-se que boa parte dos direitos de televisão estavam presos a contratos antigos de valor menor. Além disso, o número de seleções caiu de 16 para 12 com as saídas de EUA e México.

Assim, a previsão de receitas para a Copa América gira atualmente em US$ 85 milhões. Ou seja, é preciso reduzir mais o orçamento para possibilitar uma pequena margem para a CBF e a Conmebol.

A ideia das entidades é ter um pequeno lucro ou empatar, longe do plano inicial de faturar alto. Quem está bancando o comitê no momento é a
CBF, mas o dinheiro da Conmebol entrará em seguida, utilizando-se os valores dos direitos. Alguns contratos de patrocínio e de TV vão gerar novas receitas, embora o volume não seja grande.

Entre os principais custos, estão os translados, hospedagens e premiações das seleções. Por isso, serão cinco sedes, Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador. No operacional, há ainda arbitragem e possivelmente VAR.

Outra questão a ser resolvida é o custo do aluguel dos estádios. Há um entrave com o Maracanã que cobra além do que o comitê quer pagar e está previsto como sede da final.


Após traição na Copa, Coronel Nunes evita ir à primeira reunião na Conmebol
Comentários 13

rodrigomattos

Depois de protagonizar uma traição em votação na Fifa, o presidente da CBF, Antônio Carlos Nunes, decidiu não ir à primeira reunião da Executiva da Conmebol após a Copa-2018 que ocorrerá na próxima semana em Assunção. Ele mandou uma carta para que o futuro presidente da CBF Rogério Caboclo o represente no encontro. Apesar disso, segue como membro do comitê executivo em cargo que é remunerado.

O episódio que queimou o Coronel Nunes na Conmebol foi na votação para sede da Copa-2026 no Congresso da Fifa, às vésperas da competição. A confederação sul-americana tinha fechado um acordo para apoiar a candidatura de EUA, Canadá e México. Na hora do pleito, Nunes, como presidente da CBF, votou no Marrocos e depois confessou que não sabia que o voto era secreto.

Isso causou um enorme desgaste com a cúpula da Conmebol, que acusou a confederação de traição. Durante o Mundial, Nunes já tinha ficado de fora de eventos da entidade continental. A confederação sul-americana até estudava um movimento para afastá-lo, mas é o próprio Nunes que teria de abrir mão da vaga o que não ocorreu.

Como solução provisória, Nunes ficou de fora desta primeira reunião embora continue a ter o cargo no Comitê Executivo. O mesmo ocorreu na CBF onde ele ficou afastado da negociação para renovação do técnico Tite, tocada por Caboclo com o aval do afastado presidente da confederação Marco Polo Del Nero.

A principal tarefa da Conmebol nos próximos meses é a organização da Copa América-2019 no Brasil. A confederação sul-americana e a CBF atuarão juntas na organização dentro do comitê organizador. É necessário, portanto, ter harmonia nas relações o que seria mais difícil com Nunes por perto. Outra discussão até o final do é a distribuição de cotas da Libertadores para os clubes já que haverá um crescimento de do contrato de TV em 2019.

Há uma autocrítica entre dirigentes da CBF de que a confusão em torno de quem de fato mandava na entidade deixou a comissão técnica da seleção muito livre para tomar decisões sozinha. Caboclo estava na Rússia como chefe de delegação e acompanhou o time de perto, mas ainda não tem o cargo de presidente para ter autonomia plena. Neste cenário, o desgaste do Coronel Nunes ajuda a mantê-lo afastado das questões da seleção.


Se Guerrero sair, Fla avalia ação para cobrar devolução de parte das luvas
Comentários 12

rodrigomattos

Enquanto Paolo Guerrero negocia sua saída do clube, o Flamengo estuda medidas judiciais caso de fato ele não renove com o clube, cenário mais provável no momento. Há uma avalição de que o clube pode entrar com medida judicial por o contrato não ter sido integralmente cumprido pelo caso de doping. Assim, poderia se pedir a extensão do compromisso ou a devolução de dinheiro das luvas.

A proposta de renovação do Flamengo para Guerrero foi de salário igual ao que vinha recebendo anteriormente por mais um ano e meio. Foi mencionada redução do valor total a ser recebido porque o clube só pagaria luvas proporcionais ao novo contrato, ou seja, inferior ao que tinha sido acertado no primeiro acordo.

Não houve acordo e a saída do atacante se aproxima pois o contrato se encerra no dia 10 de agosto e ele está negociando com o Internacional. Guerrero está fora do jogo desta quarta-feira contra o Cruzeiro pela Libertadores, na terceira partida seguida em que alega contusão. O Internacional tenta se acertar com o fundo DIS para obter o dinheiro necessário para a contratação.

O blog do PVC já tinha antecipado que a diretoria do Flamengo estudava pedir a extensão do contrato por período igual ao que ele ficou fora por suspensão por doping por ter tomado chá de coca com a seleção – o atacante não jogou por seis meses. Essa postura é mantida em caso de saída do clube. Mas o clube sabe que não teria muito clima para Guerrero continuar a jogar e seria mais uma forma de atrapalhar a liberação para um time rival no Brasileiro.

Ao mesmo tempo, outra medida estudada é cobrar a devolução de parte das luvas pagas a Guerrero. Em 2015, o Flamengo pagou R$ 16 milhões em luvas por três anos de contrato. A alegação da diretoria do clube é que só recebeu serviços do jogador por dois anos e meio. Ou seja, teria de ser devolvido o valor de um sexto das luvas, o que daria pouco mais de R$ 2,5 milhões. O salário dele foi suspenso durante o período de punição pela Fifa.

Dirigentes rubro-negro só vão agir se a avaliação do departamento jurídico for de que há chance de sucesso em uma ação contra Guerrero. Certo é que o relacionamento da diretoria do clube com os representantes do jogador atualmente é bem ruim. Assim, o Flamengo não fará concessões se achar que foi prejudicado com a saída do atleta.


Clubes e CBF racham sobre venda de direitos internacionais do Brasileiro
Comentários 17

rodrigomattos

Os clubes racharam na negociação por direitos internacionais do Brasileiro. De um lado, 11 times já assinaram um acordo com a empresa BR para venda das propriedades com o apoio da CBF. Do outro, agremiações como Flamengo, Corinthians, Atlético-PR, Bahia e Cruzeiro querem mais tempo para analisar outra proposta superior de um fundo antes de referendar um negócio. Uma reunião em Brasília tratou da questão e há contrariedade de parte dos clubes.

Antes da Copa, a CBF se propôs a intermediar a negociação de direitos internacionais e placas do Brasileiro já que a Globo não adquiriu essas propriedades. Houve uma concorrência e uma comissão de clubes juntamente com a confederação aceitou uma proposta do grupo BR Foot, que faz parte de um grupo com o Riza Capital. Eram R$ 550 milhões por quatro anos de contrato.

As negociações já estavam nos trâmites contratuais com finalização dos documentos para assinatura. Mas, durante o processo, uma proposta de um fundo inglês chegou por meio de um clube e já foi oficializada para a CBF. A proposta é de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), mas tem um formato diferente da primeira. Esse é o valor que pode ser atingindo, dependendo de condições, e seria como luvas descontado dos valores obtidos na revenda. Além disso, outros grupos acenaram com fazer ofertas pela propriedade.

Diante disso, os clubes se reuniram em Brasília nesta terça-feira para discutir a questão. Um grupo composto por Corinthians, Flamengo, Bahia e Cruzeiro votou para que não houvesse uma assinatura agora e se estudasse melhor a questão. Na reunião, estava o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que informou que outros 11 times já tinham assinado o contrato.

''Confere, não assino tendo proposta melhor'', afirmou o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez sobre a informação.

O vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que conduz as negociações, disse que, de fato, a primeira proposta estava já aprovada, mas que os clubes têm que analisar um possível ganho ecômico maior. A questão é saber se o novo fundo vai dar garantias de pagamento como fez o anterior, pois seu valor oferecido é bem superior. Representaria R$ 10 milhões por ano para cada clube se dividido igualitariamente.

''O que ficou definido é que faremos uma avaliação dessa proposta. Procurar o interessado para que ele oficialize'', disse ele. ''Não tem problema quem assinou porque no final vai assinar todo mundo. O formato de revenda internacional é com participação dos clubes, mas temos que analisar o aspecto econômico.''

Há uma outra questão que tem gerado contrariedade em alguns clubes. Dois dirigentes dizem que a CBF levaria comissão no contrato da BR Foot em um percentual de 10%, isto é, ficaria com R$ 55 milhões. Por isso, veem pressão da entidade para assinatura do novo contrato. Questionada sobre o assunto, a confederação não respondeu sobre esse tema.

Dentro da confederação, extraoficialmente, há uma posição de que foram os próprios clubes que aprovaram a proposta da BR Foot. Nesta versão, a entidade não fez pressão por um acordo porque até preferia que uma das grandes empresas de marketing esportivo mundial como a IMG comercializasse o campeonato por uma maior difusão. A CBF já recebeu a nova proposta, mas caberá aos clubes analisá-la mais ao fundo.

 


Caso Scarpa: juíza apreende bens do Palmeiras baseada em decisão sem efeito
Comentários 73

rodrigomattos

Com Leo Burlá

A decisão da Justiça trabalhista de apreender bens de Gustavo Scarpa e Palmeiras em favor do Fluminense baseou-se em jurisprudência do caso de Leandro Damião com o Santos. A questão é a que a medida judicial na ação de Damião citada teve uma reviravolta no TST (Tribunal Superior do Trabalho) e, na prática, não teve efeito nenhum no final. O clube da Baixada santista não ganhou nada pela saída do atacante porque houve um acordo entre as partes.

A juíza do TRT do Rio Dalva de Macedo estabeleceu o arresto de R$ 200 milhões em contas ou bens de Scarpa e Palmeiras, valor este referente à multa rescisória do contrato do jogador com o Fluminense. Em sua decisão, ela afirmou que ''a jurisprudência desta especializada vem entendendo, nos casos em que se encontra sub judice a manutenção do contrato de trabalho do jogador com o seu antigo clube, a possibilidade de se proceder o arresto de valor suficiente para garantir o pagamento da multa rescisória formalizada com a antiga agremiação''.

Como base, citou uma decisão sobre a disputa entre Damião e Santos. Na determinação do ministro do TST Ives Gandra Martins, de janeiro de 2016, estabeleceu-se o arresto de R$ 65 milhões do jogador em favor do Santos, valor que o clube alegava ter de prejuízo.

A questão é que esta decisão foi alterada em posterior acordo entre o clube o jogador, em negociação com o ministro do TST. ''Gandra deu essa decisão, mas fui falar com ele para explicar que ninguém pagaria para ter o Damião naquela época'', contou o advogado de Damião, Roberto Siegmann, que foi vice-presidente do Internacional. ''Essa decisão não teve efeito porque foi feito um acordo com o Santos e tudo foi pacificado.''

Pelo acordo firmado com o Santos, Damião não teve de pagar nada para o clube. O que ficou combinado é que, se houvesse verbas de uma futura transferência, o clube santista ficaria com uma parte. Mas o arresto dos bens do jogador foi suspenso e ele pôde se transferir por empréstimo para o Bétis e depois Flamengo. Agora, está no Internacional.

''A decisão da juíza leva em conta o princípio de que tem que respeitar o direito do jogador atuar e estabelece a garantia do arresto'', comentou Siegmann.

As ações de Scarpa e Damião tinham ambas como objetivo se desvincular dos clubes com alegação de falta de pagamento de verbas trabalhistas. A diferença é de que o meia imediatamente se vinculou ao Palmeiras o que levou o time alviverde para o polo passivo do processo, enquanto não havia um outro time com contrato com o ex-centroavante santista.

Como reação à decisão da juíza, o Palmeiras alegou que não é parte e que a medida era abusiva. Já o Fluminense não se pronunciou. Não foi possível ter contato com a juíza Dalva Macedo.


Fla é mais um que erra ao priorizar Copa do Brasil ao Brasileiro
Comentários 54

rodrigomattos

Durante a semana, o Flamnego decidiu escalar sua força máxima na quartas de final da Copa do Brasil e poupar três titulares na rodada do Brasileiro (Rever, Léo Duarte e Diego), em duas partidas com o Grêmio. Levou um bom empate fora no mata-mata e perdeu a liderança do Nacional para o São Paulo ao ser derrotado no final de semana em uma atuação ruim e sem intensidade.

É mais um clube que adota a estratégia de priorizar uma Copa em detrimento do campeonato mais importante de pontos corridos. Fizeram o mesmo o Grêmio no ano passado ao abdicar da disputa com o Corinthians, e o Cruzeiro tem optado pela mesma prática, entre outros times.

Trata-se de um equívoco porque as premissas desse plano não se sustentam. Primeiro, há um raciocínio de que é preciso brigar em todas as frentes. Bom, o única time que ganhou a Copa do Brasil e o Brasileiro de pontos corridos na mesma temporada foi o Cruzeiro em 2003. Nenhum venceu uma das competições nacionais e a Libertadores na mesma temporada.

Mesmo na Europa, onde a maratona de jogos é menor, a tríplice coroa é feito dificílimo ocorrido com o Bayern de Munique (2013) e o Barcelona (2015), clubes com elencos bem mais completos e com domínio amplo no seu país (caso dos alemães). Na América do Sul, é quase impossível. É preciso escolher, portanto, ou não se vai a lugar nenhum.

A opção pelo mata-mata costuma ser defendida com o seguinte racicínio: faltam apenas cinco jogos para a taça na Copa do Brasil e é possível recuperar no Brasileiro. O próprio técnico rubro-negro Maurício Barbieri afirmou que seu objetivo é manter o time entre os três primeiros, isto é, não pensava em manter a liderança a qualquer custo. Vê possibilidade de recuperar.

É um raciocínio que a realidade desmente. Os pontos perdidos no Brasileiro não se recuperam, assim como a chance de enfrentar um time reserva de um forte Grêmio fora. E, se o clube poupa nas quartas-de-final, vai também evitar titulares em outras fases e serão outras rodadas meia-boca. Então, poupar no Brasileiro, é, sim, priorizar o mata-mata e deixar de lado o Nacional.

O que não se justifica porque o Brasileiro é o campeonato mais importante do país, e o mais previsível para um time forte como se desenha o Flamengo nesta temporada. É nele que pode se ter certeza de que um futebol mais consistente leva ao título.

Equivoca-se quem pensa que a Copa do Brasil é mais fácil por ser mais curta. Essas cinco partidas têm forte elemento de aleatório, de acaso, porque são decididas em dois confrontos e possivelmente em pênaltis. Veja que o Grêmio foi eliminado por um Cruzeiro inferior em 2017.  O mata-mata, portanto, deveria ser a aposta para times que não tem condição de vencer o principal campeonato.

Mesmo para o Grêmio, que está agora em terceiro lugar no Brasileiro, a opção é bem questionável porque o time tem condições de brigar pelo título caso se interesse por ele. Apresenta melhor futebol, por exemplo, do que o São Paulo. No caso gremista, há o elemento de a torcida gostar de Copas o que pelo menos torna compreensível a escolha de Renato, ainda que não seja o que se espera do planejamento mais lógico para a temporada.

Já no caso rubro-negro a escolha pela Copa do Brasil faz pouquíssimo sentido. O time era líder do campeonato, e a torcida gosta do Brasileiro competição que o clube já venceu seis vezes.  É certo que o calendário da CBF não ajuda os clubes, mas, diante do cenário já posto, cabe a dirigentes e técnicos planejarem de forma inteligente seus recursos sob pena de acreditarem em ilusões e acabarem sem nada na mão.


CBF ignora ‘cliente’ do futebol ao contribuir para piorar nível do futebol
Comentários 8

rodrigomattos

Quarta-feira, Grêmio e Flamengo realizam um jogo intenso do início ao final, com qualidade de troca de passes, individual e de marcação dos dois times. A partida teve placar definido aos 48min com gol de empate rubro-negro. Um jogo para elevar as avaliações sobre até onde podem ir o futebol do país.

Sábado, Grêmio e Flamengo voltaram a se enfrentar com o time gaúcho vencendo o duelo por 2 a 0, mas escalando reservas para poupar para a Libertadores. Na ponta do campeonato, os rubro-negros tiveram quase todo seu time principal (somente a dupla de zaga e o meia Diego foram poupados), mas não chegaram nem perto da intensidade da partida do mata-mata, rodando a bola inultilmente como um time enfadado.

As duas realidades distintas em duas partidas com os mesmos times são reveladoras do cenário do futebol brasileiro. Um calendário em que as partidas dos principais campeonatos são espremidas em maratonas insanas que impedem que os clubes nacionais se apresentem na sua melhor forma em todas as ocasiões. Escalar times no Brasil para os técnicos é a arte do possível.

Para a temporada de 2019, pouca coisa vai mudar como já demonstram os planos iniciais da CBF. De novo, um Brasileiro rachado pela Copa América e espremido com rodadas de meio de semana, Libertadores e Copa do Brasil encavalados, enquanto os inúteis Estaduais se estendem por três ou quatro meses do ano.

Quando discutimos o abismo que existe entre o futebol brasileiro e o europeu, costumamos nos ater à diferença entre as mega estrelas de lá com as nossas misturas de veteranos com garotos. A balança é, de fato, cruel conosco.

Mas, recentemente, clubes como Flamengo, Palmeiras e Grêmio têm melhorado suas gestões e portanto têm conseguido reter por um pouco mais tempo alguns jogadores, além de repatriar outros de bom nível. Veja que tanto gremistas quanto palmeirenses recusaram propostas por jogadores-chaves. Quando saem, jogadores brasileiros têm sido mais caros do que anteriormente, como mostra a arrecadação recorde do mês de julho. Há, sim, sinais de um mercado mais forte.

A questão é que não adianta melhorar o nível dos jogadores que entram em campo se não lhes é dada uma condição similar à europeia fora dele, com um calendário mais racional, gramados com qualidade melhor, arbitragens de nível mais compatível com o profissionalismo (o VAR chegou aqui com atraso e só na Copa do Brasil).

Neste caso, a culpa é da CBF, mas é também dos clubes. Seria papel deles, de preferência, criar uma entidade para cuidar exclusivamente do seu produto por meio de liga. Na impossibilidade de isso acontecer, pela resistência política da CBF, cabe aos clubes se reunirem e deixarem clara sua contrariedade com o modelo atual.

Sim, há clubes como os paulistas que têm mais vantagem com o Estadual pelas cotas maiores. Essa, no entanto, é uma visão de curto prazo. Um jogo nobre do Brasileiro em final de semana estendido por dez meses e bem trabalhado como produto terá uma valorização suficiente para compensar as perdas com os regionais.

No final das contas, se a pergunta for feita ao cliente final que é o torcedor, dificilmente haverá quem defenda o modelo atual. Será que aquele que está em casa ou no estádio prefere ver um jogo intenso de titulares de bom nível em disputa em estádio cheio ou mistões dos dois lados com a arquibancada meia-boca?


Nova proposta por direitos internacionais do Brasileiro balança clubes
Comentários 18

rodrigomattos

Uma nova proposta de um fundo inglês pelos direitos internacionais do Brasileiro a partir de 2019 leva os clubes a repensarem o acordo com um grupo nacional que ainda não foi assinado. A nova oferta é de um valor garantido de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), superior aos R$ 110 milhões aceitos anteriormente do banco Riza Capital por quatro anos. Dirigentes de clubes marcaram nova reunião para discutir o caso pois a segunda proposta já foi enviada à CBF.

Com os novos contratos do Brasileiro para 2019, a Globo não comprou os direitos internacionais, nem de placas em volta do campo. Isso deixou em aberto esses direitos e a CBF se ofereceu para negociar em nome dos clubes.

Houve uma concorrência e apresentação de propostas. A melhor delas até então foi do banco de investimentos Riza Capital, que tem entre seus investidores Alexandre Grendene, Patrícia Coelho e Cesar Rocha. A oferta foi de R$ 550 milhões por ambos os direitos, sendo R$ 440 milhões pelas placas e R$ 110 milhões pelos direitos internacionais.

A comissão de clubes aceitou a oferta e o contrato estava pronto para ser assinado. Durante a Copa, no entanto, surgiu uma nova proposta de um fundo inglês cujo nome não foi revelado que a apresentou por meio de um dos clubes. Inicialmente, era uma oferta informal, mas esta foi formalizada nesta semana.

Estão na mesa US$ 220 milhões. Mas esse dinheiro seria como luvas que seriam pagas aos clubes. Enquanto isso, todas as vendas de direitos internacionais ficariam com o fundo até que se atingisse esse valor. A partir daí, os clubes e o fundo passariam a dividir o dinheiro meio a meio.

No caso do Riza Capital, o contrato seria de quatro anos com R$ 110 milhões garantidos pelos direitos internacionais. Clubes e o grupo atuariam de forma conjunta para a venda dessas propriedades.

Foi marcada uma reunião para terça-feira em Brasília com os clubes que fazem parte da comissão para discutir a nova proposta. Entre os times, estão Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético-PR e Coritiba. Também se analisará a possibilidade de criação de uma associação dos clubes para revender os direitos em vez de a CBF atuar como intermediadora.

''Já tinha sido encaminhado o acerto com esse fundo (Riza Capital) então existe uma discussão que os clubes vão ter sobre o timing dessa proposta. Temos que ver quanto teremos de tempo para analisar a nova proposta (do fundo inglês) porque a outra estava para ser assinada'', contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que é parte da comissão.  ''Economicamente, existe uma vantagem. Clubes têm que ver se abrem nova negociação.''

Lage ainda ressaltou que entende como importante que os clubes tenham participação na negociação dos direitos internacionais do Brasileiro que são uma propriedade pouco trabalhada no exterior. Quer a valorização desta marca. ''Temos que desenvolver um projeto para tornar o produto mais conhecido.''

Para o dirigente do Cruzeiro, a negociação pode se dar por meio da CBF, sem necessidade da criação de uma associação de clubes. Questionada, a confederação não informou se já recebeu, de fato, uma nova proposta.

Há ainda uma demanda de alguns clubes de que a Globo abra mão dos direitos que tem no exterior para o seu canal internacional. É improvável, no entanto, que este pedido seja atendido visto que a emissora tem contratos que lhe garantem isso.

Em relação às placas, é possível que exista uma nova proposta também pelos direitos de placas. Flamengo e Corinthians já se retiraram do acordo relacionado às placas por entenderem que é mais vantajoso negociarem individualmente essas propriedades.


Com Vinicius Jr. e Arthur, Brasil tem mês recorde de vendas: R$ 867 mi
Comentários 4

rodrigomattos

Os clubes brasileiros tiveram um mês recorde de vendas para o exterior em julho: um total de US$ 231,1 milhões (R$ 867 milhões) de acordo com relatório da Fifa. Em nenhum mês o país obtivera tal montante que se aproxima do valor que se arrecadou no ano passado inteiro com transferências de atletas. Entre as negociações, estão Vinicius Jr. (Flamengo), Arthur (Grêmio) e Paulinho (Vasco), todos com rescisões feitas neste mês.

Com isso, o Brasil ficou pela primeira vez na lista dos cinco mercados que mais ganharam dinheiro em transferência em julho, mês mais agitado para transações entre clubes. Só países europeus ocupavam a lista nos dois anos anteriores em que a Fifa tinha feito esse relatório, em 2017 e 2016.

Explica-se: os clubes só registram os valores das transferências quando são feitas rescisões contratuais com os clubes vendedores. Neste momento, os dois clubes incluem os documentos da transação que permitem à Fifa ter acesso aos valores acertados.

Assim, só agora foi registrado o valor de venda de Vinicius Jr do Flamengo para o Real Madrid, em um total de 45 milhões de euros. Sua rescisão foi registrada em 20 de julho, apesar de o clube rubro-negro ter acertado a negociação no meio do ano passado. Já o dinheiro entrou dois terços em 2018, em torno de R$ 100 milhões, e um terço neste meio do ano, R$ 50 milhões. A CBF também só registrou a saída de Felipe Vizeu (US$ 6,5 milhões) para a Udinese no mesmo dia de seu antigo colega de ataque.

O caso de Arthur é similar. A transação entre Barcelona e Grêmio já estava previamente acertada no início do ano, mas só em julho ganhou valores definitivos com o acordo para ida antecipada do jogador para a Espanha. A transferência se deu por 31 milhões de euros e a rescisão foi registrada no BID da CBF em 19 de julho.

Outro que teve sua negociação acertada em abril foi Paulinho, negociado pelo Vasco ao Bayer Leverkusen. O rompimento de seu contrato com o clube carioca ocorreu em 25 de julho, quando foi registrado o valor de 20 milhões de euros no sistema TMS da Fifa.

Entre outras transações importantes, há o atacante Roger, negociado pelo Palmeiras que estava emprestado ao Atlético-MG. Ele se transferiu ao chinês Shandong Luneng por um total de 9,5 milhões de euros. Por fim, o São Paulo negociou o peruano Cueva com o Krasnodar por 8 milhões de euros.

Para efeito de comparação, o valor obtido pelos clubes brasileiros de R$ 867 milhões praticamente cobre os R$ 916 milhões ganhos em toda a temporada de 2017. Para se ter ideia, o Brasil arrecadou mais do que o mercado inglês, que é o maior comprador, mas também negocia jogadores com outros países europeus. Espanha e Alemanha ficaram na casa de US$ 300 milhões em ganhos com negociações de jogadores. A liderança ficou com a França com US$ 428 milhões.

Entre os que mais investiram, estão a Inglaterra e a Itália, esta puxada pela negociação de Cristiano Ronaldo entre Real Madrid e Juventus. No total, os ingleses gastaram US$ 730 milhões com jogadores no mês de julho, e os italianos, US$ 719 milhões. Esse número indica um claro reaquecimento do mercado da Itália que estava atrás dos outros anteriormente.

No geral, o mercado de transferências cresceu 17% nesta temporada em relação a anterior, demonstrando que continua a escalada de custo com aquisição de jogadores vista nos últimos anos. No total, foram US$ 4,8 bilhões em transferências neste ano.


Negociação coletiva de TV domina 90% das ligas do mundo. Brasil é exceção
Comentários 19

rodrigomattos

A maioria dos campeonatos nacionais do mundo tem negociação coletiva de televisão, e apenas uma minoria dos contratos é fechada individualmente pelos clubes. Uma dessas exceções é o Brasileiro. É o que aponta um estudo da Fifa publicado nesta semana com uma análise da realidade de ligas por todo o planeta. Outro ponto revelador é que o país é um dos poucos na elite que tem um campeonato gerido pela federação nacional, e não por uma liga.

O relatório global de futebol de clube da federação internacional está em sua segunda edição e tratou da temporada de 2017. Seu objetivo é analisar o ambiente esportivo e econômico dos times em cada país e continente. Para isso, compilou dados de cada uma das federações.

Em relação à negociação de televisão, a Fifa obteve dados de 190 países entre os seus filiados. Desse total, 170, ou cerca de 90%, tinham negociação coletiva dos direitos de televisão. Apenas 10% tinham acordos individuais de clubes.

O Brasil está nesta fatia minoritária desde 2011, quando houve a ruptura do Clube dos 13 e as negociações passaram a ser individuais. Isso se manterá pelo menos até 2024, período que contempla contratos assinados entre os clubes e a Globo ou o Esporte Interativo relacionados aos direitos do Brasileiro.

Entre os países mais representativos do futebol mundial, há outros dois campeonatos com negociações individuais: Portugal e México. Além deles, há outras nações menos relevantes no esporte com o mesmo modelo, como Angola, Cabo Verde, Egito, Peru, Ucrânia e Chipre. Nenhuma das cinco principais ligas europeias tem acordos individuais de times.

Além disso, o estudo da Fifa levantou que 59% dos campeonatos são organizados por federações nacionais, enquanto outros 41% são de responsabilidade de ligas. O Brasileiro é organizado pela CBF, que controla arbitragem, tabela e departamento técnico da competição. A confederação tem asfixiado qualquer tentativa de liga ao longo do tempo.

Apesar de a maioria dos campeonatos ter organização de federações, o Brasil é um dos poucos da elite do futebol mundial, seja na tradição ou financeiramente, com este tipo de gestão da competição. Com o mesmo modelo, há países como Chile, Uruguai, Rússia e China.

Entre os países com liga estão EUA, México, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Portugal e Japão. Até em continentes como a África, onde o futebol é menos desenvolvido do que na América do Sul, 40% dos países já possuem ligas organizando seus campeonatos.

Por fim, o Brasil é o único país entre todos com futebol relevante que combina um Brasileiro organizado pela federação nacional (CBF) com negociação individual de direitos de televisão. Ou seja, é onde os clubes têm a menor capacidade de se organizar coletivamente para melhorar o desenvolvimento de seu esporte em toda a elite do esporte mundial.