Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : árbitro de vídeo

CBF cobra por árbitro de vídeo valor maior do que transmissão top da Globo
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Teste de árbitro de vídeo (Divulgação/CBF)

O preço cobrado pelo CBF pelo árbitro de vídeo da Série A é superior à mais cara transmissão da Globo feita com produtores independentes. Não houve concorrência aberta no mercado, mas uma tomada de preço com empresas especializadas.

A confederação ressalta que o projeto inclui diversos custos como adaptações de estádios, importação de equipamentos e operadores. Produtores de televisão que não foram procuradores pela CBF dizem que seria possível fazer bem mais barato.

Durante o Conselho Técnico da Série A, a CBF apresentou uma conta entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por jogo pelo árbitro de vídeo. No total, cobrou R$ 500 mil por clube por um turno, valor correspondente aos R$ 50 mil por partida. No total, avaliou por R$ 20 milhões o pacote anual para todos. O custo foi o principal motivo apontado por clubes para recusarem o item.

O chefe de arbitragem da confederação, Marcos Marinho, contou ter feito levantamento com três empresas. Não houve concorrência, como acontecerá na Copa do Brasil. As imagens usadas seriam na maior parte da TV Globo porque têm de ser as imagens da transmissora oficial.

O blog obteve a tabela da Globo para produtores independentes na transmissão de jogos. Sem necessidade de deslocamentos, os preços variam de R$ 22 mil a R$ 42,3 mil por jogo, sem necessidade de áudio (o árbitro de vídeo não precisa). São quatro tipos de pacotes, variando número de câmeras e equipamentos.

No premium, há 13 câmeras de HD, e outros 11 itens de recuperação de slow, caminhão de unidade móvel, etc. Tudo isso seria usado no árbitro de vídeo.

Donos de duas produtoras ouvidos pelo blog, que não quiseram se identificar por medo represálias, disseram que o VAR pode ter especificidades, mas, basicamente, necessita de aparelhos similares aos das TVs. Na avaliação inicial de um dos produtores, seria possível baratear a operação a até pelo menos R$ 25 mil, metade do preço da CBF, sendo necessário analisar os dados.

Nenhum dos dois produtores, que trabalham para a Globo e para o Esporte Interativo em praças no Sudeste, Nordeste e Sul, foi procurado pela CBF. No mercado, a informação é de que apenas a produtora Broadcast TV, que é de fato uma das mais qualificadas do país, foi abordada pela entidade para cotar preços. É também uma das mais caras.

A Globo ainda é no Brasil a emissora conhecida por pagar mais aos produtores independentes. A Esporte Interativo chega a fazer jogos com custo de R$ 20 mil.

A confederação diz ter feito “uma tomada de preço com empresas especializadas e atuantes do mercado, que realizaram seus orçamentos baseados no escopo completo do projeto, operação e logística para a quantidade de jogos estabelecida, levando em conta especialmente as dimensões continentais do Brasil e as viagens decorrentes!”

Ao explicar o tamanho do projeto, a confederação ressalta que foram avaliadas pelas empresas as “intervenções necessárias em todos os estádios da Série A, a montagem das estruturas jogo a jogo, a capacidade de investimento em equipamentos próprios, a importação do material, desembaraços e questões aduaneiras, o sistema para recepção das imagens, o valor da mão de obra especializada para operar estes equipamentos, bem como seguros e manutenção.”

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CBF tinha em caixa valor suficiente para pagar 12 anos de árbitro de vídeo
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Em seu último relatório financeiro, do final de 2016, a CBF informou que tinha em caixa um valor que seria suficiente para pagar 12 anos do sistema de árbitro de vídeo no Brasileiro da Série A. A entidade alega que não pode investir no projeto por falta de fontes de recursos e por questões de compliance (governança corporativa). A mesma confederação se recusa a informar quanto tem atualmente guardado no banco.

Na segunda-feira, os clubes reprovaram o árbitro de vídeo no Brasileiro da Série A em seu Conselho Técnico. O principal argumento foi o custo que seria de R$ 500 mil por clube para o segundo turno – daria R$ 1 milhão para todo o campeonato.

Segundo a CBF, o árbitro de vídeo custaria entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por jogo. Na conta total, isso daria um valor entre R$ 15 milhões e R$ 19 milhões. Arredondando, a confederação estimava em R$ 20 milhões para cobrir tudo.

“A CBF tem uma série de medidas de compliance atualmente. Não dá para simplesmente pegar o dinheiro e pagar”, afirmou o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Marcos Marinho, ao blog.

Em entrevista à ESPN, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman defendeu a decisão: “Não, não acho (que a CBF tem que pagar pelo sistema). Imagino que a ESPN também deve ter. Hoje em dia a CBF tem sistema de governança, de auditoria, de conselho fiscal. Nenhuma despesa pode ser realizada sem a devida fonte de financiamento. Não há fonte de financiamento da CBF para nenhum custo adicional. CBF sem nenhuma participação financeira no Brasileirão já gasta bem mais de R$ 10 milhões sem ter nenhuma contrapartida de receita.”

Pois bem, ao final de 2016, a CBF somava em seu caixa um total de R$ 245,3 milhões. A maior parte estava em aplicações financeiras em bancos. O blog pediu a confederação o número atualizado até o final de 2017, mas sua assessoria informou que não daria o dado. (Lembrança: o diretor-executivo da CBF, Rogério Caboclo, pediu transparência aos clubes também em seus dados financeiros). No ano passado, a CBF já resistia a investir o dinheiro no sistema de árbitro de vídeo apesar das sobras financeiras.

O valor do caixa da CBF tem subido ano a ano. Nos anos de 2015 e 2016, a confederação acumulou R$ 120 milhões extras de caixa. É possível que tenha havido variação de caixa em 2017, mas nada significativo  para abalar as reservas da entidade pois não houve despesas extras. Houve apenas maior custo com comissão técnica da seleção após a contratação de Tite.

Até porque a receita da entidade se mantém acima da casa de R$ 500 milhões, com lucro. Em competições, a confederação investe em torno de 15% do total, sendo o restante destinado a seleções, salários, administração, advogados, etc. Foram apenas R$ 3,8 milhões para a Série A em 2016. No ano passado, o valor não está disponível.

Ao explicar os altos custos do árbitro de vídeo, Marinho contou que o sistema ainda está em seu início de implantação. “São poucas empresas que fazem e cobram mais. Foram ouvidas três empresas”, disse ele sobre o levantamento de orçamento.

Na Europa, esse custo é bem mais baixo, como mostrado pelo UOL, e a justificativa seria a necessidade de maior infraestrutura no Brasil. “Tem que instalar um sistema em cada um dos estádios. A Globo apenas distribui as imagens”, contou Marinho.

 

 


Regras indicam que árbitro errou ao não revisar pênalti do Grêmio
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Os protocolos da Conmebol e da CBF indicam que houve um erro do árbitro Julio Bascuña e seus auxiliares na utilização do árbitro de vídeo nos lances da final da Libertadores entre Grêmio e Lanús. O equívoco no procedimento é confirmada por uma fonte que trabalha com o VAR na confederação brasileira.

Gremistas ficaram revoltados com a não marcação de um pênalti sobre Jael no final do jogo. Bascuña encerrou o jogo sem acessar o vídeo para revisar o lance e constatar se houve falta.

Pelo protocolo do VAR da Conmebol e da CBF, ambos baseados no da Fifa, devem ser revisados todos os lances que representem potencial pênalti pelo assistente no sistema. Isso pode ser feito também pelo árbitro de campo. “Não existe pressa para para agilizar uma revisão”, afirma o documento da Conmebol.

Uma fonte envolvida com procedimentos de VAR explica que o árbitro poderia atrasar o fim do jogo para fazer a revisão. Mais: mesmo que ele tivesse encerrado a partida, poderia revisar o lance e assinalar o pênalti. Só não se pode fazer revisão caso o jogo seja reiniciado e tenha outras jogadas e a volta se torne impossível.

Além disso, a instrução é que esse tipo de lance seja visto por todas as câmeras. E o VAR conta com exatamente as mesmas imagens da transmissora do jogo, isto é, da Globo, Fox ou Sportv. O comentarista da TV Globo Renato Marsigla relatou que um representante da MediaPro entrou na cabine para questionar sobre as imagens que comprovariam o pênalti. Ora, ele tinha as mesmas imagens. O protocolo da CBF recomenda que o árbitro de vídeo indique ao que está em campo o melhor ângulo.

O especialista em VAR ouvido pelo blog relata que o lance era pênalti claro e portanto se enquadrava no caso de revisão. Afirma que a entrada de Geromel que gerou um amarelo era outro caso que deveria ser visto novamente, embora não necessariamente fosse revisado para se transformar em vermelho. Fato é que há indicações de que houve erros de procedimento na análise.


Pressão sobre árbitro na consulta ao vídeo renderá amarelo e até expulsão
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A comissão de arbitragem da CBF já decidiu que jogadores e técnicos que tentarem pressionar os árbitros quando consultarem o vídeo em campo serão punidos com cartão amarelo e até expulsão. Ainda não há data definida para a implantação do sistema de árbitro de vídeo no Brasileiro que estava previsto para a 29a rodada. Há entraves técnicos que atrasam a novidade.

É uma preocupação da confederação o excesso de reclamações de jogadores e treinadores em cima dos juízes. E, por isso, a CBF nem queria que houvesse uma televisão no gramado para consulta do árbitro, além do que ficará em uma sala separada. Mas o protocolo da Fifa estabelece que o juiz de campo tem que ter a possibilidade de tirar dúvida em uma tela.

A ideia é posicionar uma tela no meio do campo, entre os dois bancos de reservas. Tradicionalmente, há ali um foco de pressão das comissões técnicas dos dois times sobre o juiz naquele ponto. Por isso, haverá uma linha em volta da tela onde será proibido o acesso de jogadores e treinadores.

“A área ali é restrita ao árbitro. Haverá essa linha demarcatória proibindo o acesso. Se chegar um jogador nesta área, levará o amarelo. Se um técnico entrar, será excluído. Não tem nem discussão”, afirmou Sergio Correa, membro da comissão de arbitragem responsável pelo projeto do árbitro de vídeo.

A intenção da tela no campo é para caso o árbitro de campo tenha dúvida ou necessidade de interpretar um lance. O outro juiz ficará em uma sala como um bunker, isolada, sem acesso para ninguém. E estará proibido de interpretar, por exemplo, se foi pênalti. Isso só poderá ser feito pelo árbitro no gramado.

“Quando houver um lance, ele (árbitro em campo) pode fazer interpretação na tela. Ele pode pedir essa revisão”, contou Corrêa. A intenção da CBF é deixar a atuação do árbitro de vídeo restrita a lances claros, mas, obviamente, haverá uma subjetividade em decidir quais são esses casos. Então, o árbitro de campo que decidirá.

Instrutores da CBF já treinaram 64 árbitros para atuar com vídeo no CT de Águas de Lindóia. Outros 50 passarão pelo mesmo procedimento. Há ainda ajustes e testes a fazer no sistema, inclusive em relação às condições técnicas de certos estádios.


Árbitro de vídeo não atuará em lances interpretativos como gol do São Paulo
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A comissão de arbitragem da CBF tem orientado os árbitros de vídeo (AV) que não poderão opinar ou interferir em lances passíveis de interpretação nos jogos do Brasileiro. Um exemplo é a marcação de falta de Pratto em Cássio que levou à anulação do gol do São Paulo diante do Corinthians. A intervenção do vídeo será só para jogadas claras, de acordo com as instruções da confederação.

O instrutor de árbitro de vídeo, Manoel Serapião Filho, afirmou que será seguido o protocolo da Fifa que não abre possibilidade para o juiz na frente do monitor atuar em jogadas subjetivas, com mais de um julgamento. Isso só poderá ser feito pelo que estiver em campo.

“Se tiver que interpretar, o árbitro de vídeo está fora. Só vai julgar o que for preto no branco, não entrará em zonas cinzentas”, explicou Serapião. “Ele não é um clínico geral. É como se fosse um médico cirurgião. Só salva vida na UTI.”

Como exemplo, o instrutor do AV explica que o homem à frente do monitor não poderia interferir nem no gol anulado de Eder Militão, nem no pênalti marcado de Edílson sobre Allione no Grêmio e Bahia. Houve reclamação dura de são-paulinos e gremistas em relação às duas decisões do juiz.

“Nenhum dos dois (árbitro de vídeo pode atuar). Não tem imagem clara da televisão. Um não dá para ver se há o toque (pênalti para o Bahia) e no outro está um bolo de jogadores no meio (falta de Pratto)”, explicou Serapião Filho. “Vai servir para lance como a mão do Jô que é claro. Impedimento que interferiu, pênalti e gols (claros).”

Apesar de Serapião citar o protocolo da Fifa, a entidade liberou que o árbitro de vídeo pudesse chamar o juiz de campo para citar lances que possam ser subjetivos. A CBF, no entanto, é contra esse tipo de atuação porque entende que pode aumentar erros. “Com esse limite, vai melhorar 80%. Ser ou não ser. A faixa de equívoco será mínima”, completou ele.

O instrutor da CBF, no entanto, admite que há uma interpretação na própria decisão do árbitro de vídeo de qual lance é ou não subjetivo. Neste caso, ele será treinado para que procure a melhor definição de acordo com os parâmetros estabelecidos pela confederação. E haverá uma vigilância sobre os juízes para que não extrapolem sua função no vídeo.

O treinamento da CBF envolve 64 árbitros que atuam na primeira divisão e vai durar até 11 de outubro. Aliado a isso, chegarão os equipamentos da Bélgica para serem utilizados no sistema. A imagens usadas serão da Globo, com a possibilidade de botar câmeras extras na linha do gol. Por isso, a previsão é de implantação do sistema até o meio de outubro no Brasileiro.

“A CBF sempre teve treinamento para árbitro de vídeo. Não está queimando etapas, está antecipando etapas. Já estava previsto e todos terão o curso”, finalizou Serapião, que estava ministrando um dos cursos.

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Com Pedro Ivo de Almeida

A implantação do árbitro de vídeo causa uma saia justa entre a CBF e a Globo por conta do uso das imagens da emissora para tomar decisões sobre os erros. A confederação tenta acelerar o processo, enquanto a emissora quer garantir que sua participação não vai interferir no sistema esportivo.

As discussões entre as partes ocorrem enquanto a CBF tentar contratar uma empresa para ter todos os monitores para árbitros, e montar um sistema até o final de semana. E isso tem de casar com o sistema da Globo de transmissões que é usado no Brasileiro. É provável que não se conclua até o final da semana.

Uma primeira questão é que a emissora tem mais câmeras em alguns jogos do que em outros pela própria lógica de transmissão. Assim, haveria mais câmeras em um jogo de domingo à tarde transmitido para toda a rede em TV aberta do quem em outro do pay-per-view de times de menor expressão. Isso poderia causar desequilíbrio.

Diante dessa situação, a comissão de arbitragem da CBF vai utilizar um número de câmeras padrão disponíveis em todos os jogos. Mas aí terá de ver como não usar as outras extras de jogos grandes.

“Existe um mínimo de câmeras, algo como sete. Mas ainda estamos conversando. Se precisarmos colocar mais câmeras para viabilizar, vamos conversar. Tudo será ajustado aos poucos. Em um jogo com 20 câmeras, ok”, afirmou o presidente da comissão de arbitragem da CBF, coronel Marcos Marinho.

A confederação queria que a Globo emprestasse os operadores de replay com know-how para serem usados nas cabines de árbitros de vídeo. Só que a emissora não gostou da ideia. Entende que não tem que colocar seus funcionários para atuar na parte esportiva, da arbitragem.

Há um temor da Globo de ela seja vista como interferindo na arbitragem. Por isso, a intenção é ajudar, sim, a CBF, mas apenas fornecendo as imagens solicitadas. Não haverá participação no sistema de monitoramento do árbitro.

E aí surge uma terceira questão: as câmeras da Globo são posicionadas para melhor transmissão ao telespectador, e não para atender critérios técnicos de arbitragem. Ou seja, não haverá como garantir que haverá uma câmera para pegar um impedimento na linha da defesa.

Todos esses itens emperram as discussões entre as partes e tornam o cenário complicado para utilizar árbitro de vídeo já na próxima rodada do Brasileiro. A ordem do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, era acelerar o processo, mas ele mesmo que protelou a ideia em pelo menos um ano por economia.


Saiba como funcionará o árbitro de vídeo no Brasileiro
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Com Pedro Ivo de Almeida

Após gol de mão de Jô contra o Vasco, a diretoria da CBF decidiu acelerar a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro: a ideia é ter na próxima rodada. O sistema terá de respeitar o protocolo determinado pela Fifa, único permitido pela International Football Board Association. É o mesmo que será utilizado pela Conmebol nas semifinais da Libertadores

A CBF vinha protelando a instalação do árbitro de vídeo por economia já que o custo estimado é de R$ 15 milhões por ano. Por isso, foram feitos testes apenas em dois jogos da final do Campeonato Pernambucano, além de experiências offline. Mais: a confederação tinha discordâncias com a Fifa sobre a abrangência da atuação do juiz no monitor, mas só poderá usar o sistema da federação internacional.

E a Fifa já estabeleceu umas série de regras básicas para atuação do árbitro de vídeo. A intenção geral é que sejam poucas revisões em lances capitais, sem parar o jogo inteiro. Veja nesta série de perguntas como irá funcionar o sistema:

Como funciona?

Um árbitro ou ex-árbitro ficará em frente a um monitor com imagens dos jogos. O árbitro de campo pode consulta-lo no caso de dúvida ou o juiz à frente da televisão pode interferir se identificar um erro não visto pelo colega no campo. Eles se falam por intercomunicação. A decisão final é de quem está em campo. A CBF ainda vai decidir exatamente em que locais ficarão os juízes à frente do monitor, dependendo da infraestrutura do estádio.

Quando o árbitro poderá atuar?

1) Lances de gol para ver se houve irregularidade em impedimento ou se a bola entrou. Não será possível voltar atrás se for marcado impedimento inexistente porque o lance para.

2) Pênaltis para saber se houve, de fato, a falta na área.

3) Cartões vermelhos para verificar se ocorreram agressões fora do lance não vistas pelo árbitro.

4) Identificação de jogadores em confrontos em massa em campo.

Quais imagens serão usadas?

No caso brasileiro, serão usadas as imagens da Globo, detentora dos direitos do Brasileiro. A CBF entende que tem de ser utilizadas as mesmas imagens vistas pelo torcedor para não gerar dúvida. Em Pernambuco, houve testes com produção própria e com imagem da emissora oficial. Ainda não está descartado o uso de transmissão própria que seria mais cara também. Fato é que a imagem não terá som.

O sistema brasileiro de árbitro de vídeo já está maduro para ser usado?

Fifa e Conmebol contrataram empresas para implantar o árbitro de vídeo, sendo no caso da federação internacional o Hawk-eye que já era usado em outras competições esportivas. Ambas fizeram treinamentos com os árbitros que utilizarão o sistema. No Brasil, foram treinados pela Conmebol três árbitros: Anderson Daronco, Wilton Pereira Sampaio, e Sandro Meira Ricci, além de Péricles Bassols, internamente. Não foi contratada nenhuma empresa pela CBF para controlar o sistema, pois não havia previsão de implantação. A entidade vai se basear no que pegou com a Conmebol, e vai treinar de forma intensiva outros 11 árbitros, em um total de 14.

Há um problema de usar no meio do campeonato?

A CBF já tinha previsto em seu regulamento de competições de 2017 que poderia implantar o sistema de árbitro de vídeo durante qualquer das suas competições, independente da fase. Está no artigo 77. Ou seja, tem respaldo jurídico. O regulamento, inclusive, prevê que não é necessário fazer em todas as partidas, podendo a confederação utilizar só em algumas. A própria comissão de arbitragem admite que pode ter o árbitro de vídeo em alguns jogos e outros, não, dependendo da infraestrutura. A Conmebol também decidiu pelo uso do árbitro de vídeo no meio da Libertadores, a partir das semifinais.

O sistema de árbitro de vídeo já tem regras definitivas?

A International Board ainda não decidiu as regras definitivas do árbitro de vídeo que está em aprimoramento. Há um protocolo provisório feito pela Fifa que tem de ser usado em todos os países. A expectativa é de que o padrão ganhe contornos definitivos no final do ano, ou início de 2018, para chegar à Copa da Rússia consolidado.


CBF começa a testar árbitro de vídeo com imagem da Globo
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A CBF fará o primeiro teste de árbitro de vídeo com imagens da TV Globo na final do Campeonato Pernambucano entre Sport e Salguero, nesta quarta-feira. Assim, a intenção é melhorar a qualidade da imagem em relação à primeira experiência, também no Estadual, e atender uma exigência da Fifa. O procedimento a ser usado será o mesmo previsto pela Conmebol para as quartas-de-final da Libertadores.

O teste de estreia foi na primeira partida da decisão com imagens de uma produtora independente contratada pela FPF (Federação Pernambucana de Futebol). A cúpula da arbitragem da CBF entendeu que a qualidade da imagem foi ruim o que prejudicou a análise de um lance polêmico de pênalti no final da primeira partida – demorou seis minutos. A FPF entende que era uma boa transmissão, mas era preciso mudar.

“A imagem será a da Globo. Nós tínhamos uma produção boa, com HD. Mas entendo que tem que ser a mesma imagem que recebe o público como manda a Fifa”, contou o presidente da Federação Pernamucana de Futebol, Evandro Carvalho.

A ideia de ter a mesma imagem do público é para não gerar controvérsia sobre a decisão dos árbitros. Serão julgados lances de pênalti, gols ou erros crassos como dar cartão para um jogador errado, ou ignorar uma agressão.

A equipe de árbitro de vídeo será composta por Pericles Bassols e Alicio Pena Jr, coordenador por Manoel Serapião (instrutor da CBF). Eles vão avisar o árbitro de campo que será Wilton Pereira Sampaio sobre erros. Mas a ideia é que o árbitro de vídeo não seja usado para interpretações. Ou seja, só serão comunicados os erros claros, ou quando o juiz de campo ficar em dúvida e pedir um auxílio.

A imagem da Globo será sem nenhum som para não influenciar os juízes de vídeo. O acordo para uso das imagens é apenas para esse jogo. Há uma negociação mais ampla relacionado ao Brasileiro de 2018 para o qual ainda não é certa utilização do vídeo. O valor estimado de investimento da CBF é de R$ 15 milhões. O custo do primeiro jogo foi de R$ 140 mil, segundo a federação pernambucana. Com a Globo, isso deve se reduzir.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

 


CBF, é hora de coçar o bolso e pagar o árbitro de vídeo
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A falha do árbitro Thiago Ribeiro ao confundir os jogadores do Corinthians e expulsar Gabriel equivocadamente é só o momento mais bizarro do apito nacional, longe de ser exceção. A cada Estadual, a cada Brasileiro, os nossos árbitros não enxergam ou ignoram seguidos lances. São culpados só em parte, sendo os maiores responsáveis a CBF e a federação que não lhes dão nem suporte, nem o profissionalismo já difundido na Europa.

É neste contexto que a confederação tem postergado o momento de introduzir o árbitro de vídeo nos campos nacionais. Após sugerir a medida à Fifa, a CBF reluta em aplica-la porque não quer desembolsar os R$ 15 milhões ou R$ 20 milhões necessários por ano para o Brasileiro. Há outras desculpas, como discussões com a Fifa, mas o motivo financeiro é o real entrave.

Não se trata de uma entidade pobre como se sabe. A receita da CBF girava em torno de R$ 500 milhões considerado o último número conhecido, de 2015. Pode ser que caia a renda pelo abandono de seus patrocinadores após o escândalo de corrupção em que se mateu, mas fato é que sobra dinheiro em caixa.

Ainda assim, a confederação não quer profissionalizar os árbitros e joga o árbitro de vídeo talvez para o Brasileiro-2018 por economia. Nos Estaduais, então, a aplicação deles parece ainda mais remota se não impossível a curto prazo. Mas que pelo menos tenhamos o recurso no campeonato mais nobre do país onde também se verificou outra bizarrice quando Sandro Meira Ricci deixou um Fla-Flu suspenso por 12 minutos para tomar uma decisão.

Se a CBF não quer gastar com arbitragem, muito bem. Que libere os clubes para organizarem suas ligas e deixe que eles usem os recursos do campeonato para bancar uma arbitragem decente. Ou a confederação coça o bolso para gastar com o que realmente importa – o futebol brasileiro em campos brasileiros – ou que largue o osso.

O que não dá mais é para clássicos regionais ficarem submetidos a erros grosseiros como os cometidos pelo árbitro do Derbi. Um juiz que demonstrou o mesmo tipo de miopia do que…a CBF.


Fifa quer liberar replays polêmicos em estádios junto com árbitro de vídeo
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A Fifa quer liberar replays de lances polêmicos em estádios juntamente com o árbitro de vídeo. O modelo ainda não está finalizado, mas a ideia é mostrar para o torcedor por que o árbitro tomou determinada decisão. Esse sempre foi um tabu para a federação internacional que proíbe a exibição de lances de marcação difícil para o árbitro.

O modelo de árbitro de vídeo ainda está em discussão dentro da Fifa e da International Board. Houve o primeiro teste no Mundial de Clubes no Japão. Mas entidades como a CBF ainda questionam o projeto da federação internacional e haverá outros ajustes em teste.

Entre os pontos controversos, está o uso de vídeo pelo árbitro que está em campo. A Fifa defende essa ideia, a CBF é contra e pretende argumentar para impedir isso. Outra questão é sobre o uso do árbitro de vídeo em lances de interpretação. De novo, a Fifa é a favor, e a confederação é contra. A confederação vai insistir na sua tese em encontros com a International Board em fevereiro.

Mas há um ponto em comum: ambas as entidades preveem liberar o replay de lances controversos nos estádios. No caso da Fifa, a ideia é até mais avançada: ter uma câmera acompanhando o árbitro enquanto ele toma a decisão. É supreendente para uma entidade que proibia que países-sede de Copa do Mundo exibissem replays de lances controversos no estádio. Queria evitar reações adversas da torcida contra o juiz, temente protestos.

A CBF simplesmente pretende liberar o replay para o torcedor poder constatar o mesmo que o juiz de vídeo analisou. No Brasileiro, também se evita a exibição de lances polêmicos em telões, ou câmeras que revelem impedimento.

Mas ainda não é certa a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro-2017. O principal empecilho continua a ser a alegação da entidade de que faltam recursos porque o sistema é caro. Os gastos são estimados em R$ 15 milhões, e a CBF tem receita estimada em R$ 500 milhões nos últimos anos. Já há quem fale dentro da entidade em adiar o árbitro de vídeo para 2018.