Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Arena Corinthians

Estádio dá ao Palmeiras vantagem de R$ 150 mi sobre Corinthians em 2 anos
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Quando decidiram fazer seus estádios, Palmeiras e Corinthians adotaram modelos de negócios completamente diferente. Houve uma longa discussão sobre quem teria a melhor fórmula. Passados dois anos das arenas em funcionamento, o clube alviverde teve uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões em renda sobre o rival, de acordo com levantamento do blog.

No modelo escolhido, o Corinthians decidiu criar uma estrutura de empresas para financiar a construção de seu estádio com empréstimo do BNDES e incentivo fiscal. Depois, ainda usou dinheiro da Odebrecht. As rendas da arena seriam todas destinadas ao pagamento desta conta, o que tirava a renda do clube com bilheteria. Hoje, a perspectiva é de que se alongue o pagamento da dívida por pelo menos 20 anos.

Já o Palmeiras fechou uma parceria com a W/Torre pela qual cedida o estádio e o terreno por 30 anos. A construtora realizava toda arena e cedia as rendas de bilheteria para o clube, ficando com o direito de exploração para shows e outros eventos.

Levantamento nas contas do fundo Arena Imobiliário e nas bilheterias do clube mostra que o estádio corintiano teve uma arrecadação em torno de pelo menos R$ 147,5 milhões em dois anos e meio de funcionamento. Pelas contas do fundo, foram R$ 119,3 milhões até o meio de 2016. As bilheterias corintianas somadas no segundo semestre foram de R$ 28,2 milhões.

No mesmo período, o Palmeiras deve registrar receita um pouco superior com o Allianz Parque. Em 2015, descreveu R$ 87,2 milhões em arrecadação com jogos em seu balanço.

Não há um número total fechado para 2016 já que o balanço não se encerrou. Mas as receitas de bilheteria do ano foram de R$ 59,6 milhões. Ou seja, o total chega a pelo menos R$ 146,8 milhões. Esse número certamente será maior já que o Palmeiras tem direito a um percentual pequeno da renda de eventos e de naming rights.

Feitas as contas, em dois anos com os estádios novos, o Palmeiras teve uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões em seus cofres sobre o rival o que se reflete na situação financeira dos dois clubes. E pelo cenário atual isso deve perdurar.

Como deve prolongar a dívida com o BNDES por 20 anos, e tem outros débitos com a Odebrecht, o Corinthians pode ficar duas décadas sem bilheteria. A situação se agrava porque há a dívida privada, pela falta de venda de naming rights e de negociação da maior parte dos CIDs. Assim, é difícil dizer quando de fato o clube conseguirá cobrir o R$ 1,1 bilhão do custo do estádio.

No cenário mais otimista, de pagamento do débito corintiano em 20 anos,  a escolha do modelo de negócios de estádios representará uma diferença de R$ 1,5 bilhão em favor do Palmeiras sobre o rival em neste período. E, em 10 anos mais, o próprio Palmeiras terá seu estádio integralmente. Ou seja, não há dúvida hoje de quem fez o melhor negócio.


Auditoria corintiana vê lucro indevido da Odebrecht em conta da arena
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A auditoria contratada pelo Corinthians analisa supostas cobranças indevidas feitas pela Odebrecht na conta de R$ 1,2 bilhão da sua arena. Entre os pontos, há um questionamento de inclusão de R$ 27 milhões de lucro da construtora na conta final que, por compromisso, não deveria existir. Extraoficialmente, a construtora alega que não teve lucro nenhum porque o dinheiro foi usado para cobrir aumento de despesas com custos extras.

As supostas cobranças indevidas foram verificadas pela auditoria Claudio Cunha e por advogados contratados pelo clube que analisam as despesas do estádio. Contratos com fornecedores da arena também estão sendo alvo de escrutínio desse grupo. Ao final, o Corinthians decidirá se requisita o desconto da dívida do clube.

Como mostrado pelo blog, mudanças contratuais fizeram saltar o valor inicial de R$ 820 milhões para R$ 985 milhões. Contratações de overlays para a Copa-2014 e juros elevaram a conta para R$ 1,2 bilhão. O Corinthians só pagou uma pequena parte desse valor, tendo dívida de R$ 350 milhões só com a construtora.

Bem, neste valor de R$ 985 milhões, foram incluídos 4% de lucro bruto para a Odebrecht, além de outros 4% de taxa de administração da obra. Ou seja, de lucro, estavam previstos R$ 39 milhões para a construtora. Posteriormente, um aditivo estabeleceu que esse valor ficaria em R$ 27 milhões.

A empreiteira prometeu em diversas ocasiões que não teria lucro. Foi feita uma ata assinada pelas partes confirmando que não haveria esse ganho extra da Odebrecht. No entanto, ao final da obra, a construtora cobrou o preço integral e deu a obra como concluída sem que ela estivesse integralmente pronta.

É nisso que a auditoria se baseia para exigir que o lucro seja excluído, além de outros itens. A auditoria está reunindo documentos de dois levantamentos sobre as obras do estádio, feito agora pela Claudio Cunha Engenharia e pela Tessler. Será feito um documento final em que se apontarão os supostos prejuízos do clube.

Em contrapartida, na versão extraoficial, a Odebrecht argumenta que o seu lucro foi usado como contingência para cobrir itens da obra que extrapolaram os valores previstos inicialmente.  Entre os itens citados, estão uma instalação para liberar fumaça, novos locais para imprensa e vidros da cobertura. Alguns itens já estavam na estimativa inicial e custaram mais do que o previsto, outros tiveram de ser incluídos. Essa é a versão da  construtora.

Segundo a Odebrecht, todos esses valores estão detalhados na conta final da obra que está disponível no fundo que controla o estádio desde o final de 2015. A construtora alega que basta a auditoria consultar os documentos para ver que não sobrou lucro.

A tese é rebatida na auditoria onde se afirma que já foram feitas diversas reivindicações de documentos à construtora e nenhum deles foi recebido. A argumentação é de que empreiteira tem constantemente sonegado essa documentação para evitar a realização da auditoria.

Por fim, a versão da Odebrecht é de que só levou prejuízo na obra pois teve que financia-la com empréstimos e capital próprio. Foram feitos empréstimos com bancos privados e com o BNDES. Só diretamente à construtora o clube deve R$ 350 milhões. Em contrapartida, representantes corintianos dizem que a empreiteira já recebeu por meio dinheiro por meio desses mútuos.

Quando encerrada a auditoria, ficará a questão se a diretoria corintiana cobrará que a empreiteira desconte os supostos itens indevidos. Ao mesmo tempo, em meio à disputa, a Odebrecht poderá endurecer na cobrança da dívida do clube pelo estádio.

 


Inquérito de Andrés na Lava-Jato impacta disputa Corinthians e Odebrecht
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A abertura de inquérito contra o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez na Lava-Jato terá impacto na disputa entre Corinthians e Odebrecht relacionada à conta da arena. Ambas as partes já previam a investigação do dirigente na operação. E, como ele teve papel central na negociação do estádio, isso afetará todas as apurações sobre o que ocorreu na sua construção e gestão.

A inclusão de Andrés na Lava-Jato se deu por conta de inquérito da Polícia Federal que apura suposto dinheiro dado pela Odebrecht a André Oliveira (R$ 500 mil), vice-presidente do Corinthians e ligado ao cartola. O blog apurou que uma das acusações é de pagamento de Caixa Dois pela empreiteira para a campanha de Andrés para deputado federal em 2014. Por isso, o STF (Supremo Tribunal Federal) aceitou abrir o inquérito contra o parlamentar.

Em paralelo, delações de executivos da Odebrecht vão incluir Andrés. Entre eles, estão Antônio Gavioli e Benedicto Barbosa Junior, que tiveram papel na construção do estádio. Eles apontaram pagamento de Caixa 2 a Andrés. Suas delações, no entanto, ainda não foram homologadas e portanto não estão incluídas no inquérito. Na planilha da Odebrecht, o pagamento de André Oliveira aparece associado a Gavioli.

Andrés nega ter recebido qualquer dinheiro da Odebrecht de Caixa Dois. Foi o que disse à reportagem do UOL Esporte, e repetiu essa versão a aliados na noite de quinta-feira. Essa será a sua linha de defesa e ele afirma ter como provar.

Mas, enquanto o caso é apurado, a atuação de Andrés em toda a obra fica sob questionamento. E foi ele quem negociou o contrato e as mudanças que aumentaram o preço da obra – hoje atinge R$ 1,2 bilhão. Ainda foi o principal responsável pelo modelo de gestão do estádio. Sua proximidade com a Odebrecht sempre foi notória: declarou-se um soldado da empreiteira em grampo gravado pela polícia.

Caso seja comprovado que cometeu alguma irregularidade, o próprio Andrés poderia ser alvo de uma ação de regresso do clube para cobrar prejuízos supostamente causados ao Corinthians. Essa é uma certeza entre partes envolvidas na negociação. A questão é se o presidente corintiano, Roberto de Andrade, processaria o antigo aliado com quem tem rusgas atualmente.

Isso se somaria às cobranças que o Corinthians já estuda fazer contra a empreiteira alegando que houve irregularidade nas contas na obra feitas pela Odebrecht. Há uma auditoria em curso contratada pelo clube para verificar a obra, ao mesmo tempo em que a empreiteira alega que não recebeu pagamentos devidos pelo clube. Uma matéria do “Globo.com” mostrou que contrato da Odebrecht previa dividir com fornecedores dinheiro que deveria ir para a obra. A construtora nega ter descumprido o contrato.

Com a inclusão de Andrés na Lava-Jato, a Odebrecht poderia se aproveitar da fragilidade do Corinthians na negociação. Mas a própria empreiteira está em uma posição delicada porque, a prevalecer a sua versão, fez pagamentos ilegais à campanha do dirigente conectados à construção da Arena Corinthians. Mais, o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht está preso na operação da Lava-Jato.

Por isso, é certo que a inclusão de Andrés terá impacto no estádio, mas são incertas quais as consequências no momento. Fato é que, mais uma vez, a imagem da arena é afetada e por consequências as receitas do empreendimento tão necessárias para quitar a dívida de R$ 1,2 bilhão. Esse é o único consenso entre as partes.

 


Patrocínio polêmico do Corinthians complica naming rights da arena
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Com Guilherme Costa

O contrato de patrocínio do Corinthians com a Apollo Sports deve atrapalhar futuras negociações de naming rights da arena do clube. Explica-se: foram incluídos no acordo propriedades que originalmente seriam vendidas junto com a arena como exploração do fiel torcedor, de redes sociais e bancos de dados de torcedores. Como mostrado pelo UOL Esporte, a maior parte do capital da Apollo Sports está ligada ao português Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira, investigado na operação Lava-Jato por lavagem de dinheiro.

O contrato de patrocínio com a Apollo pelas costas da camisa corintiana foi assinado em setembro deste ano. A reportagem teve acesso ao documento: seu valor total é de R$ 23 milhões por três anos. É um valor inferior ao montante de R$ 10 milhões por ano divulgado pelo clube.

Mas essa não é a única polêmica. Pelo documento, não é apenas o espaço na camisa que foi negociado. Pela cláusula 3.2, a patrocinada terá direito a oferecer produtos de seus parceiros nas redes sociais do clube, aos programas de sócios torcedores, além de ter acesso à base de dados deles. Até aí seria normal e repete prática com outros parceiros corintianos.

A questão é que, em seguida, fica estabelecido que o clube só poderá negociar com patrocinados não conflitantes com os parceiros da patrocinadora, com exceção dos que já são associados ao Corinthians como a Nike. Ou seja, se a Apollo fechar com um banco por exemplo para explorá-lo nas redes, o time alvinegro não poderia teoricamente negociar com outro banco para o mesmo tipo de promoção.

Ora, quando o Corinthians estava negociando os naming rights da Arena Corinthians, eram justamente essas propriedades que foram incluídas no pacote para valorizá-lo. A ideia vendida pelo clube e pela empresa era de que o acesso às redes sociais e ao sócio-torcedor do clube tornariam atrativo os direitos sobre o nome. Pois essas propriedades foram negociadas no contrato por apenas R$ 2 milhões por cinco anos, um prazo além dos três anos do espaço na camisa.

Internamente, no Corintihans, já existe uma discussão sobre se esses direitos avançam no que seria negociado junto com os naming rights. O diretor de marketing corintiano, Gustavo Herbetta, nega que isso vá causar qualquer prejuízo na negociação dos direitos do nome da arena.

“Não necessariamente o contrato de naming rights envolve coisas além do nome do estádio. Depende do interesse do patrocinador, na verdade”, disse Herbetta. “Alguém dizer que inviabiliza contratos é leviano ou mal intencionado.” E completou: “Não posso, por questão comercial, vender algo da arena e dar contrapartida do Corinthians. Não poderia vender naming rights e colocar redes sociais do clube. Isso é proibido. Receitas do Corinthians vêm de propriedades do Corinthians.”

Só que o próprio Herbetta admitiu em outro momento que propriedades do Fiel Torcedor, que são receitas do clube, estavam incluídas na negociação do naming rights. Segundo ele, isso aconteceu em contratos separados, um seria do clube e outro da arena. “Se esse contrato atrapalhasse a venda dos naming rights, todos os contratos de patrocínio complicariam”, disse, para rechaçar a ideia.

O diretor de marketing ainda se defende dizendo que, pelo contrato, o clube tem prioridade para apresentar propostas maiores do que as dos patrocinadores da Apollo na mesma categoria, e o seu novo parceiro ia se sobrepor ao da empresa.

“Na camisa eu não posso, mas se a Apollo negociou com o Café Bom Dia e outra empresa de café me oferecer um valor maior, se o parceiro da Apollo não cobrir a oferta ele cai, predomina o valor financeiro. O Corinthians sempre prevalece no contrato, mesmo que a categoria já tenha um parceiro da Apollo”, contou ele.

Essa posição é controversa na leitura do contrato. Na parte que trata da camisa, na cláusula 1.3, está dito que cessa o direito dos patrocinadores da Apollo se o Corinthians apresentar proposta de patrocinador maior. O problema é que esse capítulo só trata da camisa e é contraditório com a cláusula anterior que dá exclusividade aos parceiros da Apollo.

Por isso há discussão dentro do Corinthians sobre se afetará a venda da principal propriedade da arena. Herbetta nega que tenha havido qualquer questionamento sobre a relação entre o patrocínio e os naming rights. No momento, as negociações sobre os direitos do nome estão travadas, sem perspectiva enquanto o clube tem dificuldade de pagar as parcelas da dívida do estádio.

Nova parceira corintiana, a Apollo é uma empresa que formou seu capital de R$ 121 milhões apenas em junho de 2016 por meio de terras em Itanhaém, em São Desidério (Bahia) e por meio de ações do Café Bom Dia. A maioria desses bens tem relação com o português Antônio Manuel que também era sócio da empresa Vector que fechou outro contrato com o Corinthians para negócios financeiros – esse não é mais válido. A Apollo chegou a fazer proposta pelos naming rights, mas não levou por falta de garantias.

Antônio Manuel foi denunciado na Lava-Jato por lavagem de dinheiro, mas o juiz Sergio Moro rejeitou a denúncia e pediu mais provas para transformá-lo em réu. Herbetta faz questão de defender a reputação do português e a origem legal do dinheiro da Apollo.

“Se o Antonio quisesse aparecer, a gente negocia com corpo executivo. Não conheço o dono da Special Dog ou os acionistas da Napster. Eu negocio com os executivos. Agora, se ele quisesse aparecer, qual problema? No Brasil, quem é denunciado é culpado? Eu não entendi até agora a culpa do Corinthians nesse negócio”, disse ele. Procurada, a Apollo não quis se pronunciar.


Caixa só aceita dar alívio parcial à dívida da Arena Corinthians
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O Corinthians já sofreu um revés na renegociação de sua dívida com a Caixa Econômica Federal e o BNDES referente a sua arena. O banco estatal já avisou que não aceita interromper completamente os pagamentos como propunha o clube. A carência proposta pela Caixa é só do pagamento principal, mas o time alvinegro terá de continuar a quitar os juros.

Desde o ano passado o Corinthians tenta obter uma carência de 17 meses em seu empréstimo com o BNDES. A negociação é com a Caixa que atua como intermediadora. Para embasar seu pedido, o clube alega que outros estádios da Copa tiveram 36 meses de carência, e o clube apenas 19 meses. Sem dinheiro, parou de pagar o principal do débito em abril de 2016.

A ideia da diretoria corintiana era ter esses meses de alívio para acumular dinheiro e se manter em dia com os pagamentos. Até porque, com o rendimento atual do estádio, ficou impossível quitar as parcelas só com as bilheterias – os naming rights não foram vendidos apesar das seguidas promessas.

Mas, na mesa de negociação, a Caixa informou que só aceitaria a carência do principal, e não dos juros. A diretoria do clube já aceitou essa exigência. No total, a parcela mensal é de R$ 5,7 milhões. Não há informação sobre quanto é pago de juros. Mas, no financiamento do Maracanã, bem similar, eles representam em torno R$ 2 milhões. Já são seis meses que o Corinthians paga só esse valor, e o banco estatal cobre o resto para o BNDES.

Para compensar, a diretoria do Corinthians tenta alongar o pagamento para 20 anos em vez dos 15 anos atuais. Assim, o valor das parcelas cairia e o time de Parque São Jorge teria condições de paga-las com as rendas do estádio, sem botar dinheiro próprio.

O sufoco do clube não é apenas esse já que existem dívidas com a Odebrecht – pouco menos de R$ 400 milhões – que tomou dinheiro em bancos para pagar a construção do estádio. Neste domingo, a “Folha de S. Paulo” mostrou que a Caixa comprou R$ 350 milhões em debêntures da Odebrecht, em 2014, para ajudá-la a custear as obras. O banco estatal tem se recusado a dar informações sobre a Arena Corinthians, alegando sigilo bancário da operação.


Corinthians diz que impeachment atrasou negociação de dívida da arena
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O Corinthians parou de pagar as parcelas de sua dívida do empréstimo do BNDES por estar em uma negociação para adiar o débito e por falta de recursos. O problema é que as conversas com a Caixa Econômica Federal e o BNDES já duram seis meses sem uma solução. Segundo o clube, a troca de governo com o impeachment de Dilma Rousseff e a entrada de Michel Temer atrasou a questão.

A diretoria do Corinthians parou de pagar a parte principal de sua dívida em abril: eram R$ 5,7 milhões por mês. Sua alegação era de que tem direito a um prazo maior para começar a quitar o débito – mais 19 meses – porque essas foram as condições de outros estádios com o BNDES. Enquanto isso, como banco garantidor, a Caixa paga as parcelas pra o clube alvinegro.

“Continuamos a negociação. A questão é que com a mudança de governo troca diretor da Caixa, do BNDES. Aí vai para reunião e tem que começar do zero. Vamos ter que esperar mais um pouco”, contou o diretor de finanças do Corinthians, Emerson Piovesan. “Estamos nos esforçando para resolver. Acho que até o próximo mês.”

Com o impeachment, a presidência da Caixa foi trocada assumindo Gilberto Orchi no lugar de Miriam Belchior. No BNDES, saiu Luciano Coutinho e entrou Maria Silvia Bastos Marques. O homem-forte da arena corintiana, Andrés Sanchez, é deputado pelo PT, partido da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Foi em comum acordo (parar de pagar). Estamos pagando os juros, e não o principal, enquanto corre esse pleito”, explicou Piovezan. A Caixa Econômica se recusou a comentar a negociação alegando que as informações são protegidas por sigilo bancário.

O problema do Corinthians é que o estádio, hoje, não gera renda suficiente para pagar os mais de R$ 60 milhões anuais do empréstimo do BNDES. Pelo balancete, foram ganhos R$ 45,5 milhões no primeiro semestre de 2016, um aumento de 10% em relação a 2015. Mas há gastos com operações de jogo, manutenção do estádio e do fundo e o que sobra não dá para pagar as parcelas.


Corinthians burla regra do COI e tem que tirar vídeo de jogo do twitter
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A Arena Corinthians utilizou indevidamente vídeo de jogo da Olimpíada do Rio-2016 em sua página no twitter, já que não é detentor de direitos de transmissão da competição. Por isso, o COI (Comitê Olímpico Internacional) pediu para o clube retirar os vídeos da internet, o que foi feito no dia seguinte.

A estreia do futebol feminino entre Canadá e Austrália ocorreu no estádio alvinegro na quarta-feira, no primeiro evento da competição. Saiu um gol de Beckie, do Canadá, logo aos 17 segundos. O twitter da arena disponibilizou o vídeo em uma imagem de longe. Outros dois vídeos do jogo foram colocados, segundo visto pelo blog.

Questionado sobre o assunto, o COI confirmou que o clube não poderia fazer isso: “Apenas detentores de direitos de televisão têm o direito de transmitir os Jogos Olímpicos. Esse assunto específico foi resolvido.”

Depois disso, os vídeos foram retirados da página da Arena Corinthians. O blog questionou a comunicação do estádio sobre o assunto, e eles não se pronunciaram.

 

 


Corinthians quer benefícios iguais a Estados em dívida com BNDES
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Após demandas dos governos estaduais, o presidente da República em exercício, Michel Temer, indicou que pode dar benefícios aos Estados nas condições de pagamentos de empréstimos do BNDES dos estádios da Copa-2014. Se isso ocorrer, o Corinthians quer igualdade de tratamento em relação ao débito com o banco relacionado a sua arena. Defende que é uma questão de isonomia.

O BNDES fez empréstimos para a construção e reforma de 11 dos 12 estádios usados no Mundial-2014. No total, foram disponibilizados R$ 3,8 bilhões com juros subsidiados (TJLP – em torno de 6% ao ano). Cada um podia pegar R$ 400 milhões.

A maioria dos empréstimos foi feita a governos estaduais ou a empreiteiras que firmaram PPPs (Parceria Público-Privadas) com estes. Os únicos clubes que receberam esse financiamento, por meio de empresas intermediárias, foram o Corinthians e o Atlético-PR. Mas o clube paranaense recebeu por meio do Estado. No caso do Inter, a operação inteira foi da Andrade Gutierrez, sem participação do time.

Já o Corinthians criou uma empresa em associação com a Odebrecht chamada Arena Itaquera. A operação de crédito de R$ 400 milhões se deu com a intermediação da Caixa Econômica. O clube já pediu a revisão das condições de pagamento e não quitou as duas últimas parcelas. A renegociação é com a Caixa.

“Acredito que se derem para os Estados (mudança nas condições), podem dar para o Corinthians por uma questão de isonomia. Poderíamos discutir um alongamento da dívida. Agora, não tenho ideia de como é essa ideia do governo”, contou o vice-presidente de Finanças do Corinthians, Emerson Piovezan. “Acho que tem de haver igualdade de tratamento.”

Com dificuldades para pagamento, sete Estados pediram a renegociação de suas dívidas com o BNDES. A ideia seria obter uma carência de pagamento e mudanças nas parcelas. As dívidas totais somariam R$ 2,4 bilhões. Temer disse que as negociações estavam avançadas.

Por enquanto, o pedido do Corinthians é para de ter uma carência de três anos, e não de 19 meses como foi feito inicialmente. Assim, interromperia os pagamentos e voltaria a quita-los depois. Isso não foi fechado.

“Não houve resposta. É importante dizer que, de comum acordo com a Caixa, deixamos de pagar as parcelas. Não estamos inadimplentes. Faz parte do pleito”, disse Piovesan. O clube já deixou de pagar duas parcelas ao BNDES, mas a Caixa Econômica cobriu os valores como intermediadora.


Arena Corinthians desvaloriza R$ 227 mi desde a Copa, diz consultoria
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As receitas abaixo da expectativa tiveram um impacto no valor de mercado da Arena Corinthians. Desde a Copa-2014, o estádio desvalorizou 20%, ou R$ 227 milhões. Agora, a instalação esportiva vale R$ 857 milhões, segundo avaliação que consta do relatório do fundo que a controla.

Inicialmente, o estádio corintiano tinha o seu valor determinado pela quantidade de dinheiro gasto na construção, isto é, foi se valorizando até atingir o montante de R$ 985 milhões. Com a arena pronta, o critério mudou: passou-se a se levar em conta a ser receita estimada para o empreendimento.

A avaliação é feita pela consultoria imobiliária JLL Jones Lang LaSalle e incluída no relatório do fundo, que tem como principal ativo a arena. “Para a avaliação da propriedade, a JLL utilizou o método de avaliação conhecido como “capitalização da renda”, que considera as projeções de renda e respectivos custos para o prazo de 30 anos”, diz o documento do fundo.

Com esse critério, em junho de 2014, a Arena Corinthians foi avaliada em R$ 1,084 bilhão pela consultoria. Baseava-se no contrato entre Corinthians e o fundo que exigia receita líquida mínima de R$ 112 milhões por ano no início. O valor teria de chegar a R$ 211 milhões após três anos.  Essas são as metas a serem atingidas pelo clube ou corre o risco de perder a gestão da arena.

Só que, com o estádio em funcionamento, as receitas previstas não se concretizaram apesar da média de público acima de 30 mil por jogo. A venda do naming rights ainda não saiu, embora a diretoria do clube prometa que vai ocorrer em breve. Camarotes emperraram. No ano passado, o total das rendas contabilizadas foi de R$ 73 milhões pelos relatórios do fundo, o que foi obtido basicamente com bilheteria e a fidelidade da torcida.

Por isso, semestre a semestre, o valor de mercado tem caído. Nos últimos seis meses de 2015, por exemplo, foi reduzido de R$ 889 milhões para R$ 857 milhões. Claro, se o clube conseguir vender os naming rights, isso pode ser revertido. “As estimativas de receitas para a Arena, informadas pelo FII, foram elaborados pelo Sport Club Corinthians.”

O blog tentou ouvir o fundo e o clube sobre a queda de valor de mercado do estádio, mas não obteve respostas nem por e.mail, nem em ligações telefônicas. O consultor de marketing e financeiro Amir Somoggi entende que houve um erro na primeira avaliação que determinou o preço da arena cima de R$ 1 bilhão.

“Esse valor de R$ 1,084 bilhão estava irreal. Nunca deveria ter existido”, contou ele. “Não existe arena no país que vá ganhar R$ 112 milhões líquidos em um ano logo de cara. Se for muito bem sucedido nos naming rights, com R$ 15 milhões ano, vender bem camarotes, poderia iniciar com R$ 90 milhões brutos e subir depois aos poucos.”

O consultor ressaltou que tem que se levar em conta a dívida de financiamento do estádio para se saber o valor real. O Corinthians deve em torno de R$ 800 milhões pela construção, entre débitos com a Odebrecht e com o BNDES. Neste último caso, está inadimplente de pagamentos.


Início do Brasileiro tem redução de jogos em estádios da Copa
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O Brasileiro-2016 tem seu início marcado pela pouca utilização dos estádios da Copa do Mundo de 2014. Isso se deve ao fechamento do Maracanã, mas também à redução do interesse dos times em outras arenas. E o número de partidas nos locais do Mundial caiu em um terço em relação ao mesmo período de 2015.

Até a 11a rodada, foram marcados 22 jogos para estádios do Mundial: 20% do total. Até a mesma rodada do ano passado, foram 36 partidas, o que representaria 33%. Neste ano, há jogos certos em quatro locais do Mundial: Arena Corinthians, Arena da Baixada, Beira-Rio e Mineirão. Enquanto isso, em 2015, oito deles foram utilizados no mesmo período.

O fato de o Maracanã estar fechado para a Olimpíada tem, sim, peso decisivo já que Flamengo e Fluminense jogavam por lá. Mas não é só isso. A Arena Pantanal recebeu três partidas até a 11a rodada, e agora parece não agradar mais os times pelas más condições e por ter caído o interesse de organizadores de jogos.

O Sport atuou na Arena Pernambuco em 2015, mas só tem jogos marcados para a Ilha do Retiro até o momento em 2016. O Santa Cruz optou pelo Arruda. A Arena Pernambuco enfrenta uma crise em disputa entre a Odebrecht. Outro ignorada é a Arena Fonte Nova, já que o Vitória prefere jogar no Barradão.

O Flamengo deve levar alguns dos seus jogos para o Mané Garrincha: falta a confirmação da CBF. Isso aumentará o número de jogos em estádios da Copa já que a praça brasiliense não tem nenhum compromisso até agora. No ano passado, o local recebia jogos não só de cariocas: o Atlético-MG atuou por lá.

Ao serem construídos, os estádios mais modernos, incluindo os da Copa, representaram um aumento de público no Brasileiro. Um exemplo é o Corinthians que teve salto em Itaquera em relação ao número de torcedores no Pacaembu.

A questão é que, agora, os estádio enfrentam uma crise de gestão. O Maracanã foi abandonado pela Odebrecht, que enfrenta problemas também em Pernambuco. Estádios como Mané Garrincha, Arena Pantanal e Arena Amazônia têm poucos jogos para seus tamanhos.

Sem surpresa, os mais utilizados são os três estádios privados, Arena Corinthians, Arena da Baixada e Beira-Rio, ainda que estejam longe do sucesso financeiro vislumbrado antes do Mundial – o time paulista passar aperto com sua arena. Lembre-se: CBF e governo federal tinham prometido arenas privadas com negócios viáveis para a Copa.