Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Atlético-MG

Fifa decide que Galo estará vetado de contratar se não quitar dívida
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Com Thiago Fernandes

O Comitê de status de jogadores da Fifa determinou que o Atlético-MG estará proibido de contratar jogadores na próxima janela de transferências se o clube não quitar uma dívida de R$ 2,7 milhões com o chileno Huachipato pelo jogador Otero. O time mineiro tem até 30 dias para pagar o débito e evitar a sanção. A diretoria atleticana ainda vai analisar e informou que pode recorrer.

O Atlético-MG contratou Otero em abril de 2017 com a promessa de pagar 800 mil euros. Desse total, apenas 200 mil euros forma quitados de fato, tendo o time mineiro atrasado as outras parcelas no total de 600 mil euros (R$ 2,7 milhões) que venceram em agosto de 2017, e em janeiro de 2018.

Em março, o Huachipato entrou com uma ação no comitê da Fifa para exigir o pagamento pelo jogador, pedindo punição para os mineiros. Detalhe: no final de maio, o Galo emprestou Otero para o Al Wehda por US$ 5 milhões (R$ 21 milhões), dinheiro que daria com folga para quitar a dívida. Mas não pagou.

Em 11 de junho, o Comitê de status de jogadores tomou uma decisão sobre o caso com a sanção para o Atlético-MG em caso de não falta de pagamento. Pelo prazo, o time mineiro tem até 11 de agosto para quitar a dívida, mais custos do processo de 20 mil francos suíços.

Na decisão, o Comitê da Fifa afirma que, em sua defesa, o Galo informou que reconhecia a dívida, mas que não havia motivo para impor sanções disciplinares ao clube. A alegação era que estava em contato com o credor e que havia o “compromisso incontestável de pagar a alta quantia assim que fosse possível”.

A Fifa não se convenceu e soltou a seguinte decisão:  “Assim levando em conta as considerações sob os números II/16 e II/17 abaixo, o escritório decide que no evento de que o reclamado (Atlético-MG) não pague a quantia devida ao reclamante (Huachipato) em 30 dias seguintes à notificação da presente decisão, uma sanção de registrar novos jogadores, nacionalmente ou internacionalmente, pela próxima janela de transferências inteira seguinte à notificação da presente decisão vai se tornar efetiva em cima do reclamado de acordo com os artigos 12bis, par4 dos regulamentos.”

Na prática, isso pode significar que o Atlético-MG já poderia ficar proibido de registrar jogadores na próxima janela de transferências brasileira que começa agora no dia 16 de julho e depois vai até o meio de agosto. A questão é que, neste prazo, ainda não terá acabado o prazo final para o pagamento do Galo. Ou seja, a punição pode ficar para a próxima janela da virada do ano.

Questionado pelo UOL Esporte, o Atlético-MG informou já ter sido notificado da decisão, mas ainda não tomou uma decisão do que fazer: “O caso está sob análise, tomaremos decisões cabíveis. Um valor não muito alto. Não é nada alarmante. Ainda podemos recorrer desta decisão. Estamos estudando a melhor solução para o caso”, advogado do Galo, Breno Tannuri.


Após Carille, Liga da Arábia Saudita paga dívida com Fla e mira atletas
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O mercado brasileiro viu três negociação que aparentemente são aleatórias, mas que, na verdade, fazem parte de um mesmo movimento. O Corinthians perdeu seu técnico Fábio Carille, o Flamengo recebeu o valor de uma dívida após quatro anos de calote e o atleticano Otero foi contratado. Tudo isso faz parte de uma reestruturação do futebol da Arábia Saudita com o objetivo de virar uma potência no esporte, financeiramente e politicamente.

O futebol saudita tinha vários clubes com problemas financeiros, endividados, e por isso punidos pela Fifa. Por exemplo, o Al Nassr, que devia ao Flamengo, já estava fora da Champions da Ásia e com decisão de perda de pontos pendente que levaria ao rebaixamento. O Al Wehda também estava punido.

O príncipe Mohammed Bin Salman decidiu por uma reestruturação do futebol local com o objetivo de virar uma força política dentro do esporte e da Fifa, como mostrou o “New York Times”. Já houve um encontro com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e uma articulação para formação de um grupo de países na Ásia dentro da Fifa.

Ao mesmo tempo, há uma possibilidade de entrar na Copa do Qatar-2022 caso o Mundial aumente de tamanho para 48 times. Em paralelo, há dinheiro da Arábia Saudita, junto ao japonês, na proposta de US$ 25 bilhões por um novo Mundial de Clubes e da Liga das Nações.

Localmente, o príncipe estabeleceu uma intervenção na liga nacional para resgatar clubes. Foi criado um fundo para cobrir todas as dívidas dos times. A informação é de que há dinheiro para cobrir 70% de todos os débitos.

Por isso, o Al Nassr procurou o Flamengo para pagar a dívida após quatro protelando. O dinheiro veio do fundo e foi negociado um acordo com pequeno desconto, com o clube carioca recebendo 5 milhões de euros líquido. Faltam apenas trâmites do Banco Central para o dinheiro entrar. Com o pagamento, o Al Nassr, um dos times sauditas mais populares, vai poder voltar à Champions League local.

No caso do Al Wedha, também houve injeção de dinheiro para dívida e para contratações. Por isso, o time levou Fábio Carille e agora fechou a contratação de Otero. Lembre-se que Carille, ao ser contratado, falou que havia um projeto grande da liga local. E, antes, outro time saudita quase o contratou.

Agentes brasileiros já foram procurados para identificarem outros atletas que possam ir para o país. A princípio, a procura é por jogadores de renome, tarimbados, que deem prestígio à liga saudita, não jovens jogadores como fazem os europeus.

A primeira parte do projeto saudita é pagar os débitos para limpar os nomes dos clubes e os devolverem as competições internacionais. Ainda é difícil saber qual o tamanho do investimento, e se vai se assemelhar ao chinês. Certo é que o príncipe decidiu botar a Arábia Saudita no mapa do futebol do novo para alavancar seus projetos relacionados à Fifa.


Brasileiro já tem série de times mistos com impacto na briga na frente
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O calendário com excesso de jogos já leva alguns clubes a usar times mistos ainda no início do Brasileiro. Isso causa impacto na briga com a liderança do Brasileiro. É um cenário similar ao do ano passado, mas que, desta vez, começou cedo.

Na rodada do final de semana, o Cruzeiro enfrentou o Atlético-MG no clássico com uma formação reserva, de olho na última rodada da primeira fase da Libertadores. Foi derrotado e viu o rival mineiro se apoderar da ponta.

Enquanto isso, Corinthians e Grêmio jogaram com times mistos em suas partidas também por conta de compromissos pela competição sul-americana. Tinham alguns titulares. Ambos apenas empataram diante de Sport e Paraná.

Foi a segunda vez que os gremistas não tiveram a formação principal em seis jogos e estão em 8o no Nacional. Corintianos também já tinham atuado sem a força principal diante do Ceará e perderam pontos naquele jogo.

Ao mesmo tempo, o Flamengo teve seus titulares no clássico contra o Vasco. Mas tinha poupado boa parte do time na derrota para a Chapecoense quando deixou adversários se aproximarem da ponta, perdida agora nesta 6a rodada. Segurou o time principal justamente pelo jogo decisivo diante do Emelec, embora tivesse atletas como Diego e Guerrero em campo.

O Palmeiras não chegou a escalar reservas no Nacional: rodou alguns jogadores na partida contra a Chapecoense. Líder, o Atlético-MG preferiu escalar reservas na Copa Sul-Americana, quando foi eliminado pelo San Lorenzo.

Todos esses movimentos dos clubes têm relação com um calendário bastante apertado feito pela CBF. Por conta de Estaduais de três a quatro meses, serão 12 rodadas do Brasileiro espremidas até Copa: haverá jogos até às vésperas do Mundial na Rússia. Em paralelo, ocorrem a primeira fase da Libertadores e as oitavas da Copa do Brasil que tornam o cronograma ainda mais embolado.


Clube chileno pede punição ao Atlético-MG na Fifa por dívida de Otero
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O chileno Huachipato entrou com uma ação na Fifa de cobrança contra o Atlético-MG por uma dívida de € 600 mil (R$ 2,5 milhões) pela transferência do meia Otero. Há um pedido dos chilenos para que o Galo seja proibido de realizar transferências de jogadores em duas janelas. Agora, o time mineiro terá de se defender na Fifa.

Após um empréstimo inicial, o Galo exerceu os direitos de compra do meia Otero com a obrigação de pagar € 800 mil por 50% dos seus direitos econômicos. Isso foi fechado em março de 2017. O valor seria dividido em duas parcelas iguais em agosto de 2017 e janeiro de 2018.

A primeira parcela não foi quitada pelo Atlético-MG. A partir daí, o Huachipato passou a mandar seguidos e-mails de cobranças ao Galo até o final do ano. O time mineiro não dava um prazo para pagamento ou sequer respondia, segundo a ação do clube chileno.

Em janeiro, o Huachipato ameaçou de ir à Fifa, o que levou o Galo a pagar € 200 mil, um quarto da dívida. Depois, o Atlético-MG não fez mais pagamento e o clube chileno deu um ultimato, sem resultado.

Então, o Huachipato perdeu a paciência e entrou com a ação na Fifa em março de 2018, por meio do advogado chileno Javier Gasman. Cobrou o pagamento dos valores com juros de 5% e pena ao Atlético-MG. Baseou-se no artigo 12bis do Regulamento de Status e Transferências de Jogadores da Fifa. Pelo artigo, há previsão de punição para clubes que tenha dívidas vencidas com o outro time.

O Comitê de Status de Jogadores da Fifa notificou o Galo em 2018: exigiu que fizesse o pagamento do valor devido ao time chileno ou que apresentasse defesa até final de maio. Se pagar, encerra-se a ação. Caso seja apresentada a defesa, o caso será julgado no Comitê.

Procurado pelo blog, o Atlético-MG informou que “os casos FIFA estão sendo objeto de contestação jurídica e algumas composições em curso”.

 


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
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A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

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Após dois anos de Profut, Receita não definiu tamanho da dívida dos clubes
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Após de mais de dois anos da implantação do Profut, a Receita Federal ainda não determinou de fato quanto devem os clubes brasileiros. Boa parte das dívidas fiscais dos times continua pendente de homologação pelo órgão, e os times estão pagando os parcelamentos com base nos seus próprios levantamentos dos débitos. Houve descontos de pendências e multas com base nesses cálculos.

A Lei do Profut foi implementada em agosto de 2015, sendo o decreto que a regulamenta feito em janeiro de 2016. Mas, nos últimos meses de 2015, houve a adesão da maior parte dos clubes brasileiros. Só no Brasileiro da Série A eram 17 times naquela época.

Pelo procedimento, os clubes apresentavam seus levantamentos de dívidas com a Receita, INSS e FGTS para as autoridades fiscais. Os parcelamentos e os descontos de multas foram feitos com base nesses cálculos. Mas o governo federal teria de conferir e homologar esses valores.

O processo, no entanto, tem sido bastante lento. Veja como exemplo o Flamengo que aderiu ao programa em outubro de 2015, pouco depois da implantação. O clube até já tinha um levantamento de suas dívidas pois as tinha regularizado anteriormente e pago um valor à Receita.

Pois bem, após dois anos da adesão, o clube rubro-negro registrou em seu balanço de 2017 que sua dívida fiscal é de R$ 283 milhões. Desse total, apenas R$ 108,2 milhões já foram homologados pela Receita, entre valores de imposto e INSS. Ou seja, falta confirmar R$ 174,8 milhões. Durante o ano de 2017, menos de R$ 10 milhões foram consolidados. O documento registra que o valor pode ser alterado pelos cálculos.

Não é um caso único. A última demonstração financeira do Santos, do terceiro trimestre de 2017, registra uma dívida fiscal de R$ 156,3 milhões. No documento, está escrito que “os tributos citados ainda não foram consolidados pelos órgãos responsáveis e até sua homologação poderá sofrer alterações.”

O site do Botafogo também registra que os débitos fiscais estão em processo de homologação. O clube alvinegro registra R$ 144 milhões em dívidas incluídas no Profut.

Não é possível confirmar a situação dos outros clubes porque ainda não fecharam suas demonstrações contábeis ou não essas estão disponíveis no site (o prazo é final de abril). Mas o blog apurou que a situação é comum a maioria dos times visto que a Receita tem sido lenta na homologação dos cálculos, o que neste caso não é culpa dos times.

Há portanto uma indefinição sobre qual o tamanho do débito real dos times. Dependerá da organização de cada clube para saber o quão preciso foi seu levantamento. Neste caso, a Apfut (órgão fiscalizador) não tem interferência pois é responsável pela fiscalização do cumprimento da lei, não pelo valor das dívidas.

Em relação ao pagamento das parcelas do Profut, há clubes em atraso. A nova diretoria do Vasco admitiu que o ex-presidente Eurico Miranda deixou de pagar alguns meses.

O blog enviou perguntas à Receita Federal na sexta-feira sobre o tema. Após três dias úteis, o órgão fiscal não respondeu as perguntas sobre o atraso nas homologações de dívidas. O Ministério da Previdência informou que era tarefa da Receita fazer os cálculos.

 


Caixa fecha patrocínio com 14 clubes sem reajuste e investirá até R$ 153 mi
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A Caixa Econômica Federal já fechou a renovação de contrato com 14 clubes para 2018 com redução ou sem reajustes. Clubes como Flamengo, Cruzeiro a Atlético-MG acertaram acordos com diminuição de espaço na camisa. O orçamento previsto é de um investimento de até R$ 153 milhões, mas ainda não está fechado. A tendência é ser menos do que em 2017.

São os seguintes os clubes que fecharam com a Caixa em lista enviada ao blog: Atlético Mineiro, Avaí, Criciúma, Atlético Paranaense, Paraná, Londrina, Sampaio Correa, Flamengo, Bahia, Ceará, Fortaleza, Goiás e Paysandu. O Cruzeiro confirmou também já ter acertado a renovação.

“Está previsto no ano de 2018 um investimento máximo em clubes de futebol de R$ 152.900,00”, informou a Caixa. Não ficou claro se isso inclui possíveis bônus por premiações que tiveram reajuste em relação ao ano passado.

Houve modificações nas condições já que o orçamento foi reduzido e as negociações durantes entre as partes. Por exemplo, o Flamengo ficou com o mesmo valor fixo de R$ 25 milhões. Só que foi retirada a marca do X da omoplata. Assim, o clube entendeu que aumentará o valor de sua camisa, embora não tenha reajuste da Caixa.

Negociação similar ocorreu com o Atlético-MG e o Cruzeiro. O valor fixo dos dois clubes mineiros caiu de R$ 11 milhões para R$ 10 milhões. Mas ambos deixam de exibir as marcas do banco nas costas, permanecendo como patrocinador máster na frente.

“Os acordos de Atlético-MG e Cruzeiro são iguais por política da Caixa. A diferença é que a premiação possível do Cruzeiro é maior por estar na Libertadores”, contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage. O mesmo aconteceu em favor do Galo no ano passado. O contrato atleticano publicado no Diário Oficial foi de R$ 13,1 milhões, o que inclui as possíveis bonificações.

No caso do Bahia, não houve modificações nas propriedades da camisa do time de Salvador. O valor fixo foi mantido em R$ 6 milhões, com a possibilidade de premiação atingindo R$ 9,3 milhões.

No caso de clubes de menor porte, o Londrina tem como valor máximo R$ 3,1 milhões, o Criciúma, R$ 2,3 milhões, e o Sampaio Corrêa, de R$ 1,3 milhão, em valores já publicados do Diário Oficial. Todos incluem as possíveis premiações.

A Caixa ainda decidiu investir em campeonatos estaduais, como foi revelado pelo blog do Marcel Rizzo.  Entre os campeonatos incluídos, estão o Piauiense, o Paraibano, o Mato Grosso e o Rondoniense. Os valores variam entre R$ 200 mil e R$ 500 mil.


Cruzeiro prepara contestação à multa de Fred, Galo quer rival investigado
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Com Thiago Fernandes

Após a primeira decisão da câmara da CBF sobre o caso Fred, o Cruzeiro já prepara uma estratégia para contestar a multa de rescisão de R$ 10 milhões devida ao Atlético-MG no órgão. Enquanto isso, o Atlético-MG aposta em uma investigação da confederação que possa levar à punição ao clube rival por ir à Justiça comum.

Nesta terça-feira, a CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) negou o pedido do Atlético-MG para que Fred pagasse imediatamente a multa ou fosse impedido de jogar. O Galo tinha recorrido ao órgão depois que o jogador assinou contrato dizendo que pagaria R$ 10 milhões por sua rescisão caso fosse para o Cruzeiro. A câmara também decidiu que é a responsável por julgar o caso, o que deve demorar.

Em paralelo, o Cruzeiro já pediu para ser parte como interventor no caso. A intenção cruzeirense teoricamente era evitar a suspensão de Fred. Mas o clube da Toca da Raposa já se prepara para questionar a validade da multa o que não fizera até aqui judicialmente. Em entrevista ao UOL, o vice Itair Machado chamou a multa de piada e ilegal.

Na prática, o Cruzeiro já contratou advogados para defender a ilegalidade da multa na CNRD. A tese a ser usada é de que a multa fere o artigo 61 do Regulamento Nacional de Transferências de Jogadores. O texto diz: “Nenhum clube pode ajustar ou firmar contrato que permita a qualquer das partes, ou a terceiros, influenciar em assuntos laborais ou relacionados a transferências, independência, políticas internas ou atuação desportiva, em obediência ao art. 18bis do Regulamento da FIFA sobre o Status e a Transferência de Jogadores e à legislação desportiva federal.”

A alegação cruzeirense será justamente de que a multa significa uma interferência do Atlético-MG nos assuntos laborais do Cruzeiro, e portanto, irregular. Detalhe: a diretoria do clube da Toca da Raposa assinou um contrato com Fred afirmando que não contestaria a validade da multa.

De sua parte, o Atlético-MG aposta em uma investigação disciplinar pela CBF contra o Cruzeiro por supostamente recorrer à Justiça comum no caso da multa de Fred. Houve uma ação movida por credor do Atlético-MG para que a multa fosse paga na Justiça comum e fosse bloqueada. No entendimento de dirigentes do Galo, isso configura um desrespeito às normas da CNRD.

Desta forma, dirigentes do clube alvinegro fizeram um pedido para a câmara para que fosse aberta uma investigação disciplinar sobre o Cruzeiro. Na versão atleticana, essa reivindicação foi aceita e a CBF analisará o caso para depois, se entender pertinente, encaminhá-lo à Justiça Desportiva. Cruzeirenses negam qualquer participação na ação na Justiça comum.

Outra posição do Atlético-MG é a de que não pagará os R$ 2 milhões devidos a Fred acertados na rescisão judicial até que a questão da multa seja decidida. Isso porque, no entendimento do Galo, a Câmara decidiu que esse dinheiro deveria ser compensado, o que é contestado pelo estafe do jogador. Os atleticanos não querem os cruzeirenses na disputa na Câmara na CBF, mantendo o processo contra Fred.

No final das contas, como previsto, a disputa em relação à validade da multa deve se dar principalmente entre os dois clubes.

 


Por contrato, Cruzeiro se comprometeu a defender Fred e não discutir multa
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Fred em ação durante jogo do Cruzeiro no Campeonato Mineiro (Thomás Santos/AGIF)

O Cruzeiro se comprometeu a defender o atacante Fred em qualquer ação movida pelo Atlético-MG, e a pagar a multa com o clube rival sem discutir se é válida. É o que está escrito em um contrato assinado entre o clube cruzeirense e o jogador na ocasião de sua contratação a que o blog teve acesso.

O Atlético-MG está exigindo de Fred o pagamento da multa de R$ 10 milhões em ação na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, órgão arbitral ligado à CBF. Quer a quitação ou pede a rescisão do contrato entre Cruzeiro e o atacante até seu pagamento. Fred se defende sozinho, enquanto o time da Toca da Raposa entrou com ação na Justiça comum para discutir a questão.

Em documento em 22 de dezembro, época da sua contratação, Fred e Cruzeiro assinaram um “Termo de Responsabilidade”. Pelo acordo, fica claro que a agremiação que deveria tomar a frente de eventuais cobranças.

Na cláusula 2,3, está dito: “Na eventualidade de o Atlético iniciar qualquer procedimento, judicial, extrajudicial ou de outra natureza, contra o Atleta ou a Seven Sports, independente da época em que esse procedimento venha a existir, o Cruzeiro tomará todas as providências para que o Atleta e a Seven Sports sejam excluídos procedimentos adotados pelo Atletico, de forma que qualquer discussão ou disputa se dê exclusivamente entre o Atlético e o Cruzeiro.”

Em seguida, é explicado que na impossibilidade de exclusão, o Cruzeiro deve pagar pela defesa feita por Fred, e manterá o jogador sem custos por eventuais resultados.

Mais adiante, na cláusula 2.5, o Cruzeiro garante que não vai questionar a validade da multa: “O Cruzeiro compromete-se a se abster de questionar, por qualquer razão, o Termo de Responsabilidade Contratual e as repercussões, pagando as quantias solicitadas pelo Atlético.”

Como já revelado pelo UOL Esporte, o Cruzeiro deu em penhora a Fred como garantia as cotas de televisão da Globo. Além disso, o clube assinou R$ 10 milhões em promissórias, garantidas pelo presidente e vice-presidente cruzeirenses.

Nesta semana, a diretoria do Cruzeiro informou que considera incerta a multa a ser paga por Fred, e que ele discutiria esta na Câmara da CBF. Questionada novamente pelo blog, a diretoria cruzeirense informou: “O Cruzeiro já se pronunciou sobre isso e não vai comentar cláusulas de contratos.”

Leia também:


Galo espera cobrança imediata a Fred na CBF, mas Cruzeiro vê multa incerta
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O Atlético-MG vai insistir em cobrar diretamente de Fred a multa de R$ 10 milhões em ação em corte na CBF e espera uma decisão nas duas próximas semanas. O rival Cruzeiro foi citado na corte só por ter entrado na Justiça o que seria, na visão alvinegra, uma manobra para atrasar o caso. Do lado cruzeirense, há a posição de esperar a discussão da multa que é considerada incerta.

A ação do Galo é de um pedido de tutela de urgência à Câmara Nacional de Resolução de Disputas para pagamento imediato por Fred, que já apresentou defesa. Há a possibilidade de impedi-lo de jogar enquanto a multa não for quitada. A expectativa atleticana é de decisão nas próximas duas semanas.

“Entendemos que é melhor cobrar do Fred. Poderia incluir o clube (Cruzeiro) como solidário, mas o Fred tem condições de arcar com a multa”, contou o vice-presidente do Atlético-MG, Lasaro Cândido, que explicou que o contrato prevê que litígios têm que ser resolvidos na Câmara da CBF.

“Citamos na ação que (Cruzeiro) estão tentando tirar a ação da CNRD. Os dois estão em articulação porque o clube é beneficiário direto da contratação”, defendeu Cândido. “Isso (ação do Cruzeiro) é uma forma de tergiversar. Não tem nada a ver como o Cruzeiro.”

A ação cível do Cruzeiro contestando a multa resultou em uma decisão judicial de bloquear qualquer valor de multa que venha a ser paga ao Atlético-MG por conta de dívidas antigas. O vice-presidente do Galo afirma que não reconhecerá nenhum pagamento feito por meio judicial.

Por meio de assessoria, o diretor jurídico do Cruzeiro, Fabiano de Oliveira Cosa, informou que aguarda com cautela o desfecho do processo, “pois o clube tem ciência da cláusula e responsabilizou com o Fred”. Na visão dos cruzeirenses, não é certo que terá de ser feito o pagamento da multa.

“O problema do Cruzeiro não é pagar e sim a quem pagar. Há uma ordem judicial que impede o Cruzeiro de pagar, o Fred fez uma defesa na CNRD e não renunciou ao direito de discutir a cláusula. O Atlético-MG está discutindo por um crédito que não é certo. É uma possibilidade”, analisou Cosa.

Ou seja, segundo a sua posição, Fred discute se tem de pagar a cláusula ao Atlético-MG, apesar de ter assinado um contrato nesse sentido.

Um advogado neutro consultado pelo blog afirmou que qualquer clube tem direito a entrar na Justiça comum, e que pelo fato de o Cruzeiro não estar vinculado à ação na CNRD está livre para recorrer. Ao mesmo tempo, o advogado reconheceu que pode haver um risco para os cruzeirenses se pagarem a multa na Justiça comum. Isso porque poderiam ser cobrado duas vezes pelo débito.