Blog do Rodrigo Mattos

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Com custo baixo, projeto do estádio do Galo prevê 10 mil lugares populares
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O projeto de estádio do Atlético-MG tem como premissas custo baixo, investimento sem aumento de dívida e um quarto dos lugares dos lugares com preços populares. Para tornar essa fórmula possível, a estratégia é usar um ativo do clube e parcerias. Acordos estão alinhavados e agora irão para votação no Conselho Deliberativo.

O projeto é de um estádio de 41.800 lugares, no bairro Califórnia, perto da divisa de Belo Horizonte com Contagem. Desses, seria reservado um setor de 10 mil pessoas com preços populares, em torno de 25% do estádio, sem assentos. O objetivo da diretoria atleticana é trazer de volta um público que atualmente não tem acesso aos jogos.

Há uma estimativa inicial da diretoria do Galo de que poderia se cobrar ingressos entre R$ 15,00 e R$ 20,00 a preços atuais neste setor. Haveria ainda outros 10 mil lugares a preços médios. E, enfim, os setores caros para bancar os restantes.

A ideia não é nova e outros clubes como o Corinthians pensaram nisso no projeto inicial. Mas o alto preço final tornou inviável a cobrança de preços populares. Assim, quase nenhum estádio novo construído pós-Copa tem valores mais baixos de entradas por seus altos custos.

Para viabilizar essa ideia, o Atlético-MG tem um projeto que envolve custo baixo de construção, cortando juros e construções luxuosas da fórmula. O valor ficaria entre R$ 400 milhões e R$ 415 milhões, e o objetivo é fechar com uma construtora que aceite fazer tudo a preço fechado.

O que o clube já conseguiu é significativo. O Galo obteve o terreno cedido pela MRV que é gerida por um atleticano, Rubens Menin. Ele deve ficar com os naming rights e ainda investiria R$ 60 milhões por isso.

A maior fatia do investimento, no entanto, virá da venda para a Multiplan de R$ 50,1% do shopping Diamond Mall, que seria inteiramente do Atlético-MG daqui a 9 anos. O valor a ser arrecadado é de R$ 250 milhões.

Há uma discussão sobre esse negócio porque o clube hoje recebe R$ 9 milhões por ano com o shopping, e é estimado que receberia R$ 40 milhões quando tivesse a posse integral. A diretoria atleticana entende ser um bom negócio porque manteria R$ 20 milhões e passaria a ter a renda do estádio.

Contas do clube apostam em torno de R$ 50 milhões de arrecadação bruta com a arena, e R$ 20 milhões de despesas. Essas contas são de um estádio com manutenção baixa e com boa rentabilidade. Resta botar a fórmula em prática.

A estimativa do clube é obter outros R$ 100 milhões com venda de propriedades do estádios, cadeiras e camarotes, por 15 anos. Um total de 5.000 lugares será postos à venda. A ideia inicial era que cadeiras fossem vendidas a R$ 25 mil.

O BMG, banco de propriedade de um ex-presidente do clube Ricardo Guimarães, entra com uma garantia de pelo menos 60% desse total caso as vendas não ocorram. O banco e Guimarães são credores de cerca de R$ 100 milhões do Atlético-MG por empréstimos, mas isso não entrará na operação. A dívida foi construída na própria gestão de Guimarães do Galo.

As contas do clube, aliás, ficarão separadas do fundo do estádio que deve ser formado como sociedade específica.  Assim, não haveria risco de penhoras. Entre os grandes clubes brasileiros, o Galo tem a segunda maior dívida com R$ 518,7 milhões, em números do final de 2016. Há uma grande parte dela que é fiscal e está sendo paga no Profut.

A separação das contas é o modelo mais usado por clubes para construir estádios. Para a operação seguir, o Conselho do Atlético-MG precisa aprova-la em 18 de setembro quando haverá uma votação. Aí restará encaixar tudo no orçamento e fechar com uma construtora.

 


CBF afrouxa regras financeiras para Brasileiro; Palmeiras terá gasto livre
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A CBF reduziu ao mínimo as regras de seu sistema de licenciamento para disputar o Brasileiro-2018, retirando os itens para controle de gastos e de exigência de CND. Com isso, apenas os clubes dentro do Profut terão de seguir as restrições de despesas e folha salarial para não perder o benefício. Único grande fora do programa, o Palmeiras não terá de respeitar limites ou reduzir déficits, assim como Sport e Chapecoense entre os times da Série A.

A explicação da CBF é que o processo será gradativo com aumento de exigências financeiras, de infraestrutura (CT e estádio), ano a ano. Neste primeiro ano, a intenção é fazer um diagnóstico e mostrar aos clubes que o que falta, ninguém deixará de ganhar a licença.

O licenciamento de clubes é um sistema implantado no futebol da Ásia e da Europa para dar maior responsabilidade financeira às gestões. Na Uefa, por exemplo, é o maior obstáculo para o Paris Saint-Germain contratar Neymar já que não terá como pagar a multa dentro das regras.

A CBF tem sido obrigada a implantar o sistema por determinação da Conmebol e da Fifa. O processo se iniciou em 2016 e o regulamento valerá a partir de 2018. Todos os clubes serão obrigados a obter a licença para disputar o Brasileiro.

O blog teve acesso ao regulamento final da CBF para licenciamento e a sua versão inicial redigida no ano passado, e enviada para todos os clubes. A confederação retirou praticamente todos os artigos que previam controles de gastos e de déficit como previsto no Profut.

“Porque precisávamos nos adaptar ao (regulamento) da Conmebol que veio no segundo semestre (de 2016). Quando foi feito o primeiro, não tinha o regulamento da Conmebol”, explicou o diretor do departamento  registro da CBF, Reynaldo Buzzoni. Isso não impediria a CBF de fazer regra mais dura. “É uma questão gradativa. A gente vai aumentar as exigências.”

Segundo ele, os clubes não conseguiriam se adaptar no primeiro ano e ficariam muitos sem licença. E o objetivo da CBF não é impedir ninguém de jogar, mas orientar sobre o que está faltando.

No regulamento final, a CBF deixou apenas como obrigação apresentar contas e não ter dívida fiscal. O primeiro item já é previsto em lei. E, no segundo caso, só haverá problemas se houver decisão final da Justiça. Foi retirada a obrigação de CND.

“Essa questão da CND estamos lutando para ficar fora (da lei)”, comentou Buzzoni. “Imagine que multam o UOL por algum motivo e ele perde a CND. Vai ficar sem poder exercer sua atividade jornalística? Quem não tiver CND não pode exercer sua atividade?”

Sem obrigação de CND e das medidas previstas no Profut, isso significa que não haverá controle nenhum sobre os gastos para participar do Brasileiro como ocorre na Europa. A maioria dos clubes da Série A, no entanto, terá de seguir as regras se quiser ficar no Profut com suas dívidas financiadas.

Como decidiram não aderir ao programa, Palmeiras, Sport e Chapecoense não estarão submetido a essas regras. Poderão antecipar receitas, gastar com futebol acima de 80% e apresentar déficit de mais de 5% da receita. Ressalte-se que os clubes também não se beneficiaram das condições mais generosas para pagamento de dívida do Prout. E o Palmeiras teve superávit em 2016.

Buzzoni não vê como isso possa causar desequilíbrio no Brasileiro. “É uma questão de gestão. Chapecoense faz boa gestão e quase não tem dívida. Sport também (boa gestão), e preferiu não entrar. É uma questão de cada clube”, completou o diretor da CBF. “Palmeiras tem um patrocinador, mas tem boa gestão, com receita de bilheteria.”

A entidade está realizando uma fiscalização nas contas do clube, ainda não concluída. A ideia é fazer um diagnóstico esse ano. Outros itens estão sendo analisados como infraestrutura, estádios, CTs, departamento de futebol.

O texto inicial do regulamento de licenciamento da CBF tinha mais de 70 itens. Foi reduzido para 25 na nova versão. Ambos ainda têm anexos financeiros, jurídico e de infraestrutura com as condições gerais.

O blog apurou que houve forte oposição de alguns clubes contra a versão inicial do regulamento redigida pelo jurista Alvaro Mello Filho. Há ainda uma ação do sindicato dos clubes, comandado por Mustafá Contursi, para questionar a legalidade do Profut, principalmente em relação a controle de gastos.

Veja abaixo as diferenças entre as versões inicial e final da confederação para o regulamento:

Antecipação de receita

A primeira versão proibia a antecipação de receitas pelo clube, com exceção de 30% no primeiro mandato para redução de dívidas ou construção de patrimônio. Agora, não há mais nenhuma previsão neste sentido.

Controle de gastos do futebol

O primeiro texto do licenciamento previa que o clube não poderia ter despesa superior à receita bruta. Seu déficit não poderia ser superior a 5% ao ano. E as despesas com futebol não poderiam ultrapassar 80% do total das receitas. Todas essas medidas foram excluídas da versão definitiva do regulamento.

Pagamentos em dia a jogadores

A minuta inicial do regulamento previa que era essencial para obter a licença comprovar que estava com a remuneração em dia dos jogadores. Foi outro item excluído.

Dívida fiscal

Os clubes eram obrigados a apresentar a CND (Certidão Negativa de Débito) para comprovar que estavam em regularidade fiscal, no primeiro documento. Pelo texto final, o clube não pode ter dívida fiscal oriunda de processo transitado em julgado, sem possibilidade de recursos. Ou seja, enquanto os times discutirem débitos na Justiça, não serão punidos mesmo que estejam sem pagar e em débito com o fisco.

Orçamento dos clubes

Os clubes teriam de apresentar um orçamento equilibrado com relatórios de acompanhamento para verificar o previsto e o real, pelo documento inicial da CBF. No regulamento final, os times apenas têm que mostrar orçamentos para o ano da competição, fazendo ajustes quando necessários, e “eventualmente” entregar balancetes.


Corinthians vai ‘despencar’ no Brasileiro? Já ocorreu com outros líderes
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Com seu time de volta à vice-liderança do Brasileiro, o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, afirmou que o “Corinthians vai despencar” e que o campeonato será diferente no segundo turno. É difícil de saber se sua previsão vai se concretizar: o treinador gosta de declarações polêmicas e o time corintiano tem se mostrado consistente. Mas um levantamento do blog mostra que é bem comum uma queda acentuada de um líder que disparou.

É preciso ressaltar que o Corinthians, que enfrenta o Atlético-PR nesta sábado, tem uma liderança e vantagem inédita no Nacional após 13 rodadas. Nunca um time chegou aos 35 pontos e 10 pontos de frente neste estágio. E o time tem se mostrado regular em suas atuações, principalmente na defesa.

Dito isso, dos 11 Brasileiros com 20 times, houve queda acentuada do líder do campeonato em seis deles após um terço do Nacional. Em uma delas, a despencada não foi suficiente para tirar o título: Corinthians-2011. Mas, nas outras cinco, as equipes perderam a taça.

E houve cinco campeonatos em que a equipe ponteira se manteve com desempenho parecido com o do início e conquistou o título. Um dos casos foi no ano passado com o Palmeiras.

O Atlético-MG é o caso mais emblemático de time que largou bem e acabou perdendo o fôlego no Nacional. Aconteceu em 2009, em 2012 e em 2015. Nesses três anos, o time era líder com um terço do Nacional.

Em 2012, o Galo tinha 32 pontos e 82,5% de aproveitamento. É o que chegou mais próximo do Corinthians atual. Nas outras 25 rodadas, o Atlético-MG marcou apenas 40 pontos, com desempenho de 53,3%. Ao final, perdeu o título para o Fluminense.

Além do Atlético-MG, Flamengo, Botafogo e Corinthians já tiveram quedas consideráveis em seu desempenho após o primeiro terço da competição. No caso corintiano, o time de Tite largou com 74,4% de aproveitamento, e no restante do Nacional ficou com 56% de rendimento.

Foi o suficiente para ser campeão o que mostra a importância de acumular gordura. É até previsível alguma queda de aproveitamento do Corinthians já que não deve manter 90%. Mas, com a regularidade que tem jogado, é bem possível que sofra apenas leve oscilação e contrarie a previsão de Renato Gaúcho. O histórico mostra que uma queda acentuada, no entanto, não está descartada. Veja abaixo a piora desempenho dos líderes até 13a rodada e ao final do Nacional:

2007 – Botafogo – até 13a rodada – 25 pontos – 64,1% / até o final – 30 pontos e 40%

2008 – Flamengo – até 13a rodada – 26 pontos – 66,7% /até o final – 38 pontos e 50,7%

2009 – Atlético-MG – até 13arodada – 28 pontos – 71,5% / até o final 28 pontos e 37,3%

2011 – Corinthians (foi campeão) – até 13a rodada – 29 pontos – 74,4% / até o final 42 pontos – 56%

2012 – Atlético-MG – até 13a rodada – 32 pontos – 82% / até o final 40 pontos – 53,3%

2015 – Atlético-MG – até 13a rodada – 29 pontos – 74,4% / até o final 40 pontos – 53,3%


De veto a meião a elenco limitado. O que irrita brasileiros na Libertadores
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(Atualizado após a reunião às 14 horas)

Em reunião nesta quinta-feira, os clubes brasileiros levaram uma série de reclamações e reivindicações à Conmebol relacionadas a Libertadores. Os itens listados pelos cartolas nacionais foram desde proibições de certos tipos de meiões até um pedido formal para mudanças no regulamento na inscrição de jogadores. Além disso, há os já conhecidos questionamentos ao tribunal da confederação e à segurança.

Foi o primeiro encontro da subcomissão de clubes da confederação sul-americana em que os times puderam oficialmente expressar suas opiniões sobre a competição. Participaram os 16 times das oitavas de final da Libertadores, sendo seis deles brasileiros, Botafogo, Santos, Atlético-MG, Palmeiras, Atlético-PR e Grêmio.

Por isso, os dirigentes brasileiros desses times, além de representantes daqueles na Copa Sul-Americana, se reuniram previamente para levar uma pauta de reivindicações. Da pauta, ficou definido um pedido de mudança de regulamento da Libertadores que se transformou em anual em 2017.

“Defendemos que deve aumentar a possibilidade de troca de jogadores inscritos após a primeira fase. Com a janela, o time pode perder jogadores e não tem como repor na lista”, contou o presidente santista, Modesto Roma Jr. Atualmente, são 25 inscritos, e pode-se acrescentar outros cinco a partir das oitavas de final.

Outro ponto importante levantado é a falta de critério da Conmebol ao definir o que pode e o que não pode no campo e no estádio. Com delegados ou árbitros diferentes, são alterados esses parâmetros, sem um padrão. Um exemplo é dado pelo diretor de futebol do Grêmio, André Zanotta, em jogo em Calama, agora em 2017:

“Os jogadores agora têm o hábito de trocar o pé da meia por outro especial para não escorregar. Nosso fabricante entrega para nós costurados. Quando chegamos em Calama, o quarto árbitro disse que não permitiria. Tivemos que comprar meias brancas no local”, descreveu Zanotta. “Pouco antes do jogo, insisti com o árbitro que permitiu.”

Outra observação é que a Conmebol só permite 18 jogadores no banco ao contrário de outras competições. Zanotta procurou o diretor técnico da Conmebol, Hugo Figueredo, para que aumentasse o número de jogadores para o banco pois pode se perder gente pouco antes do jogo.

Mais uma questão levantada é sobre a Conmebol tomar o estádio e cobri-lo todo para os jogos da Libertadores. Marcas e placas têm que ser só de patrocinadores da entidade. O telão de estádios, por exemplo, não pode passar marcas que têm acordos com os clubes.

“Gostaríamos que eles contratasse uma empresa para cuidar da imagem da competição, e da segurança. Deveriam terceirizar essas questões”, contou o vice-presidente do Palmeiras, Genaro Marino.

O padrão usado pela Conmebol é igual da UEFA na Liga dos Campeões, mas os clubes reclamam que a remuneração é muito menor. Portanto, não dá para impor os mesmos padrões.

A reclamação mais recorrente talvez seja em relação ao tribunal da Conmebol e à falta de critério. No caso do Palmeiras, o clube tem um recurso que deve ser julgado semana que vem sobre as punições na confusão contra o Peñarol. No caso da Chapecoense, o time foi eliminado por jogador irregular, mas o problema é que detalhes da decisão só foram enviados no dia do sorteio da Libertadores, 15 dias após o julgamento.

“Neste episódio, nos achamos com toda a razão e vamos continuar com esse encaminhamento até a última instância”, disse o presidente da Chapecoense, Plínio Nês David FilhoA Chapecoense não foi ao sorteio da Sul-Americana.


Clubes brasileiros articulam lista de reclamações sobre Libertadores
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Em Assunção para o sorteio da Libertadores, o dirigentes de clubes brasileiros articulam para fazer uma lista de demandas para a Conmebol em relação. Essas reclamações serão apresentadas no dia 15 em reunião da subcomissão dos clubes com a cúpula da confederação sul-americana.

A Conmebol criou o grupo de clubes para dar opiniões sobre o formato da Libertadores. Quem vai estar incluído neste grupo por um ano são os 16 times classificados às oitavas de final da competição, sendo seis brasileiros Atlético-PR, Botafogo, Atlético-MG, Grêmio, Palmeiras e Santos.

“Vamos nos reunir entre nós para alinhar a posição”, explicou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Ele não quis adiantar quais as demandas do seu time.

O presidente do Santos, Modesto Roma Jr, também afirmou que haverá pedidos à Conmebol durante a reunião do dia 15. Em encontro no Rio, ele mesmo já tinha se manifestado ao presidente da confederação sul-americana, Alejandro Dominguez, contrariedade em relação às decisões do tribunal da entidade.

Além dos clubes dentro da Libertadores, dirigentes dos brasileiros na Sul-Americana devem ser chamados para a reunião prévia à comissão da Conmebol, como é o caso do Corinthians e Sport que já têm representantes no local. O Fluminense também virá ao Paraguai.

Entre as prováveis itens de discussão dos clubes, estão a falta de transparência e critérios do tribunal da Conmebol, discussão sobre cotas e condições de segurança nos estádios em outros países.

Já houve várias iniciativas de clubes brasileiros para buscar mudanças nas Libertadores. Até agora, os resultados têm sido tímidos.


Por que favoritos Galo, Palmeiras e Fla capengam no início do Brasileiro
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Antes do início do Brasileiro, a maioria dos analistas apontava Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras como os elencos e times mais capazes de brigar pelo título. Passadas quatro rodadas, os favoritos não conseguiram engrenar no campeonato, seja em resultados, seja no futebol apresentado. Por que isso acontece?

Primeiro, é importante que se diga que há boas chances de os três times se recuperarem e passarem ao alto da tabela no transcorrer do Brasileiro. O campeonato só terá um cenário mais claro a partir da 10a rodada, e só na virada do turno costuma se definir quem disputará o título. Mas desempenho ruim no início impactará suas campanhas.

Feitas as contas, os três times somaram 13 pontos juntos, com uma performance de 36% dos pontos possíveis. Houve dois confrontos entre eles, isto é, seria impossível terem os 36 pontos máximos. De qualquer maneira, é um desempenho decepcionante.

Tanto que o Flamengo é 11o colocado, o Palmeiras, 12o e o Atlético-MG, 17o. Juntos, têm duas vitórias apenas. E o confronto entre o time alviverde e o alvinegro mineiro, neste domingo, mostrou como essas posições refletem o pobre futebol jogado pelas equipes no momento.

Foi um jogo fraco em que o Galo priorizou a defesa à espera de um contra-ataque, e em que o Palmeiras mostrou falta de alternativas para achar espaços contra um adversário fechado. Vamos tentar entender ponto a ponto o motivo da má fase (até agora) dos três favoritos:

Atlético-MG

Não falta talento à linha de frente do Atlético-MG. Só que Roger ainda não encontrou uma forma de juntar todos eles e se manter com um time compacto e confiável. Até brilhou em alguns jogos da Libertadores, mas não no Brasileiro onde não jogou nenhuma partida inteira bem.

Um dos problemas é o fato de a equipe estar muito espaçada quando ataca. Cazares, Otero, Robinho e Fred, quando jogam os quatro juntos, têm dificuldade para se aproximar e recebem bolas às vezes isolados já que o meio-campo está muito recuado. Esse problema é minimizado com Elias em campo, que conecta os setores.

Defensivamente, o time melhorou nos jogos fora (sofreu apenas um gol diante de Fla e Palmeiras) com um volante a mais ao lado de Rafael Carioca. Mas, quando tem que sair como diante do Fluminense em casa, não tem um sistema eficiente para conter os contra-ataques.

Flamengo

O time carioca não tem exibido o futebol consistente que o caracterizou na maior parte do primeiro semestre. Uma das explicações são desfalques importantes como Diego e Everton, entre outros, que agora voltaram ao time. E a queda na Libertadores afetou a confiança do time que passou a errar muito fundamento, principalmente passe. Embora tenha dominado boa parte de seus jogos, o rubro-negro não exibiu um futebol que intimide o rival.

Além da queda na Libertadores e dos desfalques,  o Flamengo tem um dilema em seu jogo. Em 2016 e parte de 2017, exibiu seus melhores momentos com dois ponteiros abertos que voltavam. Só que não tem jogadores no elenco que estejam funcionando nestas funções com Berrío (contundido) e sem eficiência, e Gabriel sem ser incisivo.

Para isso, há duas soluções que se vislumbram no clássico diante do Botafogo. Um é o garoto Vinicius Jr que tem entrado bem e ensaia queimar etapas em sua adaptação. Outra é -com a possibilidade de ter Diego, Conca e talvez Everton Ribeiro – o técnico Zé Ricardo fazer a transição para um jogo mais centrado nos meias, e menos na velocidade.

A defesa também tem falhado excessivamente, Vaz foi barrado e Rever tem cometido mais erros do que de hábito. Muralha melhorou nos últimos jogos, mas ainda está longe de exibir a segurança do ano passado.

Palmeiras

Campeão em 2016, o Palmeiras ainda não sabe a fórmula para repetir o feito. Desde a volta de Cuca o time vem procurando uma nova identidade que pode ter elementos do ano passado, mas terá de buscar novidade. Como bem lembrou o treinador, o time perdeu Moisés (este ainda pode voltar), Gabriel Jesus e Vitor Hugo, sendo os dois primeiros bem difíceis de substituir.

Diante do Atlético-MG, o time alviverde apostou em três atacantes rápidos, Roger Guedes, Keno e Willian, em formato já testado por Eduardo Baptista. Faltava profundidade ao time, o que não se resolveu com a entrada de Borja que continua mal.

Além disso, falta jogo de meio de campo ao Palmeiras, com Guerra armando o time só em velocidade, com um Tchê Tchê apagado. Quando o time precisa rodar a bola para achar espaço, não tem um jogador que coordene essa movimentação.

Aposta-se portanto sempre na jogada veloz pela ponta ou nas bolas paradas, e isso torna o time mais previsível para um adversário fechado. A defesa passa por instabilidade com Edu Dracena em má fase, e até Prass em momento hesitante (quase entregou um gol ao Galo desperdiçado por Rafael Moura).


Brasileiro tem início com frente embolada e sem influência da tabela
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O início do Brasileiro tem um início sem influência da tabela de mando de campos e com a posições na frente bem mais embolada do que nos anos recentes. Nessas três primeiras rodadas, o fator casa teve peso relativo já que boa parte dos times com mais pontos atuaram fora. E há oito times com mais de seis pontos, número acima do normal no campeonato.

Primeiro, é preciso ressaltar que a posição na terceira rodada em geral tem pouco significado para o resultado final do campeonato. Há times campeões que até figuravam nas quatro primeiras colocações neste estágio, mas em geral só se estabilizavam na disputa mais à frente no campeonato.

Para complicar qualquer análise, há oito times com mais de seis pontos ao final da terceira rodada, um cenário só visto em 2011. A Chapecoense ainda pode se somar ao grupo em jogo contra o Avaí, nesta segunda-feira. Em geral, esse número é bem menor prevalecendo empates que deixam equipes emboladas no meio, e não na frente.

Teoricamente, isso poderia levar a conclusão de que a tabela da CBF com dois jogos seguidos em casa para um time ajudou os times a somar mais pontos. Mas as duas equipes que estão na ponta, Corinthians e Cruzeiro, jogaram duas vezes fora. O mesmo ocorreu com Grêmio e Coritiba que têm seis pontos e vêm na sequência da classificação.

Entre os oito que somaram pelo menos seis pontos, São Paulo, Vasco e Botafogo atuaram duas vezes em casa. São cinco times, portanto, que atuaram mais fora.

O início dos favoritos ao Brasileiro é ruim, o que torna o cenário mais nebuloso. O Flamengo até somou cinco pontos em três jogos, sendo dois deles fora. Mas o Atlético-MG tem apenas dois pontos após jogar duas vezes no Independência, e o Palmeiras perdeu as duas como visitante.

O bloco de times que tem capacidade técnica de enfrenta-los – Fluminense, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro e o São Paulo – mostra estar próximo no futebol que é capaz de desenvolver. Difícil portanto tirar conclusões sobre esse início do Nacional. Como nos outros anos, um quadro mais claro só será conhecido quando houve um quarto do campeonato disputado. Ainda assim, bem sujeito a reviravoltas.

 


Dívida de clubes com governo sobe no 2º ano do Profut. Veja os devedores
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Depois da implantação do Profut, em 2015, houve uma redução na dívida dos clubes com o governo federal por conta de descontos de multas após a adesão. Mas, no ano passado, esse débito voltou a subir porque os times estão pagando parcelas reduzidas no início, aponta um estudo da BDO Sports Management. A expectativa é que o passivo só passe a cair em dois anos quando houver pagamento de parcelas maiores.

Explica-se: pelas regras do Profut, os clubes pagam 50% da parcela devida nos dois primeiros anos. Em seguida, a parcela passa para 75% por mais dois anos. Depois, atinge um patamar de 90% por mais dois anos. E só atinge 100% após esse período. Quem aderiu no final de 2015 vai ter o primeiro reajuste no final de 2017. A exceção é a dívida de FGTS que tem parcelas fixas.

Enquanto isso, o débito é reajustado pela taxa Selic, que atualmente está em 12,15%. Ou seja, os pagamentos feitos pelos clubes são inferiores ao crescimento do débito tributário consolidado na Receita.

Em 2016, a dívida dos 23 maiores clubes brasileiros com o governo aumentou 9% ou R$ 230 milhões, atingindo o valor de R$ 2,6 bilhões, apontou o relatório da BDO. O estudo da consultoria fala em estagnação do débito fiscal, levando-se em conta os dois anos de Profut e a inflação. Em 2015, o débito fiscal teve queda de R$ 100 milhões.

O reajuste ocorreu no débito fiscal de quase todos os 23 clubes. O maior devedor é o Botafogo, seguido de Atlético-MG, Flamengo e Corinthians (veja valores abaixo). O blog apurou que, quando a parcela representar 75% do total, a tendência é a dívida estagnar e se manter estável. Só passaria a haver queda real do débito fiscal dos clubes a partir de 2020 quando os clubes então pagarem 90% da parcela.

Maior devedor, o Botafogo mostra em seu site a previsão de seus pagamentos dentro do Profut. Em 2016, o clube estimou pagar R$ 5,150 milhões. Esse valor saltaria para R$ 8,6 milhões em 2021 como pagamento integral. Só que esse valor será maior porque a dívida será reajustada pela Selic nos próximos quatro anos.

Será portanto a partir de 2020 que os clubes passarão a ter um real peso de dívidas fiscais sobre seus orçamentos, e assim poderão começar a reduzir o montante que acumularam de débitos durante anos com o governo. Veja quanto cada um deve:

1º Botafogo – R$ 292,7 milhões

2º Atlético-MG – R$ 284,3 milhões

3º Flamengo – R$ 282,3 milhões

4º Corinthians – R$ 232,2 milhões

5º Vasco – R$ 194 milhões

6º Fluminense – R$ 193,4 milhões

7º Cruzeiro – R$ 188,7 milhões

8º Santos – R$ 155,2 milhões

9º Bahia – R$ 111,5 milhões

10º Internacional – R$ 109,4 milhões

11º São Paulo – R$ 104,5 milhões

12º Coritiba – R$ 100,2 milhões

13º Grêmio – R$ 96,1 milhões

14º Palmeiras – R$ 79,1 milhões

15º Sport – R$ 64,6 milhões

 


Após Profut, clubes controlam gastos com futebol e reduzem dívida em 2016
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Após a implantação do Profut, os grandes clubes brasileiros controlaram gastos com futebol e conseguiram uma redução da sua dívida total em 2016. É o que mostra um levantamento da BDO Sports Management. Mas só se poderá ter certeza sobre os efeitos do Profut sobre os times a longo prazo porque houve um crescimento anormal de dinheiro com televisão por luvas neste ano.

As receitas dos 23 clubes de maiores receitas saltaram para R$ 4,462 bilhões em 2016, um aumento de 29%, bem acima da inflação. Pelo padrão do futebol brasileiro, isso representaria uma explosão de gastos no futebol para aproveitar o dinheiro extra. Mas não foi o que ocorreu dessa vez.

Houve, sim, um crescimento de gastos com o futebol de 9,4%, pouco acima da inflação, o que elevou o valor a R$ 2,888 bilhões. Isso significa que as despesas com futebol ficaram em 58% da receita total. “Com o forte crescimento da receita e com a nova lei que vigora no segmento (PROFUT), o indicador Custo do Futebol/Receita Total atingiu seu menor valor no período analisado”, aponta o relatório da BDO.

Para completar, os clubes nacionais apresentaram um superávit de R$ 423,7 milhões. “Apenas 6 dos 23 clubes apresentaram déficit em seus balanços em 2016”, contou a BDO. Esses times que apresentaram déficit foram: Sport, Avaí, Botafogo, Coritiba, Internacional e Cruzeiro. Lembre-se que as regras do Profut estabelecem que os clubes têm de reduzir seus déficits até zerá-los.

Como consequência, houve uma redução discreta do endividamento líquido dos grandes clubes nacionais. Esse caiu para R$ 6,390 bilhões, R$ 63 milhões a menos do que em 2015. Em dois anos, houve 5% de queda no débito dos times. Lembre-se que, considerada a inflação, essa queda foi maior. A redução foi maior em relação a empréstimos: houve queda de 7% com o valor ficando em R$ 1,6 bilhão.

Mas isso não significa que todos os clubes conseguiram reduzir suas dívidas. Líderes do ranking dos devedores, Botafogo, Atlético-MG e Fluminense tiveram aumentos em seus débitos, além de Cruzeiro e Internacional. O São Paulo até teve um aumento de dívida, mas esse valor já caiu em 2017 com o pagamento de empréstimos e direitos de atletas. “16 dos 23 clubes apresentaram redução em seu endividamento com empréstimos”, apontou o relatório da BDO.

A dívida não é um índice absoluto para saber a situação financeira de um clube. É preciso levar em conta sua receita em relação ao débito, a natureza dos passivos e os gastos do clube. O Botafogo é o maior devedor na lista, mas é preciso lembrar que o Corinthians não incluiu o débito do estádio em seu balanço. Veja abaixo a listas da maiores dívidas de clubes brasileiros:

1o Botafogo – R$ 753,1 milhões

2o Atlético-MG – R$ 518,7 milhões

3o Fluminense – R$ 502 milhões

4o Flamengo ** – R$ 460,6 milhões

5o Vasco – R$ 456,8 milhões

6o Corinthians *- R$ 424,9 milhões

7o Grémio – R$ 397,4 milhões

8o Palmeiras – R$ 394,8 milhões

9o São Paulo – R$ 385,3 milhões

10o Cruzeiro – R$ 363 milhões

110 Santos – R$ 356,6 milhões

12o Internacional – R$ 311,6 milhões

13o Atlético-PR – R$ 264,5 milhões

14o Coritiba – R$ 187,1 milhões

15o Bahia – R$ 166,4 milhões

* O débito do Corinthians em relação a sua arena gira em torno de R$ 1,4 bilhão, mas uma parte desse valor deverá ser abatido por CIDs e ainda está em negociação.

**O Flamengo alega ter uma dívida de R$ 390 milhões porque não considera como débitos adiantamaentos de receitas, ao contrário da BDO.

 


Patrocínio a clubes só cai desde Copa-2014. Palmeiras se salva
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rodrigomattos

Receitas com patrocínio e publicidade têm sido das que mais crescem no futebol mundial. Não no Brasil. Com o país em crise econômica, as parceiras comerciais em camisas de clubes perderam valor real nos últimos três anos considerada a inflação, segundo estudo da BDO Sports Management sobre as contas de 2016. Só quem se salva com valor significativo na camisa é o Palmeiras com a Crefisa.

O estudo da BDO aponta que os 23 clubes mais ricos do país ganharam R$ 524,1 milhões no ano passado com patrocínios. Houve um crescimento de apenas 4% em relação ao ano anterior sendo que a inflação foi de 6,29%.

Essa perda de valor ocorre, ironicamente, desde o ano da Copa-2014 quando havia a promessa de um boom no futebol nacional. Naquele ano, houve queda de patrocínios aos clubes depois de anos de alta. Do final de 2013 para cá, se o investimento tivesse crescido pelo menos o percentual da inflação (22%), teria chegado a R$ 586,8 milhões. Ou seja, o mercado perdeu em valor real em torno de R$ 60 milhões.

“Se consideramos a inflação, e o investimento da Caixa, o patrocínio voltou ao patamar de 2010”, analisou o consultor da BDO, Pedro Daniel. “Considerando o dólar que era mais baixo em 2010, o valor caiu. Com o câmbio favorável, seria para as multinacionais quererem investir no futebol aqui. Não aconteceu.”

Isso apesar do investimento pesado da Caixa Econômica Federal em uniformes de clubes chegando a atingir patamar de R$ 150 milhões. Na prática, o banco responde por 30% do mercado nacional de patrocínio. Sem esse dinheiro, a queda seria ainda mais acentuada.

Mercados maduros do futebol costumam ter divisão balanceada de receitas. Na Europa, a TV é a principal fonte de renda, mas não fica tão à frente de patrocínios e bilheteria. No Brasil, com a queda dos patrocínios, a televisão já responde por cerca de metade das rendas dos clubes do total.

Em 2016, os 23 clubes mais ricos do país arrecadaram R$ 4,962 bilhões. Desse total, apenas 11% foram de patrocínios aos times. Há sete anos atrás, em 2010, esse percentual chegava a 17%. O mercado de publicidade dos clubes simplesmente regrediu.

No ranking, o que se percebe é que o Palmeiras se salvou dessa queda com a Crefisa. Líder no país no quesito, o clube atingiu R$90,7 milhões em 2016, um crescimento de 30% sobre o ano anterior. Foi seguido pelo seu rival Corinthians com R$ 71,5 milhões e aumento dentro da inflação. Já o Flamengo, que era líder, caiu 22%, atingindo R$ 66,3 milhões – isso aumentou sua dependência da televisão.

Fora do topo, São Paulo (77%), Atlético-MG (94%) e Altético-PR (60%) tiveram evoluções nos seus ganhos de patrocínios significativos percentualmente. Mas, no caso do tricolor, está recuperado o que tinha perdido em 2015. E Galo e Furacão partiram de patamares mais baixos. Veja abaixo o ranking de patrocínios:

1o Palmeiras – R$ 90,7 milhões

2o Corinthians – R$ 71,5 milhões

3o Flamengo – R$ 66,3 milhões

4o Grêmio – R$ 35,5 milhões

5o São Paulo – R$ 35,3 milhões

6o Internacional – R$ 34,2 milhões

7o Atlético-MG – R$ 31,6 milhões

8o Cruzeiro – R$ 26,8 milhões

9o Santos – R$ 22,4 milhões

10o Fluminense – R$ 15,7 milhões

11o Vasco – R$ 13,6 milhões

12o Botafogo – R$ 9,4 milhões

13o Coritiba – R$ 9,4 milhões

14o Sport – R$ 9,3 milhões

15o Bahia – R$ 9 milhões

16o Vitória – R$ 8,8 milhões

17o Chapecoense – R$ 7 milhões

18o  Atlético-PR – 6,8 milhões

19o Figueirense – R$ 6,8 milhões

20o Ponte Preta – R$ 6 milhões