Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Bélgica

Bélgica tem produção ofensiva quase igual ao Brasil. Diferença é a defesa
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Uma análise dos números ofensivos de Brasil e Bélgica, rivais nas quartas de final, mostra times com produção praticamente igual na frente, embora os adversários tenham mais gols. Há uma diferença em relação à defesa dos times, bem mais eficiente no caso brasileiro. Diante da seleção, a ofensividade belga deve se repetir, mas com ajustes.

O sistema tático da Bélgica não é igual ao nacional, especialmente em relação à defesa. Enquanto Tite usa seu 4-1-4-1, o treinador Roberto Martínez prefere jogar com três zagueiros com um 3-4-3 que explora a velocidade de seus ponteiros (Mertens e Hazard) e a qualidade de seus armadores (De Bruyne e Witsel).

Com ideias diferente de como ganhar o jogo, a Bélgica chutou tanto a gol quanto o Brasil: foram 77 conclusões para cada um dos dois times. O número de oportunidades de gol é também similar com 73 para os brasileiros e 71 para os belgas. O time europeu, no entanto, tem 12 gols contra sete da seleção.

As duas equipes ainda se igualam na intenção de ter a bola: ambas tiveram mais posse do que os rivais com percentuais quase iguais, 55% a 56%. Deram uma quantidade parecida de passes: Brasil 2282, e Bélgica, 2189. A precisão nos passes também é similar.

Martinez indica que não vai abrir mão deste estilo diante do Brasil . “Você tem que ser taticamente flexível, mas isso não significa escolher um sistema diferente para cada corrida (jogo). Tem que haver uma continuidade, e você tem que se ajustar a cada corrida”, observou o treinador, em entrevista ao “Sporza” no dia seguinte a se classificar às quartas-de-final.

Os ajustes necessários parecem ser mais na forma como conter o Brasil. Por que se os times se igualam na frente, o Brasil mostra muito mais eficiência na recuperação da bola por ter um posicionamento bem mais consistente na defesa.

A seleção brasileira conseguiu 183 recuperações de bola, e a Bélgica, 145 durante a Copa. O time nacional também supera em número em chegadas junto (carrinhos ou divididas) para retomar a posse.

Uma consequência de o Brasil ter volantes típicos como Casemiro e às vezes Fernandinho, enquanto a Bélgica tem Witsel e De Bruyne que mais ocupam espaços do que apertam na marcação. Há bastante liberdade para jogar à frente do trio de zagueiros belgas.

Não por acaso o Brasil sofreu apenas um gol na Copa, aquele lance de Zuber diante da Suíça. Enquanto isso, a Bélgica já foi buscar a bola na rede por quatro vezes, uma vez por partida em média. Sofreu dois gols em duas ocasiões, diante de Japão e Tunísia.

 


Futebol ultraofensivo da Bélgica é um refresco na Copa das retrancas
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Estava sol no Estádio do Spartak, a festa das torcidas belga e tunisiana ao lado de fora era animada, tudo pronto para uma tarde de futebol. Futebol bem jogado, para fazer gols, para encantar. Foi o que a Bélgica apresentou com seu esquema ultraofensivo que destoa na Copa das retrancas.

Não por acaso já que conta com uma linha de ataque composta por Mertens e Hazard nas pontas, com o centroavante Lukaku. Servidos pela classe de De Bruyne, e pelo toque de bola de Witsel. Neste 3-4-3, ainda há um ala esquerdo que mais ataca do que defende em Carrasco.

O ritmo alucinante levou a dois gols em menos de 20min. É certo que atrás o time se expõe bastante, e por isso a Tunísia aproveitava o espaço no meio-campo. Mas dava gosto de ver.

A recuperação de bola era seguida por passes verticais dos meias e corridas alucinantes dos ponteiros Mertens e Hazard, este o melhor do jogo, com sua condução de bola grudada no pé. Com a vantagem, a Bélgica continuava a ter às vezes oito jogadores à frente.

Contra um time de qualidade ofensiva limitada, dava para correr riscos, ainda que tenha tomado dois gols. O dilema belga será quando enfrentar equipes mais fortes como Brasil, Alemanha ou França. Jogadores desses times serão capazes de explorar esse latifúndio no meio-campo. Até porque, ao se defender, forma-se uma linha de cinco (com a volta de Carrasco e Meunier) que está muito atrás, com pouca proteção de De Bruyne e Witsel, lhes falta cacoete de volante típico.

Isso é uma questão para ser respondida mais à frente. De certo, a Bélgica apresentou o futebol mais interessante do Mundial até agora, com seus passes verticais, posse de bola objetiva e qualidade e inteligência nas conclusões das jogadas.

 


Fifa reprime protesto de convidados com faixa no Maracanã
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A Fifa reprimiu um protesto nas arquibancadas do Maracanã no jogo entre Bélgica e Rússia, mas seus seguranças e policiais foram incapazes de impedir a exibição de uma faixa com mensagem política.

Pelas regras da Copa-2014, é proibido esse tipo de manifestação. Irônico é que os dois manifestantes eram convidados de um patrocinador do Mundial, o Itaú.

O engenheiro Maurício Dantas e o professor João Carlos Rodrigues levaram uma faixa de cerca de quatro por dois metros para dentro do estádio. Estava escrito: “A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas”. De um lado, a frase estava em português, do outro em inglês.

No meio do jogo, eles abriram a faixa, e policiais militares os detiveram e os levaram para averiguação. A PM queria que eles entregassem a faixa, mas eles se recusaram alegando que não desrespeitavam nenhuma lei. Foram liberados.

Mais tarde, ao final do jogo, voltaram a exibir o protesto e seguranças particulares da Fifa mandaram que fechassem a faixa. Ainda queriam impedir os jornalistas de tirar fotos. Mas os manifestantes mantiveram a exibição das faixas. Até que um chefe pediu que eles se retirassem do estádio – foram acompanhados pelos agentes.

“Somos de um movimento social contra a violência policial dentro das favelas. Durante essa Copa, só aumentou a repressão e a retirada de pessoas dessas comunidades, como a da Mangueira, aqui próximo do Maracanã, que tentam transformar em uma região de elite”, contou Dantas.

Ele ganhou os ingressos para o jogo do Banco Itaú, do qual é cliente, e que é patrocinador do Mundial. Chamou o amigo Rodrigues para fazer o protesto. “Entramos com a faixa dentro da mochila. Ninguém viu”, contou Rodrigues.


Governo muda segurança da Copa porque até arma burlou revista no Maracanã
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Além da invasão de 100 chilenos no Maracanã, o governo federal mudou a segurança de estádios da Copa-2014 após um relatório feito por setores de inteligência que mostrou um cenário caótico no estádio. Autoridades públicas descobriram que o sistema era tão falho que permitia até a entrada de arma não autorizada dentro da arena, o que ocorreu em um dos dois jogos.

A crise de segurança da Copa foi detonada antes do jogo entre Espanha e Chile quando torcedores invadiram o estádio e a sala de imprensa, destruindo paredes e subindo para arquibancadas. A maioria foi detida.

Mas a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) já preparara um relatório dos dias iniciais de operação do estádio carioca. Também foram feitas análises pela secretaria de segurança do Rio de Janeiro. Os dados relatados deixaram assustadas às autoridades públicas de segurança.

O blog apurou que um policial entrou com uma arma dentro do estádio para fazer um teste. Passou pelo raio-x, e pelo portão de detector  de metal, sem que a arma fosse notada. Ele incluiu isso em um relatório.

A Abin ainda constatou que vários seguranças de empresas contratadas pelo COL (Comitê Organizador Local) não têm ido aos jogos. Resultado: o número tem sido sempre menor do que o estimado pelos organizadores. O blog flagrou uma das empresas oferecendo prêmios em sorteio para quem aparecesse nas partidas.

Isso se estende a outros estádios, e desenhou um quadro preocupante. Por isso, foi tomada a medida de aumentar o número de seguranças privados, e incluir a possibilidade de policiais atuarem de forma mais ostensiva dentro das arenas. Assim, decidiu-se pela revisão das vistorias nos estádios com atuação de forças públicas.

Outro problema grave foi a mudança total de instalações temporárias feitas pela Fifa no Maracanã para a Copa em relação à Copa das Confederações, e à configuração normal do estádio. Foi o que deixou claro Roberto Alzir, delegado da polícia federal e subsecretário de grandes eventos do Rio de Janeiro, que ainda reclamou do atraso para a implantação. “A polícia não está acostumada a lidar com essa configuração.”

A Fifa até tentou botar a culpa no governo do Estado por não excluir torcedores das redondezas do Maracanã, como, de fato, tem ocorrido em outras arenas. Em reunião tensa na tarde de sexta-feira com autoridades públicas, o chefe de segurança da Fifa, Ralf Mutschke, cobrou, de forma dura, que o governo do Estado estabelecesse um perímetro para impedir quem não tivesse ingresso de se aproximar do estádio.

Mas sua proposta foi rejeitada, taxada como impossível de ser praticada por conta das redondezas densamente povoadas do estádio. Na verdade, ele teve que aceitar a entrada de forças públicas dentro do estádio.

Questionado pelo blog se estava satisfeito com os novos planos de segurança, Mutschke fez um sinal de impaciência e não quis falar do assunto. O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, também tinha cara de poucos amigos ao ouvir o novo programa traçado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A verdade é que, diante de tantas falhas, a Fifa e o COL tiveram que aceitar as medidas desenhadas pelo governo.


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