Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Botafogo

Criticado por Paulo Guedes, investimento da Caixa em clubes somou R$ 664 mi
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Criticado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o investimento da Caixa Econômica em camisas de clubes de futebol acumulou R$ 663,6 milhões nos últimos sete anos. O futuro do projeto ainda não está definido para 2019, mas a tendência é não continuar pelas declarações do governo. Clubes se preparam para a saída do principal patrocinador do esporte e boa parte deles retirou a marca do banco dos sites.

Durante a cerimônia de posse do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, Guedes afirmou que “às vezes é possível fazer coisas cem vezes melhor com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol”.

O projeto da Caixa iniciou seu projeto em camisas de futebol em 2012, ano em que gastou apenas R$ 5,8 milhões. Com o tempo, o banco foi se tornando o maior patrocinador do esporte, chegando ao seu ápice em 2017 com R$ 145,8 milhões. O levantamento fornecido pela Caixa mostra que o total chegou a R$ 663,6 milhões, o que dá uma média de R$ 95 milhões por ano.

Foram 25 clubes patrocinados em 2018, sendo que 23 deles já tiveram seus acordos encerrados no final de dezembro. Apenas dois contratos continuam em vigor: o do Sport (vai até o final de maio) e o do Botafogo (vai até final de fevereiro). A assessoria da Caixa informou que “os patrocínios para 2019 estão sob análise”.

Mas os clubes já estão cientes que é pequena a chance de renovação, segundo o blog apurou. Pelo menos dirigentes de três times manifestaram reservadamente que não acreditam na continuidade do contrato, embora um deles tenha mandado proposta de prorrogação.

Outro sinal é que a maioria dos clubes já tirou a marca da Caixa de seus sites em janeiro. São os casos de Flamengo, Cruzeiro, Atlético-MG, Athletico-PR e Santos. Alguns deles já começam a excluir o nome do banco também da camisa.

Nos anos anteriores, era normal que os clubes mantivessem os símbolos da Caixa em camisas e sites até a renovação. Isso porque já tinham a expectativa de que o compromisso fosse ser renovado para as temporadas. Agora, a maioria está buscando novo parceiro para o espaço nobre da camisa.

E, com algumas exceções, as perspectivas não são muito otimistas. Sites de apostas, que poderiam se tornar uma alternativa por exemplo, ainda não estão liberados para patrocinar camisas pois ainda falta regulamentar as apostas online. O blog apurou que o Flamengo, que detém o maior patrocínio no total de R$ 25 milhões, tinha propostas de empresas, mas, até agora, não há nada encaminhado.

A não ser em caso de reviravolta no rumo do governo de Jair Bolsonaro, o primeiro semestre será marcado pela busca dos grandes clubes por patrocínios master, com exceções daqueles que já têm parceiros como é o caso do Palmeiras e do São Paulo, por exemplo.


Estadual do Rio permite que um clube banque VAR só em seus jogos
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Além das partidas decisivas, o Estadual do Rio de Janeiro pode ter VAR (árbitro eletrônico) apenas para jogos de um clube caso este decida por conta própria bancar as despesas do mecanismo. Esse possiblidade está prevista no regulamento geral de competições da Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro). A entidade explica que isso foi aprovado pela Assembleia Geral que entendeu que não afetaria o equilíbrio do campeonato.

Ao final do ano passado, a CBF fez um seminário com federações estaduais juntamente com representantes da Fifa e da IFAB (International Board) para aplicação do VAR em Estaduais. Na ocasião, dez federações manifestaram a intenção de ter a tecnologia em um número limitado de jogos de seus campeonatos, de acordo com os custos.

A Ferj é um das que levou adiante a implantação do VAR: fechou com a empresa Hawk-Eye um pacote para 10 partidas decisivas. Pelo acordo, o custo será de R$ 25 mil por jogo, além dos gastos com treinamento. Finais, semifinais de turnos, e os quatro jogos que decidem o Estadual (semis e finais) estão incluídos.

Juridicamente, a federação incluiu a previsão no seu regulamento de competições para 2019 no artigo 107A. No inciso 2, fica determinado que “qualquer clube poderá solicitar, as suas expensas, que o VAR seja utilizado em suas partidas”. Entre as condições, estão a que o jogo seja realizado em um estádio que tenha condições de receber a tecnologia e que o pedido seja feito com 10 dias de antecedência.

Essa regra pode estabelecer que, por exemplo, o Flamengo, com mais recursos, tenha todos os seus jogos com VAR, e o Vasco, apenas se chegar às fases decisivas. Isso já aconteceu no Estadual do Rio em relação ao antidoping. A Ferj só faz os exames para os clubes que decidem pagar por eles.

A Ferj explicou que foi vontade dos clubes, na reunião de definição de regras, ter o mecanismo à disposição de quem puder pagar.

“A Assembleia Geral entendeu que não se trata de vantagem, mas uma oportunidade e uma opção tecnológica à disposição do clube que queira dela se utilizar em alguma de suas partidas e cumpra os pré-requisitos exigidos. Assim como todo o procedimento para uso do VAR no Campeonato Carioca, a IFAB será informada do uso para chancelar.”

Perguntado sobre o assunto, o responsável da CBF para VAR, Manoel Serapião, afirmou que não havia nada sobre VAR apenas para jogo de um time no protocolo da Fifa. Portanto, não haveria vedação. Mas afirmou que entende ser pouco “lógico”, “inusitado” e “fora do propósito” do sistema.

O blog perguntou à IFAB (International Board) se esse procedimento era permitido, mas não obteve respostas até o início da manhã desta quinta-feira. É permitido que só parte dos jogos tenha a tecnologia, a questão é quando isso acontece só um clube.

Outro procedimento diferente da Ferj foi em relação à disponibilidade dos vídeos do VAR para agremiações que atuem na competição. Na Copa do Mundo, a Fifa vetou dar para a CBF as gravações sobre decisão do árbitro contestada tomada contra a seleção brasileira. A CBF também nega na Copa do Brasil. No regulamento de competições da Ferj, está informado que os clubes têm acesso aos vídeos por 48 horas após as partidas.

 


Palmeiras e Fla seguem como clubes mais ricos: veja as finanças para 2019
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Com o encerramento do ano, a maioria dos clubes já aprovou o orçamento para o ano seguinte e tem portanto um cenário financeiro previsto para a temporada. O blog levantou os números disponíveis dos principais clubes para ter uma ideia do que cada um pode fazer na temporada. Pelos dados disponíveis, Flamengo e Palmeiras continuam com os clubes mais ricos do país.

É importante entender que orçamentos são previsões, portanto, sujeitos a variações que podem ser até extremas, e nem todos os dirigentes a seguem a risca. Mas, com a crescente profissionalização de parte das agremiações, já se tornaram uma referência para saber a força financeira de cada clube.

Não foi possível obter números de orçamento de Cruzeiro, Internacional, Fluminense e Botafogo. Ou não foram aprovados nos Conselhos Deliberativos ou não foi possível obter os dados. Vamos aos orçamentos.

Atlético-MG

A receita prevista pelo Atlético-MG é de R$ 304,8 milhões, com despesas de R$ 302,1 milhões, resultando em pequeno superávit. Desse total, são cerca de R$ 100 milhões para gastos com pessoal do futebol, mas ressalte-se que há outras despesas com esse departamento. O Galo prevê uma receita com venda de jogadores de R$ 70 milhões, com investimento em contratações de R$ 20 milhões. Desde 2018, o clube tem se reestruturado e reduzido despesas para enfrentar o endividamento alto causado por gastos excessivos em anos anteriores.

Cruzeiro

Não há orçamento disponível no site, nem diretores do clube responderam ao blog. Ao assumir, a atual gestão prometeu um modelo de transparência nas contas que não foi visto até agora. O balanço de 2017 teve de ser retificado em outubro do ano passado, sendo que o resultado que era de superávit se transformou em déficit de R$ 16 milhões. Até o fim de 2017, o clube acumulava dívidas de mais de R$ 400 milhões, sendo que as mais preocupantes eram por transferências não pagas que geraram ações em tribunais da Fifa.

Grêmio

O orçamento previsto do Grêmio foi conservador com R$ 307,4 milhões em receita para 2019, quase R$ 100 milhões a menos do que o clube deve arrecadar em 2018. Embora a receita não esteja entre as maiores do Brasil, a diretoria gremista tem reduzido passivo (principalmente bancário) durante os últimos anos: houve queda de R$ 96 milhões no último ano. Assim, há previsão de sobra de mais dinheiro para o futebol. As despesas com desportos estão estimadas em R$ 222 milhões.

Internacional

A previsão é de que o orçamento saia até o dia 3 de janeiro, segundo a assessoria do clube. Os últimos números divulgados pelo Inter são do terceiro trimestre de 2018, quando a receita era de R$ 217 milhões. Neste ritmo, a renda chegaria a R$ 289 milhões no final do ano. O clube somava R$ 700 milhões em dívidas no final de 2017.

Botafogo

A diretoria alvinegra ainda não levou para o orçamento à votação no Conselho Deliberativo. O último relatório financeiro de 2018 mostrava que o clube arrecadara R$ 75,6 milhões até o meio do ano, o que projetava uma receita de R$ 150 milhões ao fim do ano. Números dos balanços de 2017 mostram o clube com a maior dívida entre os grandes do Brasil, e há antecipações de cotas de televisão em torno de 10%.

Flamengo

Tem a maior receita estimada para 2019 com um total de R$ 750 milhões. Há uma projeção de aumento de rendimentos com televisão com o novo contrato do Brasileiro, mas manter os números dos patrocínios será um desafio pela renovação com a Caixa e incentivos fiscais que são incógnitas. Prevê R$ 100 milhões em contratações, mas vendas de direitos em um total de R$ 70 milhões.

Fluminense

O orçamento foi enviado ao Conselho Fiscal, mas não foi à votação no Deliberativo. A assessoria do clube disse que não divulgaria números. O Fluminense atravessou dificuldades durante o ano com salários atrasados e caos nas contas, que foram apresentadas incompletas no prazo de abril estabelecido em lei. Ao final de 2017, tinha a terceira maior dívida com R$ 560 milhões.

Vasco

O orçamento de 2019 estima uma receita bruta de R$ 238 milhões, com despesas na casa de R$ 152 milhões. A diferença prevista geraria um lucro de R$ 72 milhões, necessário para reduzir o passivo do clube, segundo plano feito pela atual gestão. De acordo com a diretoria vascaína, foram pagos R$ 80 milhões em débitos no último ano, e o plano é continua a diminuir as pendências por um ciclo de seis anos. Por isso, o investimento no futebol não poderá ser significativo em 2019.

Corinthians

É prática no Corinthians fazer orçamentos conservadores. Neste contexto, a receita líquida estimada foi de R$ 399 milhões, turbinado por aumento dos ganhos com contratos de televisão que atingirão R$ 240 milhões. Há ainda previsão de venda de R$ 54 milhões em jogadores. As despesas previstas são de R$ 387 milhões, números que costumam ser maiores ao fim do ano do clube alvinegro. O pagamento do estádio em um total de R$ 60 milhões por ano, com recursos de bilheteria, segue como um fardo.

Palmeiras

Sua receita prevista é de R$ 561 milhões, a segunda maior do Brasil. Só que é preciso ressaltar que o Palmeiras não incluiu estimativa de contratos de televisão Aberta e de pay-per-view nesses números que, portanto, tendem a ser mais altos caso a agremiação feche com a Globo. Por enquanto, as rendas da Turner, do patrocínio da Crefisa (que deve ser renovado) e do estádio são as mais significativas. Há uma previsão de vendas de jogadores de R$ 50 milhões. Para investir em novos atletas, o clube tem contado com essas negociações.

Santos

O orçamento prevê uma receita de R$ 379 milhões, o menor dos quatro grandes de São Paulo. As despesas estimadas são de R$ 210 milhões, com um superávit de R$ 135 milhões, mas uma parte é referente a parcela da venda de Rodrygo ao Real Madri já recebida. A maior parte do dinheiro da negociação entra neste meio do ano de 2019.

São Paulo

Após passar por um processo de recuperação financeira, o São Paulo tem uma previsão de receita de R$ 471 milhões para a temporada de 2019. Isso também se explica pela estimativa alta de arrecadação com venda de jogadores em um total de R$ 120 milhões. É a mais significativa entre os clubes nacionais. Nos últimos anos, o clube tem conseguido atingir essas metas de negociações, mas, em compensação, desfalca bastante o time durante a temporada. Pelo orçamento, essa roda deve continuar a girar já que a previsão de contratações é de R$ 50 milhões, uma parte já comprometido com a compra parcelada de Pablo, do Athletico.


Palmeiras teve melhor desempenho em 2018, seguido por Inter, Fla e Grêmio
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Consideradas as competições relevantes do cenário nacionais e internacionais, o Palmeiras foi o time com melhor rendimento em pontos entre os grandes do Brasil. Foi seguido por Internacional, Flamengo e Grêmio, que tiveram percentuais próximos. O pior foi o Vasco.

Anualmente, o blog levanta o desempenho dos maiores times brasileiros nos campeonatos mais relevantes: Brasileiro, Copa do Brasil, Sul-Americana, Libertadores e Recopa. O objetivo é avaliar, para além de título, quem foi mais eficiente na obtenção de pontos contra rivais fortes.

O campeão brasileiro sempre leva vantagem porque é a competição com maior número de jogos. Mas o Palmeiras foi bem também na Copa do Brasil e na Libertadores, atingindo as semifinais em ambas. Assim, ficou próximo dos 70% de pontos conquistados entre os disputados.

Em seguida, o melhor desempenho foi do Internacional. É preciso observar, no entanto, que o time gaúcho jogou menos partidas de elite, pois, além do Brasileiro, só disputou a Copa do Brasil e até a quarta fase, quando foi eliminado pelo Vitória.

Flamengo e Grêmio, com percentuais próximos dos 60% de aproveitamento, jogaram Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Portanto, tiveram maior número de jogos difíceis na temporada do que o Colorado.

Um segundo escalão de desempenho tem São Paulo, Athletico-PR, Cruzeiro e Atlético-MG, sendo que dois deles ganharam títulos em mata-matas, Sul-Americana e Copa do Brasil.

Os outros times grandes ganharam menos da metade dos pontos que disputaram no ano em campeonatos relevantes, sendo o pior deles o Vasco, com apenas 40,4% dos pontos. É preciso ressaltar, no entanto, a evolução do Bahia – que antes era uma equipe que brigava para não cair e, neste ano, esteve no meio da tabela e avançou até as quartas-de-final da Sul-Americana e da Copa do Brasil.

1- Palmeiras – 115 pontos/ 56 jogos – 68,5%

2- Internacional – 82 pontos/ 44 jogos – 62,1%

3- Flamengo – 94 pontos / 52 jogos – 60,3%

4- Grêmio – 100 pontos/56 jogos – 59,5%

5- São Paulo – 79 pontos/ 48 jogos – 54,9%

6- Athletico-PR – 95 pontos /58 jogos – 54,6%

7- Cruzeiro – 84 pontos / 54 jogos – 51,9%

8- Atlético-MG – 73 pontos / 48 jogos – 50,7%

9- Fluminense – 73 pontos / 52 jogos – 46,8%

10- Botafogo – 61 pontos / 45 jogos – 45,2%

11- Santos – 67 pontos / 50 jogos – 44,7%

12- Corinthians – 71 pontos / 54 jogos – 43,8%

13- Bahia – 65 pontos /50 jogos – 43,3%

14- Vasco – 63 pontos / 52 jogos – 40,4%

 


Clubes ignoram regra do Brasileiro e ingresso se torna mais barato em 2018
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A regra do Brasileiro da Série A que determina um preço mínimo para ingressos tornou-se, na prática, letra morta por ser ignorada pelos clubes. Dirigentes utilizam-se de uma brecha aberta por eles mesmos no Conselho Técnico da competição para cobrar menos do que os R$ 40,00 impostos pelo regulamento da competição. É uma das causas para a queda do valor do ingresso médio do Nacional até agora.

O regulamento do Brasileiro é feito pela CBF após a aprovação das regras em votação dos clubes no Conselho Técnico. Foi assim que os dirigentes estabeleceram que o valor mínimo do ingresso inteiro de cada jogo seria R$ 40,00, com meia a R$ 20,00.

Só que, na mesma reunião, os clubes determinaram que poderiam fazer promoções desde que aprovadas pela CBF. Essa brecha vem sendo largamente utilizada pelos times. Isso tornou praticamente nulo o item do regulamento do Nacional do valor mínimo.

Levantamento do blog mostra que dez dos 20 clubes da Série A cobraram menos do que o valor mínimo previsto no seu último jogo em casa. O menor preço foi o do Botafogo com seu bilhete a R$ 5,00 na partida contra o Corinthians, o que irá se repetir no clássico contra o Flamengo. O objetivo é levar mais torcedores ao Estádio Nilton Santos na luta do time contra o rebaixado – cerca de 20 mil foram à ultima partida.

Entre as outras equipes, o Bahia já pediu R$ 10,00 pela entrada em seu jogo em casa. O normal são valores entre R$ 20,00 e R$ 30,00 como ingresso inteiro mais barato estabelecido pelos clubes. Além dos dois times, cobraram abaixo do mínimo: São Paulo, Fluminense, América-MG, Santos, Cruzeiro, Ceará, Corinthians e Chapecoense. Os outros times respeitam o limite pelo menos nas últimas duas rodadas.

Ressalte-se que esse é um retrato desta última partida e não pode ser usado como referência para preços gerais de ingressos. O Corinthians, por exemplo, que cobrou R$ 30,00 para um setor, tem o segundo bilhete médio mais caro do Brasileiro.

Com as promoções, números do site “Sr. Goool” mostram que o preço médio do ingresso do Brasileiro caiu em relação ao ano passado considerada a estatística até a 32ª rodada. Até agora, o bilhete médio foi de R$ 31,2 em 2018, enquanto o valor de 2017 era de R$ 34,36.

O Flamengo tem impacto neste número. No ano passado, o clube jogava a maior parte de suas partidas na Arena do Urubu e teve média abaixo de 15 mil pessoas com bilhete mais caro, R$ 48 em média. Neste ano, o clube voltou ao Maracanã e abaixou o valor do ingresso, além de estar disputando o título. Assim, leva 47 mil pessoas em média por jogo com ingresso médio a R$ 31,2.


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
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A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

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Após dois anos de Profut, Receita não definiu tamanho da dívida dos clubes
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Após de mais de dois anos da implantação do Profut, a Receita Federal ainda não determinou de fato quanto devem os clubes brasileiros. Boa parte das dívidas fiscais dos times continua pendente de homologação pelo órgão, e os times estão pagando os parcelamentos com base nos seus próprios levantamentos dos débitos. Houve descontos de pendências e multas com base nesses cálculos.

A Lei do Profut foi implementada em agosto de 2015, sendo o decreto que a regulamenta feito em janeiro de 2016. Mas, nos últimos meses de 2015, houve a adesão da maior parte dos clubes brasileiros. Só no Brasileiro da Série A eram 17 times naquela época.

Pelo procedimento, os clubes apresentavam seus levantamentos de dívidas com a Receita, INSS e FGTS para as autoridades fiscais. Os parcelamentos e os descontos de multas foram feitos com base nesses cálculos. Mas o governo federal teria de conferir e homologar esses valores.

O processo, no entanto, tem sido bastante lento. Veja como exemplo o Flamengo que aderiu ao programa em outubro de 2015, pouco depois da implantação. O clube até já tinha um levantamento de suas dívidas pois as tinha regularizado anteriormente e pago um valor à Receita.

Pois bem, após dois anos da adesão, o clube rubro-negro registrou em seu balanço de 2017 que sua dívida fiscal é de R$ 283 milhões. Desse total, apenas R$ 108,2 milhões já foram homologados pela Receita, entre valores de imposto e INSS. Ou seja, falta confirmar R$ 174,8 milhões. Durante o ano de 2017, menos de R$ 10 milhões foram consolidados. O documento registra que o valor pode ser alterado pelos cálculos.

Não é um caso único. A última demonstração financeira do Santos, do terceiro trimestre de 2017, registra uma dívida fiscal de R$ 156,3 milhões. No documento, está escrito que “os tributos citados ainda não foram consolidados pelos órgãos responsáveis e até sua homologação poderá sofrer alterações.”

O site do Botafogo também registra que os débitos fiscais estão em processo de homologação. O clube alvinegro registra R$ 144 milhões em dívidas incluídas no Profut.

Não é possível confirmar a situação dos outros clubes porque ainda não fecharam suas demonstrações contábeis ou não essas estão disponíveis no site (o prazo é final de abril). Mas o blog apurou que a situação é comum a maioria dos times visto que a Receita tem sido lenta na homologação dos cálculos, o que neste caso não é culpa dos times.

Há portanto uma indefinição sobre qual o tamanho do débito real dos times. Dependerá da organização de cada clube para saber o quão preciso foi seu levantamento. Neste caso, a Apfut (órgão fiscalizador) não tem interferência pois é responsável pela fiscalização do cumprimento da lei, não pelo valor das dívidas.

Em relação ao pagamento das parcelas do Profut, há clubes em atraso. A nova diretoria do Vasco admitiu que o ex-presidente Eurico Miranda deixou de pagar alguns meses.

O blog enviou perguntas à Receita Federal na sexta-feira sobre o tema. Após três dias úteis, o órgão fiscal não respondeu as perguntas sobre o atraso nas homologações de dívidas. O Ministério da Previdência informou que era tarefa da Receita fazer os cálculos.

 


Calendário e contrato de TV limitam mudança na fórmula do Estadual do Rio
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Em crise de público, o Estadual do Rio tem restrições no calendário da CBF e no contrato com a Globo para que sejam feitas alterações na fórmula de disputa para o próximo ano. Há dentro da federação discussões sobre mudança no formato, e a própria emissora vê como positiva essa discussão. A questão é que modificações têm que ser feitas mantendo 18 datas sem possibilidade de ficar sem jogos em determinados dias.

O Estadual do Rio-2018 tem enfrentado uma crise de público e de atratividade, com uma média de pagantes em torno de 3 mil pessoas. A Globo já demonstrou preocupação com a baixa presença de torcedores no estádio. E a própria Ferj reconheceu o problema quando questionada pelo blog:

“Obviamente que não (está satisfeita). E já vem se reunindo para melhorar o produto e fazer diferente em 2019. O campeonato carioca desperta interesse. Isso é fato. Não temos os números de 2018. Se todas as partidas do Campeonato Carioca de 2017, sem exceção, fossem jogadas com o Maracanã lotado, não atingiria 1/9 das pessoas que assistiram pela TV.  Porém, nosso desafio é levar o público ao estádio, em conjunto com os clubes, através de ações”, afirmou a Ferj por meio da assessoria.

Há diversos motivos para essa queda na atratividade do Carioca, entre elas, a violência do Rio de Janeiro, o baixo nível técnico dos jogos, problemas enfrentados pelos grandes clubes no início do ano, falta do Maracanã. Entre os questionamentos à Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro), está a fórmula do Estadual do Rio.

Pelo formato atual, há dois turnos com semifinais e finais que contam pouco para a fase decisiva, de fato, da competição. Triunfos da Taça Rio e da Taça Guanabara só garantem vaga nas semifinais da competição, a não ser que o time vença ambos. O formato é complexo para ser entendido pelo torcedor e deixa vários jogos com pouco valor esportivo.

Para mudar a fórmula, no entanto, a Ferj e os clubes enfrentam restrições por compromissos assinados por eles mesmos. Por pressão das federações, o calendário da CBF estabelece 18 datas para os Estaduais.

Baseado nisso, a Ferj assinou um contrato com a Globo que prevê que todas essas datas têm que ser ocupadas por partidas. Assim, caso a federação optasse por uma redução do número de times e jogos, não poderia fazê-lo a não ser que reduzisse o valor recebido pelo contrato com consequência para as cotas dos clubes. O contrato tem valor de R$ 120 milhões, e se estende até 2024.

Não é possível também usar a antiga fórmula do Carioca que tinha dois turnos e, se um time vencesse os dois, levaria o título sem final. Isso deixaria duas datas em aberto sem jogo do Estadual, o que é vetado pelo contrato.

Não há resistência dentro da Globo a uma redução do número de datas do Estadual em favor do Brasileiro, mas isso implicaria em uma queda do valor. Dentro do calendário proposto, a emissora apoiaria uma mudança de formato desde que dentro das condições contratuais.

Já, na Ferj, há discussões para melhoria do Estadual. Já foi feita uma consulta ao Conselho Nacional do Esporte que referendou que a legislação não impede mudanças na fórmula para o próximo ano. Pode ser proposta nova fórmula que seria votada no arbitral dos clubes.

A federação não respondeu a perguntas sobre o contrato, alegando que respeita a confidencialidade do acordo. Mas disse que há efeito dos horários dos jogos na presença de público, e de aspectos comerciais que têm de ser respeitados. Abaixo a posição:

°A Federação de Futebol do Rio de Janeiro não se opõe ao debate sobre qualquer aspecto que venha a contribuir para o crescimento do Campeonato. Mas fica o registro que, seja qual for o formato ou adequação dele, não há chance de os aspectos comerciais deixarem de ser considerados como fator preponderante. Assim não fosse, bastaria que os clubes abdicassem do contrato de TV, colocassem as partidas nos horários e locais que melhor lhes conviesse cobrassem preço de ingresso bem barato.  A fórmula não é a única variável que  influencia.”

O contrato é válido por oito anos até 2024 para o caso dos três grandes clubes, Fluminense, Vasco e Botafogo, e da Ferj. O Flamengo, que assinou um contrato em separado com a mesma cota, tem compromisso até 2018.


Fla e Bota vão analisar acordo maior por Engenhão por necessidade dos dois
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Após a desavença pela provocação de Vinicius Jr, Botafogo e Flamengo se acertaram para o uso do Estádio Nilton Santos para a estreia da Libertadores por conta das necessidades de ambos. O clube alvinegro tenta resolver uma operação para aumentar receitas do estádio, e o time rubro-negro não tem onde jogar até por conta do problema de queda de torres na Ilha do Urubu.

A reunião entre as partes ocorreu na sexta-feira para um entendimento. Ficou acertado o uso para a partida contra o River Plate, e de uma partida contra o Madureira, pelo Estadual. Mas está reaberta a possibilidade de um acordo mais longo para jogos rubro-negros no estádio.

Do lado do Flamengo, ainda não há uma previsão de quando o clube terá a Ilha do Urubu recuperada após o acidente com chuva na quarta-feira. O Maracanã tem sido usado para shows. Na Libertadores, o clube pode até voltar ao Maracanã, mas em jogos de pequeno e médio porte pode usar o Engenhão se houver acordo.

De qualquer maneira, mesmo com o Maracanã disponível, o time passa a ter uma alternativa às altas taxas cobradas pela Odebrecht. Questionado sobre o assunto, o presidente Eduardo Bandeira de Mello disse: “Acho que é bom para os dois.”

Do lado do Botafogo, o Engenhão teve uma operação deficitária em 2017 e buscava mais receitas para completar o orçamento do clube. Entre essas, estava a procura de naming rights e eventos fora do futebol. E agora pode cobrar aluguéis de Flamengo e Fluminense.

“No orçamento de 2018, há previsão de gerar novas receitas de estádio. O quadro da vice-presidência de Administração de estádio é deficitário”, contou o vice-presidente de Finanças do Botafogo, Luiz Felipe Novis, antes do acordo com o Flamengo.

No documento contábil até outubro de 2017, sem considerar o efeito contábil, o déficit seria de R$ 6,3 milhões na vice-presidência de futebol. Isso não significa que o Engenhão dá prejuízo para o Botafogo. Para analisar todo o quadro, tem que se levar em conta que o clube arrecada bilheteria e sócio-torcedor

“Se for contabilizar bilheteria e programa sócio-torcedor, no total, o estádio é superavitário”, contou Novis. Mas, em 2018, o Botafogo está fora da Copa do Brasil e da Libertadores, que renderam bom dinheiro em 2017.

Pesou na reaproximação a participação de executivos da parte dos dois clubes. Pelo Botafogo, Luis Felipe Santos e, pelo Flamengo, Fred Luz. São eles que vão tentar um acordo comercial para uso futuro do estádio. Isso, óbvio, depende também do comportamento de torcedores rubro-negros no estádio rival, e da relação das duas diretorias.

 


Estadual do Rio é emoção (ou é enrolação)?
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Henrique Dourado comemora gol do Flamengo na semifinal (André Mourão/FotoFC)

Ao se ligar a televisão em canal esportivo, entra a propaganda: “Estadual é emoção”, seguido de imagens de histórias emblemáticas da competição. A Globo e a SporTV exercem o seu justo direito de promover os eventos pelos quais pagaram caro. Duro é convencer o público carioca de que o atual Estadual é de fato emocionante.

Após 47 jogos, o maior público pagante foi de cerca de 20 mil pessoas em um Flamengo e Vasco. O clássico mais importante desta Taça Guanabara foi disputado em Volta Redonda com um público abaixo de 10 mil pessoas.

A Ferj (Federação do Rio de Janeiro de Futebol) certamente divulgará uma média de público fictícia pois tem uma regra que contabiliza 20% da capacidade do estádio presente não importa quem apareça por lá. A renda é igualmente inchada por cotas de TV para parecer que é significativa.

A parte desses truques, o que se vê no gramado é pobre, paupérrimo. Os grandes clubes nem tiveram um tempo que se possa chamar de pré-temporada. Mal voltaram aos treinos e já estavam em campo para jogar no dia 16. Sim, no meio de janeiro, porque é necessário arrastar o Estadual do Rio por 18 longas datas.

E para quê? A fórmula do campeonato é tão esdrúxula quanto à do ano passado. A vitória na Taça Guanabara que será decidida entre Flamengo e Boavista não vale uma vaga na final, na realidade, não vale quase nada. O time classifica-se para as semifinais do campeonato, assim como no caso da Taça Rio.

Uma equipe garante um lugar na decisão só se ganhar os dois turnos. Ou seja, supera todo mundo, bate a todos e aí… tem que enfrentar outro pelo título. De resto, obtém-se vagas por pontuação geral.

Some-se a isso à crise financeira que enfrentam três dos times grandes, Vasco, Fluminense e Botafogo, e temos um cenário desolador. O Flamengo, que só parou de jogar em 2017 em 13 de dezembro, botou reservas e juniores em boa parte do turno, com absoluta razão.

Aliás, os quatro grandes já começam a encarar o Estadual como deve ser: uma competição de pré-temporada, um título menor. Basta ver que as eliminações de Vasco e Fluminense nem fizeram cosquinha em seus técnicos, mais uma vez, com toda razão para as diretorias dos dois. O Botafogo entrou em crise pela eliminação na Copa do Brasil, e demitiu seu técnico Felipe Conceição mais pela derrota para a Aparecidense do que a para o Flamengo.

A propaganda da Globo, de fato, lembra momentos significativos da história dos clubes nos Estaduais. O problema é que quase todos estão em um passado, distante. A competição nunca mais será o que era.

Necessita-se de uma reformulação urgente (máximo de oito, dez datas, mais racional) para sobreviver um mínimo interesse do torcedor em um torneio de tiro curto que não atrapalhe o que interessa. Do jeito que está, salvo uma final um pouco mais interessante, só serve à Ferj e como fundo de tela da TV após o almoço do final de semana, enquanto as pessoas prestam atenção em outra coisa.

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