Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Botafogo

Dinheiro encheu Libertadores de brasileiros, bola só deixou Grêmio avançar
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Por razões econômicas, a Conmebol encheu a Libertadores-2017 de brasileiros com um total de oito times. Mas, no funil da bola, só sobrou o Grêmio na semifinal, exatamente como foi no ano passado como o São Paulo. O time gaúcho sobreviveu no limite diante do Botafogo, e o Santos caiu diante do letal Barcelona de Guayaquil.

Finda a fase pré-Libertadores, o Brasil tinha oito times na Libertadores dos 32 da fase de grupos. Eram 25%, e eram os de orçamentos mais recheados em relação ao continente como de hábito. E o maior rival Argentina vivia uma crise de pré-temporada, além de ter menos equipes e dinheiro.

Na primeira fase, ficou o milionário Flamengo e a Chapecoense envolvida em questões de jogador irregular. Dos seis que foram à frente, o Atlético-PR perdeu para um brasileiro, o Santos. Mas tanto Palmeiras quanto Atlético-MG foram eliminados com justiça para Barcelona de Guayaquil, e Jorge Wilsterman.

Agora, nas quartas, cai o Santos que é terceiro no Brasileiro, mas baseia seu jogo mais na defesa do que no ataque. E, com vários desfalques como Lucas Lima, o time santista tentou tirar o Barcelona com cautela, e pouco risco. O time equatoriano tem uma defesa bem posta, velocidade e um ataque rápido.

Já o sobrevivente Grêmio mostrou, de fato, o melhor futebol entre os brasileiros na Libertadores. Sobrou na primeira fase, não teve dificuldades nas oitavas-de-final. Mas caiu de rendimento depois disso, perdendo Pedro Rocha (transferido) e Luan (contundido) – Geromel ainda voltou fora de ritmo.

E a equipe teve enorme dificuldade diante do lutador Botafogo. Durante o primeiro tempo, o time carioca marcou mais avançado, colocou a defesa gremista sobre pressão e teve mais chances de gol, mais do que teve em todos os seus jogos decisivos. E teve três ou quatro boas chances de gol, mas não se aproveitou da defesa perdida do Grêmio nesta etapa.

No segundo tempo, o time de Renato Gaúcho reagiu, mais na pressão do que na qualidade de passe que apresentou durante o ano. E foi na pressão que Barrios ganhou pelo alto um cruzamento e fez o gol. Em desvantagem, o Botafogo perdeu o sentido do seu jogo, pois não consegue se achar quando tem que atacar o rival.

No dinheiro, a Conmebol encheu a Libertadores de brasileiros. Na bola, só deu para o Grêmio ir às semis.

 


Um empate gremista no Rio. Será que o Botafogo chegou no seu limite?
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O cenário não poderia ser mais favorável ao Botafogo antes do primeiro jogo das quartas da Libertadores: o Grêmio tinha dois desfalques importantes, era um jogo em casa e o time vinha animado por vitória em um clássico. Mas a equipe gaúcha controlou, na maior parte do tempo, o jogo e saiu com o empate que lhe favorece. E leva um favoritismo para o Sul.

De início, esperava-se um Grêmio com mais posse de bola do que o Botafogo pelas características das duas equipes. E assim foi.

Mas também seria esperado que o time carioca se aproveitasse da ausência de Geromel para achar espaços nos contra-ataques de bolas longas que são o seu forte. Ainda mais com um Bressan, longe da segurança do titular, na zaga gaúcha. E assim não foi.

Ao final do jogo, foram quatro conclusões, sendo apenas uma no gol. Levou perigo em bolas alçadas como quando Bruno Silva ganhou da defesa gremista, ou quando Roger chutou em cima da zaga. Mas foi pouco para um mandante.

Verdade seja dita que o Grêmio teve mais conclusões, mas não foram lá tão claras. O seu jogador mais efetivo era o meio-campista Arthur. Meio-campista, sim, porque domina todas as funções que se executa nesta faixa do gramado. Toma a bola, sai com ela com qualidade, ocupa os espaços como se deve para apoiar, e aparece na frente para chutar. Destaque absoluto do jogo.

Faltava a presença de Luan para haver o mesmo pensamento lúcido mais à frente. O Grêmio ainda se ressente do recém-saído Pedro Rocha que somava inteligência à velocidade, enquanto Fernadinho tem apenas a segunda qualidade.

Houve um lance duvidoso de entrada de Edílson em Gilson na área gremista. Após ver o replay três vezes, não cheguei a uma conclusão se houve ou não a falta. Ao final, de saldo, o Grêmio teve 10 conclusões, contra quatro do Botafogo, além de 54% de posse de bola e mais passes certos.

E, como o Grêmio deve ter seu craque no segundo jogo, e também seu estádio, se torna naturalmente o mais forte candidato à vaga brasileira nas semifinais. Ao trabalho muito bem feito pelo técnico Jair Ventura tem faltado recursos ofensivos nos momentos decisivos. Mas ressalte-se que o Botafogo já superou momentos difíceis nesta Libertadores: resta saber se agora chegou ao seu limite ou vai além.

 

 


Surpresa: primeira mudança de Rueda foi tornar Fla mais defensivo
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Quem assistiu ao futebol envolvente do Atlético Nacional poderia acreditar que o Flamengo de Reinaldo Rueda teria características ofensivas extras. Mas a primeira medida do treinador colombiano foi tornar o time mais defensivo, trocando o domínio constante pela segurança. É o que explicam os próprios jogadores do Flamengo.

“Ele me passou que lateral precisa primeiro marcar”, explicou Rodinei. De fato, uma das orientações de Rueda foi recuar os dois laterais. Não por acaso Trauco foi preterido primeiro por Renê Jr, e depois por Pará. Afinal, o peruano comete seguidas falhas defensivas, embora tenha um bom passe ofensivo.

Também houve um recuo dos volantes Cuellar e Arão, que jogam mais postados na frente da zaga. Com isso, o time não sobe mais em bloco para pressionar o adversário. “A gente tem que estar mais fechado atrás”, comentou Cuellar. E o volante Márcio Araújo, que era usado para cobrir subidas por ser veloz, acabou na reserva.

“Não jogamos tão bonito, com tanto posse de bola quanto com Zé Ricardo. Mas o time está mais consistente”, contou Juan. Ele explicou que não houve mudança na sua posição e de Rever, apenas nos que o protegiam. Por exemplo, com laterais recuados, é menos espaço p cobrir. “Estamos sofrendo menos contra-ataques.”

Nas duas partidas diante do Botafogo, o Flamengo sofreu pouquíssimas conclusões a gol. No jogo decisivo, apenas uma cabeçada perigosa de Guilherme, o goleiro Thiago acabou sem fazer defesas. O time de Jair Ventura chegou a ficar sem alternativas para chegar à defesa rubro-negra, como o próprio treinador reconheceu. Em três jogos, o time não sofreu nenhum gol.

Quando tem que atacar, como não sobe mais em bloco, o Flamengo tenta passes verticais para achar seus jogadores de ataque nas linhas do rival. A tática é usar mais velocidade, e menos posse de bola. Guerrero ressaltou ver qualidades tanto em Zé Ricardo quanto em Rueda. A diferença, para ele, é que o time está “mais paciente, mais calmo”.

Claro que essas mudanças de Rueda, até agora, são pontuais e feitas para alguns jogos decisivos pois houve pouco tempo de trabalho. O treinador colombiano só poderá impor de fato sua filosofia a longo prazo quando espera-se o seu estilo preferido de toques e posse de bola. Mas, como um bom técnico brasileiro ou de qualquer lugar do mundo, sua primeira medida foi fechar a casa.

 


Após erros, CBF teme que clima tenso afete arbitragem de Fla x Bota
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O clima de rivalidade exacerbada entre Flamengo e Botafogo causa preocupação na comissão de arbitragem da CBF em relação à pressão sobre a arbitragem na semifinal da Copa do Brasil. Dirigentes dos dois clubes já fizeram reclamações à confederação, e houve decisões questionadas no primeiro jogo.

No sorteio de segunda-feira, saiu o nome de um árbitro experiente Wilton Pereira Sampaio. Ele é considerado o segundo juiz internacional da CBF, atrás de Sandro Meira Ricci. Mas Anderson Daronco, que também é da elite do quadro da confederação, foi bastante questionado no primeiro jogo.

Na ocasião, ele expulsou o zagueiro Carli e o goleiro Muralha em lance de rigor excessivo. A própria comissão da CBF considera que houve um exagero. E avalia que isso ocorreu porque Daronco quis segurar um jogo tenso, tanto que  travou o jogo com faltas. Também admite-se na confederação que o juiz errou ao não expulsar Pimpão que deu entrada no tornozelo de Berrío.

A diretoria do Flamengo reclamou dos dois lances depois do jogo, assim como a diretoria do Botafogo tinha  feito um protesto antes da partida temendo ser prejudicada em favor do rival.

Na avaliação da comissão da CBF, esse clima criado fora de campo se transpõe para o campo e os jogadores passam a pressionar o juiz o tempo inteiro. Isso torna muito difícil a condução da arbitragem durante a partida.

Não haverá recomendação especial para Sampaio porque ele é um árbitro experiente. Para a comissão da CBF, está preparado para lidar com esse tipo de pressão. Mas há o entendimento de que o andamento do jogo depende também dos jogadores em campo.


Brigas, juiz perdido e suspeita de racismo. Engenhão tem noite lamentável
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Antes do início do clássico, a festa da torcida do Botafogo com fumaça, mosaico e cantos indicava uma noite bonita de futebol na semifinal contra o Flamengo. Mas a noite no Estádio Nilton Santos foi marcada por cenas lamentáveis: suspeita de racismo, brigas e confusão, e uma arbitragem que ajudou a estragar o espetáculo.

A primeira confusão foi ainda antes do jogo se iniciar quando a torcida rubro-negra ficou presa fora do estádio porque os portões foram fechados. A diretoria botafoguense alegou que torcedores sem ingresso tentavam entrar e que os outros chegaram em cima da hora. A torcida rubro-negra reclamavam de falta de organização. A PM mandou fechar o acesso. Não era um bom prenúncio para um jogo tenso.

Com a bola rolando, houve até algum futebol com um pitaco de Reinaldo Rueda no início do Flamengo. Sem Márcio Araújo, o time tinha uma saída de bola com passes verticais para encontrar espaço entre as linhas da defesa botafoguense, uma orientação dele. Um cenário diferente da troca de passes excessiva que ocorria com Zé Ricardo. O domínio era rubro-negro.

O Botafogo até reagiu com seu estilo de apostar em contra-ataques, mas apresentava pouco para um time mandante. No geral, o jogo era meia-boca, e a arbitragem o piorava. Travava o ritmo com muitas marcações de faltas, ou cometia erros bobos.

A volta para o segundo tempo foi pior. Na arquibancada, um torcedor botafoguense se dirigiu de forma ofensiva para um camarote de convidados rubro-negros, esfregando a própria pele. Quem viu considerou uma injúria racista à família do jogador Vinicius Jr.. O torcedor foi levado para o juizado local, e corre o risco de ficar preso por racismo.

Em campo, a partida até era mais aberta, com o Botafogo um pouco mais ligado, e o visitante agredindo com um jogo acelerado. Foi assim que teve sua melhor chance em cobrança de falta de Diego na trave. Parecia que o jogo ia engrenar com o time rubro-negro melhor… mas a arbitragem não ajudou.

Pimpão deu uma entrada no meio do tornozelo de Berrío, um lance feio que tirou o colombiano do campo. O árbitro Anderson Daronco deu só amarelo em lance de expulsão clara. Mais adiante, Carli e Muralha se embolaram em um ataque. Cada um poderia ter recebido um amarelo, seria o segundo do botafoguense. Ou o árbitro poderia até contemporizar. Mas expulsou ambos.

O jogo degringolou. O Flamengo perdeu padrão com as mudanças de Rueda, o Botafogo continuou a não jogar nada, nem sequer ameaçar o goleiro rival. Não era o time aguerrido da Libertadores.

Ao final, zero a zero no placar, uma briga de organizadas do Botafogo entre si fora do Engenhão acabou em pancadaria com o PM. Enquanto isso, esperava-se a conclusão da acusação de racismo na delegacia local. Um retrato da noite em que o futebol não foi protagonista.


Mesmo com Rueda, Brasileiro é a liga que menos contrata técnico estrangeiro
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A contratação do técnico Reinaldo Rueda pelo Flamengo gerou um novo debate sobre a presença de técnico estrangeiro no país. Isso porque o treinador Jair Ventura, do Botafogo, defendeu que sua chegada era ruim para os brasileiros, embora tenha mudado o tom após a repercussão. Não é à toa essa discussão: o Brasileiro é a liga de elite que mais rejeita contratar comandantes estrangeiros para seu times.

O blog fez um levantamento em oito dos principais campeonatos pelo mundo, Argentina, México, Espanha, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Brasil. Em todos, há um maior número de treinadores de fora do país na primeira divisão do que no Brasileiro da Série A.

Antes de expor os números, vamos entender o que disse Jair Ventura sobre a chegada de Rueda: “Para o mercado isso é muito ruim, porque parece que não temos profissionais capacitados para trabalhar dentro do nosso país. Isso é muito ruim para a gente que está começando”. Em seguida, ele afirmou que entendia ser legítimo que um clube contratasse estrangeiro para seu banco.

Nem precisaria pedir por uma reserva de mercado para técnicos no Brasil. Na prática, ela já existe. Contratado neste semana, Rueda se tornou o único treinador da Série A do Nacional no momento, o que representa 5% do campeonato. Há exemplos de outros treinadores recentemente, mas nenhum perdurou.

Na Premier League, campeonato com mais dinheiro do mundo, 16 dos 20 técnicos não nasceram na Inglaterra. Ou seja, um total de 80%. Todos os times de ponta têm técnicos estrangeiros, o Manchester United com Mourinho, o City, com Guardiola, o Chelsea, com Conte e por aí vai.

Na Bundesliga, onde há uma escola forte de formação de treinadores, oito dos 18 técnicos são estrangeiros, sendo um deles meio italiano, meio alemão. Assim, são 44,4% de técnicos de fora. Na Espanha, esse percentual é menor com 25%, quatro em 20 do total. O atual campeão Real Madrid se inclui com o francês Zidane.

A Itália, que tem uma cultura tática muito forte, tem um percentual bem menor, próximo ao Brasil. São dois técnicos em 20 clubes, sendo um deles Mihajtovic, sérvio com cidadania italiana que dirige o Torino. Mas a França também tem boa aceitação de estrangeiros com 25% dos 20 treinadores, inclusive nos clubes de maior investimento, Paris Saint-Germain e Monaco.

Nas Ligas Mexicana e da Argentina, também há mais presença de treinadores de fora. No México, são sete de 18 treinadores, quase 40%. Na primeira divisão da Argentina, o cenário é mais parecido com a Itália com 3 dos 28 técnicos, isto é, 10%.

E isso ocorre porque há maior qualificação dos treinadores brasileiros? Não necessariamente. Há dois cursos da CBF e da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol, ambos sem a chancela da Conmebol e sem equiparação com a UEFA. Portanto, não são válidos em outros países e os brasileiros têm que fazer cursos no exterior para dirigir times de fora.

Por imposição da Fifa, a confederação ficou responsável por qualificar os treinadores e vai exigir a licença do seu curso a partir de 2019 para treinadores da Série. A confederação tenta conseguir que sejam reconhecidos.

O próprio Jair Ventura não tem a licença A da CBF ainda. Ele fez os cursos infantil e de base, e está em andamento com o de nível A. Faltará ainda o nível Pro. Isso, obviamente, não o desqualifica como técnico. Até porque reportagem recente da “Folha de S. Paulo” mostrou que ele e outros oito técnicos da Série A buscavam o diploma, enquanto outros 11 não os tinham nem faziam o curso.

“NA ABTF, buscamos um curso com a grande paralelo ao feito em Portugal. Buscamos a chancela da Conmebol. Mas, quando a Fifa determinou que as ligas fiscalizassem, um grupo da CBF nos alijou e simplesmente começou um curso. Isso é monopólio”, reclamou o presidente da associação, Zila Cardoso. “A CBF buscou fazer tem uns três ou quatro anos. A Argentina já tem chancela e foi feito pela associação de treinadores deles.”

De fato, o curso argentino é aceito na Europa. Entre os técnicos brasileiros que têm o curso completo da UEFA está Milton Mendes, do Vasco. Uma das reclamações de Jair Ventura foi justamente essa, de que o curso da CBF não permitirá que ele possa trabalhar no exterior.

Rueda, que chega agora ao Brasil, trabalhou como instrutor da Fifa na escola de treinadores da Colômbia e em seminários da entidade e da Conmebol, além de ter estudado em universidade na Alemanha. Para trabalhar no país, só precisa de visto de trabalho e registro na CBF, o que é simples.

Por meio de nota ao blog, a assessoria da CBF se manifestou dizendo que está tomando medidas para habilitar seu curso de treinadores, obtendo o reconhecimento internacional:

“A CBF tem como prioridade o reconhecimento das licenças de treinador expedidas pela entidade, devidamente chanceladas pela Conmebol, dentro dos mais rigorosos critérios adotados no mundo.

Sob esta perspectiva, mantém há mais de um ano contínua interlocução com a Conmebol e FIFA, que tem se mostrado interessadas na resolução do pleito.

No dia 8 de agosto, foram aprovadas pelo Conselho da Conmebol todas as providências necessárias para obtenção destas habilitações no cenário internacional.

Como resultado destes movimentos, o tema foi pautado com destaque para a próxima reunião dos Diretores de Desenvolvimento das entidades continentais, a se realizar nos dias 23 e 24 de agosto, na sede da FIFA.”


Bota avança na Libertadores com segundo menor gasto entre brasileiros
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Com Bernardo Gentile

Classificado às quartas-de-final da Libertadores, o Botafogo tem o segundo menor investimento em futebol entre os times brasileiros na competição sul-americana, só à frente da Chapecoense. Eliminados, Flamengo e Palmeiras devem gastar entre três e quatro vezes mais com futebol do que os alvinegros em 2017. Para compensar, o clube aposta em manutenção de técnico e futebol solidário.

O levantamento do blog foi feito em cima de orçamentos e demonstrações contábeis das oito equipes brasileiras na Libertadores. O orçamento do Botafogo prevê uma receita de R$ 190 milhões, com despesas com o futebol em torno em R$ 99 milhões. Só pode investir metade por conta do excesso de dívidas já que tem o maior débito do país entre os grandes.

“Continuamos em situação de vulnerabilidade. A situação fiscal e trabalhista estão equacionadas. Mas as cíveis continuam a ter penhoras. É muito mais fácil ter queda de orçamento pelas penhora do que aumento de receita”, contou o presidente do clube, Carlos Eduardo Pereira. “A gestão do futebol do clube é com muita austeridade. Não há folga.”

Em comparação, o orçamento do Flamengo foi revisto para R$ 600 milhões em 2017, com a venda de Vinicius Jr. Pela arrecadação do primeiro trimestre, o Palmeiras poderia chegar a esse valor também. A projeção do gasto com futebol não é precisa, mas pelo ritmo atual poderia atingir até R$ 400 milhões nos dois casos. Ressalte-se que ambos gastam dentro do que podem.

Classificados às quartas, Santos e Grêmio também têm mais receitas e gastos do que os botafoguenses. O Atlético-PR tem um patamar de receita parecido com o Botafogo, mas menos dívidas e, por isso, maior capacidade de investir. Eliminado, o Galo tinha um orçamento com previsão de mais de R$ 300 milhões em receitas.

“Não adianta ficar chateado. Não somos favoritos. Temos o 12o orçamento do Brasil. Compensamos com trabalho”, afirmou o técnico Jair Ventura.

Um dos méritos para compensar é trocar pouco de técnico. Na atual gestão, em dois anos e meio, houve duas mudanças. Só René Simões foi demitido, já que Ricardo Gomes quis sair para o São Paulo, na ocasião em que Jair assumiu o time.

Em relação ao elenco, não há a mesma estabilidade até pelos problemas financeiros. Da temporada 2016, saíram Sidão, Diogo Barbosa e Neílton, que eram titulares. Neste ano, as duas estrelas do time, Camilo e Montillo, também já não estão mais no elenco, nem o centroavante Sassá. Perguntado como fazer para compensar a desvantagem financeira, Pereira é sucinto:

“Qualidade do trabalho. Alguns jogadores estão conosco desde 2015. É um futebol solidário sem estrelas e com a competência do técnico”, analisou. “Tem que ter um Norte. Não dá para ir ficando para leste e oeste, trocando tudo. É um caminho traçado.”


Quase metade dos times da Série A já reclamou da arbitragem da CBF
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Com sete meses do ano, e menos de um turno do Brasileiro, quase metade dos clubes da Série A fez reclamações à arbitragem da CBF. Foram dirigentes de nove times que já fizeram protestos contra supostos erros de árbitros no Nacional ou na Copa do Brasil. A comissão de arbitragem admite a ocorrência de erros graves e tem sofrido com a pressão embora não saiba avaliar se aumentaram os questionamentos.

Levantamento do blog mostra que os seguintes times reclamaram com a entidade por falhas em seus jogos ou por preocupação em 2017: Cruzeiro, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Avaí, Bahia, Atlético-PR, Atlético-MG e Fluminense. Foram consideradas apenas reclamações dos dirigentes, e não de técnicos e jogadores que não são necessariamente a voz oficial do clube. O mais recente protesto foi o corintiano sobre o gol anulado com o Flamengo, no domingo.

As reclamações têm surtido pouco efeito na melhora da qualidade da arbitragem. Primeiro, por que não há nenhuma proposta ou pressão pela mudança do sistema. Segundo, a comissão da CBF tem um obstáculo que é não poder usar o árbitro de vídeo. Internamente, membros da arbitragem nacional vêem a tecnologia como a principal solução para afastar os erros graves nos jogos nacionais. Há a certeza de que a situação é insustentável sem o vídeo.

Mas há empecilhos para o projeto andar no Brasil. Primeiro, a CBF não quis investir R$ 15 milhões que seriam necessários para o teste ser executado em 2017, como já aprovado pela Fifa. Além disso, há uma questão sobre o formato da arbitragem de vídeo, a International Board quer cabines e um sistema que é mais caro. No Brasil, a tentativa era baratear e fazer com imagens da Globo que anteciparia os replays.

Neste cenário, ainda não há perspectiva e data certa para o árbitro de vídeo no Brasileiro. Sua implantação também dependerá de uma reunião da International Board em março que decidirá de forma definitiva as regras da nova tecnologia para a Copa-2018. A profissionalização, solução adotada por outras ligas, está descartada na confederação porque o custo é avaliado como elevado.

Como paliativo, a comissão da CBF usa comunicação constante com os árbitros para reforçar instruções, e delegados tentam minimizar a pressão sobre os árbitros. Há um investimento em formação de árbitros novos. De qualquer maneira, não há perspectiva de melhorar de forma significativa sem maior investimento.


Corinthians vai ‘despencar’ no Brasileiro? Já ocorreu com outros líderes
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Com seu time de volta à vice-liderança do Brasileiro, o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, afirmou que o “Corinthians vai despencar” e que o campeonato será diferente no segundo turno. É difícil de saber se sua previsão vai se concretizar: o treinador gosta de declarações polêmicas e o time corintiano tem se mostrado consistente. Mas um levantamento do blog mostra que é bem comum uma queda acentuada de um líder que disparou.

É preciso ressaltar que o Corinthians, que enfrenta o Atlético-PR nesta sábado, tem uma liderança e vantagem inédita no Nacional após 13 rodadas. Nunca um time chegou aos 35 pontos e 10 pontos de frente neste estágio. E o time tem se mostrado regular em suas atuações, principalmente na defesa.

Dito isso, dos 11 Brasileiros com 20 times, houve queda acentuada do líder do campeonato em seis deles após um terço do Nacional. Em uma delas, a despencada não foi suficiente para tirar o título: Corinthians-2011. Mas, nas outras cinco, as equipes perderam a taça.

E houve cinco campeonatos em que a equipe ponteira se manteve com desempenho parecido com o do início e conquistou o título. Um dos casos foi no ano passado com o Palmeiras.

O Atlético-MG é o caso mais emblemático de time que largou bem e acabou perdendo o fôlego no Nacional. Aconteceu em 2009, em 2012 e em 2015. Nesses três anos, o time era líder com um terço do Nacional.

Em 2012, o Galo tinha 32 pontos e 82,5% de aproveitamento. É o que chegou mais próximo do Corinthians atual. Nas outras 25 rodadas, o Atlético-MG marcou apenas 40 pontos, com desempenho de 53,3%. Ao final, perdeu o título para o Fluminense.

Além do Atlético-MG, Flamengo, Botafogo e Corinthians já tiveram quedas consideráveis em seu desempenho após o primeiro terço da competição. No caso corintiano, o time de Tite largou com 74,4% de aproveitamento, e no restante do Nacional ficou com 56% de rendimento.

Foi o suficiente para ser campeão o que mostra a importância de acumular gordura. É até previsível alguma queda de aproveitamento do Corinthians já que não deve manter 90%. Mas, com a regularidade que tem jogado, é bem possível que sofra apenas leve oscilação e contrarie a previsão de Renato Gaúcho. O histórico mostra que uma queda acentuada, no entanto, não está descartada. Veja abaixo a piora desempenho dos líderes até 13a rodada e ao final do Nacional:

2007 – Botafogo – até 13a rodada – 25 pontos – 64,1% / até o final – 30 pontos e 40%

2008 – Flamengo – até 13a rodada – 26 pontos – 66,7% /até o final – 38 pontos e 50,7%

2009 – Atlético-MG – até 13arodada – 28 pontos – 71,5% / até o final 28 pontos e 37,3%

2011 – Corinthians (foi campeão) – até 13a rodada – 29 pontos – 74,4% / até o final 42 pontos – 56%

2012 – Atlético-MG – até 13a rodada – 32 pontos – 82% / até o final 40 pontos – 53,3%

2015 – Atlético-MG – até 13a rodada – 29 pontos – 74,4% / até o final 40 pontos – 53,3%


De veto a meião a elenco limitado. O que irrita brasileiros na Libertadores
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(Atualizado após a reunião às 14 horas)

Em reunião nesta quinta-feira, os clubes brasileiros levaram uma série de reclamações e reivindicações à Conmebol relacionadas a Libertadores. Os itens listados pelos cartolas nacionais foram desde proibições de certos tipos de meiões até um pedido formal para mudanças no regulamento na inscrição de jogadores. Além disso, há os já conhecidos questionamentos ao tribunal da confederação e à segurança.

Foi o primeiro encontro da subcomissão de clubes da confederação sul-americana em que os times puderam oficialmente expressar suas opiniões sobre a competição. Participaram os 16 times das oitavas de final da Libertadores, sendo seis deles brasileiros, Botafogo, Santos, Atlético-MG, Palmeiras, Atlético-PR e Grêmio.

Por isso, os dirigentes brasileiros desses times, além de representantes daqueles na Copa Sul-Americana, se reuniram previamente para levar uma pauta de reivindicações. Da pauta, ficou definido um pedido de mudança de regulamento da Libertadores que se transformou em anual em 2017.

“Defendemos que deve aumentar a possibilidade de troca de jogadores inscritos após a primeira fase. Com a janela, o time pode perder jogadores e não tem como repor na lista”, contou o presidente santista, Modesto Roma Jr. Atualmente, são 25 inscritos, e pode-se acrescentar outros cinco a partir das oitavas de final.

Outro ponto importante levantado é a falta de critério da Conmebol ao definir o que pode e o que não pode no campo e no estádio. Com delegados ou árbitros diferentes, são alterados esses parâmetros, sem um padrão. Um exemplo é dado pelo diretor de futebol do Grêmio, André Zanotta, em jogo em Calama, agora em 2017:

“Os jogadores agora têm o hábito de trocar o pé da meia por outro especial para não escorregar. Nosso fabricante entrega para nós costurados. Quando chegamos em Calama, o quarto árbitro disse que não permitiria. Tivemos que comprar meias brancas no local”, descreveu Zanotta. “Pouco antes do jogo, insisti com o árbitro que permitiu.”

Outra observação é que a Conmebol só permite 18 jogadores no banco ao contrário de outras competições. Zanotta procurou o diretor técnico da Conmebol, Hugo Figueredo, para que aumentasse o número de jogadores para o banco pois pode se perder gente pouco antes do jogo.

Mais uma questão levantada é sobre a Conmebol tomar o estádio e cobri-lo todo para os jogos da Libertadores. Marcas e placas têm que ser só de patrocinadores da entidade. O telão de estádios, por exemplo, não pode passar marcas que têm acordos com os clubes.

“Gostaríamos que eles contratasse uma empresa para cuidar da imagem da competição, e da segurança. Deveriam terceirizar essas questões”, contou o vice-presidente do Palmeiras, Genaro Marino.

O padrão usado pela Conmebol é igual da UEFA na Liga dos Campeões, mas os clubes reclamam que a remuneração é muito menor. Portanto, não dá para impor os mesmos padrões.

A reclamação mais recorrente talvez seja em relação ao tribunal da Conmebol e à falta de critério. No caso do Palmeiras, o clube tem um recurso que deve ser julgado semana que vem sobre as punições na confusão contra o Peñarol. No caso da Chapecoense, o time foi eliminado por jogador irregular, mas o problema é que detalhes da decisão só foram enviados no dia do sorteio da Libertadores, 15 dias após o julgamento.

“Neste episódio, nos achamos com toda a razão e vamos continuar com esse encaminhamento até a última instância”, disse o presidente da Chapecoense, Plínio Nês David FilhoA Chapecoense não foi ao sorteio da Sul-Americana.