Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Brasileiro Série A

Árbitros erram em média mais de um pênalti por rodada no Brasileiro
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Os árbitros erram em média 1,2 marcação de pênalti por rodada do Brasileiro da Série A. É o que mostra um levantamento do blog em cima dos relatórios da CBF sobre as falhas dos juízes. Os equívocos relacionados às penalidades são disparados os mais comuns nas análises da confederação.

Desde o início do Brasileiro-2017, a comissão de arbitragem da CBF decidiu passar a publicar uma avaliação das decisões dos juízes, com as imagens e explicações para acertos e erros. A medida é altamente salutar: aumenta a transparência da competição por prestar contas a torcedores e clubes.

O levantamento mais regular é feito no Nacional da Série A. Há lances da Série B, mas não de todas as rodadas. E, no caso da Série C, há apenas um lance apontado. Portanto, o blog usou o campeonato de elite como parâmetro e considera que, após 11 rodadas, é possível ter um panorama de onde estão os problemas da arbitragem.

Foram encontrados 13 erros relacionados a pênaltis, seja de penalidades ignoradas ou de marcações mal feitas. Ou seja, uma média de 1,2. Ressalte-se que aí estão apenas os lances apontados pela comissão de arbitragem da CBF: há outros passíveis de discussão.

A falha mais comum dos árbitros é ignorar pênaltis: foram 11 vezes que isso ocorreu. Houve casos de empurrões, agarrões e mãos que não foram vistos ou foram mal interpretados pelos juízes. Em duas situações, foram apontados pênaltis inexistentes: ambos na penúltima rodada. Um deles foi a favor do Sport (em mão inexistente do zagueiro do Atlético-PR) e outro a favor do Corinthians (em falta fora da área contra o Botafogo).

No total, foram 22 erros assinalados na avaliação da CBF. Fora os pênaltis, são casos de gol legal invalidado (Corinthians contra o Coritiba), gol irregular (Vasco contra o Botafogo) ou falta de vermelho (vascaíno Jean diante do Bahia). Repita-se: a iniciativa da confederação é positiva. Mas esse excesso de erros em pênaltis certamente causará protestos em fases agudas do Brasileiro como se viu em todas as edições anteriores.

OBS: Após a publicação do post, a CBF liberou sua avaliação da 12a rodada do Brasileiro e constatou um pênalti ignorado para o alviverde em Palmeiras x Cruzeiro. Isso mantém a média de erros em 1,2 por rodada.


Maioria de clubes deve ser suficiente para suspender descenso da Chape
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No dia da tragédia da Chapecoense, um grupo de clubes articulou um movimento para suspender por três anos o rebaixamento do time catarinense. O pedido será oficializado à CBF nos próximos dias. Mas uma maioria dos clubes do Brasileiro da Série A deve ser suficiente para aprovar a medida para 2017.

Isso porque o primeiro passo para suspender o rebaixamento é fazer uma mudança no regulamento do Brasileiro para o próximo ano. É o Conselho Técnico da Série A , compostos pelas próprias equipes, quem decide o formato e as regras do Nacional. Essa decisão se dá por maioria qualificada, ou seja, cada time tem voto de acordo com sua posição no campeonato de 2016.

Até terça-feira, entre aqueles da Primeira Divisão, já haviam se manifestado a favor da suspensão: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Coritiba, Cruzeiro, Vasco, Fluminense, Botafogo e Atlético-PR. Se a própria Chapecoense for incluída, haveria uma maioria. Resta saber se seriam vencedores no voto qualificado, o que depende da tabela, e se todos irão confirmar a proposta no conselho.

Pelo Estatuto da CBF, a entidade tinha o direito de aprovar ou não o que for votado pelos clubes. Mas, em 2015, o presidente da confederação Marco Polo Del Nero prometeu que daria autonomia para os times tomarem as decisões sobre o Nacional. Assim, essa prerrogativa foi retirada.

Nesta terça, fontes da CBF confirmaram que uma decisão dos clubes não seria contrariada pela sua cúpula. Mas a confederação não recebeu o pedido ainda e não quer falar sobre isso logo após a tragédia. Até porque os times ainda preparam o ofício com a proposta para ser entregue até sexta-feira.

Pela proposta, seriam mantidos quatro rebaixados em 2017, mas a Chapecoense estaria imune mesmo se ficasse entre os quatro últimos. A proposta foi articulada entre o grupo jurídico dos times de Série A e B que rapidamente conversou após o acidente, e levou aos seus presidentes para aprovação. A inspiração foi no que ocorreu na Itália com o Torino após acidente na década de 40.

Há outra potencial barreira: o estatuto do torcedor. Pela legislação, um regulamento tem que ser mantido por dois anos seguidos, o que já ocorreu. E tem de ser respeitado o critério técnico para descenso e acesso. Na opinião de dois advogados dos clubes ouvidos pelo blog, esse critério continuaria a ser atendido, e a concordância da maioria dos times mostraria que a exceção deve ser aceita.

Entre os advogados, admite-se a possibilidade de que a alteração do regulamento tenha que ser aprovada no CNE (Conselho Nacional do Esporte). Esse órgão é presidido pelo ministro do Esporte. Mas, dificilmente se houver consenso entre clubes e CBF, o governo vai se opor.

Outros clubes participam do grupo que discutiu o apoio à Chapecoense, mas ainda estudam as medidas de apoio para o clube ou entendem que não é o momento de falar nisso logo após a tragédia.


Brasileiro-2016 tem 20% da renda do mais rico do mundo, e é mais desigual
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O Brasileiro-2016 tem uma realidade bem mais pobre e mais desigual do que o campeonato mais rico do mundo, a Premier League. Os clubes da Série A do Nacional ganham apenas 20% da receita do que os times ingleses. E a diferença de quem mais arrecada para os mais pobre é muito superior por aqui.

Para chegar a essa conclusão, o blog comparou números do estudo do analista Amir Somoggi para os times brasileiros com os divulgados pela consultoria Deloitte feitos com os ingleses.

Em 2015, com um aumento de receita, os 20 clubes brasileiros da Primeira Divisão arrecadaram R$ 3,4 bilhões. Houve um salto graças aos incrementos com vendas de jogadores, e com certas luvas do novo contrato de televisão.

No período de 2014-2015, último disponível, os times ingleses ganharam £ 3,4 bilhões, isto é, R$ 17,4 bilhões. Ainda não havia o impacto do novo contrato de televisão que vai gerar R$ 8 bilhões por ano, o mais lucrativo em todas as ligas nacionais.

Claro que o câmbio explica uma boa parte da diferença entre o Brasileiro e a Premier League. Mas a gestão do campeonato por meio de uma liga, e não pela federação nacional, é outra explicação para o campeonato gerar contratos consideravelmente maiores do que os brasileiros.

E, com isso, chega-se ao segundo ponto. Por não haver uma liga, o Brasileiro tem uma divisão de receitas bem mais desigual do que a inglesa. O Cruzeiro, clube que mais arrecadou com R$ 364 milhões, ganhou 24 vezes o valor ganho pelo Santa Cruz em 2015.

Na temporada 2013-2014 na Inglaterra, última com todos os dados disponíveis clube a clube, o Manchester United, o mais rico, teve cinco vezes a receita do Cardiff. Um total de £ 433 milhões contra £ 83 milhões. Obviamente, isso torna bem mais difícil que ocorra no Brasil um caso como o do Leicester, um dos mais pobres da liga inglesa, que ganhou a Premier Legue.

A comparação entre o Brasileiro e a liga inglesa tem como objetivo mostrar a enorme disparidade do país para a elite mundial. É preciso reconhecer que o Brasil é um país mais pobre que a Inglaterra considerada sua renda per capita.

Mas, levando-se em conta o PIB (Produto Interno Bruto), a diferença não é tão grande. Segundo a lista do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 2015, a economia do país atingiu US$ 1,772 trilhão, enquanto o Reino Unido ficou com US$ 2,8 trilhões. Ou seja, no futebol, a distância é bem maior.


CBF dá intervalos mínimos para times no Brasileiro. Veja os prejudicados
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Feita pela CBF, a tabela do Brasileiro tem intervalos mínimos de descanso para os times. Um levantamento do blog mostra que em 45 vezes as equipes têm menos de 72 horas entre uma partida e outra até a 11a rodada – foi considerado o final de um jogo e o início do outro. Três dias seria o tempo ideal de recuperação segundo estudos e sindicatos de jogadores.

Pelo regulamento de competições da confederação, só é necessário haver 60 horas de intervalo entre uma partida e outra. Esse número era de 66 horas, mas foi reduzido na gestão do presidente Marco Polo Del Nero para a temporada de 2015.

A Federação Nacional de Atletas Profissionais chegou a obter uma vitória judicial em 2014 para obrigar a CBF a dar 72 horas de descanso, mas a decisão caiu. Um estudo publicado pela Fifpro (sindicato mundial de jogadores) mostrou que uma equipe tem 42% menos de chance de ganhar com intervalo menor do que três dias por causa da fadiga dos jogadores. Foram analisadas 27 mil partidas europeias.

Em seminário na CBF, o técnico corintiano Tite pediu que não houvesse jogos nas manhãs de domingo para quem atuasse na quinta-feira à noite. Não foi atendido até agora, embora a confederação prometa analisar pleito.

Pelo levantamento do blog, os times terão de enfrentar intervalos menores do que 66 horas entre as partidas – antigo limite da CBF – em 18 vezes. No caso do Corinthians, por exemplo, isso ocorrerá duas vezes, entre as 3a e 4a rodadas, e entre as 8as e 9a rodadas. Serão jogos justamente quinta-feira à noite, seguidos de outros nas manhãs de domingo.

Mas as equipes mais prejudicadas neste início do Brasileiro são o Grêmio e o Santa Cruz. Ambos terão quatro ocasiões em que jogarão após intervalos menores do que 72 horas. Neste início, o único time que não terá de fazer esse sacrifício é o Botafogo.

No total, cerca de 40% das partidas terão pelo menos um dos times sem o descanso ideal, considerando o total de 110 partidas até a 11a rodada. O blog fez perguntas para a CBF sobre os intervalos menores entre as partidas, mas não obteve explicações. Veja abaixo o número de jogos com intervalos menores do que 72 horas de cada um:

4 – Grêmio e Santa Cruz – 4

3 – América-MG, Santos, Cruzeiro, Corinthians, Coritiba, Chapecoense, Atlético-PR

2 – Atlético-MG, São Paulo, Vitória, Ponte Preta, Internacional, Palmeiras, Fluminense, Sport

1 – Figueirense, Flamengo – 1

0 – Botafogo


Melhores times do Brasileiro terão votos decisivos sobre volta do mata-mata
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Ao alterar o seu estatuto, nesta quinta-feira, a CBF determinou que o Conselho Técnico de clubes definirá a fórmula do Brasileiro. E manteve o peso diferenciado de cada voto de acordo com a classificação do campeonato. Assim, os melhores colocados no Nacional terão peso decisivo na escolha se permanecem os pontos corridos ou volta o mata-mata.

O artigo 56 foi alterado para tirar a possibilidade de veto da confederação sobre as decisões dos clubes sobre o Brasileiro. Os times da Série A têm a prerrogativa de definir preços de ingressos, sistema de disputa e regulamento do Nacional.

“A votação é de acordo com o voto qualificado. Esse item foi mantido”, afirmou o Leomar Quintanilha, presidente da Federação de Tocantins, que presidiu a sessão. Ou seja, foram mantidos inalterados os artigos 58 e 59 que tratam das regras do Conselho Técnica.

A fórmula é a seguinte: o campeão do ano anterior tem direito a um voto de peso 20, o vice, 19, o terceiro, 18, e assim sucessivamente. Os quatro times que subiram da Série B têm direito a votos com peso de quatro a um, dependendo de sua posição na Segundona.

Com esse esquema, os seis melhores colocados no Brasileiro terão 105 votos, o que representa metade do colégio eleitoral de 210. Com apenas sete equipes, portanto, é possível derrotar 13 outros times por conta do voto qualificado.

O campeão tem quase 10% do colégio. Ironicamente, isso significa que os clubes com melhor desempenho nos pontos corridos que terão maior peso na decisão sobre uma possível volta do mata-mata.

No artigo 56, ainda está previsto que as decisões do Conselho tem que respeitar as disposições legais. O Estatuto do Torcedor obriga a realização de uma competição em que os clubes saibam todos os seus adversários, o que induz aos pontos corridos. Há uma controvérsia entre advogados sobre se isso impede o fim dos pontos corridos. É certo que barra viradas de mesa.


Times cariocas têm pior largada no Brasileiro em 10 anos
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Os clubes do Rio de Janeiro têm até agora o pior início de Brasileiro em dez anos. Juntos, Flamengo, Fluminense e Vasco obtiveram uma vitória, três empates e duas derrotas, o que lhes rendeu um terço (33,3%) dos pontos possíveis.

Apenas na Série A de 2004 houve um desempenho pior dos cariocas nas duas primeiras rodadas: conseguiram 20,1% dos pontos. Na época, eram quatro equipes do Estado no Nacional – em 2015, o Botafogo disputa a Série B.

Até agora, o Vasco não marcou nenhum gol, nem sofreu, com duas partidas zeradas. O Fluminense conseguiu a vitória solitária diante do Joinville, mas foi goleado em seguida pelo Atlético-MG. E o Flamengo sofreu para empatar em casa com o Sport, além de perder do São Paulo fora.

O rendimento fraco neste início do Brasileiro aumenta os temores de queda do nível técnico do Estado após abalos financeiros. Além do Botafogo, maior endividado na Série B, o Vasco enfrenta sérias restrições orçamentárias para montar o seu time no começo da gestão Eurico Miranda, e o Fluminense perdeu o apoio da Unimed, o que o obrigou a reduzir custos.

Quem tem recuperado as finanças é o Flamengo, embora ainda tenha uma dívida considerável. Assim, até agora sua melhoria nas contas não se refletido em campo.

Esse início claudicante do futebol carioca, é óbvio, ainda é um indicativo pois há bastante tempo para recuperação. Em 2009, os times do Estado também tinham obtido apenas 39% dos pontos nas duas primeiras rodadas, e os rubro-negros acabaram campeões. Resta saber se há chance de algo similar nesta temporada.


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