Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Brasileiro

Globo mostra preocupação por clubes largarem Brasileiro de lado
Comentários Comente

rodrigomattos

Além da CBF, a Globo está preocupada com o abandono do Brasileiro por alguns clubes como Grêmio que optaram por priorizar Copa do Brasil e Libertadores. A emissora já levou a discussão à CBF e atribui a questão ao calendário. O temor é de que a longo prazo isso desvalorize a competição.

A própria confederação está incomodada com a situação como revelou blog do Marcel Rizzoe pensa em medidas a serem tomadas. A questão é que o principal ponto a ser mexido é o calendário em que a CBF manifesta pouca disposição de atuar por questões políticas.

Até agora, a utilização de reservas por times de frente como Grêmio, Palmeiras e Botafogo não teve impacto perceptível nos índices de audiência do Nacional. A disparada do Corinthians também não causou problemas na atratividade. O técnico gremista Renato Gaúcho chegou a escalar times completamente reservas em quatro jogos.

A preocupação da Globo é que a longo prazo o novo calendário com Libertadores e Copa do Brasil o ano inteiro deixe o Brasileiro em segundo plano para alguns clubes. Assim, a principal competição do país e maior produto da emissora poderiam perder em interesse no futuro.

O Brasileiro é o campeonato que gera o maior volume de recursos para o futebol nacional, com um contrato de TV que vai chegar a R$ 1,1 bilhão por ano a partir de 2019. Na visão da Globo, não faz sentido um clube desistir desta competição do ponto de vista financeiro. Até porque há premiações que vão até R$ 18 milhões para o campeão.

A emissora levou a discussão à CBF para ser analisada sob o ponto de vista do calendário de 2018. O documento está à espera de definições da Conmebol para ter formato final, e deve sair em setembro. Não há participação direta da Globo na elaboração do documento, mas a empresa é ouvida como parte do sistema.

Uma das questões é que o Brasileiro fica espremido em um período do ano curto por conta dos Estaduais. Assim, há menor espaço para os times pouparem jogadores com partidas em curto tempo, na sequência da Copa do Brasil e da Libertadores. Um maior espaçamento do Nacional do ano, com mais jogos aos finais de semana e durante tempo maior, aliviaria o problema.

A questão é que a CBF precisaria realocar os Estaduais e não deixá-los concentrados no início do ano. Isso gera resistências das federações estaduais, cujos clubes menores querem pagar por times por curtos períodos. As federações também não querem reduções de datas de suas competições.

Esse é o primeiro ano do novo calendário com Libertadores e Copa do Brasil no ano inteiro. Então, há uma avaliação de clubes, CBF e Globo de que há um período de adaptação. Além disso, há o caso excepcional de o Corinthians ter disparado. Ainda assim, há um temor de que o Brasileiro perca interesse no futuro.


Com titulares, Grêmio é quase igual a Corinthians, mas reservas destoam
Comentários Comente

rodrigomattos

Renato Gaúcho é o técnico que montou o time de futebol mais vistoso no Brasil em 2017. Disputaria o posto de equipe mais eficiente do ano (veja que os dois conceitos são diferentes) com o líder Corinthians. Mas o treinador gremista decidiu largar o Brasileiro em favor da Copa do Brasil e da Libertadores.

Neste final de semana, Renato escalou reservas na Arena Grêmio que não foram capazes de bater o Atlético-PR. Lembre-se que é o mesmo time que os titulares gremistas golearam por 4 a 0 pela Copa do Brasil. Com o empate, manteve-se a sete pontos do líder Corinthians, que tem um jogo a menos.

O treinador escalou equipes completamente reservas em quatro ocasiões, Atlético-PR, Palmeiras, Sport e Botafogo. Somou um em 12 pontos, um desempenho de rebaixado. Houve duas ocasiões, Atlético-GO e Atlético-MG, em que usou time misto e foi bem, com duas vitórias.

Considerando apenas a campanha com titulares ou pelo menos misto, o Grêmio somou 76,5% dos pontos. O Corinthians tem o rendimento de 78% até agora, com um jogo a menos. Ou seja, se o time gaúcho tivesse escolhido o Brasileiro como prioridade, provavelmente estaria em disputa equilibrada com a equipe paulista.

Em vez disso, Renato já deixou clara sua preferência pelas Copas. Após o empate com o Atlético-PR, afirmou: “Não vai mudar, vai continuar. Demos chance para quem não vem jogando, os garotos. Não adianta, não é que eu queira fazer isso. Nós somos obrigados.” E completou: “E é assim: não temos como jogar com o mesmo time todos os campeonatos. Demos prioridade à Copa do Brasil e à Libertadores.”

Em certa parte, não dá para discordar do treinador: a temporada no Brasil tem excesso de jogos e é impossível não poupar. Compereende-se a prioridade à Libertadores. Mas a questão é por que da preferência à Copa do Brasil em relação ao Brasileiro?

O campeonato nacional é o mais nobre do país. É assim no Brasil e em todos as nações com pontos corridos. Não há nenhum lugar em que a Copa seja priorizada, nem com o argumento de que “só falta três jogos para ser campeão”. Um mata-mata é imprevisível, se faltam três jogos, vai uma bola na trave e o time é eliminado. E uma equipe que joga o futebol mais vistoso do país não deveria se prender ao imponderável.

Mais do que isso, o Grêmio não ganha um Brasileiro há 21 anos. O título de 1996, aliás, é o último dos gaúchos no Brasileiro. Entre os quatro Estados mais fortes do futebol do país, é único que nunca ganhou nos pontos corridos.

Aí talvez esteja a explicação para a estratégia de Renato. Os times do Rio Grande do Sul têm um gosto pela Copa, pelo mata-mata, maior do que outros Estados. Seu jogo nem sempre é o melhor do país (em 2017 é na minha opinião), mas são capazes de se impor no confronto direto.

Assim, não ganharam Brasileiros por 21 anos, mas o Inter foi duas vezes campeão da Libertadores, e o Grêmio levou três Copas do Brasil neste período. Não faltaram títulos importantes copeiros.

Quando manifestei no Twitter que não entendia a estratégia do Grêmio, a maioria dos torcedores do time se posicionou contrário, concordando com a tática de Renato. É uma amostragem pequena, mas a torcida gremista parece gostar mais das Copas do que dos pontos corridos.

É absolutamente compreensível. Mas esse time construído por Renato pode, sim, aspirar a ser considerado o melhor do Brasil. Seria uma disputa dura contra o Corinthians. Ele preferiu seguir a sua alma gaúcha e optar pelas Copas. Assim, só uma queda acentuada do rival lhe permitirá disputar o Brasileiro.


É justo o Corinthians competir contra o Grêmio gastando mais do que pode?
Comentários Comente

rodrigomattos

Corinthians e Grêmio são os dois times na ponta do Brasileiro e portanto têm uma disputa direta pelo título. Para que exista uma competição justa entre eles, deveriam estar submetidos a condições parecidas. Não é o que acontece sob o ponto de responsabilidade no controle financeiro.

Esse é um conceito difundido na Europa onde está implantado o fair play financeiro. Os clubes têm que manter os déficits em níveis controláveis, e cumprir seus acordos por pagamentos, sem calote. Ou podem ser impedidos de disputar competições. No Brasil, a CBF iria implantar sistema igual, mas afrouxou as regras para 2018.

Pois bem, o Corinthians apresentou nesta semana um balancete de meio de ano com déficit de R$ 35 milhões. A receita do clube caiu com menos dinheiro de televisão, de venda de direitos de jogadores e patrocínio, na comparação proporcional ao ano de 2016.

E o que fez o clube? Conteve os gastos? Não. Suas despesas com pessoal do futebol ficaram em R$ 77 milhões em seis meses, contra R$ 123 milhões no ano inteiro de 2016. Conta com atletas caros como Jô e Jádson que chegaram em 2017. Houve redução no investimento em contratações.

Contabilizadas todas as despesas do futebol, excluídas as com percentuais de vendas de atletas, o departamento custará R$ 10 milhões a menos do que em 2016 no ritmo atual. Como já amplamente noticiado, assim, o clube têm dívidas em negociações de jogadores, entre outras.

Do lado gremista, o clube também está longe de estar nadando em dinheiro, mas gastou o quanto podia. Tanto que o balancete dos três primeiros meses mostra um superávit de R$ 3 milhões, e um valor próximo do que estava orçado.

Neste cenário, a diretoria do Grêmio decidiu que tinha que vender seu principal jogador Luan para fechar as contas do ano. Claro que a proximidade do fim do seu contrato pesa. Mas fato é que o clube prepara a saída de seu craque para se manter na linha fiscal. Resta sabe se ele vai topar.

Enquanto isso, a diretoria do Corinthians recusou propostas pelos seus principais jogadores, abrindo mão de R$ 90 milhões. A cúpula corintiana não é obrigada a vender atletas, mas será que agiria da mesma forma se houvesse um fair play financeiro? Obviamente, as duas escolhas dos clubes terão impacto no resultado final do campeonato.

Não é só isso. O Corinthians também está quitando apenas parte da dívida (juros e não em todos os meses) que tem com o BNDES pelo financiamento de seu estádio, por meio da Caixa Econômica. Essa situação perdura há mais de um ano. O dinheiro da bilheteria seria usado para o pagamento, e está retido no fundo. Em caso de não ser suficiente, o clube poderia ter de completar.

Já o Grêmio é obrigado a pagar em torno de R$ 1,5 milhão mensal para seus sócios usarem a arena. A operação de venda pela OAS para o clube está emperrada há mais de um ano.

Ou seja, um time paga pelo seu estádio, e o outro, não. Ambos usufruem do ganho esportivo das arenas, mas não têm bilheteria por essas já que os valores são retidos.

No futebol, o dinheiro não é tudo para se obter desempenho, como se vê nos fracasso de Flamengo e Palmeiras. Mas é um fator importante: estudos em campeonatos europeus mostram que tabelas de pontos corridos refletem orçamentos, com algumas exceções. Em mata-matas, isso é menos direto. Ora, se um clube se esforça para manter as contas em dia, e o outro financia seu time com rombos orçamentários, o segundo obviamente terá uma vantagem.

Não se está aqui tirando os méritos esportivos do técnico Fábio Carille e de seus comandados para estarem no topo da tabela. Estão ali porque jogaram mais do que os rivais, inclusive o Grêmio. Mas é fato que a diretoria corintiana só montou o time atual ao ignorar a regra básica de gastar menos do que podia.


Como o Flamengo perdeu o Brasileiro e o técnico em um turno
Comentários Comente

rodrigomattos

Ao montar seu elenco para o Brasileiro, o Flamengo se posicionava como um dos principais candidatos ao título, com vários jogadores acima da média nacional. Após um turno, com a derrota para o Vitória em casa, o clube está virtualmente fora da disputa pela taça como se constata com qualquer conta simples. E demitiu o técnico Zé Ricardo que mantivera durante mais de um ano, inclusive após a queda na Libertadores.

Concluído o primeiro turno, o Flamengo soma 29 pontos, a 18 do líder disparado Corinthians. Como empatou muito, na prática, precisaria de sete rodadas para ultrapassar o ponteiro, restando 19 jogos. Não há nenhum precedente no Brasileiro, nem na lógica, ainda que o líder não fosse uma equipe que pouco falha como a corintiana.

Dito isso, tentemos entender como o time de Zé Ricardo passou de favorito a no máximo postulante ao G4. E isso começa pela eliminação na Libertadores, logo após a primeira rodada do Nacional. Naquela campanha, o time já exibia as qualidades e principalmente os defeitos que o levaram a capengar no Brasileiro.

É um time de boa precisão de passe e que controla a bola, muitas vezes dominando o adversário. É dos times com maior acerto no quesito no Nacional, segundo o site Footstats. Por isso, aumenta suas chances de chegar ao gol adversário, ainda que apelasse demais a cruzamentos quando pegava equipes fechadas.

Ao mesmo tempo, comete erros primários nas zonas decisivas do campo. Na Libertadores, dominou jogos que perdeu fora, Universidad Católica e Atlético-PR. No Brasileiro, perdeu gols incríveis contra Corinthians (Diego), Santos (Viseu), Palmeiras (Diego pênalti perdido), Vitória (Viseu), todas partidas em que acabou derrotado ou com empates.

É um problema coletivo, não de um centroavante ou só do ataque. O time não tem a concentração necessária, ou está excessivamente nervoso. Difícil saber. Fato é que o problema existe há meses e Zé Ricardo não o resolveu: concentração é, sim, treinada. Não levo muito fé em expressões como “DNA perdedor”, mas em equipes que são seguras na execução dos aspectos técnicos. Essas ganham como é o caso corintiano.

E o mesmo ocorreu na defesa. Jogadores cometeram erros em lances fáceis (como o de Arão neste domingo), em posicionamento equivocado para marcar (veja os sete gols sofridos contra o Santos), em bolas altas. A lista é grande e envolve do goleiro a todos os jogadores do sistema defensivo. De novo, uma defesa bem treinada não comete esse tipo de erros em tal quantidade.

Se compararmos com o Brasileiro-2016, o Flamengo atual tem um média de gols feitos um pouco melhor (1,42 a 1,36), e uma média de gols tomados pior (1 contra 0,92). Em resumo, desde que encontrou um padrão para o time no meio do Nacional do ano passado, Zé Ricardo não conseguiu fazê-lo evoluir nos aspectos que faltavam. Teve mais opções, melhores jogadores, e entrega menos do que no ano passado.

E isso se explica também pelos seus equívocos nas escolhas de jogadores. Insistiu por muito tempo com jogadores que erravam muito (não eram só eles) como Márcio Araújo, Vaz, Muralha. Ainda fez outras opções difíceis de compreender como preferir em geral Geuvânio, recém-contratado e sem ritmo, a um Berrío em boa fase.

Quando caiu na Libertadores, o Flamengo precisava de uma mudança, e a diretoria do clube decidiu que esta deveria ocorrer com o mesmo Zé Ricardo. Isso teve a ver com o presidente Eduardo Bandeira de Mello entender que a rotatividade de técnicos é prejudicial, e que errou quando trocou muito técnico. Naquele momento, entendi que a decisão era correta. Mas o resultado não foi positivo.

Realizados 20 jogos após aquela queda, o time rubro-negro comete erros parecidos e não evoluiu nada. A saída de Zé Ricardo, portanto, é justificada. Não adiantava lhe dar mais tempo se havia uma estagnação. Caberá ao Flamengo agora na escolha do novo técnico buscar alguém que dê um perfil ao seu departamento de futebol, uma cara.

É algo que a diretoria rubro-negra ainda não conseguiu em seus quatro anos e meio de gestão no futebol. Acertou nas áreas administrativa e financeira o que proporcionou o bom elenco atual, mas não nas escolhas de como conduzi-lo tecnicamente para poder triunfar.


CBF afrouxa regras financeiras para Brasileiro; Palmeiras terá gasto livre
Comentários Comente

rodrigomattos

A CBF reduziu ao mínimo as regras de seu sistema de licenciamento para disputar o Brasileiro-2018, retirando os itens para controle de gastos e de exigência de CND. Com isso, apenas os clubes dentro do Profut terão de seguir as restrições de despesas e folha salarial para não perder o benefício. Único grande fora do programa, o Palmeiras não terá de respeitar limites ou reduzir déficits, assim como Sport e Chapecoense entre os times da Série A.

A explicação da CBF é que o processo será gradativo com aumento de exigências financeiras, de infraestrutura (CT e estádio), ano a ano. Neste primeiro ano, a intenção é fazer um diagnóstico e mostrar aos clubes que o que falta, ninguém deixará de ganhar a licença.

O licenciamento de clubes é um sistema implantado no futebol da Ásia e da Europa para dar maior responsabilidade financeira às gestões. Na Uefa, por exemplo, é o maior obstáculo para o Paris Saint-Germain contratar Neymar já que não terá como pagar a multa dentro das regras.

A CBF tem sido obrigada a implantar o sistema por determinação da Conmebol e da Fifa. O processo se iniciou em 2016 e o regulamento valerá a partir de 2018. Todos os clubes serão obrigados a obter a licença para disputar o Brasileiro.

O blog teve acesso ao regulamento final da CBF para licenciamento e a sua versão inicial redigida no ano passado, e enviada para todos os clubes. A confederação retirou praticamente todos os artigos que previam controles de gastos e de déficit como previsto no Profut.

“Porque precisávamos nos adaptar ao (regulamento) da Conmebol que veio no segundo semestre (de 2016). Quando foi feito o primeiro, não tinha o regulamento da Conmebol”, explicou o diretor do departamento  registro da CBF, Reynaldo Buzzoni. Isso não impediria a CBF de fazer regra mais dura. “É uma questão gradativa. A gente vai aumentar as exigências.”

Segundo ele, os clubes não conseguiriam se adaptar no primeiro ano e ficariam muitos sem licença. E o objetivo da CBF não é impedir ninguém de jogar, mas orientar sobre o que está faltando.

No regulamento final, a CBF deixou apenas como obrigação apresentar contas e não ter dívida fiscal. O primeiro item já é previsto em lei. E, no segundo caso, só haverá problemas se houver decisão final da Justiça. Foi retirada a obrigação de CND.

“Essa questão da CND estamos lutando para ficar fora (da lei)”, comentou Buzzoni. “Imagine que multam o UOL por algum motivo e ele perde a CND. Vai ficar sem poder exercer sua atividade jornalística? Quem não tiver CND não pode exercer sua atividade?”

Sem obrigação de CND e das medidas previstas no Profut, isso significa que não haverá controle nenhum sobre os gastos para participar do Brasileiro como ocorre na Europa. A maioria dos clubes da Série A, no entanto, terá de seguir as regras se quiser ficar no Profut com suas dívidas financiadas.

Como decidiram não aderir ao programa, Palmeiras, Sport e Chapecoense não estarão submetido a essas regras. Poderão antecipar receitas, gastar com futebol acima de 80% e apresentar déficit de mais de 5% da receita. Ressalte-se que os clubes também não se beneficiaram das condições mais generosas para pagamento de dívida do Prout. E o Palmeiras teve superávit em 2016.

Buzzoni não vê como isso possa causar desequilíbrio no Brasileiro. “É uma questão de gestão. Chapecoense faz boa gestão e quase não tem dívida. Sport também (boa gestão), e preferiu não entrar. É uma questão de cada clube”, completou o diretor da CBF. “Palmeiras tem um patrocinador, mas tem boa gestão, com receita de bilheteria.”

A entidade está realizando uma fiscalização nas contas do clube, ainda não concluída. A ideia é fazer um diagnóstico esse ano. Outros itens estão sendo analisados como infraestrutura, estádios, CTs, departamento de futebol.

O texto inicial do regulamento de licenciamento da CBF tinha mais de 70 itens. Foi reduzido para 25 na nova versão. Ambos ainda têm anexos financeiros, jurídico e de infraestrutura com as condições gerais.

O blog apurou que houve forte oposição de alguns clubes contra a versão inicial do regulamento redigida pelo jurista Alvaro Mello Filho. Há ainda uma ação do sindicato dos clubes, comandado por Mustafá Contursi, para questionar a legalidade do Profut, principalmente em relação a controle de gastos.

Veja abaixo as diferenças entre as versões inicial e final da confederação para o regulamento:

Antecipação de receita

A primeira versão proibia a antecipação de receitas pelo clube, com exceção de 30% no primeiro mandato para redução de dívidas ou construção de patrimônio. Agora, não há mais nenhuma previsão neste sentido.

Controle de gastos do futebol

O primeiro texto do licenciamento previa que o clube não poderia ter despesa superior à receita bruta. Seu déficit não poderia ser superior a 5% ao ano. E as despesas com futebol não poderiam ultrapassar 80% do total das receitas. Todas essas medidas foram excluídas da versão definitiva do regulamento.

Pagamentos em dia a jogadores

A minuta inicial do regulamento previa que era essencial para obter a licença comprovar que estava com a remuneração em dia dos jogadores. Foi outro item excluído.

Dívida fiscal

Os clubes eram obrigados a apresentar a CND (Certidão Negativa de Débito) para comprovar que estavam em regularidade fiscal, no primeiro documento. Pelo texto final, o clube não pode ter dívida fiscal oriunda de processo transitado em julgado, sem possibilidade de recursos. Ou seja, enquanto os times discutirem débitos na Justiça, não serão punidos mesmo que estejam sem pagar e em débito com o fisco.

Orçamento dos clubes

Os clubes teriam de apresentar um orçamento equilibrado com relatórios de acompanhamento para verificar o previsto e o real, pelo documento inicial da CBF. No regulamento final, os times apenas têm que mostrar orçamentos para o ano da competição, fazendo ajustes quando necessários, e “eventualmente” entregar balancetes.


Quase metade dos times da Série A já reclamou da arbitragem da CBF
Comentários Comente

rodrigomattos

Com sete meses do ano, e menos de um turno do Brasileiro, quase metade dos clubes da Série A fez reclamações à arbitragem da CBF. Foram dirigentes de nove times que já fizeram protestos contra supostos erros de árbitros no Nacional ou na Copa do Brasil. A comissão de arbitragem admite a ocorrência de erros graves e tem sofrido com a pressão embora não saiba avaliar se aumentaram os questionamentos.

Levantamento do blog mostra que os seguintes times reclamaram com a entidade por falhas em seus jogos ou por preocupação em 2017: Cruzeiro, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Avaí, Bahia, Atlético-PR, Atlético-MG e Fluminense. Foram consideradas apenas reclamações dos dirigentes, e não de técnicos e jogadores que não são necessariamente a voz oficial do clube. O mais recente protesto foi o corintiano sobre o gol anulado com o Flamengo, no domingo.

As reclamações têm surtido pouco efeito na melhora da qualidade da arbitragem. Primeiro, por que não há nenhuma proposta ou pressão pela mudança do sistema. Segundo, a comissão da CBF tem um obstáculo que é não poder usar o árbitro de vídeo. Internamente, membros da arbitragem nacional vêem a tecnologia como a principal solução para afastar os erros graves nos jogos nacionais. Há a certeza de que a situação é insustentável sem o vídeo.

Mas há empecilhos para o projeto andar no Brasil. Primeiro, a CBF não quis investir R$ 15 milhões que seriam necessários para o teste ser executado em 2017, como já aprovado pela Fifa. Além disso, há uma questão sobre o formato da arbitragem de vídeo, a International Board quer cabines e um sistema que é mais caro. No Brasil, a tentativa era baratear e fazer com imagens da Globo que anteciparia os replays.

Neste cenário, ainda não há perspectiva e data certa para o árbitro de vídeo no Brasileiro. Sua implantação também dependerá de uma reunião da International Board em março que decidirá de forma definitiva as regras da nova tecnologia para a Copa-2018. A profissionalização, solução adotada por outras ligas, está descartada na confederação porque o custo é avaliado como elevado.

Como paliativo, a comissão da CBF usa comunicação constante com os árbitros para reforçar instruções, e delegados tentam minimizar a pressão sobre os árbitros. Há um investimento em formação de árbitros novos. De qualquer maneira, não há perspectiva de melhorar de forma significativa sem maior investimento.


Com sua arena, Corinthians é mandante muito superior ao Flamengo
Comentários Comente

rodrigomattos

Desde a inauguração da sua arena, em 2014, o Corinthians desfruta de um desempenho como mandante muito superior ao Flamengo que tem sido itinerante neste período. As estatísticas mostram que o estádio próprio faz diferença no aproveitamento técnico do time. De novo, o time paulista terá esse aliado na tarde deste domingo no confronto entre os dois.

O blog fez um levantamento dos jogos das duas equipes no Brasileiro desde 18 de maio de 2014 quando foi inaugurada a arena, com uma derrota para o Figueirense. Foram considerados no caso corintiano apenas os jogos no seu estádio – houve poucas exceções.

Desde então, o Corinthians obteve 76,3% dos pontos disputados na sua arena no Brasileiro. Foram 40 vitórias, 15 empates e apenas quatro derrotas na competição.

É certo que o time corintiano foi campeão em 2015 e lidera no atual Nacional. Mas, em 2014, foi quarto colocado, e no ano passado, ficou na 7a colocação.

Enquanto isso, o Flamengo como mandante conseguiu 60,75% dos pontos que disputou. Foram 33 vitórias, 14 empates, e 15 derrotas. O número de jogos é um pouco maior porque foram desconsideradas as partidas corintianas fora da arena para testar o efeito do estádio.

Se o time paulista tinha casa fixa, o Flamengo jogou em uma quantidade grande de estádios como mandante, Maracanã, Raulino de Oliveira, Kléber Andrade, Mané Garrincha e até Pacaembu. Só agora na Ilha do Urubu que o time passou a ter uma casa fixa.


Corinthians é o único do topo da tabela que não poupa jogador no Brasileiro
Comentários Comente

rodrigomattos

A rodada do final de semana do Brasileiro foi marcada por clubes que pouparam jogadores por desgaste ou por priorizar outras competições. Não foi uma exceção. Todos os clubes no topo da tabela pouparam atletas no Nacional em algum momento com exceção do líder Corinthians.

Nesta rodada, Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG e Botafogo usaram times mistos ou com alguns titulares poupados. Pensam nos confrontos de volta da Copa do Brasil no meio de semana.

Com campanha impecável no Nacional, o Corinthians foi eliminado desta competição e disputa apenas a Copa Sul-Americana na qual utiliza time misto quando necessário. Não usou time reserva ou alternativo em nenhuma rodada do Brasileiro. Quando não teve titulares, foi por contusão ou suspensão.

Não é o caso dos outros quatro times que compõem a lista de cinco times ponteiros do Nacional. Vice-líder, o Grêmio já usou time reserva em duas situações, Sport e Palmeiras, fora de casa. Perdeu ambos os jogos. A previsão é de contar com todos os titulares diante do São Paulo.

Terceiro colocado, o Santos já usou um time praticamente reserva (só tinha três titulares) contra o Atlético-GO. Empatou. Quarto, o Flamengo vinha escalando força máxima no Brasileiro, mas optou por poupar meio time contra Coritiba. Entre os que ficaram fora, alguns dos principais jogadores como Diego, Everton e Rever, desgastados. O time venceu sem eles no sábado.

O Palmeiras tem optado por poupar atletas parcialmente, sem escalar times reservas. Apenas contra a Chapecoense, quando tinha confronto da Libertadores em seguida, utilizou só três titulares. Mas poupou atletas contra Flamengo (Guerra, Felipe Mello e Dracena) e Sport (Mina, Roger Guedes, no banco).

Fora do topo, times como Botafogo já escalaram formações quase integralmente reservas como contra o Atlético-GO e contra o Corinthians, de olho na Copa do Brasil e no Brasileiro. Também já ocorreu com o Cruzeiro e com o Atlético-MG.

Enquanto isso, o técnico Fábio Carille tem escalado sua força máxima disponível em todas as rodadas. Nos últimos jogos, passou a enfrentar problemas de contusão com Jadson e Pablo, o que o obriga a buscar novas soluções.

O foco do Corinthians só no Brasileiro ajuda bastante a ótima campanha do time que tem agora nove pontos à frente do Grêmio. Não é, obviamente, a única explicação em um time com padrão constante de jogo que tem sido muito mais regular do que os rivais. Mas o desenrolar de um campeonato longo vai desafiar o elenco alvinegro quando houver necessidade de girar mais a equipe como agora.


São Paulo já faz sua pior campanha no Brasileiro de pontos corridos
Comentários Comente

rodrigomattos

Com a derrota para a Chapecoense, o São Paulo passou a ter sua pior campanha na história do Brasileiro de pontos corridos até este estágio do campeonato. O desempenho do time atual tornou-se inferior ao da equipe de 2013 que também esteve ameaçada de rebaixamento.

Até a 14a rodada, o time são-paulino somou apenas 12 pontos, acumulando nove jogos sem vitória, segunda maior seca como apontou PVC. Nesta rodada do Brasileiro, em 2013, a equipe já tinha 13 pontos. Em ambas as situações, o São Paulo ocupava a 18a posição no Brasileiro.

Os números da equipe em termos de gols feitos e tomados são parecidos. Aquele time de Autuori tinha 14 gols marcados como o atual, mas tinha sofrido um a menos. Juntamente com o time de 2007, que foi campeão, são os piores ataques são-paulinos dos pontos corridos. A formação deste ano é também uma das três defesas menos eficientes do clube no Nacional.

O que serve de consolo para os torcedores tricolores é que, em 2013, o time se recuperou ao trocar de técnico e acabou o campeonato com relativa tranquilidade: ficou em nono lugar. O responsável por remontar a equipe, naquela época, foi Muricy Ramalho. A esperança é que Dorival Junior possa fazer o mesmo com a formação atual.

Essas foram as duas únicas situações em que o São Paulo esteve na zona de rebaixamento frequentemente. Na maior parte das campanhas, o time estava entre os 10 primeiros neste momento do Brasileiro, isto é, na parte nobre da tabela.


Corinthians vai ‘despencar’ no Brasileiro? Já ocorreu com outros líderes
Comentários Comente

rodrigomattos

Com seu time de volta à vice-liderança do Brasileiro, o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, afirmou que o “Corinthians vai despencar” e que o campeonato será diferente no segundo turno. É difícil de saber se sua previsão vai se concretizar: o treinador gosta de declarações polêmicas e o time corintiano tem se mostrado consistente. Mas um levantamento do blog mostra que é bem comum uma queda acentuada de um líder que disparou.

É preciso ressaltar que o Corinthians, que enfrenta o Atlético-PR nesta sábado, tem uma liderança e vantagem inédita no Nacional após 13 rodadas. Nunca um time chegou aos 35 pontos e 10 pontos de frente neste estágio. E o time tem se mostrado regular em suas atuações, principalmente na defesa.

Dito isso, dos 11 Brasileiros com 20 times, houve queda acentuada do líder do campeonato em seis deles após um terço do Nacional. Em uma delas, a despencada não foi suficiente para tirar o título: Corinthians-2011. Mas, nas outras cinco, as equipes perderam a taça.

E houve cinco campeonatos em que a equipe ponteira se manteve com desempenho parecido com o do início e conquistou o título. Um dos casos foi no ano passado com o Palmeiras.

O Atlético-MG é o caso mais emblemático de time que largou bem e acabou perdendo o fôlego no Nacional. Aconteceu em 2009, em 2012 e em 2015. Nesses três anos, o time era líder com um terço do Nacional.

Em 2012, o Galo tinha 32 pontos e 82,5% de aproveitamento. É o que chegou mais próximo do Corinthians atual. Nas outras 25 rodadas, o Atlético-MG marcou apenas 40 pontos, com desempenho de 53,3%. Ao final, perdeu o título para o Fluminense.

Além do Atlético-MG, Flamengo, Botafogo e Corinthians já tiveram quedas consideráveis em seu desempenho após o primeiro terço da competição. No caso corintiano, o time de Tite largou com 74,4% de aproveitamento, e no restante do Nacional ficou com 56% de rendimento.

Foi o suficiente para ser campeão o que mostra a importância de acumular gordura. É até previsível alguma queda de aproveitamento do Corinthians já que não deve manter 90%. Mas, com a regularidade que tem jogado, é bem possível que sofra apenas leve oscilação e contrarie a previsão de Renato Gaúcho. O histórico mostra que uma queda acentuada, no entanto, não está descartada. Veja abaixo a piora desempenho dos líderes até 13a rodada e ao final do Nacional:

2007 – Botafogo – até 13a rodada – 25 pontos – 64,1% / até o final – 30 pontos e 40%

2008 – Flamengo – até 13a rodada – 26 pontos – 66,7% /até o final – 38 pontos e 50,7%

2009 – Atlético-MG – até 13arodada – 28 pontos – 71,5% / até o final 28 pontos e 37,3%

2011 – Corinthians (foi campeão) – até 13a rodada – 29 pontos – 74,4% / até o final 42 pontos – 56%

2012 – Atlético-MG – até 13a rodada – 32 pontos – 82% / até o final 40 pontos – 53,3%

2015 – Atlético-MG – até 13a rodada – 29 pontos – 74,4% / até o final 40 pontos – 53,3%