Blog do Rodrigo Mattos

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Clubes rejeitam limite a elenco e culpam CBF por time misto no Brasileiro
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O plano da CBF para induzir os clubes a usarem titulares no Brasileiro não foi bem recebido por boa parte dos times que tem poupado suas equipes no campeonato. A diretoria da confederação pensa em criar limite de jogadores inscritos na competição para evitar reservas, como revelou o blog do Marcel Rizzo. Dirigentes de clubes, no entanto, rejeitam a ideia e culpam o calendário feito pela CBF pela escalação de times mistos no Nacional.

Com a extensão de Libertadores e Sul-Americana no ano inteiro, os clubes que disputam três competições têm poupado jogadores no Brasileiro desde 2017. Isso se deve a um calendário apertado com excesso de jogos importantes já que não há redução dos Estaduais. A diretoria da CBF tem se incomodado com a principal competição ser deixada de lado.

A restrição de uso de jogadores inscritos é utilizada em campeonatos pelo mundo, entre eles a Libertadores e a Liga dos Campeões além de algumas ligas nacionais europeias. No Brasil, precisaria passar pelo Conselho Técnico da Série A composto pelos clubes para ser aprovada.

Entre os clubes que mais têm sofrido com o calendário, a medida é rejeitada. “Sou contra. Não sou eu quem faz o calendário que obriga a poupar. Se levar para votação, vou me posicionar contra”, afirmou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

Seu time tem poupado sistematicamente no Brasileiro para privilegiar a Copa do Brasil e a Libertadores. A estratégia é sempre priorizar a competição em que o time pode ser eliminado no próximo jogo.

“Estendeu-se a Libertadores pelo ano inteiro e fica essa superposição. Às vezes, o time pode estar disputando simultâneo pre-Libertadores ou Copa do Brasil e Estaduais. Depois, é Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro”, analisou o presidente gremista. “Isso implica em ter elencos maiores. Tem que ter elenco para atender à qualidade que a torcida espera. É a racionalidade.”

Mesmo tom de discurso foi adotado pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, cujo time também disputa as três competições. “Sou contra isso totalmente. Eles (CBF) que melhorem o calendário”, disse ele, que entende que a CBF joga para cima dos clubes um problema criado pela própria entidade. “Lógico, isso eles têm que ver na Conmebol, a Libertadores o ano todo, mais Copa do Brasil, mais Brasileiro. Quem se destaca é prejudicado”.

Outro que aponta o problema do calendário é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que é mais uma equipe que joga as três competições ao mesmo tempo. “Sou contra (a restrição a elenco). Se o calendário fosse mais racional, nenhum clube teria necessidade de escalar times alternativos no Brasileirão”, definiu.

O calendário da CBF para o próximo ano não vai mudar muito o cenário em relação a 2018. Em linhas gerais, serão mantidos os Estaduais com 18 datas, Brasileiro espremido antes e depois da Copa América, e uma pré-temporada reduzida. A vantagem é que a Copa América é menor do que a Copa do Mundo da Rússia, com três semanas contra cinco.


Brasileiro é liga mais valiosa das Américas mesmo maltratado por CBF
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Com seu início neste sábado, o Brasileiro-2018 é o campeonato de futebol mais valioso das Américas em termos de arrecadação. O total dos seus direitos de televisão envolvem em torno R$ 1,5 bilhão, valor superior ao da Libertadores, da Liga Mexicana, da Argentina ou dos EUA. Isso apesar de a CBF tratar mal o campeonato em relação a calendário, promoção e exigências técnicas.

O Brasileiro deste ano terá 380 jogos distribuídos desde o meio de abril até o início de dezembro, excluído O período de Copa do Mundo. Esse é o primeiro problema já que o campeonato para às vésperas do Mundial enquanto outras ligas relevantes têm períodos maiores de intervalo.

É uma questão que existe desde o início dos pontos corridos já que a CBF reduziu pouco os Estaduais, mantendo um calendário espremido. Ainda assim, o Brasileiro foi capaz de catapultar os seus valores mesmo com pouca concorrência de televisões para a Globo até 2016.

Um fator é a implantação do sistema de pontos corridos que deu estabilidade a competição, e um número regular de jogos durante toda a temporada. Paralelo a isso, há o crescimento do mercado de TV Fechada no Brasil.

Houve a implantação do modelo de pay-per-view praticamente coincide com os pontos corridos, tendo início E 2002. Atualmente, essa fatia é responsável por em torno de R$ 600 milhões de receitas para os clubes, mais de um terço do que total de receitas de televisão. O restante é de TV Fechada (valor pequeno em 2018) e TV Aberta. No total, soma-se em torno de R$ 1,5 bilhão contando todos os contratos individuais dos clubes, segundo apurou o blog.

Esse valor terá um salto em torno de 20% com a entrada do Esporte Interativo em jogos de entre seis e oito times em 2019. A concorrência aumentou o valor do Brasileiro. Isso apesar de os contratos serem feitos separadamente.

Em comparação, a Libertadores em 2017 gerou US$ 144 milhões (R$ 487 milhões). Esse valor vai se manter estável em 2018, pelo menos triplicando de valor no próximo ano com a garantia do novo contrato. Mas, então, o Brasileiro aumentará o montante: ou continuará como a liga mais valiosa ou no máximo deve ser igualado pela Libertadores dependendo das licitações de direitos de TV.

Em relação ao Campeonato Argentino, o valor acertado é de R$ 650 milhões. A Liga Mexicana e a MLS (Major League Soccer) também estão atrás do Brasileiro.

A receita, no entanto, podia ser muito maior se outras propriedades fossem exploradas. Não há venda consistente de marketing. A Globo não tem negociado todas as placas, a CBF não consegue mais fechar direitos sobre o nome.

Licenciamento de produtos também é quase uma nulidade, o que poderia ser feito pela confederação. Outro ponto é a venda de direitos internacionais, pouco trabalhada e quase insignificante dentro do bolo geral. A CBF passará a negociar esse direito no lugar da Globo para 2019.

A falta de visibilidade internacional tem relação com a desorganização do calendário e a imprevisibilidade de horários de jogos, além da ausência de estrelas internacionais no Brasileiro. Uma melhoria nas finanças dos clubes, que não são fiscalizados pela CBF, teria impacto neste último item.

Há ainda aspectos técnicos. A confederação inflou o valor da premiação da Copa do Brasil, enquanto a premiação por resultado do Brasileiro só virá em 2019 e será menor do que o torneio. Isso torna a competição mata-mata possivelmente mais atraente sob o ponto de vista financeiro. Ainda não há exigências mais duras sobre itens como gramados, o que prejudica qualidade de jogos.

A conclusão é que a estabilidade dos pontos corridos, com mais jogos para vender, e o sistema de televisão com três plataformas foi capaz de elevar o patamar do Brasileiro nesses últimos 16 anos. Mas a preferência por decisões políticas da CBF em relação à organização do campeonato, em detrimento de posições técnicas, é um entrave para um salto de qualidade do Nacional.

PS Fora do futebol, o Brasileiro perde em termos de arrecadação para NBA, NFL e Major League Baseball nos EUA. Dentro do futebol, fica atrás das cinco principais ligas europeias: Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e França, além da Liga dos Campeões.


Com Copa, CBF tem quebra-cabeça para calendário 2018 e Nacional terá perda
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A CBF tenta montar um verdadeiro quebra-cabeça para viabilizar o calendário 2018 com a Copa da Rússia, em meio a um novo cenário com Libertadores e Copa do Brasil anuais. Federações pressionam para não perder datas de Estaduais, jogadores poderão ter férias divididas e haverá prejuízo certo para o Brasileiro com perda de jogadores no período pre-Mundial.

Para a temporada 2017, a confederação lançou o cronograma de jogos em 6 de julho, alterando o no final do ano após a Conmebol decidir por transformar a Libertadores em anual. Desta vez, cartolas já foram perguntar para a entidade sobre o documento, mas ainda não há sinal de que vá sair em breve.

Explica-se: o calendário atual teve 111 datas de competições somadas, sendo algumas coincidentes como Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores. Dessas, há 38 datas do Brasileiro, e 18 para o Estadual que já ocupam todos os finais de semana.

Com a Copa-2018, não poderá haver jogos entre 14 de junho e 15 de julho. Haverá uma perda de dez datas. Se fosse respeitada o período exclusivo de preparação para a Copa, poderia haver perda de mais 15 a 20 dias, se a Fifa estabelecer descanso aos atletas.

O blog apurou que a CBF não vai paralisar o Brasileiro durante o período de preparação do Mundial, assim como fez na Copa-2014. O entendimento na confederação é de que isso é inviável. Assim, os clubes que tiverem jogadores convocados voltarão a perde-los neste período.

Mas isso é insuficiente para compesar todas as datas perdidas. Uma opção é reduzir a pre-temporada e dividir as férias dos jogadores, colocando uma parte do período no meio do Mundial como feito em 2014. “Ainda não nos procuraram. A Lei Pelé não fala em período, mas há férias coletivas. Na alteração proposta na lei, querem fracionar as férias e somos contra. Não vou ser irresponsável de dizer que não aceitamos porque teria de consultar os jogadores do que eles querem”, afirmou o presidente da Fenapaf, Felipe Augusto Leite.

De outro lado, a CBF poderia reduzir os Estaduais para encaixar o calendário. Mas o problema é que competições como o Paulista e o Carioca têm contratos com a Globo para um mínimo de datas, o que geraria perda de valor. Além disso, há o desgaste político do presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, de mexer com as competições de seus principais aliados. As federações já perguntam à confederação sobre o calendário.

A redução dos Estaduais, no momento, parece bem improvável. Uma tendência é o início desses campeonatos voltar a ocorrer em janeiro, comprometendo a pré-temporada. Não há martelo batido sobre o assunto.

Uma outra questão são as paralisações de campeonatos como Copa do Brasil e Libertadores, que terão volta depois do Mundial agora que são anuais. A Conmebol já fez mudanças na edição atual para abrir maior troca de jogadores por conta do efeito da janela de transferência. Agora, a competição terá de ficar parada por pelo menos um mês, ou um mês e meio se a Conmebol se respeitar

Há ainda questões sobre o encaixe das Copas Nordeste, Verde e da Primeira Liga. Essa última pode virar competição de pré-temporada, mas o contrato com a Globo torna complicada a sua extinção. Já o Nordestão está garantido com 12 datas por contrato com o Esporte Interativo.

Todos esses elementos serão levados em conta pela CBF em um calendário que promete ser mais complicado até do que o da Copa-2014 que foi no país. A confederação não informou quando sairá o documento.


Ameaçada, Primeira Liga faz ajustes nos jogos para sobreviver
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O calendário da CBF com um excesso de partidas no início do ano tornou bastante complicada a realização da Primeira Liga. A ponto de o presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno, ter dito que a participação do clube seria impossível. E o próprio presidente da liga, Gilvan Pinho Tavares, confessar em reunião que ela poderia não acontecer. A liga então fará adaptações ao seu cronograma de jogos para tentar sobreviver e manter seus times.

O novo cronograma e datas devem ser anunciados na terça-feira quanto haverá uma reunião da liga. É ali que se baterá o martelo se, de fato, a liga será disputada. Enquanto isso, a diretoria da liga diz ter convencido o Galo a ficar no torneio.

“Conversamos com o presidente do Atlético-MG sobre isso. Ele falou de cabeça quente. A preocupação dele era que não houvesse datas. Ele vai participar”, contou o executivo da liga, José Sabino, que garantiu a realização da liga. “O calendário ficou bastante apertado e vamos fazer algumas mudanças para encaixar as datas.”

Mas o presidente da liga, Gilvan Pinho Tavares, afirmou em reunião do arbitral do Campeonato Mineiro que havia a possibilidade de a competição não acontecer. Alegava que a falta de datas era um problema sério a ser enfrentado.

A liga ficou sob ameaça com as mudanças no calendário da CBF. Após a Libertadores se tornar anual, a confederação concentrou jogos da Copa do Brasil e do Estadual em fevereiro quando seria disputada a Primeira Liga. E manteve a exclusão da competição organizada pelos clubes do calendário.

Sabino ainda não revela quais serão as adaptações porque antes os clubes terão de votar. É certo que a tabela continuará pendente porque vai esperar quais clubes estarão na pré-Libertadores e na Libertadores ao final do Brasileiro. Além do Atlético-MG, o Flamengo já é praticamente certo na competição sul-americana. Entre os membros da liga, Fluminense, Atlético-PR e Grêmio são candidatos a vagas.

A liga tem uma carta de intenções assinada com a Globo para cessão dos direitos de transmissão de 2017 a 2019. Ao contrário do prometido pela liga, não houve uma licitação para concorrência para todas as mídias, optando-se por fechar tudo com a emissora global. O Esporte Interativo demonstrara interesse nos direitos também.

“Basicamente, a gente tentou, mas não tivemos propostas para todas as mídias. O mercado brasileiro não tem maturidade para essa concorrência ainda. E tivemos uma dificuldade de prazo”, contou Sabino. “A Liga ainda precisa ter um reconhecimento de valor, está se consolidando. É diferente da Champions League. Queremos voltar a esse processo, que entendemos ser o melhor, daqui a três anos.”


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