Blog do Rodrigo Mattos

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Chefe da CBF gera mal estar com cartolas ao pedir transparência a clubes
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Durante o Conselho Técnico da Série A, o diretor-executivo da CBF, Rogério Caboclo, pediu transparência e respeito às leis aos clubes gerando mal estar e reação de dirigentes das agremiações. Sua fala foi entendida por cartolas como Andrés Sanchez e Mario Celso Petraglia como se a confederação dissesse que os clubes não têm boas práticas de gestão.

Caboclo é atualmente quem de fato administra a confederação com a suspensão provisória de Marco Polo Del Nero por acusação de corrupção. É também seu candidato preferido em caso de a Fifa banir o presidente da confederação em definitivo.

A discussão ocorreu quando Caboclo tratava da questão do registros de treinadores. Ele explicava aos clubes que teria de haver registro em carteira, e não só em contratos de direito de imagem.

Em seu discurso, o dirigente afirmou que os clubes precisavam ser mais transparentes e moralizar a gestão. Acrescentou que a CBF estava trabalhando neste sentido dentro de sua administração. E cobrou dos clubes a assinatura da carteira porque estava na lei.

O discurso gerou uma reação do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e do homem-forte do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia. Ambos tomaram a palavra para dizer que já tinham práticas de gestão de transparência em seus clubes.

Outros dirigentes de agremiações também descreveram como infeliz a forma como Caboclo colocou as cobranças aos clubes. Alguns cartolas também contaram que a fala do cartola da CBF tinha um tom alterado, às vezes, confuso.

Aliados da diretoria da confederação minimizaram o episódio. Reconheceram que houve um desconforto após o discurso de Caboclo por parte do dirigente. Mas entendem que o fato foi superado e durou pouco tempo. Mas, mesmo os aliados, reconheceram que o chefe da CBF foi inábil.

Caboclo é o braço direito de Del Nero. Com o afastamento do presidente e com o Coronel Nunes como interino, é ele que tem tocado a CBF. O julgamento de Del Nero está em curso no Comitê de Ética da Fifa. Caso seja banido definitivamente, Caboclo é o seu preferido para sucede-lo.

A questão é que o diretor-executivo da CBF já enfrentou questionamentos entre presidentes de federações e de clubes. Um dos motivos é querer cortar gastos da entidade e não atender pleitos.

Na reunião do Conselho Técnico, a confederação apresentou uma conta de R$ 40 mil a R$ 50 mil por jogo para ter a arbitragem de vídeo. Recusou-se a pagar qualquer parte do montante alegando que não tem nenhum ganho financeiro com o Brasileiro. Só para o segundo turno isso daria R$ 500 mil por clube, e R$ 1 milhão no total.

Havia uma reivindicação dos clubes que a entidade bancasse pelo menos parte do montante. Sem isso, os clubes reprovaram a ideia da implantação para o segundo turno, como seria ideia da CBF. Ou seja, o projeto que era considerado prioritário por Del Nero já para 2017 ficou adiado para 2019.


Como saúde financeira dos clubes melhoraria nível do futebol brasileiro
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A temporada de 2018 começou com boa parte dos clubes brasileiros em crise financeira logo após estes mesmas agremiações terem sido beneficiadas com um programa para pagamento de dívidas e luvas de televisão. Uma novela repetida em que dirigentes preferem investir pesado no futebol a adotar regras básicas empresariais. O que falta de compreensão aos cartolas brasileiros é que, a longo prazo, uma recuperação das contas se refletiria em melhoria técnica em campo.

Para explicar isso, é preciso lembrar que o mercado de futebol do Brasil ainda é pouco regulado em termos de finanças em relação a outras ligas europeias. A CBF instituiu um licenciamento para clubes para 2018 sem que exista nenhum regra de fair play financeiro, isto é, que puna aqueles que gastem sem ter dinheiro. Isso já existe na Europa e na Ásia. No Brasil, só há é a Lei do Profut que prevê exclusão do refinanciamento.

Pois bem, a Alemanha é o país onde há talvez a maior regulação financeira dos clubes. Por isso, é uma liga que gasta bem menos com contratações de jogadores do que as outras, como a Inglesa ou Espanhola. A exceção é o Bayern de Munique, que tem uma receita próxima de Real Madrid e Barcelona. Mesmo assim, gasta menos do que esses.

Outra característica da liga alemã é que seus clubes não podem ser comprados por milionários estrangeiros. O controle acionário tem que ser mantido com associações, isto é, aqueles sócios que fazem parte da fundação do clube. Há exceções apenas para times como o Wolsburg porque a Wolkswagen está há mais de 20 anos controlando o time, com raízes ligadas a sua fundação, mesma situação do Bayen Leverkussen. O Red Bull Leipizig gera polêmica por ter um dono recente.

Se não tem investidores milionários, nem gasta os turbos com contratações, como a liga alemã é uma das de maior nível técnico e atratividade do mundo? Um ponto é o desenvolvimento das divisões de base locais, incentivada pela liga e federação alemãs porque os clubes têm que fazer investimentos obrigatórios nos últimos 15 anos. Ora, com a revelação de atletas, os clubes se tornam muito menos dependentes de contratações.

Não é preciso ser um gênio para constatar que o modelo se encaixaria perfeitamente no Brasil. O país é o maior celeiro de jogadores do futebol mundial. Se os clubes tivessem equilibrados financeiramente, e com pequenas mudanças na legislação, seria possível tornar bem mais difícil tirar jogadores do Brasil. Claro, o jogador do nível de Neymar continuará a ir para Barcelonas e PSGs. Mas atletas de talento com bom nível técnico só sairiam por valores bem mais altos do que os atuais, ou não sairiam.

Cada liga europeia identifica o que tem de ponto mais forte. No caso alemão, revelações e fidelidade do time. No caso espanhol, dois times de repercussão global que puxam a liga inteira. No caso inglês, a força econômica de contratos que atingem valores astronômicos. A liga italiana decaiu, mas ainda acha na cultura tática e na Juventus sua força. Mas precisa se reinventar.

O Brasil precisa achar a sua cara, e isso tem que ser na aposta na manutenção de talentos, não no investimento em veteranos a alto custo. Mas, para isso, tem que se aumentar também o gasto com divisão de base. Os clubes nacionais investem a metade dos alemães neste item, e de forma irregular, segundo dados levantados pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre o tema. Ou seja, um São Paulo gasta muito, e outros bem menos, por exemplo. Não há padrão.

Investir em divisão de base e acertar as contas para manter os atletas não dá Ibope e nem títulos imediatos. Mais do que isso, não permite um monte de transações com comissões astronômicas para agentes (e sabe se lá a que outras pessoas no caminho). Exatamente o ciclo vicioso em que está preso o futebol nacional. Os agentes deveriam focar em ganhar dinheiro com a gestão da carreira de seus atletas, não com transações. E os cartolas em desenvolverem planos a longo prazo, não em holofotes momentâneos.

Dado esse primeiro passo, a liga brasileira poderia então formar uma base forte e melhorar o nível técnico para poder ser vendável no exterior como produto inteiro, como campeonato. Atualmente, há pouquíssimo interesse nos jogos do Brasil porque são de baixo nível técnico. Aí, sim, haveria novo salto de receita. De todo esse roteiro, o primeiro passo é que os clubes equilibrem suas finanças. Sem isso, não será possível dar nenhum dos passos seguintes.


CBF recusou acordo com MP que devolveria poder a clubes em eleição
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Antes de pedir o afastamento de dirigentes da CBF, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro tentou um acordo com a diretoria da entidade para devolver o poder aos clubes na eleição. A proposta era que a confederação desfizesse a mudança em seu estatuto que deu mais peso a votos de federações. A CBF recusou por entender que agiu na legalidade.

Lembre-se que, em março, a CBF organizou uma assembleia só com federações que mudava o peso dos votos na sua eleição. As entidades passavam a ter peso três, somando 81 votos, enquanto os clubes das Sérias A e B ficavam com pesos dois e um, totalizando 60. Assim, o presidente Marco Polo Del Nero evita que os times tenham maioria quando disputará a reeleição.

Houve reclamação de alguns clubes, mas nenhuma ação prática. Até que o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), autor da Lei do Profut, entrou com representação no Ministério Público para pedir peso igual a todos, em respeito à legislação aprovada.

O promotor Rodrigo Terra, então, propôs a CBF um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ao instaurar um inquérito civil. “A proposta inicial seria a anulação, por parte da própria entidade, da alteração do regulamento no que ocorreu ilegalidade, o que evitaria o ajuizamento da ação coletiva com o pedido de destituição dos dirigentes”, afirmou o promotor, por meio da assessoria.

Mas a CBF recusou por entender que havia legalidade em sua assembleia. Por isso, o promotor entrou com pedido de afastamento dos dirigentes da entidade, com base no Estatuto do Torcedor. Na ação inicial do promotor, afirma-se que a confederação reconheceu que não convocou nenhum clube para a reunião para alterar o estatuto, o que seria obrigatório, de acordo com a lei.

Ainda não existe uma decisão da Justiça. O caso está no Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, como juiz Guilherme Shcilling Duarte, que vai decidir se dá uma liminar de afastamento dos dirigentes como pede o promotor. Apesar de não ter sido intimidada, a CBF já mobiliza seus advogados para confrontar a tese do MP.

“Atuei dentro da legitimidade do meu mandado, dentro do que diz o texto da lei. Houve um desrespeito, estou confiante da decisão”, afirmou o deputado Otávio Leite.

Houve seis clubes que se reuniram para traçar uma estratégia para discutir a mudança de estatuto. Um deles foi o Flamengo cujo presidente Eduardo Bandeira de Mello afirmou que entende que a lei previa peso igual para clubes e federações.

“Eu já havia me manifestado antes dizendo que entendia que o espírito do legislador no caso do Profut era no sentido de dar pesos iguais a clubes e federações”, disse ele, que defendia um decreto de lei para regular o caso. “Com a medida tomada pelo MP, a justiça vai se pronunciar, o que não invalida meu entendimento inicial.”

A diretoria da CBF mantém a sua posição de que a alteração do estatuto é legal:

“A CBF reafirma sua absoluta convicção de que a convocação e as deliberações da referida Assembleia Geral obedeceram a todos os procedimentos previstos em lei, opinião avalizada por pareceres de alguns dos juristas mais importantes do país. Sendo assim, reitera sua tranquilidade em relação à tramitação do processo e à decisão do Poder Judiciário”


Conmebol tem lucro de R$ 84 milhões com Libertadores, revelam contas
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Tornadas públicas pela primeira vez, as contas da Conmebol revelaram que a entidade tem um lucro de US$ 26,6 milhões (R$ 84 milhões) com a Libertadores enquanto os clubes reclamam da baixas premiações. O dinheiro ganho com a competição dos times é usado em outros torneios e objetivos da confederação sul-americano.

O balanço da Conmebol foi revelado pela primeira vez nesta quarta-feira no congresso da entidade. Nos números, está registrado um ganho total com a Libertadores de US$ 121,9 milhões (R$ 385 milhões) em 2016. Houve um reajuste considerável em relação a 2015 com o novo contrato já que as receitas eram de US$ 66 milhões.

Com isso, a Libertadores tornou-se a mais rentável e lucrativa para a entidade. Seus gastos são de Us$ 95,3 milhões, os maiores da confederação sul-americano. Não está especificado no balanço quanto desse dinheiro efetivamente vai para os clubes.

Mas fato é que a Conmebol fica com um lucro de US$ 26,6 milhões de sobra. Manteve praticamente o mesmo percentual de lucro na competição que tinha no ano de 2015. Naquela temporada, eram 23% e agora caiu levemente para 21%.

Um campeão da Libertadores ganha US$ 8 milhões ao final da competição em premiação. Considerando todas as receitas da Conmebol, o torneio de clubes representa praticamente metade de suas receitas que somam Us$ 247 milhões. Ainda assim, o lucro da entidade foi de apenas Us$ 1,3 milhão por conta de outras despesas com torneios.


Clubes se encontram em São Paulo para debater mudança na eleição na CBF
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Um grupo de grandes clubes brasileiros se reúne nesta sexta-feira em São Paulo para discutir se serão tomadas medidas em relação às mudanças de estatuto da CBF que tiraram poder das agremiações. A reunião vem sendo articulada desde a semana passada em sigilo para não causar reações antes de os times saberem exatamente o que querem fazer.

As federações estaduais e a CBF votaram uma alteração no estatuto da entidade para alterar o peso dos votos na eleição para presidente. Com a nova regra, as federações passaram a ter peso três na votação, os clubes da Série A, dois, e os da B, um. Assim, as entidades estaduais têm mais votos (81) do que as agremiações (60). O movimento foi feito sem consulta ou aviso aos clubes.

Dirigentes de times ficaram irritados com a atitude da CBF e reclamaram da perda de poder sem discussão. Ainda mais porque a confederação tinha convocado todos os cartolas para opinar sobre as mudanças de estatuto, mas, no final, decidiu fazer uma versão sozinha só ouvindo federações.

Entre os clubes articulados, estão Atlético-MG, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Atlético-PR, Coritiba, Bahia, e provavelmente os grandes de São Paulo (Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos), e o Cruzeiro. Não há certeza sobre a presença de todos, nem se haverá mais times no movimento justamente pelo sigilo mantido em relação ao encontro. A sede de um dos times paulistas da capital deve ser usada como local da reunião.

A pauta da reunião não está completamente definida, embora a reunião tenha sido motivada pela irritação com a atitude da CBF em mudar o sistema eleitoral para manter o poder. Dificilmente, no entanto, haverá uma revolta geral com a confederação pelo que o blog ouviu dos dirigentes que vão participar.

Mas há a intenção de tomar alguma medida já que os dirigentes de clubes perceberam que foram vistos como fracos diante da confederação por não reagirem às mudanças no estatuto. Há entre alguns cartolas que vão à reunião uma descrença em relação aos resultados já que as agremiações nunca conseguiram se unir de fato para reivindicar suas demandas. É imprevisível o que sairá da reunião.


Clubes articulam reunião para discutir perda de poder na CBF
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Os grandes clubes brasileiros articulam uma reunião para discutir a perda de poder dentro da eleição da CBF. Ainda não há data marcada para o encontro, nem se sabe quantos times estão dispostos a comparecer. Certo é que alguns clubes insatisfeitos com a mudança se mexeram para um encontro para debater possíveis medidas.

Na quinta-feira passada, dia 23, uma assembleia da CBF composta apenas por federações estaduais decidiu mudar o estatuto da confederação. Pelo novo formato, as federações passaram a ter voto com peso três, os clubes da Série A, dois, e os clubes da Série B, um. Com isso, as entidades estaduais têm maioria com 81 votos, contra 60 das agremiações.

Desde a divulgação da mudança, dirigentes de clubes como Atlético-MG, Santos, Flamengo, Grêmio e Vasco reclamaram da mudança de estatuto. Nenhum deles foi consultado. Apesar disso, nenhum deles tinha decidido agir até agora contra a medida.

A única ação contra a mudança de estatuto da CBF tinha sido do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que foi relator da Lei do Profut e entende que a lei não foi respeitada, pois times de futebol tinham de ter participado da assembleia. Ele foi ao Ministério Público Estadual pedir providências.

Agora, os clubes articulam uma reunião que não deve contar com todos os membros da Série A. Mas, segundo um dos articuladores, a maior parte dos principais times deve estar presente, incluindo os clubes paulistas. Não há uma pauta pré-definida de discussão, nem data, nem local. É um início de um movimento.


Após promessas, CBF dá drible e reduz poder dos clubes sem avisá-los
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Ao reformar seu estatuto, a CBF tinha o discurso de que pretendia democratizar a entidade. Contratou uma consultoria (Ernest & Young), ouviu advogados e representantes de clubes. E, no final, aprovou uma mudança que reduz o poder de votos dos clubes sem nenhuma comunicação ou participação deles na decisão.

Em sua gestão, o presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, prometeu aumentar a participação dos clubes na CBF, principalmente quando estava fragilizado por investigações do FBI. Até lhes deu prerrogativas de mandar nas regras do Brasileiro. Mas os excluiu do centro de poder da entidade.

Um exemplo é que eles foram ignorados na mudança do estatuto. Havia dois representantes dos clubes no Comitê de Reforma da CBF que discutia o novo estatuto, os presidentes do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, e do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. O primeiro desconhecia a mudança no estatuto.

“Não participei. Não tenho notícia. Precisarei me inteirar antes de dar qualquer opinião”, contou o presidente são paulino, Leco. Não foi o único. Nesta quinta-feira, assessores de clubes começavam a repassar as informações aos presidentes. “Ainda não li, mas somos a favor de pesos iguais para todos”, disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

A surpresa se explica porque, depois de meses na geladeira, a proposta de mudança de estatuto foi feita exclusivamente pela CBF. Foi levada à assembleia administrativa composta pelas federações e aprovada a mudança que dá peso três aos votos de federações, dois aos clubes da Série A, e um dos times da Série B. Antes, todos tinham peso igual. Agora, federações têm maioria na eleição.

Clubes da Primeira Liga pediram participação nesta assembleia alegando que está previsto na Lei do Profut. Foram ignorados pela CBF que tem entendimento diverso da lei: a entidade defende que nenhuma lei pode interferir no seu estatuto.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que não cabia avisar os clubes, pois não é previsto pelas regras. A confederação também não alertou jornalistas, ou informou em seu site a realização da assembleia surpresa. Só cumpriu a lei ao publicar em jornais que o encontro ocorreria, coincidentemente marcado para o dia de jogo da seleção. Feldman defendeu as mudanças.

“Com essa nova estruturação, que dá peso 2 a Série A, inclusão da Série B, com 1. Mantém-se a proporcionalidade de 42,5%”, contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. “A presença de 42,5% é muito expressiva em um sistema federativo.”

Haverá um novo conselho de administração da CBF com oito vices-presidentes, o que teoricamente reduziria o poder do presidente. Mas serão todos da mesma chapa eleita pelo presidente ao contrário do que ocorre na Fifa. Comissões de finanças e ética também terão indicados pelo mandatário.

 

Tags : CBF clubes


No Profut, um quinto dos clubes não pagou nem 1a parcela da dívida fiscal
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Dos clubes que aderiram ao Programa Profut, pelo menos um quinto dos 127 clubes não pagou nem a primeira parcela da dívida e será excluída do refinanciamento. O dado foi revelado pelo coordenador de cobranças da Receita Federal, Frederico Igor Leite, durante audiência na Câmara Federal. Ele ressaltou, no entanto, que os grandes clubes que são os maiores devedores continuam pagando.

A informação foi dada quando dirigentes e deputados o questionaram sobre dados para demonstrar a eficácia do programa.

“Por enquanto, só temos dados das adesões aos parcelamentos. E, dessas adesões, quais não apresentam primeiro pagamento. O primeiro pagamento é condição sagrada para continuar. Dependendo da modalidade, está em 20 a 26% de não pagamento. São três modalidades, Receita, Procuradoria da Fazenda, INSS. A receita ficou surpresa. Estamos falando um quarto ou um quinto que não cumpriu com o requisito de parcelamento. Estamos apurando a regularidade dessas parcelas”, contou Frederico.

Mais à frente, o executivo da receita afirmou que os clubes maiores, que têm as dívidas mais representativas, aderiram ao programa. E informou que por isso crê na eficácia do programa.

“As dívidas médias para grandes, esses aderiram. Tudo bem que são 120 de 540 clubes. Mas esses 120 representam 95% e 97% (dívidas). Havia quantitativo nesses 500 que eram dívidas irrisórias. Não pode dizer que o Profut foi ineficaz do ponto de vista de dívida”, contou Frederico.

O blog perguntou à Receita detalhes da informações dada na audiência, inclusive quais clubes que nem pagaram a primeira parcela, mas ainda não obteve resposta. A Receita ainda não sabe qual o montante que tem sido pago pelos clubes, nem o total do débito incluído no programa.Um levantamento do blog mostrou que em torno de R$ 600 milhões em dívidas foram perdoados pelo governo só para clubes grandes.


Investigada, parceira da CBF usa marcas de times e lucra na Copa do Brasil
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Parceira da CBF, a empresa Klefer Produções e Promoções usa as marcas dos clubes e ingressos para lucrar com a Copa do Brasil. A empresa tem os direitos de comercialização de placas da Copa do Brasil, e é investigada pelo FBI por supostamente ter pago propina para ex-presidentes da confederação por esses acordos.

O blog teve acesso ao contrato entre a Klefer e a Petrobras relacionado ao patrocínio da competição de 2015 a 2017, que foi rompido em outubro. No documento, a agência de marketing usa fotos e símbolos dos grandes clubes brasileiros para vender o seu produto. A empresa tem esse direito pelo acordo da CBF.

Ao descrever o pacote comercial, a Klefer se utilizar de cinco fotos de jogadores do Flamengo, campeão em 2013 e com vários prêmios individuais. Há ainda fotos do Grêmio, do Inter e do Cruzeiro para ilustração, além do uso de escudos dos times.

Para exaltar atratividade da Copa do Brasil, a Klefer usa os símbolos de Flamengo, Corinthians e São Paulo para demonstrar a audiência obtida nas suas partidas. A final entre o time carioca e o Atlético-PR gerou 38 pontos pelo Ibope.

Além disso, no contrato, é previsto que o patrocinador tenha direito a 100 ingressos de cada semifinal e final, além de 30 de outros jogos. O direito a vender os bilhetes para os jogos é dos clubes, e não da CBF.

Nenhum desses procedimentos da Klefer é irregular, já que ela tem os direitos sobre a competição. Mas eles servem para mostrar como a empresa ganha dinheiro, na verdade, em cima de um campeonato que só tem visibilidade por causa dos clubes. Mas a CBF especifica em regulamento que é a responsável por comercializar todos os direitos da competição, incluindo televisão, placas, naming rights.

Aos clubes, só sobra o direito a quotas por cada fase de grupo. O campeão da Copa do Brasil de 2015, por exemplo, ganhou R$ 8 milhões. É um pouco mais do que uma cota de placa de publicidade paga por patrocinador, R$ 6 milhões, sendo que há várias cotas, mais os direitos pagos pela Globo. O blog tentou contato com executivos da Klefer, mas não obteve retorno.


Eleição na CBF mostra clubes frágeis e desunidos
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A eleição do vice-presidente da CBF Coronel Nunes foi uma demonstração de fragilidade dos clubes brasileiros no poder do futebol nacional. Desunidos, adotaram posições isoladas ou em grupos pequenos sem efeito nenhum. Na prática, Marco Polo Del Nero e as federações aliadas saíram fortalecidas apesar dos escândalos de corrupção.

Um exemplo foram os clubes paulistas. Juntos com a federação, fecharam apoio a Nunes desde que eles se comprometessem com medidas para aumentar o poder dos clubes que tomariam conta do Brasileiro.

O blog apurou que os times de São Paulo votaram em Nunes, mas não receberam nenhuma garantia ou resposta da CBF de que a sua agenda seria cumprida. Palmeiras, Santos e Corinthians foram, mas saíram sem se manifestar. Não foi possível confirmar a presença do São Paulo.

Entre os clubes, o Coritiba, que era membro da Liga Rio-Sul-Minas, também votou no vice Nunes.  “Se houve golpe, foi de quem foi a Justiça”, defendeu o diretor do Coritiba Valdir Barbosa. Ele afirmou que não sabe se será realizada a liga em 2016 e defendeu que ela deveria tentar autorização da CBF.

Os clubes de Minas Gerais, que já foram artífices da liga, não foram à confederação. Deram procuração para o presidente da federação local votar em seu lugar, mas Castellar Neto voltou a Minas porque sua mulher teria filho. Outros artífices da Liga, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e do Atlético-PR, Mauro Celso Petraglia, não foram à CBF. O clube rubro-negro apenas apresentou pacote de mudanças na CBF.

Um dos poucos clubes a se manifestar, o presidente do Bahia, Marcelo Sant’ana, reconheceu a desmobilização dos clubes. “As federações estão bem à frente dos clubes nesta questão do poder. Os clubes tinham que conversar mais. Mas os clubes ficam mais preocupados com a operação do dia a dia e isso não acontece”, contou ele, que discursou no plenário.