Blog do Rodrigo Mattos

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CBF recusou acordo com MP que devolveria poder a clubes em eleição
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Antes de pedir o afastamento de dirigentes da CBF, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro tentou um acordo com a diretoria da entidade para devolver o poder aos clubes na eleição. A proposta era que a confederação desfizesse a mudança em seu estatuto que deu mais peso a votos de federações. A CBF recusou por entender que agiu na legalidade.

Lembre-se que, em março, a CBF organizou uma assembleia só com federações que mudava o peso dos votos na sua eleição. As entidades passavam a ter peso três, somando 81 votos, enquanto os clubes das Sérias A e B ficavam com pesos dois e um, totalizando 60. Assim, o presidente Marco Polo Del Nero evita que os times tenham maioria quando disputará a reeleição.

Houve reclamação de alguns clubes, mas nenhuma ação prática. Até que o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), autor da Lei do Profut, entrou com representação no Ministério Público para pedir peso igual a todos, em respeito à legislação aprovada.

O promotor Rodrigo Terra, então, propôs a CBF um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ao instaurar um inquérito civil. “A proposta inicial seria a anulação, por parte da própria entidade, da alteração do regulamento no que ocorreu ilegalidade, o que evitaria o ajuizamento da ação coletiva com o pedido de destituição dos dirigentes”, afirmou o promotor, por meio da assessoria.

Mas a CBF recusou por entender que havia legalidade em sua assembleia. Por isso, o promotor entrou com pedido de afastamento dos dirigentes da entidade, com base no Estatuto do Torcedor. Na ação inicial do promotor, afirma-se que a confederação reconheceu que não convocou nenhum clube para a reunião para alterar o estatuto, o que seria obrigatório, de acordo com a lei.

Ainda não existe uma decisão da Justiça. O caso está no Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, como juiz Guilherme Shcilling Duarte, que vai decidir se dá uma liminar de afastamento dos dirigentes como pede o promotor. Apesar de não ter sido intimidada, a CBF já mobiliza seus advogados para confrontar a tese do MP.

“Atuei dentro da legitimidade do meu mandado, dentro do que diz o texto da lei. Houve um desrespeito, estou confiante da decisão”, afirmou o deputado Otávio Leite.

Houve seis clubes que se reuniram para traçar uma estratégia para discutir a mudança de estatuto. Um deles foi o Flamengo cujo presidente Eduardo Bandeira de Mello afirmou que entende que a lei previa peso igual para clubes e federações.

“Eu já havia me manifestado antes dizendo que entendia que o espírito do legislador no caso do Profut era no sentido de dar pesos iguais a clubes e federações”, disse ele, que defendia um decreto de lei para regular o caso. “Com a medida tomada pelo MP, a justiça vai se pronunciar, o que não invalida meu entendimento inicial.”

A diretoria da CBF mantém a sua posição de que a alteração do estatuto é legal:

“A CBF reafirma sua absoluta convicção de que a convocação e as deliberações da referida Assembleia Geral obedeceram a todos os procedimentos previstos em lei, opinião avalizada por pareceres de alguns dos juristas mais importantes do país. Sendo assim, reitera sua tranquilidade em relação à tramitação do processo e à decisão do Poder Judiciário”


Conmebol tem lucro de R$ 84 milhões com Libertadores, revelam contas
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Tornadas públicas pela primeira vez, as contas da Conmebol revelaram que a entidade tem um lucro de US$ 26,6 milhões (R$ 84 milhões) com a Libertadores enquanto os clubes reclamam da baixas premiações. O dinheiro ganho com a competição dos times é usado em outros torneios e objetivos da confederação sul-americano.

O balanço da Conmebol foi revelado pela primeira vez nesta quarta-feira no congresso da entidade. Nos números, está registrado um ganho total com a Libertadores de US$ 121,9 milhões (R$ 385 milhões) em 2016. Houve um reajuste considerável em relação a 2015 com o novo contrato já que as receitas eram de US$ 66 milhões.

Com isso, a Libertadores tornou-se a mais rentável e lucrativa para a entidade. Seus gastos são de Us$ 95,3 milhões, os maiores da confederação sul-americano. Não está especificado no balanço quanto desse dinheiro efetivamente vai para os clubes.

Mas fato é que a Conmebol fica com um lucro de US$ 26,6 milhões de sobra. Manteve praticamente o mesmo percentual de lucro na competição que tinha no ano de 2015. Naquela temporada, eram 23% e agora caiu levemente para 21%.

Um campeão da Libertadores ganha US$ 8 milhões ao final da competição em premiação. Considerando todas as receitas da Conmebol, o torneio de clubes representa praticamente metade de suas receitas que somam Us$ 247 milhões. Ainda assim, o lucro da entidade foi de apenas Us$ 1,3 milhão por conta de outras despesas com torneios.


Clubes se encontram em São Paulo para debater mudança na eleição na CBF
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Um grupo de grandes clubes brasileiros se reúne nesta sexta-feira em São Paulo para discutir se serão tomadas medidas em relação às mudanças de estatuto da CBF que tiraram poder das agremiações. A reunião vem sendo articulada desde a semana passada em sigilo para não causar reações antes de os times saberem exatamente o que querem fazer.

As federações estaduais e a CBF votaram uma alteração no estatuto da entidade para alterar o peso dos votos na eleição para presidente. Com a nova regra, as federações passaram a ter peso três na votação, os clubes da Série A, dois, e os da B, um. Assim, as entidades estaduais têm mais votos (81) do que as agremiações (60). O movimento foi feito sem consulta ou aviso aos clubes.

Dirigentes de times ficaram irritados com a atitude da CBF e reclamaram da perda de poder sem discussão. Ainda mais porque a confederação tinha convocado todos os cartolas para opinar sobre as mudanças de estatuto, mas, no final, decidiu fazer uma versão sozinha só ouvindo federações.

Entre os clubes articulados, estão Atlético-MG, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Atlético-PR, Coritiba, Bahia, e provavelmente os grandes de São Paulo (Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos), e o Cruzeiro. Não há certeza sobre a presença de todos, nem se haverá mais times no movimento justamente pelo sigilo mantido em relação ao encontro. A sede de um dos times paulistas da capital deve ser usada como local da reunião.

A pauta da reunião não está completamente definida, embora a reunião tenha sido motivada pela irritação com a atitude da CBF em mudar o sistema eleitoral para manter o poder. Dificilmente, no entanto, haverá uma revolta geral com a confederação pelo que o blog ouviu dos dirigentes que vão participar.

Mas há a intenção de tomar alguma medida já que os dirigentes de clubes perceberam que foram vistos como fracos diante da confederação por não reagirem às mudanças no estatuto. Há entre alguns cartolas que vão à reunião uma descrença em relação aos resultados já que as agremiações nunca conseguiram se unir de fato para reivindicar suas demandas. É imprevisível o que sairá da reunião.


Clubes articulam reunião para discutir perda de poder na CBF
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Os grandes clubes brasileiros articulam uma reunião para discutir a perda de poder dentro da eleição da CBF. Ainda não há data marcada para o encontro, nem se sabe quantos times estão dispostos a comparecer. Certo é que alguns clubes insatisfeitos com a mudança se mexeram para um encontro para debater possíveis medidas.

Na quinta-feira passada, dia 23, uma assembleia da CBF composta apenas por federações estaduais decidiu mudar o estatuto da confederação. Pelo novo formato, as federações passaram a ter voto com peso três, os clubes da Série A, dois, e os clubes da Série B, um. Com isso, as entidades estaduais têm maioria com 81 votos, contra 60 das agremiações.

Desde a divulgação da mudança, dirigentes de clubes como Atlético-MG, Santos, Flamengo, Grêmio e Vasco reclamaram da mudança de estatuto. Nenhum deles foi consultado. Apesar disso, nenhum deles tinha decidido agir até agora contra a medida.

A única ação contra a mudança de estatuto da CBF tinha sido do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que foi relator da Lei do Profut e entende que a lei não foi respeitada, pois times de futebol tinham de ter participado da assembleia. Ele foi ao Ministério Público Estadual pedir providências.

Agora, os clubes articulam uma reunião que não deve contar com todos os membros da Série A. Mas, segundo um dos articuladores, a maior parte dos principais times deve estar presente, incluindo os clubes paulistas. Não há uma pauta pré-definida de discussão, nem data, nem local. É um início de um movimento.


Após promessas, CBF dá drible e reduz poder dos clubes sem avisá-los
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Ao reformar seu estatuto, a CBF tinha o discurso de que pretendia democratizar a entidade. Contratou uma consultoria (Ernest & Young), ouviu advogados e representantes de clubes. E, no final, aprovou uma mudança que reduz o poder de votos dos clubes sem nenhuma comunicação ou participação deles na decisão.

Em sua gestão, o presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, prometeu aumentar a participação dos clubes na CBF, principalmente quando estava fragilizado por investigações do FBI. Até lhes deu prerrogativas de mandar nas regras do Brasileiro. Mas os excluiu do centro de poder da entidade.

Um exemplo é que eles foram ignorados na mudança do estatuto. Havia dois representantes dos clubes no Comitê de Reforma da CBF que discutia o novo estatuto, os presidentes do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, e do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. O primeiro desconhecia a mudança no estatuto.

“Não participei. Não tenho notícia. Precisarei me inteirar antes de dar qualquer opinião”, contou o presidente são paulino, Leco. Não foi o único. Nesta quinta-feira, assessores de clubes começavam a repassar as informações aos presidentes. “Ainda não li, mas somos a favor de pesos iguais para todos”, disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

A surpresa se explica porque, depois de meses na geladeira, a proposta de mudança de estatuto foi feita exclusivamente pela CBF. Foi levada à assembleia administrativa composta pelas federações e aprovada a mudança que dá peso três aos votos de federações, dois aos clubes da Série A, e um dos times da Série B. Antes, todos tinham peso igual. Agora, federações têm maioria na eleição.

Clubes da Primeira Liga pediram participação nesta assembleia alegando que está previsto na Lei do Profut. Foram ignorados pela CBF que tem entendimento diverso da lei: a entidade defende que nenhuma lei pode interferir no seu estatuto.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que não cabia avisar os clubes, pois não é previsto pelas regras. A confederação também não alertou jornalistas, ou informou em seu site a realização da assembleia surpresa. Só cumpriu a lei ao publicar em jornais que o encontro ocorreria, coincidentemente marcado para o dia de jogo da seleção. Feldman defendeu as mudanças.

“Com essa nova estruturação, que dá peso 2 a Série A, inclusão da Série B, com 1. Mantém-se a proporcionalidade de 42,5%”, contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. “A presença de 42,5% é muito expressiva em um sistema federativo.”

Haverá um novo conselho de administração da CBF com oito vices-presidentes, o que teoricamente reduziria o poder do presidente. Mas serão todos da mesma chapa eleita pelo presidente ao contrário do que ocorre na Fifa. Comissões de finanças e ética também terão indicados pelo mandatário.

 

Tags : CBF clubes


No Profut, um quinto dos clubes não pagou nem 1a parcela da dívida fiscal
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Dos clubes que aderiram ao Programa Profut, pelo menos um quinto dos 127 clubes não pagou nem a primeira parcela da dívida e será excluída do refinanciamento. O dado foi revelado pelo coordenador de cobranças da Receita Federal, Frederico Igor Leite, durante audiência na Câmara Federal. Ele ressaltou, no entanto, que os grandes clubes que são os maiores devedores continuam pagando.

A informação foi dada quando dirigentes e deputados o questionaram sobre dados para demonstrar a eficácia do programa.

“Por enquanto, só temos dados das adesões aos parcelamentos. E, dessas adesões, quais não apresentam primeiro pagamento. O primeiro pagamento é condição sagrada para continuar. Dependendo da modalidade, está em 20 a 26% de não pagamento. São três modalidades, Receita, Procuradoria da Fazenda, INSS. A receita ficou surpresa. Estamos falando um quarto ou um quinto que não cumpriu com o requisito de parcelamento. Estamos apurando a regularidade dessas parcelas”, contou Frederico.

Mais à frente, o executivo da receita afirmou que os clubes maiores, que têm as dívidas mais representativas, aderiram ao programa. E informou que por isso crê na eficácia do programa.

“As dívidas médias para grandes, esses aderiram. Tudo bem que são 120 de 540 clubes. Mas esses 120 representam 95% e 97% (dívidas). Havia quantitativo nesses 500 que eram dívidas irrisórias. Não pode dizer que o Profut foi ineficaz do ponto de vista de dívida”, contou Frederico.

O blog perguntou à Receita detalhes da informações dada na audiência, inclusive quais clubes que nem pagaram a primeira parcela, mas ainda não obteve resposta. A Receita ainda não sabe qual o montante que tem sido pago pelos clubes, nem o total do débito incluído no programa.Um levantamento do blog mostrou que em torno de R$ 600 milhões em dívidas foram perdoados pelo governo só para clubes grandes.


Investigada, parceira da CBF usa marcas de times e lucra na Copa do Brasil
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Parceira da CBF, a empresa Klefer Produções e Promoções usa as marcas dos clubes e ingressos para lucrar com a Copa do Brasil. A empresa tem os direitos de comercialização de placas da Copa do Brasil, e é investigada pelo FBI por supostamente ter pago propina para ex-presidentes da confederação por esses acordos.

O blog teve acesso ao contrato entre a Klefer e a Petrobras relacionado ao patrocínio da competição de 2015 a 2017, que foi rompido em outubro. No documento, a agência de marketing usa fotos e símbolos dos grandes clubes brasileiros para vender o seu produto. A empresa tem esse direito pelo acordo da CBF.

Ao descrever o pacote comercial, a Klefer se utilizar de cinco fotos de jogadores do Flamengo, campeão em 2013 e com vários prêmios individuais. Há ainda fotos do Grêmio, do Inter e do Cruzeiro para ilustração, além do uso de escudos dos times.

Para exaltar atratividade da Copa do Brasil, a Klefer usa os símbolos de Flamengo, Corinthians e São Paulo para demonstrar a audiência obtida nas suas partidas. A final entre o time carioca e o Atlético-PR gerou 38 pontos pelo Ibope.

Além disso, no contrato, é previsto que o patrocinador tenha direito a 100 ingressos de cada semifinal e final, além de 30 de outros jogos. O direito a vender os bilhetes para os jogos é dos clubes, e não da CBF.

Nenhum desses procedimentos da Klefer é irregular, já que ela tem os direitos sobre a competição. Mas eles servem para mostrar como a empresa ganha dinheiro, na verdade, em cima de um campeonato que só tem visibilidade por causa dos clubes. Mas a CBF especifica em regulamento que é a responsável por comercializar todos os direitos da competição, incluindo televisão, placas, naming rights.

Aos clubes, só sobra o direito a quotas por cada fase de grupo. O campeão da Copa do Brasil de 2015, por exemplo, ganhou R$ 8 milhões. É um pouco mais do que uma cota de placa de publicidade paga por patrocinador, R$ 6 milhões, sendo que há várias cotas, mais os direitos pagos pela Globo. O blog tentou contato com executivos da Klefer, mas não obteve retorno.


Eleição na CBF mostra clubes frágeis e desunidos
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A eleição do vice-presidente da CBF Coronel Nunes foi uma demonstração de fragilidade dos clubes brasileiros no poder do futebol nacional. Desunidos, adotaram posições isoladas ou em grupos pequenos sem efeito nenhum. Na prática, Marco Polo Del Nero e as federações aliadas saíram fortalecidas apesar dos escândalos de corrupção.

Um exemplo foram os clubes paulistas. Juntos com a federação, fecharam apoio a Nunes desde que eles se comprometessem com medidas para aumentar o poder dos clubes que tomariam conta do Brasileiro.

O blog apurou que os times de São Paulo votaram em Nunes, mas não receberam nenhuma garantia ou resposta da CBF de que a sua agenda seria cumprida. Palmeiras, Santos e Corinthians foram, mas saíram sem se manifestar. Não foi possível confirmar a presença do São Paulo.

Entre os clubes, o Coritiba, que era membro da Liga Rio-Sul-Minas, também votou no vice Nunes.  “Se houve golpe, foi de quem foi a Justiça”, defendeu o diretor do Coritiba Valdir Barbosa. Ele afirmou que não sabe se será realizada a liga em 2016 e defendeu que ela deveria tentar autorização da CBF.

Os clubes de Minas Gerais, que já foram artífices da liga, não foram à confederação. Deram procuração para o presidente da federação local votar em seu lugar, mas Castellar Neto voltou a Minas porque sua mulher teria filho. Outros artífices da Liga, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e do Atlético-PR, Mauro Celso Petraglia, não foram à CBF. O clube rubro-negro apenas apresentou pacote de mudanças na CBF.

Um dos poucos clubes a se manifestar, o presidente do Bahia, Marcelo Sant’ana, reconheceu a desmobilização dos clubes. “As federações estão bem à frente dos clubes nesta questão do poder. Os clubes tinham que conversar mais. Mas os clubes ficam mais preocupados com a operação do dia a dia e isso não acontece”, contou ele, que discursou no plenário.

 


Clubes querem criar ‘modelo de gestão’ com consultoria paga pela CBF
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A comissão de clubes propôs à CBF a contratação de uma consultoria para melhorar a gestão das agremiações por meio de um “modelo padrão” a ser adotado por todos. Quem faria o trabalho seria Ernest & Young que já presta serviços para a confederação. Há ainda a ideia de estudar toda a cadeia produtiva do futebol do país.

Ressalte-se que não é a primeira vez que se pensa em consultoria para tornar mais eficientes as administrações no esporte nacional. A própria CBF tem o diagnóstico da Ernest & Young pronto sobre sua própria gestão, mas até agora não implantou nada novo.

Em reunião na sexta-feira, os clubes decidiram pedir para que a CBF pague uma ampliação deste estudo. “Queremos que eles criem um modelo de gestão para os clubes no qual um dirigente que entre saiba como agir em relação a administrar estádios, relação com as entidades, fornecedores em geral”, contou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, membro da comissão.

“Nossa ideia é um trabalho em que possa se rediscutir toda a estrutura do futebol brasileiro, tributação de jogadores, contrato de imagem, legislação sobre direitos, entre outros temas”, analisou o presidente do Atlético-PR, Mauro Celso Petraglia. “A CBF contrataria a consultoria.”

O secretário-geral da confederação, Walter Feldman, informou ainda não ter recebido a demanda dos clubes. Mas disse que já tinha ideia de que era necessário uma iniciativa neste sentido.

“Queremos um estudo sobre o valor gerado pelo futebol brasileiro. O que cada parte da cadeia produtiva gera de dinheiro. Com um diagnóstico, poderia se aumentar a receita geral do futebol”, explicou o dirigente.

Feldman reconheceu que hoje o Brasil não consegue internacionalizar o seu futebol como fazem os europeus. “O Barcelona tem uma quantidade gigantesca de torcedores no Brasil sem ter vindo ao país graças às transmissões”, lembrou ele, admitindo que, hoje, a qualidade dos jogadores que atuam na Europa é maior do que no país.

Certamente é necessário que se estude os mecanismos do futebol brasileiro para aumentar a sua eficiência. A grande pergunta é se, com um diagnóstico na mão, clubes e a CBF vão enfrentar os nós e os interesses políticos que atravancam o desenvolvimento do esporte no país.


CBF e clubes preparam alternativa à MP do Futebol, e apostam na sua queda
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Com Daniel Brito

Após a derrota na comissão mista, CBF e clubes preparam um texto alternativo para derrubar o relatório do deputado Otávio Leite no plenário do Congresso nesta semana. É só mais um passo dos cartolas na estratégia de acabar de vez com a MP do Futebol para refinanciamento das dívidas já que não atende seus interesses, com raras exceções.

São questionados principalmente as exigências de CNDs (Certidão Negativas de Débitos) para participar de campeonatos, obrigação de investimento no futebol feminino, e controles restritos de contas. Nem regras mais benéficas para o pagamento das dívidas flexibilizaram a posição dos clubes.

“Essa aprovação foi o início do fim da MP. Os clubes fizeram deliberações e nenhuma foi acolhida”, disse o diretor jurídico do Atlético-MG, Lázaro Cunha, que tem sido um negociador para a maior parte das agremiações. “Provavelmente, essa lei nem vai à plenário, e vai caducar. Mas vamos apresentar um substitutivo.”

A intenção é apresentar o texto aprovado por um grupo de clubes em reunião na CBF. Nem todos estão alinhados com a proposta como mostra o apoio do Flamengo ao relatório de Leite. Deputados da bancada da bola já se mobilizam também para apresentar emendas que não foram analisadas na comissão.

Enquanto isso, a estratégia do deputado Otávio Leite é usar a força da opinião pública no Congresso para aprovar o texto: entendem que a etapa mais difícil já foi ultrapassada. Sua aposta é na necessidade de os clubes terem um financiamento pela sua condição financeira.

“Minha intenção foi produzir um novo marco nas práticas de gestão do futebol”, explicou Leite. “Não houve prejuízo em não votar os destaques. Afinal, estamos a 17 dias de a medida caducar.”

Mas, mesmo que o texto passe, os clubes ameaçam não aderir, o que tornaria a medida inócua. “Todo mundo vai sair perdendo. Os clubes vão sair perdendo, o público vai sair perdendo”, reconheceu Cunha.