Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : COB

Prisão de Nuzman tem impacto nas finanças e na imagem do COB
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Terça-feira à tarde: um rapaz que aparenta 20 anos passa na frente na sede do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) na Barra da Tijuca. Ao olhar para o prédio, ele aponta e fala para um amigo: “Isso aqui é uma máfia”.

Dentro do prédio, pouco antes, a diretoria do COB realizava sua primeira prestação de contas públicas após a prisão do seu ex-presidente Carlos Arthur Nuzman. A intenção era explicar como seriam gastos R$ 225 milhões em verba do governo federal a que tem direito da loteria federal. O assessor pedia para que perguntas fora da distribuição do dinheiro fossem feitas depois da coletiva.

O clima era de constrangimento, com cabeças cabisbaixas, falas pausadas. Um dirigente admite que todos sentiam o escândalo em suas vidas, mesmo que sem envolvimento com nenhuma das irregularidades. Esse efeito ameaça se alastrar também nos cofres do COB e das confederações olímpicos.

“A situação (prisão de Nuzman) realmente teve impacto. Não tem como negar, camuflar nada. Há uma perda inicial, já havia tendo essa perda antes desses fatos recentes. Houve confederações que tiveram perdas antes disso, algumas tiveram todos os recursos cortados. A forma de lidar é buscar esses caminhos que estou tentando encontrar. Se deixarem, vou encontrar”, disse o novo presidente do COB, Paulo Wanderley.

O COB, hoje, não tem patrocinadores privados fortes. Todos que estavam na entidade por conta da Olimpíada do Rio-2016, em parceria com o COI, saíram sem deixar rastro. Não houve substituição no mesmo nível, sendo parceiros hoje a Universidade Estácio e a empresa chinesa Peak. Recuperar apoio privado já era difícil com a crise, e agora se torna tarefa quase impossível.

Entidade com muito mais holofotes do que o COB, a Fifa perdeu patrocinadores quando seu ex-presidente Joseph Blatter e a cúpula da entidade tiveram que sair por irregularidades na gestão. Só medidas que indicaram mudanças de gestão e punições a antigos culpados geraram alguma recuperação da imagem da entidade, que, diga-se, tinha um produto mais atrativo para comercializar.

“Tem que ter um trabalho para demonstrar ao mercado uma nova gestão, uma busca de credibilidade. Tipo estou investigando a minha casa”, explicou o consultor da BDO, Pedro Daniel, falando sobre recuperações de confederações com imagem afetada por casos de corrupção. “Isso tem que ser feito antes de procurar patrocínios.”

Até agora, no entanto, o COB tem sido tímido nos seus passos para tentar limpar o passado de um ex-presidente acusado de comprar votos. Questionado se faria uma auditoria nas contas do antecessor, Wanderley negou que vá tomar qualquer medida para fazer devassas na entidade por iniciativa própria. Nem os R$ 1,5 milhão em saques feitos na gestão Nuzman serão alvo de verificação independente.

“Vou agir sob demanda do Ministério Público ou quem quer que seja autoridade nisso”, afirmou o dirigente, quando questionado sobre o assunto. “Os órgãos competentes que me solicitem.”

É verdade que o COB busca uma reforma do estatuto e fez uma concorrência para contratar uma auditoria de renome no mercado. Mas recuou do primeiro processo e deve realizar o outro. Os custos envolvidos são um problema já que não está claro se sobra dinheiro na entidade. Os recursos de estatais também secaram diante da crise de caixa do governo federal.

A prisão de Nuzman também transformou-se em escândalo internacional que levou o COI a fechar as torneiras para o COB do repasse de dinheiro a filiados. A perda é estimada em US$ 2,2 milhões para 2017. Caberá ao comitê brasileiro agora convencer  desde os cartolas do alto escalação ao rapaz que passa na sua porta que é possível mudar essa realidade.


Governo Lula deu R$ 35 mi ao COB em projetos com gastos irregulares
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Sob suspeita de corrupção em processo na Justiça, a candidatura do Rio-2016 sob o comando do COB recebeu R$ 35 milhões do governo Lula para projetos que não foram executados parcialmente ou apresentam irregularidades. É o que apontam relatórios do Ministério do Esportes feitos no ano passado. Uma parte do dinheiro (R$ 3 milhões) foi devolvida aos cofres públicos pelo comitê, de acordo com a pasta.

O ex-presidente do COB e do comitê de candidatura Carlos Arthur Nuzman é acusado de participar de um esquema de compra de votos em favor do Rio de Janeiro na eleição para sede olímpica. Chegou a ser preso e responde agora ao processo em liberdade, inclusive com investigação sobre seu crescimento patrimonial vertiginoso. Foi ele o cabeça da candidatura Rio-2016 e da articulação junto ao governo federal para liberação de recursos.

Grande entusiasta do projeto, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou bancar a maior parte da campanha, dando cerca de 60% dos R$ 100 milhões. Desse total, o COB recebeu R$ 48,6 milhões em 12 convênios firmados com o Ministério do Esporte em 2008 e 2009, segundo levantamento do blog.

E auditorias feitas pelo Ministério do Esporte posteriormente, algumas delas em 2016 na gestão do atual, constataram problemas em sete dos convênios por falta de execução dos projetos. Desses, o blog verificou que relatórios da pasta apontaram que, em cinco convênios, nenhuma das metas propostas pelo COB foi cumpridas. No total, esses somam R$ 15,4 milhões em dinheiro que, pelos documentos, não realizaram o que tinha sido projetado.

O Ministério do Esporte destinou, por exemplo, R$ 7,3 milhões para a visita técnica de delegados do COI (Comitê Olímpico Internacional), em abril e maio de 2009.  O relatório da pasta, feito em maio de 2016, aponta que nenhuma das 39 metas foi cumprida. Há inclusive itens como contratação de quatro “coachs” estrangeiros para os apresentadores do evento e as passagens internacionais desses, mexedores de drink com a logomarca da Rio-2016, caixa de chocolate, guardanapos e arranjos florais. Ao final, o técnico do Ministério Jônatas Alves da Silva relatou que o objetivo não foi alcançado, nem houve restituição de dinheiro público.

A visita do COI, de fato, ocorreu neste período com eventos no Copacabana Palace. O COB alega que prestou que executou tudo que estava previsto e que prestou contas regularmente ao Ministério do Esporte.

Outros quatro convênios do COB para a campanha do Rio- 2016 tiveram relatórios similares do Ministério do Esporte, datados de maio de 2016. Entre os serviços propostos, estão a contratação de consultoria para relação institucional e marketing internacional, apresentação da feira Sportaccord, tradução juramentada, redação e montagem do dossiê e elaboração do dossiê. Os documentos apontam que as metas propostas não foram cumpridas, e os objetivos não alcançados. E a prestação de contas aparece como em análise.

Há outros dois convênios que constam como inadimplentes. Entre eles, chama a atenção a contratação de uma consultoria internacional especializada em megaeventos, por um total de R$ 13,027 milhões. Trata-se da empresa suíça EKS, contratada sem licitação. Outro convênio era para pagamento de R$ 7,1 milhões a mais uma consultoria, de novo, sem licitação.

Todas essas constatações de problemas só ocorreram em auditorias a partir de maio de 2016. Neste período, assumiu o Ministério do Esporte Leonardo Picciani. Segundo a pasta, houve auditorias após essa data em todos os convênios. Até então, o governo federal aceitava a prestação de contas feitas pelo COB.

Segundo a assessoria do Ministério, o COB devolveu R$ 2,990 milhões referentes a esses seis desses convênios com problemas – uma prestação de contas se perdeu em uma enchente. Lembre-se que, no total, os projetos somavam R$ 35 milhões. E, como demonstrado acima, relatórios apontaram que, em alguns casos, nada do projeto foi executado.

“Quando assumiu o Ministério do Esporte, Leonardo Picciani criou uma força-tarefa para rever contratos e convênios celebrados pela Pasta. Em 2017, esse trabalho permitiu a recuperação (até setembro) de R$ 52.468.100,91. Desse total, R$ 24.791.798,15 são oriundos de reanálises de convênios.

Convênios celebrados com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) também foram submetidos a nova análise. A partir desse trabalho, os convênios citados pela reportagem permitiram que a Pasta recebesse R$ 2.990.405,63 em recursos devolvidos por aquela entidade. Abaixo, os valores devolvidos por convênio”, explicou a assessoria do Ministério.

Já o COB entende que todos os objetivos dos projetos foram executados na íntegra e foram aprovados pelo Ministério. Não respondeu sobre a reabertura de auditoria, nem os relatórios da pasta apontando que nada fora feito em alguns casos. Nem citou a devolução de dinheiro. Essa é resposta do comitê sobre o caso:

“Em todos os convênios foi apresentada a devida prestação de contas, no modo e prazo exigidos pela legislação. O objetivo dos convênios foi cumprido na íntegra e todos foram aprovados pelo Ministério do Esporte. Recentemente, alguns convênios foram reabertos.”


Caso Nuzman gera discussão se cartolas se igualam a funcionários públicos
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O Ministério Público Federal usou uma tese inovadora para denunciar o ex-presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, por corrupção passiva e formação de organização criminosa: o equiparou a um funcionário público. O enquadramento é previsto em lei, mas gera discussão entre juristas. Caso a Justiça aceite a posição do MPF, cartolas de confederações olímpicas podem ser afetados e até dirigentes da CBF.

A peça de acusação dos procuradores se baseia em três pilares para enquadrar Nuzman e Leonardo Gryner (ex-dirigente do COB e do commitê) como funcionários público: 1) O COB e o Comitê Rio-2016 receberam verba pública; 2) o desporto é um prática que deve ser fomentada pelo Estado e portanto o COB age em típica função pública; 3) o COB representa o Brasil no exterior.

Sem esse enquadramento, seria impossível denunciar Nuzman por corrupção já que não existe o crime de corrupção privada no Brasil. Assim, o MPF usa o artigo 327 do Código penal: este considera como funcionário público, para efeitos penais, quem exercer função pública, incluindo atuar “em empresa conveniada para a execução de atividade típica da administração pública”.

Na ação, o MPF descreve sobre o ex-presidente do COB: “Nuzman e Gryner, além de representarem figuras centrais para a concretização do intento criminoso em coautoria com Sergio Cabral, ainda agiram na condição de funcionários públicos para equiparação. Assim, respondem por corrupção passiva.”

Entre as condutas criminosas citadas pelo MPF, está a facilitação do pagamento de US$ 2 milhões a Papa Massata Diack para supostamente comprar seus votos para a escolha do Rio-2016. Há e.mails para embasar que negociaram com o senegalês, filho de Lamine Diack, então membro do COI (Comitê Olímpico Internacional).

E ainda há o perdão pelo Comitê Rio-2016 de parte da dívida da empresa LHS Barra Empreendimentos, do Hotel Trump. A empresa era de propriedade de Arthur Soares de Menezes, responsável por pagar parte do dinheiro para Papa Diack.

A inclusão de Nuzman como funcionário público não causa surpresa no criminalista José Roberto Batochio, que atua em casos da Lava-Jato. Ele cita o artigo 327 do Código Penal.

“De sorte que, a primeira vista, tecnicamente, nada que chame a atenção no enquadramento feito pelo Ministério Público”, analisou Batochio. “Só pode responder por corrupção passiva, quem é funcionário público, ou o sujeito que se considera como tal por equiparação. Se trata de uma situação que, em tese, não há erro na tipificação (pelo MPF).”

O advogado criminalista, no entanto, ressalta que isso não significa que haverá uma jurisprudência para todos os dirigentes olímpico. “Isso é para o Comitê Olímpico Brasileiro, não é para qualquer entidade que vai haver equiparação. Não é uma regra geral. Terá de ser visto caso a caso.”

Ex-advogado geral da União e doutor em direito administrativo, Fábio Medina Osório entende que o MPF tem que ser bem específico na tipificação para enquadrar Nuzman ou outros dirigentes como funcionários públicos.

“Mero fato de a entidade receber verbas públicas não transforma os agentes da entidade em funcionários públicos”, explicou Osório. “É necessário que se tipifique a conduta, e o enquadramento do sujeito ativo da improbidade especificamente na legislação porque, do contrário, qualquer renúncia fiscal transforma funcionários de entidades privadas em públicos.”

Caso a tese do MPF seja aceita pela Justiça Federal, cartolas de confederações olímpicas, que recebem verba pública, correriam o risco de também responder por corrupção passiva em caso de irregularidades. Haveria ainda uma ameaça para a CBF porque esta se enquadra em outros dois itens citados: fomentar o desporto e representar o Brasil no exterior. Mas a entidade não recebe verba pública, nem tem isenção fiscal, o que torna difícil que seus cartolas sejam submetidos ao mesmo tratamento.


MPF investiga saques na conta do COB e se Nuzman enriqueceu com Jogos
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Com Léo Burlá

Após realizar buscas e apreensões em sua residência, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal vão investigar saques feitos na conta do COB em espécie sob a presidência  de Carlos Arthur Nuzman, descoberto na operação “Unfair Play”. Além disso, querem verificar se ele enriqueceu com os Jogos. Isso fará parte do escopo da apuração em torno da compra de votos para a cidade se tornar sede da Olimpíada.

O caso se iniciou com autoridades francesas que encontraram pagamentos de US$ 2 milhões feitos pelo empresário carioca Arthur Soares, o “Rei Arthur”, para o filho de Lamine Diack, ex-membro do COI, que votou no Rio. Isso ocorreu às vésperas da eleição do Rio, em 2009.

Soares é ligado ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral e pagou propina para ele de US$ 10 milhões por meio da empresa Matlock, em Antígua e Barbuda, no Caribe, segundo o MPF. Com a mesma empresa, pagou Diack. Por isso, a propina é considerado dinheiro público na visão dos procuradores.

Assim, Nuzman é investigado por suposta associação criminosa já que há a suspeita de que intermediou uma negociação de pagamento de propina. A tese do MPF é de que ele é a ligação entre empresários e cartolas. Por isso, foi impedido de sair do país com passaporte apreendido.

Ao mesmo tempo, o MPF vai analisar se houve ganho pessoal para Nuzman na operação e nos Jogos-2016. Um dos itens investigados é o fato de terem ocorrido saques em dinheiro de contas do COB no valor de R$ 1,4 milhão entre 2014 e 2015. Foram saques abaixo do limite verificado pelo COAF. O comitê tem como principal fonte de financiamento dinheiro público por meio da Lei Piva, e do Ministério do Esporte.

Segundo o procurador Eduardo El Hage, será verificado se há relação entre os saques e a compra de votos. Outro viés é o fato de o dinheiro do COB ser público.  “Ele pode responder por associação criminosa”, afirmou a procuradora Fabiana Schneider. “Tudo isso será investigado.”

Um computador e documentos da casa de Nuzman foram apreendidos pela PF, além de documentos no COB. O dinheiro em sua casa (R$ 480 mil) foi levado para custódia em um banco, assim como os carros ficarão com Nuzman como fiel depositário, mas não podem ser vendidos. A polícia quer saber a origem do dinheiro para saber se é lícita. Ter dinheiro em casa não é crime desde que se possa provar a origem.

Antes do depoimento de seu cliente, o advogado de Nuzman, Sergio Mazzilo, afirmou que o dirigente não cometeu nenhuma ilegalidade, e afirmou desconhecer as acusações. Ainda classificou a operação como um espetáculo de mídia. À PF, Nuzman ficou calado em seu depoimento. Mas TV Globo informou que seu advogado reforçou que foi informado à polícia que não houve irregularidade na escolha do Rio de Janeiro.

Já o COB não se pronunciou até agora sobre as investigações.


Governo do Rio cede imóvel em ilha para COB instalar nova sede e museu
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O governo do Rio de Janeiro cedeu um imóvel em uma ilha na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) instalar sua nova sede e o museu olímpico. O terreno é próximo ao Parque Olímpico. Já havia a promessa de cessão do terreno desde 2015 em processo que se concluiu agora em março de 2017.

Na terça-feira, o Diário Oficial publicou a cessão por 20 anos do terreno na Ilha da Pombeba pelo governo do terreno de 50 mil metros quadrados na Salvador Allende. Segundo a assessoria da Casa Civil, o imóvel não tinha nenhum uso no momento.

“Como contrapartida pela cessão de uso do imóvel, o COB deverá, a título de encargo, instalar o Museu Olímpico, visando preservar a memória e abrigar o acervo de documentos e artefatos relacionados aos Jogos Olímpicos de 2016”, informou a assessoria da Casa Civil.

Segundo o governo, o COB tem que assegurar o acesso gratuito de visitantes, investir na reforma e adequação da infraestrutura do imóvel e custear recursos humanos para preservar a memória dos Jogos. A intenção é gerar sinergia com o Parque Olímpico que fica ao lado, e que terá projetos do COB que, por exemplo, faz a gestão do Parque Maria Lenk.

“Os investimentos (do COB) trarão benefícios educativos, culturais, esportivos, além da geração de empregos diretos e indiretos”, afirmou o governo do Estado. O dinheiro do comitê olímpico é majoritariamente público, oriundo de percentual das loterias federais.

O COB não quis se pronunciar sobre o assunto já que a entidade prepara uma apresentação do novo projeto. A atual sede do COB é em outro ponto da Barra da Tijuca.

 


Nuzman sufoca oposição e garante chapa única para se reeleger no COB
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O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, sufocou a oposição com um estratégia que incluiu lista de apoios ampla, uso de regras de estatuto e guerra nos tribunais. Assim, logo após os Jogos do Rio-2016, conseguiu se firmar como chapa única para o pleito no final deste ano, garantindo sua permanência por mais quatro anos. Completará 25 anos à frente da entidade.

A disputa em torno da eleição começou em abril deste ano. Pelo estatuto do COB, é até este mês que as chapas têm que ser inscritas, embora a eleição só ocorra no final do ano. Para ser válida, uma candidatura tem que contar com 10 assinaturas de membros da assembleia, confederações olímpicas, ou membros natos, todos aliados de Nuzman.

O presidente da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), Alaor Azevedo, queria se candidatar como opositor. Mas Nuzman inscreveu sua chapa com o apoio de 30 nomes, segundo apurou blog, o que inviabilizava qualquer concorrente.

Alaor então foi à Justiça para tentar obter mais tempo para tentar reverter apoios em seu favor. Ganhou em duas instâncias judiciais no Tribunal do Rio de Janeiro para ter prazo até 30 dias antes da eleição para se inscrever.

Só que, acabada a Olimpíada, no dia 23 de agosto, o desembargador Marcelo de Lima Buhatem mudou sua decisão inicial e deu ganho de causa ao COB, negando a nova data para registro. Um dos argumentos do comitê é de que a própria CBTM tem prazo de inscrição de chapa em abril.

A confederação de tênis de mesa recorreu e pediu pelo menos cinco dias a mais para sua inscrição de chapa, tempo que faltava para o final de abril quando se iniciou o processo judicial. De novo, o desembargador negou a requisição e disse que o juiz de primeira instância poderia conceder esse direito. Alaor aguarda o magistrado inicial se pronunciar.

Só que, na prática, sua chapa já está enterrada. Mesmo se vencer essa última disputa judicial, ele teria cinco dias para convencer confederações a retirar apoio já dado a Nuzman. O próprio Alaor admitiu que não tem as dez assinaturas necessárias.

Questionado, o COB não quis comentar o número de apoios de Nuzman por uma questão de “elegância”. A assessoria do comitê negou que a chapa única seja uma medida anti-democrática, e rechaçou crítica a cláusula de barreira que exige dez assinaturas por candidato.

“A eleição no COB é democrática. Se não há outra chapa, é porque não se inscreveu a tempo”, disse a assessoria. “Não é uma questão se a regra (das assinaturas) é democrática. Ela foi aprovada por toda a assembléia do COB. O candidato de oposição (Alaor) aprovou lá atrás também e foi apoiado por todos. Se quiser, pode propor mudança na assembleia.”

Com o fim das chances da oposição, a chapa única de Nuzman será eleita por aclamação em alguma data do último trimestre do ano. Só se saberá quando exatamente oito dias antes quando for convocada a assembleia por edital.

 


Derrota judicial de Nuzman abre caminho para chapa de oposição no COB
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O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, sofreu uma derrota judicial em disputa relacionada à eleição na entidade. A tendência é que essa decisão abra caminho para uma chapa de oposição no pleito que deve ocorrer em setembro. O dirigente quer a reeleição, mas há confederações insatisfeitas.

O Estatuto do COB estabelecia que as chapas para presidente teriam de ser inscritas até o dia 30 de abril, embora o pleito seja no último trimestre do ano. Então, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa entrou com uma liminar na Justiça alegando que isso causaria medo entre as filiadas ao comitê de represálias às vésperas da Olimpíada. Pedia que as chapas pudessem ser inscritas até 30 dias antes do pleito.

A Justiça do Rio de Janeiro deu liminar favorável à confederação de tênis em primeira instância, em 26 de abril. Afirmou que isso atendia anseio democrático de possibilitar mais de uma chapa na eleição.

O COB recorreu à segunda instância para tentar derrubar essa decisão. Na quarta-feira, o desembargador da 22a Vara Cível, Marcelo Lima Buhatem, negou o pedido do COB. Ele alegou que não há urgência de derrubar a medida porque a eleição é só em setembro.

“Fato é que nos parece evidente a ausência de requisito processual tido como essencial, qual seja, a urgência, refletida no periculum in mora, sendo certo que as eleições das quais pretende a entidade recorrida participar ocorrerão somente no mês de setembro, portanto, daqui a cerca de quatro vindouros e relativamente longínquos meses”, afirmou o desembargador.

O COB ainda pode recorrer ao pleno da 22a Vara Cível. Se for mantida a decisão, a tendência é que o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo, lance uma chapa de oposição a Nuzman.


Rio-2016 reduz repasse de patrocínio e COB tem perda de R$ 41 milhões
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Em uma revisão do acordo de marketing entre as partes, o Comitê Organizador do Rio-2016 reduziu o repasse de patrocínio para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Com isso, a organização que gere o esporte olímpico nacional teve uma perda estimada de R$ 41 milhões. Isso reduz o dinheiro disponível para a preparação olímpica.

Em todos os Jogos, o comitê organizador local repassa uma parte dos patrocínio obtido para o organismo esportivo local. É uma forma de compensar a entidade por não poder firmar parcerias com empresas concorrentes das que apoiam Olimpíada.

Pelo acordo firmado entre o Rio-2016 e o COB, seriam repassados 12% de todos os patrocínios obtidos com a olimpíada para a organização do esporte olímpico brasileiro. Isso ocorreria até o total de US$ 60 milhões – ou R$ 120 milhões pelo câmbio da época. Depois disso, o percentual cairia para 8%. É o que está descrito em documentos do comitê brasileiro de 2013.

Com esse percentual, o COB recebeu R$ 69 milhões em patrocínios em 2014. Só que aí o balanço do comitê de 2015 registra uma queda: fica com apenas R$ 16,5 milhões. O documento contábil do comitê explica a situação: “Durante o ano de 2015, houve renegociação do saldo devedor do contas a receber e da metodologia de cálculo da parcela a receber do COB referente aos repasses de patrocínios.”

Pelos novos termos, o valor máximo a ser recebido pelo COB será de R$ 120 milhões considerados todos os anos. Com a correção da inflação, sobrou um saldo de R$ 56 milhões para ser quitado até o final de 2016.

“Desde a candidatura que estava prevista essa limitação em US$ 60 milhões”, defendeu o diretor de comunicação do comitê Rio-2016, Mario Andrada.

Mas não é o que esperava o COB. Tanto que o blog apurou que há contrariedade dentro do comitê com o novo modelo. No balanço, o comitê registrou que o prejuízo foi de R$ 41 milhões, dinheiro que esperava receber e teve que contabilizar como perda. O blog mandou perguntas para o COB sobre o tamanho do efeito na preparação olímpica, mas não recebeu respostas.

O presidente do Comitê Rio-2016 e do COB é a mesma pessoa: Carlos Arthur Nuzman. Já houve questionamentos dentro do COI de que isso geraria conflito de interesse. Ele sempre negou que pudesse acontece.


COB chama Gilmar e Dunga para grupo de técnicos olímpicos. Gallo fica fora
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O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) chamou o coordenador técnico da seleção e seu técnico, Gilmar Rinaldi e Dunga, para o grupo de treinadores de equipes brasileiras que discute a preparação para os Jogos Rio-2016. Responsável pelo time olímpico, Alexandre Gallo ficou de fora.

A comissão de treinadores foi criada para troca de experiência entre os comandantes dos times sobre práticas para a Olimpíada-2016. A intenção é dividir conhecimento entre todos os membros da delegação brasileira.

“Criamos um board de treinadores, trocando experiências. Marcos Gotto (técnico de ginástica) fala com Berbardinho, Morten (handebol). Contam como foi quando ganharam, e quando perderam. A experiência do futebol é importante. Chamamos Gilmar Rinaldi e Dunga. São os líderes do time aqui, estão comandando o plano”, contou o diretor-executivo do COB, Marcus Vinícius Freire.

Questionado porque Gallo, que é o indicado para treinar o time olímpico, não foi chamado, o executivo disse que Rinaldi pode repassar tudo que foi conversado para ele. Os dois chefes da seleção, aliás, não foram aos dois encontros do COB alegando questões de agenda. Mas a previsão é de que participem da próxima conversa que deve ser feita por meio de conferência telefônica.

Lembre-se: Dunga e Gilmar estão em litígio com Gallo dentro da CBF. O coordenador da seleção já quis trocar o treinador da seleção de base e olímpica.


Brasil terá de repetir China para atingir meta de medalha no Rio-2016
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O Brasil terá de repetir o crescimento da China como país-sede para atingir a sua meta de medalhas na Olimpíada do Rio-2016. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) reconhece que o objetivo é bastante duro, mas possível de ser alcançado. Para isso, aposta em cerca de 150 atletas, visto que 300 devem ir aos Jogos sem chance de pódio.

Vamos aos fatos. O COB e o Ministério do Esporte definiram que sua meta é chegar entre os 10 primeiros da Olimpíada em total de medalhas. Para isso, será necessário entre 27 e 28 pódios, na avaliação do comitê. Isso representaria um crescimento de 59% em relação aos 17 obtidos em Londres-2012.

Analisando os últimos 20 anos olímpicos, apenas um país-sede conseguiu um salto similar: a China em Pequim-2008. O país asiático cresceu exatos 59% ao cravar 100 pódios em casa, diante dos 63 dos Jogos anteriores – acabou líder em ouros.

Exemplos de sucesso, Austrália em 2000 e Inglaterra em 2012 ficaram com percentuais menores de melhoria: 41% e 38%, respectivamente. Antes de 20 anos, Espanha e Coréia do Sul tiveram crescimentos bem maiores, mas os Jogos eram menos disputados naquela época.

“Acho que a tarefa é sempre dura. Quando é traçada a meta, não pode ser muito fácil, e não pode ser impossível porque não motiva ninguém a trabalhar dos dois jeitos. Nossa meta é a soma do que cada confederação pode fazer. Ela não foi olhada percentualmente. É dura, mas é factível”, contou o diretor-executivo do COB, Marcus Vinícius Freire.

Ele disse que estudou todos os números de crescimento percentual dos países-sede em medalhas. Mas acha complicado fazer a comparação entre cada um dos afitriões por causa das diferenças de circunstâncias. Por exemplo, admitiu que, como já estavam um patamar alto, a China tinha uma tarefa mais difícil do que o Brasil.

“Quanto pior o seu passado, maior vai ser a curva de crescimento. Se tem uma medalha, pode ganhar três e dizer ganhei três vezes mais. É mais simples crescer. Rússia, Inglaterra, EUA e China têm mais dificuldade. O crescimento proporcional é sempre maior para quem começa lá embaixo”, analisou.

Ao mesmo tempo, Freire ressaltou que o Brasil terá uma dificuldade que os chineses não tinham: a maior democracia na distribuição de medalhas atual em relação ao passado. Explica-se: um maior número de países começou a chegar ao pódio, o que pulverizou a disputa. Por isso, admitiu que o COB pode até atingir o top 10 com entre 24 e 25 pódios se houver grande equilíbrio.

Na briga para chegar ao pódio, o Brasil deve contar mesmo com cerca de 150 atletas dos 450 previstos para delegação. Isso inclui os esportes coletivos. Os outros 300 devem chegar sem chance de ficarem entre os três primeiros, apenas com o objetivo de melhorar sua perfomance.

“No nosso caso, vamos ter mais de 400 atletas. Muitas vezes o resultado não será só a medalha, já que buscamos 27, 28. Cerca de 300 atletas vão aos Jogos para ter a maior performance. Outros 150 vão brigar por pódio. Peço a vocês da imprensa que repassem ao público essa informação para entenderem o contexto”, analisou Freire.

Para o executivo do COB, apesar do tamanho do Brasil, os resultados têm melhorado conforme aumenta o investimento. Ele entende que Pequim-2008 foi o primeiro ano em que houve o impacto do dinheiro público aplicado pela Lei Piva, e em Londres-2012, houve o efeito da lei de incentivo. E admitiu que o salto de valores para a Rio-2016 chegou um pouco tarde.

“Temos vários marcos, 2016 é o auge de mais de uma década de trabalho. As instituições esportivas se profissionalizem. Não acho que vai cair o investimento depois. Estamos chegando a um patamar de top 10, desssas 18 nações. Faço esse estudo. Os valores de investimentos são daí para cima. E temos que olhar para todos os níveis, inclusive o educacional”, encerrou.