Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Conmebol

Grêmio articula apoio político e vai à Conmebol para reclamar de arbitragem
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Com Jeremias Werneck

A diretoria do Grêmio buscou apoio político e vai se encontrar com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, para reclamar da arbitragem do primeiro jogo da final da Libertadores. O encontro foi articulado com o representante brasileiro na confederação sul-americana Reinaldo Carneiro Bastos, que é também presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol). É uma forma de contrabalancear um suposto peso argentino e do Lanús nos bastidores da entidade. A reunião ocorrerá nesta sexta-feira.

No jogo da Arena do Grêmio, o chileno árbitro Julian Bascuña deixou de dar um pênalti no último minuto no atacante Jael, empurrado na área. Outra reclamação gremista é em relação ao cartão amarelo dado para o zagueiro Kanemann em lance na área – o jogador ficou suspenso para a final.

No dia seguinte, ainda há indignação entre cartolas gremistas e as palavras para descrever a arbitragem são roubo. O presidente Romildo Bolzan Jr decidiu recorrer diretamente a Carneiro Bastos por entender que ele tem maior articulação dentro da Conmebol. De fato, ele é o principal elo do futebol brasileiro na confederação sul-americana.

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, perdeu espaço por não poder viajar ao exterior por ser indiciado pela Justiça dos EUA. Por isso, a diretoria gremista nem recorreu ao mandatário da confederação – Carneiro Bastos tem um cargo na CBF.

A tendência é que seja marcada entre a diretoria gremista e Dominguez, além de possivelmente o chefe de arbitragem da Conmebol, Wilson Seneme. Um dos principais questionamentos será por que Bascuña não recorreu ao árbitro de vídeo para verificar o lance de pênalti em Jael se o dispositivo eletrônico estava disponível. Outro protesto é pela falta de critério no cartão dado a Kanemann.

Outra questão foi a indicação do argentino Hector Baldassi para assessor internacional de arbitragem para a segunda partida da decisão. Pelo regulamento da Libertadores, no artigo 13.3, é vedado que o escolhido para esta função seja da mesma nacionalidade de um dos times disputantes da final, e o Lanús é argentino.

Um terceiro temor é uma suposta influência do Lanús nos bastidores da Conmebol. A busca de Carneiro Bastos como ponto de apoio foi justamente para ter maior peso nas reclamações à Conmebol.


Final única na Libertadores tem obstáculo: remuneração extra para clubes
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Em dezembro deste ano, a Conmebol irá ouvir os clubes sobre o único ponto em aberto das regras da Libertadores-2018: a final única. Para ser implantada, a ideia depende de uma compensação financeira para esses times. Só que a confederação não tem o dinheiro no próximo ano para dar cotas extras aos times e pode adiar o projeto. A lógica financeira também torna improvável a perda de vagas do Brasil no campeonato para 2019.

A final única na Libertadores é uma ideia defendida pelo próprio presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, desde o meio do ano. Foram reservadas duas datas no calendário para decisão para deixar em aberto sua implantação para 2018.

Pelo processo, o grupo dos 16 clubes classificados nos mata-matas da Libertadores neste ano participam de uma subcomissão para dar sugestões sobre o campeonato. Eles vão deliberar sobre a final única em reunião na sede da Conmebol durante o período do sorteio. Sua opinião terá peso na decisão final do Comitê Executivo da confederação que será tomada posteriormente.

Mas a diretoria da Conmebol sabe que precisa dar uma remuneração extra para os clubes que participarem da decisão. Afinal, os times perderão receita considerável com as bilheterias que ganhariam em seus estádios com ingressos para finais. O problema é que não há dinheiro extra disponível para a temporada de 2018 porque o contrato da Libertadores ainda é o antigo válido com a Fox.

Para 2019, haverá um novo contrato de direitos já que a IMG assumiu a venda da televisão e da propaganda da competição. Os valores vão pelo menos dobrar com a garantia dada pela IMG. Assim, haveria dinheiro para remunerar os clubes, além de a Conmebol já ter propostas para sediar a final única, entre elas uma do Rio de Janeiro. Não há data para a decisão final do Comitê da confederação.

Outra questão que deve respeitar a lógica comercial é a das vagas brasileiras na Libertadores. O blog de Marcel Rizzo mostrou que há insatisfação entre outras confederações sul-americanas com o excesso de times do país, que pode ter nove representantes no caso de Grêmio e Flamengo ganharem os campeonatos do continente neste ano. Essas confederações pleiteariam que os brasileiros não tivessem vaga extra nos casos de títulos.

Só que a CBF não pretende aceitar nenhuma redução de vagas, segundo apurou o blog. Até porque sabe que a Conmebol precisa do Brasil como principal mercado para obter um dinheiro considerável na venda de direitos de televisão e comerciais. O processo deve se estender pelo primeiro semestre do próximo ano.

Dentro da confederação sul-americana, há uma consciência da importância do mercado brasileiro até porque o aumento de vagas foi recomendado por consultoria que trabalhava com a UEFA por motivos econômicos.


Delator acusa Del Nero de saber de esquema de propina na Conmebol
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Em depoimento na Justiça de Nova York, o ex-executivo da Torneos Y Competencias Alejandro Buzarco afirmou que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, sabia do esquema de propinas em pagamentos por contratos da Conmebol. A informação foi publicado primeiramente no Globo.com, e confirmada pelo UOL. Em nota da CBF, o dirigente negou a acusação.

O depoimento do executivo ocorreu no processo do caso Fifa que tem como acusados os ex-presidente da CBF José Maria Marin e da Conmebol, Juan Angel Napout, além do peruano Manuel Burga. Réu confesso de pagar propinas, Buzarco fechou acordo com a Justiça para denunciar outros acusados.

Como já informado pelo Buzzfed, Buzarco acusou seis redes de televisão de pagamento de subornos a dirigentes, entre elas a TV Globo. A emissora nega.

A Torneos Y Competencia era responsável por comprar e revender direitos de competições da Conmebol, como a Copa América e a Libertadores. O processo do caso Fifa investiga pagamento de propinas justamente por essas competições, entre outras.

Em seu relato, Buzarco afirmou que o ex-presidente da AFA Julio Grondona, já morto e ex-vice-presidente da Fifa, gerenciava o esquema de propina da Conmebol. Em seguida, disse que após a sua morte, as pessoas que conheciam todo o esquema eram Marco Polo Del Nero e Juan Angelo Napout, que tornou-se presidente da confederação sul-americana. É a primeira vez em que um depoimento no julgamento há uma acusação contra o dirigente.

Essa acusação reforça os indícios contra Del Nero. Ele já foi indicado pelo Departamento de Estado dos EUA por supostamente receber subornos por contratos da Conmebol e da CBF. É enquadrado nos crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração. Não responde ao processo porque não está nos EUA.

Por meio de nota, a CBF apresentou a defesa de Del Nero. Alega que Del Nero não recebeu vantagem econômica enquanto dirigente, não ocupava cargo no Comitê Executivo, nem assinou contratos sob suspeita. Não foi possível falar com representantes da Conmebol sobre o caso. O advogado de Del Nero, José Roberto Batochio, esteve nos EUA para acompanhar o processo e disse que se manifestaria pela nota. Veja abaixo:

“Com referência à citação feita à sua pessoa pelo delator premiado ALEJANDRO BUZARCO na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, MARCO POLO DEL NERO, vem a público esclarecer que nega, com indignação, que tivesse conhecimento de qualquer esquema de corrupção supostamente existente no âmbito das entidades do futebol a que se referiu. As investigações levadas a efeito naquele país não apontaram qualquer indício de recebimento de vantagens econômicas ou de qualquer outra natureza por parte do atual presidente da CBF. Igualmente, o que ali ficou apurado foi que os contratos sob suspeita não foram por ele assinados nem correspondem ao período de sua gestão na presidência da CBF. Esclarece, ainda, que jamais foi membro do Comitê Executivo da Conmebol, mostrando-se também falsa essa informação. Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido.”


Chape pede vaga na Libertadores no CAS por pontos perdidos para Lanús
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A Chapecoense entrou com um recursos no CAS (tribunal internacional esportivo) contra a Conmebol por conta dos pontos perdidos na Libertadores em corte da entidade por jogador irregular, justamente no jogo contra o agora finalista da competição Lanús. Entre os pedidos do time catarinense no tribunal, está uma vaga na Libertadores de 2018 já que provavelmente será impossível retornar à atual edição por falta de tempo.

Lembre-se: na fase de grupos da Libertadores, a Chapecoense escalou o zagueiro Luiz Otávio no jogo contra o Lanús. A Conmebol alegou que ele estava suspenso, e o time argentino entrou com um pedido dos três pontos do jogo vencido pela Chape. O tribunal deu razão ao Lanús que, com isso, acabou em primeiro do grupo e decirá o torneio em casa diante Grêmio.

Ao se defender, no tribunal da Conmebol, a Chapecoense alegou que nunca fora avisada pelos meios formais que a suspensão de Luiz Otávio tinha que ser cumprida diante do Lanús. Isso porque, por regulamentos, há procedimentos para fazer a notificação que não foram seguidos pela confederação. A Conmebol argumenta ter avisado o time catarinense.

Assim, há um mês, a Chapecoense entrou com ação no CAS para tentar derrubar a decisão do tribunal da Conmebol. A confederação sul-americana tem até o meio de novembro para se defender. Depois disso, será marcado o julgamento, que só deve ocorrer em 2018.

“Fizemos pedidos em vários estágios diferentes, tanto desportivo quanto financeiro. No mundo ideal, a Chapecoense queria a vaga nas oitavas-de-final neste ano. Mas, como não deve ser possível voltar tudo, pedimos a classificação para a próxima Libertadores a partir das oitavas, ou pelo menos na fase de grupos”, afirmou o advogado da Chapecoense, Marcelo Amoretty.

Além da questão esportiva, o clube catarinense também busca reparação financeira pela eliminação que considera indevida. “No aspecto financeiro, pedimos que fosse dada a premiação. Como não sabemos até onde a Chapecoense iria caso se classificasse, pedimos a premiação do campeão. Caso não seja aceito, pedimos ao menos a da classificação. Ou o tribunal pode arbitrar um valor”, completou o advogado.

Sob o ponto de vista de argumentação, a ação da Chapecoense tem a mesma base já feita no tribunal da Conmebol. A diferença é que o time catarinense espera um julgamento que lhe dê melhor oportunidade de defesa no CAS. O blog tentou ouvir a Conmebol sobre o caso, sem sucesso.


Conmebol quer volta da Intercontinental em 2019, e homenageará campeões
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A Conmebol vê como avançadas as negociações para a volta da Copa Intercontinental com a Uefa. E entende que o reconhecimento da competição como Mundial pela Fifa reforçou a campanha pelo retorno. A expectativa é de que o campeonato possa ser disputado novamente em 2019, após o fim do Mundial da Fifa que teria sua última disputa em 2018.

O reconhecimento da Intercontinental é uma vitória política da confederação e de seu presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, que convenceu outros continentes a apoiar sua proposta. Por isso, ele fará uma homenagem aos 13 times campeões da Intercontinental no sorteio da Libertadores, em dezembro. Ainda não está decidido o formato.

Em paralelo, sem participação da Fifa, a Conmebol tenta fechar o pacote comercial para viabilizar a Intercontinental com a Uefa. A expectativa é de que o torneio se torne um espécie de substituto provisório do Mundial de Clubes da Fifa que acabaria depois de 2018.

Mas que o trabalho da comissão da Fifa para discutir o Mundial de Clubes acabará influenciando o futebol Intercontinental. Atualmente, a tendência é que o Mundial se torne uma edição disputada no lugar da Copa das Confederações. Assim, na visão da Conmebol, sobraria espaço nos outros três anos para a Intercontinental. Alejandro Dominguez faz parte da comissão da Fifa.

Só que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que quer uma solução que contemple os clubes de todos os continentes. E houve resistência de dirigentes africanos ao reconhecimento da Intercontinental justamente por só ter sul-americanos e europeus. Portanto, a Conmebol pode, sim, enfrentar barreiras no seu projeto.

O quadro deve se definir nos próximos quatro meses já que a Fifa estima para março de 2018 uma solução para a questão.

 


Libertadores-2018 não terá controle a time caloteiro como Champions da Ásia
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A Confederação da Ásia de Futebol impediu o clube saudita Al Nassr de disputar a Champions League do continente por um calote dado no Flamengo, em decisão nesta semana. Esse cenário será impossível na Libertadores porque a Conmebol fez um regulamento de licenciamento sem grandes exigências para 2018, excluindo o fair play financeiro.

A Champions League da Ásia está longe de ser milionária: suas premiações são levemente inferiores às da Libertadores (o campeão ganha os mesmos US$ 3 milhões, e os outros times, menos). A diferença está no avanço de cada confederação em relação aos regulamentos.

A Conmebol colocará em prática seu licenciamento de clubes em 2018. Não haverá nenhuma exigência financeira. A mera apresentação de balanços, já obrigatória no Brasil desde 2003, será válida apenas em 2019. Não há nenhuma previsão de implantação de um fair play financeiro de fato no cronograma da confederação que obrigue os clubes a pagar seus débitos. O licenciamento da CBF segue caminho similar.

Já a Confederação Asiática de Futebol tem um regulamento de licenças robusto. Pelos critérios F03 e F04, o clube tem que provar que não tem débitos com outros clubes, com jogadores ou em impostos com o governo como critério A (obrigatório). Há outros dois critérios (B, que pode ser perdoado), e C (recomendação).

Em relação a outros clubes, as dívidas têm que ser resolvidas até 31 de agosto antes da Champions League. Como o Al Nassr não pagou o Flamengo, não ganhou a licença como anunciado neste semana. E ficou fora da principal competição continental para a qual estava qualificado.

“O Al Nassr teria de fazer o acordo ou pagamento antes. Agora que a licença não foi dada, só pode regularizar para o próximo ano”, explicou o advogado especialista em direito esportivo, Eduardo Carlezzo. “As duas confederações que já têm o mecanismo são a europeia e a asiática.”

A dívida do Al Nassr com o Flamengo surgiu em 2014 quando o time contratou o centroavante Hernanes por € 3,5 milhões. O clube saudita não pagou, e a equipe carioca ganhou em todas as instâncias na Fifa a cobrança. Entre, os pedidos, estava a exclusão da Champions League Asiática. Ainda assim os árabes não quitaram nada do débito após três anos.

Na semana passada, advogados do Flamengo foram avisados pela confederação asiática que o Al Nassr teria a licença negada. Em paralelo, pressionado, o Al Nassr procurou advogados do time carioca para negociar um acordo de pagamento. Não faltaram chances ao time saudita já que a Confederação Asiática de Futebol avisou a todos os clubes no final de julho que cumpriria os requisitos, e pediu os documentos.

Houve outros clubes eliminados da Champions League por conta de calote. Pela legislação, inclusive dívidas com clubes nacionais poderiam gerar punição. “Não importa o país. Transação interna também poderia gerar exclusão”, contou Carlezzo.

Lembre-se que, no Brasil, é comum clubes deverem a outros por transferências de jogadores por longos anos. Caso houvesse um fair play financeiro na Conmebol em vigor, teriam de pagar outros times, jogadores e impostos ou seriam excluídos da Libertadores.


Conmebol deve aumentar cota de clubes após dobrar valor da Libertadores
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A Conmebol tem a intenção de distribuir para os clubes boa parte do aumento do contrato da Libertadores que obterá a partir de 2019. Após concorrência entre agências, a entidade garantiu um mínimo de US$ 350 milhões por ano pelos direitos de televisão e marketing de suas competições de clubes, incluindo também a Sul-Americana.

Há uma reclamação constante de clubes brasileiros, argentinos e uruguaios pelas baixas cotas da Libertadores pela importância da competição. Atualmente, cada time ganha US$ 1,8 milhão pela primeira fase, e pode atingir US$ 8 milhões no total se for campeão.

Após o escândalo de corrupção na Conmebol, que afetava a Libertadores, clubes chegaram a montar uma liga sul-americana para pressionar a confederação para obter mais dinheiro. Para amenizar a situação, a Conmebol criou uma comissão de clubes e trouxe os times para dar sugestões sobre as decisões da Libertadores.

A confederação sul-americana encarregou o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, membro do conselho da Conmebol, de informar aos clubes brasileiros sobre o novo contrato. A subcomissão de clubes inclui todos os 16 que se classificaram para o mata-mata dessa Libertadores.

O aumento da cota dos clubes ainda dependerá do valor final a ser obtido pelos direitos de marketing e televisão. Isso porque a IMG tem a possibilidade de obter um valor acima de US$ 350 milhões por ano com as concorrências pelos direitos da Libertadores. Entre os participantes da licitação, o valor foi considerado alto e benéfico para a Conmebol.


Conmebol divulgará datas da Libertadores-18 com incógnita sobre final única
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A Conmebol divulgará até a próxima segunda-feira seu calendário anual de competições para 2018, incluindo a Libertadores e a Copa Sul-Americana. Mas a entidade ainda deixará em aberto se a final da principal competição de continentes do clube será em jogo único ou em duas partidas. Essa decisão só será tomada em reuniões nos próximos meses.

O calendário da Conmebol vai reservar duas datas para a decisão da Libertadores-2018. Assim, haverá a possibilidade de fazer a final em dois jogos ou em apenas um.

O presidente da confederação, Alejandro Dominguez, já declarou ser favorável à decisão em jogo único, e faz lobby pela ideia. Mas a decisão não será tomada antes de se ouvir outros dirigentes e os clubes.

Há uma subcomissão de times formada para dar sugestões de formato ao torneio. O grupo conta com os dirigentes dos 16 clubes classificados ao mata-mata das oitavas de final da Libertadores que já estiveram reunidos em Assunção, sede da Conmebol. Um novo encontro será marcado para que eles opinem sobre o assunto. Em seguida, o Conselho da Conmebol tomará uma decisão.

Já existem cidades candidatas a sediar a primeira final única da Libertadores, entre elas Rio de Janeiro e Lima. A ideia da Conmebol é fazer um grande evento que aumente os ganhos econômicos da competição. Mas há questões logísticas já que, na América do Sul, há maior dificuldade para viajar.

Assim que o calendário da Conmebol for divulgado, a CBF vai anunciar a organização da sua temporada 2018 na próxima semana. O documento já está praticamente pronto, dependendo das definições da confederação sul-americana. Por conta da Copa-2018, os Estaduais começarão mais cedo e o Brasileiro só será interrompido pelo Mundial.


Como novo torneio pode prejudicar sul-americanos e favorecer europeus
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O calendário de jogos internacionais após a Copa-2018 não é promissor para a seleção brasileira e para sul-americanos. Pelo contrário, seus dados indicam fortalecimentos dos rivais europeus com partidas mais competitivas, e menos jogos relevantes para o Brasil e outros países sul-americanos. Um dos motivos é a recém-criada Copa das Nações na Europa que já gera desconforto em cartolas de outros continentes.

O comando da seleção brasileira, no entanto, entende que o impacto da competição não será tão grande para o país, e que ainda haverá chance de enfrentar grandes seleções. Só ressalta que será preciso mais programação para encaixar jogos contra os principais times do velho continente.

Com as inovações de UEFA e Fifa, o calendário depois da Copa tem a característica de ter vários jogos competitivos para os europeus, e um cenário incerto para os sul-americanos. Além da Euro, suas eliminatórias e o classificatório da Copa, os europeus terão a Copa das Nações.

O novo torneio terá sua primeira fase em datas de amistosos já no segundo semestre de 2018. Em seguida, no meio de 2019, haverá playoffs com semifinais e finais. As equipes serão separadas em quatro divisões, com 12 times em cada uma, e rebaixamento e ascensão. A Liga A determinará o campeão da Copa das Nações. Quando o torneio acabar, já terão se iniciado as eliminatórias da Euro e depois da Copa.

“Certamente haverá menos jogos amistosos internacional e indubitavelmente menos amistosos sem sentido. Mas ainda haverá espaço para jogos amistosos internacionais – particularmente jogos de aquecimento para as finais dos torneios. A UEFA ainda espera que os times europeus tenham a chance de jogar com oponentes de outras confederações”, afirmou a UEFA sobre a competição. A entidade entende que seus times top ainda poderão jogar contra outros continentes.

Mas cartolas do Conselho da Conmebol estão preocupados que os europeus só joguem entre si, e fiquem mais fortes. Por isso, há um movimento para levar a questão à Fifa para discutir seu impacto. O objetivo é juntar dirigentes de outros continentes para conversar com a federação internacional.

Na América do Sul, ainda não há decisão de como serão as eliminatórias para Copa depois que o continente passou a ter 6,5 vagas para 10 país. A pergunta é se ainda faz sentido um classificatório nessas condições.

O coordenador técnico da seleção Edu Gaspar reconhece que Copa das Nações é melhor para os europeus. Mas não vê a seleção prejudicada em termos de obter partidas competitivas.

“Ainda existe a possibilidade de podermos disputar amistosos. Os times da Liga A e B (os mais fortes) vão ter agenda porque a Liga das Nações ocupa uma data, e tem outra para amistoso”, analisou Edu. “Não muda praticamente nada para nós. A gente só tem que se organizar previamente, o que já estamos fazendo.”

Ele reconhece que reduz em uma data a cada dupla a possibilidade de amistoso com europeu, mas lembrou que o Brasil pode jogar com outras confederações. Sobre a possibilidade de os europeus terem mais competições, ele entende que há vantagens e desvantagens.

“De um lado, sem dúvida mais competição fortalece o time. Mas nós teremos a Copa América e as eliminatórias com adversários super fortes. Não vejo como prejuízo do ponto de vista técnico”, observou Edu, que gostou do modelo da Copa das Nações.

Uma das prioridades da comissão técnica de Tite era realizar amistosos com europeu nesta reta final para a Copa-2018. Já tem o jogo marcado com a Alemanha no próximo ano e uma possibilidade de enfrentar a Inglaterra no final do ano. Em relação às eliminatórias sul-americanas, Edu aprova o aumento de vagas porque cresce a possiblidade de classificação.

Certo é que, depois da Copa-2018, o cenário de jogos de europeus e sul-americanos será diferente e as seleções terão de se adaptar à nova realidade.


Procuradoria investiga atuação de brasileiros em desvios na Conmebol
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Após o recebimento de documentos do Paraguai, procuradores federais abriram uma dezena de inquéritos federais para investigar fatos relacionados a participação de cartolas brasileiros em casos de corrupção na Conmebol (Confederação Sul-Americana). Isso inclui acusações relacionados ao caso Fifa.

As investigações se baseiam em documentos enviados pela Justiça do Paraguai ao Brasil, onde os desvios de dinheiro na entidade já são apurados. Esses papéis foram mandados no último mês. A informação foi publicada primeiro pelo “Globoesporte”, e posteriormente confirmada pelo blog.

Potencialmente, podem ser atingidos dirigentes envolvidos no caso Fifa como José Maria Marin, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, todos com acusações nos EUA. Essa é mais uma frente de investigação no Brasil contra cartolas da CBF: já existe um inquérito sobre o caso Fifa. Além disso, um pedido internacional de prisão contra Teixeira chegou ao Brasil e deve abrir nova ação contra o ex-dirigente.

Foi a PGR (Procuradoria Geral da República) quem requisitou ao Paraguai os documentos sobre casos de desvios na Conmebol. De um lado, promotores paraguaios já tiveram acesso a documentos da Justiça norte-americana. De outro, a nova diretoria da Conmebol promoveu uma auditoria que constatou desvios acima de US$ 100 milhões na entidade, e fez denúncia para a Justiça Paraguai.

Na Justiça norte-americana, ex-dirigente da confederação sul-americana são acusados de levar subornos em contratos de televisão e comerciais da Copa América e da Copa Libertadores. Entre os indiciados, estão Del Nero, Teixeira e Marin.

Esses documentos do Paraguai foram distribuídos para procuradores de vários Estados do Brasil para investigação de acordo com onde podem ter ocorrido crimes. Para que esses casos sigam em frente, procuradores terão de analisar se há crimes pela legislação brasileira.

Todos os inquéritos instaurados estão sob sigilo, segundo a PGR. A procuradoria têm ampliado sua cooperação com outros países para investigar os cartolas brasileiros que não podem ser extraditados, mas podem ser processados dentro do próprio país.