Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa do Mundo

Saiba como a Globo deve faturar R$ 3 bilhões no ano da Copa da Rússia
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A Globo deve faturar R$ 3 bilhões com patrocinadores de futebol para o ano da Copa-2018. Esses dados constam dos pacotes publicitários da empresa para TV aberta e fechada, sendo que a maior parte já tem acordos fechados. E isso não inclui todos os ganhos da empresa. A receita da emissora será levemente superior a do Mundial-2014 quando o evento foi no Brasil.

No final de agosto, o apresentador do Jornal Nacional William Bonner anunciou que a emissora fechara seus pacotes de futebol para 2018 que incluem as partidas da temporada regular, excluída a Copa. Cada cota foi vendida por R$ 230 milhões para seis empresas. No total, o valor é de R$ 1,380 bilhão.

Houve uma leve redução em relação à cota do ano passado por conta do Mundial e pela queda no número de partidas oferecidas na temporada. Foram 85 datas de jogos de futebol no pacote quando normalmente eram entre 90 e 95. Isso se explica pela Copa do Mundo e porque não estão incluídos os amistosos da seleção. Mas, ainda assim, são oferecidas 1.974 inserções publicitárias.

Outro pacote já negociado é o da SporTV para a Copa-2018. Foram oferecidas seis cotas de R$ 108,7 milhões nas propriedades publicitárias que começaram a ser exploradas em março de 2017. Foram vendidas para cinco empresas, somando R$ 543 milhões. A oferta é de 205 jogos entre Copa das Confederações, Copa sub-20, Copa do Mundo, eliminatórias, amistosos, entre outros.

Por fim, há o pacote da Copa do Mundo da Globo. Cada uma das seis cotas é de R$ 180 milhões, valor igual ao cobrado para o Mundial-2014. Esse preço é válido até outubro de 2017 com prioridade para as empresas que já são parceiras da emissora para o restante do futebol. A perspectiva de faturamento total, portanto, é de R$ 1.080 bilhão.

Para convencer os anunciantes, a Globo lembra que teve em torno de 80% da audiência na última Copa. E atingiu 164 milhões de pessoas. Somado a isso, a empresa viu um aumento na audiência da seleção desde a chegada do técnico Tite quando o time começou a vencer nas eliminatórias.

No total, o valor a ser arrecadado com patrocinadores pela Globo é de R$ 3,003 bilhões. Na Copa-2014, a emissora faturou com as mesmas propriedades R$ 2,853 bilhões. De novo, isso não inclui todos os ganhos da emissora com o futebol, pois há o valor recebido pelo SporTV de operadoras (percentual do montante pago pelo assinante), pay,per,view e ainda revenda de anúncios para empresas afiliadas, entre outros benefícios.

Ressalte-se que, em compensação, a Globo tem que gastar valores milionários e até bilionários com a compra de direitos de televisão. Só o Brasileiro custará R$ 1,1 bilhão à emissora em compras de direitos. Na temporada 2015, foi R$ 1,3 bilhão gasto em todos os direitos dos campeonatos nacionais, e nem era ano de Mundial. Para a Copa, a Globo tem de pagar um valor mantido em segredo para a Fifa.

Há ainda custos de produção para realizar as transmissões e para operar o sistema de pay-per-view, embora esses gastos sejam bem inferiores aos pagos pelos direitos.

Está claro que o ano de Mundial é vantajoso para a emissora já que o faturamento de R$ 3 bilhões é igual à receita integral do futebol da emissora em um ano, puxada pelo Nacional.

Dentro da Globo, a avaliação é de que a Copa da Rússia será um evento tão benéfico quanto a do Brasil. Não houve, no entanto, crescimento do valor total no ritmo da inflação. Isso é atribuído dentro da emissora mais à crise econômica do país do que ao fato de a Copa ser em outro país.

De fato, no mercado de TV Fechado, por exemplo, tem ocorrido uma redução do número de assinantes. Atualmente, estão em 18,6 milhões, quantidade inferior ao pico de 20 milhões. Mas, na TV Aberta, a Globo tem obtido aumento de audiência no futebol nos últimos anos, o que potencializa o valor econômico de seus pacotes.


Como a política agressiva de Trump pode afetar a Copa
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Crédito: NICHOLAS KAMM/AFP)

Um grupo de seis países do Oriente Médio anunciou um boicote ao Qatar por supostas ligações com terrorismo o que gerou uma série de problemas logísticos à nação. A medida atinge a sede da Copa-2022 escolhida pela Fifa e já cercada de controvérsia. E tem o dedo do presidente Donald Trump cuja política externa agressiva já ameaça afetar edições futuras do Mundial.

O boicote da Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes, Iêmen e Líbia tem como suposto motivo o financiamento a movimentos islâmicos radicais. “Durante minha recente viagem ao Oriente Médio, eu disse que não pode mais haver financiamento de redes ideológicas”, afirmou Trump no Twitter, nesta terça-feira. “Os líderes apontaram o Qatar.”

A medida é controversa visto que a própria Arábia Saudita é acusada de ligações com movimentos radicais e parece ter o objetivo de atingir o Irã, mais próximo do Qatar. Mas há, sim, dados que apontam ligações do reino qatariano com grupos radicais como Hamas, exércitos na Síria, além de partido político no Egito.

De qualquer maneira, o boicote gerou uma reação em cadeia que vai afetar voos regulares, o abastecimento de alimentos e o livre fluxo de trabalhadores para o Qatar que tem um pequeno território. Dados do “Financial Times” apontam que isso pode impactar na capacidade do país de organizar a Copa-2022 se o fechamento das fronteiras com esses países for mantido por longo prazo.

Questionada pelo blog sobre o boicote, a Fifa informou apenas que “está em contato regular com o Comitê Organizador do Qatar-2022 e o Supremo Comitê de Entrega e legado ligando com assuntos sobre a Copa-2022”. E não respondeu as perguntas sobre os problemas logísticos.

Já é a segunda vez este ano que a política de Trump afeta a Copa do Mundo. Em abril, EUA, México e Canadá anunciaram uma candidatura conjunta para serem sede da Copa-2026. Essa postulação tem diversas implicações com a administração Trump que manifestou apoio à tentativa de receber o Mundial.

Primeiro, o presidente da federação norte-americana de futebol, Sunil Gulati, disse que a candidatura considerava o cenário internacional, demonstrando união entre os países. “Levando em conta o que tem acontecido no mundo, especialmente nos EUA, os assuntos que estamos enfrentando, uma candidatura com o México e Canadá é um grande plus”, contou ele à “Sports Illustrated”.

Trump promete construir um muro na fronteira com o México, mas seu departamento de Estado manifestou apoio à candidatura. Há, no entanto, questionamentos sobre como funcionará a política de vistos para delegações e torcedores visto que o presidente americano quer impor restrições a cidadãos de países como Irã.

A Copa não será em sua administração, mas será negociada nela e votada até 2020. E a Fifa só aceitará dar o Mundial se tiver garantias de visto a países participantes. Gulati disse que isso será negociado no futuro com a administração Trump.

O jornalista Grant Wahl, da “Sports Illustrated”, indicou que a inclusão do México e Canadá serviria justamente como alternativa de abrigar jogos de países que possam ter problemas com visto nos EUA. Mas, se esses países avançarem no Mundial, os norte-americanos serão obrigados a dar garantias de que vão recebe-los.

Outra questão é que, com Trump na Casa Branca, aumenta a antipatia com os EUA, o que pode gerar travas à candidatura na votação na assembleia da Fifa. Isso será minimizado porque a tendência é de uma candidatura única, apenas com possibilidade de um adversário da África, que seria mais fraco. Como de hábito, a Fifa se mantém em silêncio até agora sobre os potenciais problemas.


Nova Copa deve mudar eliminatórias da América do Sul: fórmula é discutida
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Aprovada pela Fifa, a expansão da Copa para 48 países em 2026 gera uma discussão sobre as eliminatórias nas Américas do Sul, Central, do Norte, e caribe. Há uma proposta de unificação da competição da Conmebol e Concacaf que, no momento, tem pouca força para se concretizar. Ao mesmo tempo, cartolas da região do Sul reconhecem a necessidade de rever seu sistema classificatório sob risco de vê-lo se tornar sem sentido.

Antes da reunião oficial do conselho da Fifa, o venezuelano Laureano González, vice-presidente da Conmebol, sugeriu que houvesse uma unificação do processo classificatório no continente. O presidente da Fifa, Giani Infantino, gostou da ideia como uma possibilidade de tornar o torneio mais atraente.

Só que outros dirigentes da América do Sul se mostraram bastante incomodados com a proposta do colega. Neste grupo, o argumento é de que a Concacaf, com mais membros e a presença dos EUA, poderia se tornar predominante sobre os países do Sul.

Há dois fatores que são considerados positivos na unificação: impacto econômico do mercado dos EUA e a possibilidade de ampliar ainda mais os classificados. Neste contexto, as duas confederações poderiam até estreitar mais os laços com interações também entre os clubes.

Só que, na atual conjuntura, é mais provável que prevaleça o argumento político que impede a unificação e que garante vagas para América do Sul. Sem apoio da Conmebol, a união deve ruir pois Infantino não quer se indispor com futuros eleitores. Foi para agrada-los que aumentou a Copa.

Neste cenário, surgiria um problema: a Conmebol provavelmente ficará com seis vagas e meia para 10 países. Isso tornará possível que um país se classifique com muitas rodadas de antecedência no atual formato de eliminatórias, já que 60% ou 70% entrariam na Copa.

Dirigentes da Conmebol admitem que há um problema para a competição. Defendem que a solução seja pensada com calma pois ainda falta bastante para as eliminatórias da Copa-2026 começarem.


Fifa pressiona por inchaço de Copa para ter ganho extra de até US$ 1 bilhão
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pressiona membros do conselho da entidade para inchar a Copa do Mundo com o objetivo de aumentar os ganhos comerciais em até US$ 1 bilhão. Na próxima semana, estarão em discussão na federação internacional fórmulas para inflar o evento para 40 ou 48 times, acima dos 32 atuais.

Desde o ano passado, Infatino lançou sua campanha para o aumento da Copa a partir de 2026. Formatou uma proposta com 48 times, com variações de fórmulas. Esse tamanho é o seu preferido. Há uma corrente na Fifa que defende o formato com 40 times, o que apenas aumentaria o número de equipes em cada grupo.

As duas fórmulas com suas variações foram enviadas para análise dos membros do Conselho da Fifa em dezembro. A ideia é que cada um apresente ideias novas, o que deve acontecer no caso da Conmebol. A questão é que há um sentimento no conselho de que Infantino pressiona pelo número de 48 times e por impor sua vontade.

E há duas explicações: 1) a estimativa da Fifa é de que o crescimento da Copa proporcionará um aumento entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão nos contratos de televisão do Mundial. 2) Incrementar o número de vagas por continente agrada mais países e portanto membros do Congresso da Fifa, que elegeu Infantino ao cargo e que decidirá se ele continua.

No caso do aumento de renda de televisão, isso significaria que a Fifa subiria em 20% as suas receitas por ciclo de Mundial, que atualmente giram em torno de US$ 5 bilhões. Em relação a agrados políticos, a Conmebol, por exemplo, passaria a ter 6,5 vagas, isto é, classificaria quase o continente inteiro já que são dez países na região.

Com 48 times, Infantino prefere um formato que tem 16 já pré-classificados para o grupo de 32 equipes. Outros 32 países disputariam mais 16 vagas em uma espécie de torneio eliminatório. A partir daí, se manteria a fórmula da Copa do mundo atual. Outra possibilidade são 16 grupos de três times, com dois primeiros classificados para o mata-mata.

A ideia é que nas reuniões do dia 9 e 10 em Zurique se discuta o aumento da Copa do Mundo, mas não se feche questão. Mas membros do conselho dizem que não ficarão surpresos se Infantino pressionar por uma aprovação imediata.


Brasil se candidataria à Copa e à Olimpíada se soubesse da crise econômica?
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Candidato único, o Brasil foi escolhido sede da Copa do Mundo em outubro de 2007. Em eleição apertada, o Rio de Janeiro ganhou de concorrentes o direito de receber a Olimpíada-2016 dois anos depois, em 2009. Ambos os projetos só saíram com forte apoio do governo federal, que surfava em um momento de crescimento econômico.

Empolgado com a vitória sobre Chicago na escolha olímpica – a cidade norte-americana foi representada por Barack Obama -, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia que o Brasil não era os EUA, mas poderia vir a ser. O seu plano era de que os dois grandes eventos iriam mostrar a imagem do Brasil grande ao mundo, uma espécie de festa de novo rico.

Às vésperas da Olimpíada, o país prepara-se para receber os Jogos em meio a uma crise econômica acentuada, com previsão de redução de PIB, inflação acelerada e aumento de dívida pública. Para se ter ideia, o documento de candidatura olímpica cotou o dólar a R$ 2,00 em seu orçamento, e hoje ele vale em torno de R$ 4,00.

A crise já se desenha desde 2014. Foi postergada por medidas do governo Dilma Rousseff, sucessora de Lula, em ano eleitoral. Ela aumentou seus gastos naquele ano causando os déficits atuais nas contas do governo.

Entre os altos investimentos, estavam os R$ 8 bilhões em estádios de futebol para a Copa do Mundo, boa parte deles com pouca utilidade ou operando com prejuízo. As infraestruturas para as cidades-sede ficaram na promessa na maior parte dos casos.

E, sob o ponto de vista econômico, sequer valeu à pena. Ao contrário da previsão de consultorias otimistas, a Copa do Mundo não foi um impulso para economia. Dilma e sua equipe econômica admitiram que o evento pode até ter contribuído para a retração do PIB.

Nada indica que será diferente com a Olimpíada. Falido pela crise e pelos problemas do setor petroleiro, o governo do Estado do Rio ainda tem que destinar recursos aos Jogos, enquanto falta dinheiro para hospitais e para o funcionalismo público. Esse é o mesmo governo que gastou R$ 1,2 bilhão com a reconstrução do Maracanã nos padrões Fifa, aquela mesma que teve vários dirigentes afastados ou presos. Como bem disse Ronaldo: não se fazem Copa com hospitais.

Para a Olimpíada, as sedes esportivas estão garantidas, mas terá de haver cortes na organização. As promessas de melhoria de infraestrutura não serão todas cumpridas.

É provável que, a despeito de tudo isso, a Olimpíada seja organizada com correção e seja uma festa inesquecível para os brasileiros. Foi assim na Copa: um mês e pouco de celebração com estrangeiros apesar do fracasso da seleção.

Para um país rico, pode fazer sentido gastar em uma festa que impulsiona o ânimo do seu povo. A Copa da Alemanha provocou um sentimento de união nacional que a justificou em uma nação que fornece quase tudo a seus cidadãos. O problema é que nós não somos ricos.

O então presidente Lula e sua sucessora Dilma, comitês de Copa e da Olimpíada pintaram um país cheio de recursos e destinado à ascensão no cenário econômico mundial que só existiu em uma ilusão. E, antes mesmo que o crescimento que projetavam se concretizasse, marcaram duas festas grandiosas para celebrar. O dinheiro não veio, e sobrou a conta. E a ressaca.


Com público baixo, Arena das Dunas precisa de 3 mil jogos para se pagar
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Construída para receber a Copa-2014, a Arena das Dunas tem exibido baixa média de público no seu primeiro semestre de funcionamento: foram apenas 6.450 pessoas por jogo. Com essa presença de torcedores, e as rendas atuais, seria necessário realizar 3.026 partidas para pagar os custos de construção do estádio.

Com capacidade para 42 mil pessoas, o estádio custou aos cofres públicos R$ 417 milhões e foi concluído no início deste ano. Atuam em seu campo os maiores times do Rio Grande do Norte, América-RN e ABC. Ambos têm contrato com a gestora da arena: a construtora OAS.

Até agora, as equipes atuaram 14 vezes no estádio, em um total de 15 jogos. A inauguração foi uma rodada dupla dos dois times que teve o maior público com 19.244 pessoas, e uma renda de R$ 469.230,00. Considerados todos os jogos, a média é bem mais baixa: R$ 137.768.

O estádio foi bastante utilizado neste primeiro semestre. Com um pouco mais de jogos, já que não precisará ser cedido para Copa todo ano, pode atingir 40 partidas por temporada. Dessa forma, seriam necessários 75 anos de rendas de jogos para pagar o custo total de construção.

A conta do blog é generosa com a arena visto que não considera as despesas de cada partida, nem os pagamentos feitos pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte à OAS para garantir a lucratividade da gestão do estádio. O total do dinheiro que deve ser destinado à construtora soma R$ 1,2 bilhão pela construção e concessão.

Em compensação, para América-RN e ABC, o estádio também não tem sido muito lucrativo. Boa parte das partidas é deficitária por conta do baixo público e o alto custo de uma arena de Copa.

“Em contrato, a OAS garantiu um total de R$ 100 mil para ABC e América para cobrir eventuais prejuízos pelos jogos”, afirmou o presidente da Federação do Rio Grande do Norte, José Vanildo.

No total, arrecadou-se R$ 2 milhões de renda bruta no estádio. Além dos jogos, houve um show na Arena das Dunas no início de abril que reuniu entre outras estrelas Ivete Sangalo. A receita fica com a OAS, e serve ao menos para amenizar os pagamentos do Estado do Rio Grande do Norte para a construtora.

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Com Copa no Brasil, Fifa tem receita recorde de R$ 3,2 bi em 2013
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A Fifa anunciou uma receita recorde de US$ 1,386 bilhão (R$ 3,2 bilhões) no ano de 2013 graças às receitas da Copa-2014. É a maior renda da história da entidade, superior até a ocorrida no ano do Mundial da Africa do Sul, em 2010. E o total ganho pela federação em três anos no Brasil é de R$ 8,5 bilhões – certamente, vai ultrapassar R$ 10 bilhões.

Essa arrecadação representa um aumento um pouco inferior a 20% em relação ao que foi ganho no ano passado.  Isso prova que a Copa no Brasil, apesar dos problemas de organização, é extremamente lucrativa para a federação internacional.

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, explicou que o valor aumenta a cada Copa do Mundo, independentemente de onde ela se realiza. Mas admitiu que as receitas de ingressos e pacotes de hospitalidade no Brasil batem recordes em relação aos eventos anteriores.

“Vendemos a maior parte dos direitos antes de saber que o Brasil teria a Copa. O Sucesso é o futebol, que continuará forte. Mundo enfrenta dificuldades, mas quando vendemos nossos direitos, temos um aumento. Não há redução. Na Rússia, vamos aumentar o volume de dinheiro. No Qatar, vai ser mais. Não é onde ocorre, mas a Copa”, explicou.

“A venda de ingressos no Brasil e também de pacotes teve um recorde. Está acima de todas os anteriores. Não só brasileiros como os outros querem ir para o Brasil”, completou.

Diante desse cenário, a renda dos quatro anos do Mundial do Brasil vai superar US$ 4 bilhões, e certamente estará acima da marca de R$ 10 bilhões.

Do total das receitas de 2013, US$ 1,053 bilhão foi obtido com receitas de televisão e de marketing do Mundial. A competição ainda rendeu dinheiro com licenciamento de produtos (US$ 26  milhões) e venda de pacotes de hospitalidade (US$ 47 milhões).

A Fifa não paga impostos no Brasil. Mas tem gastos na organização da Copa-2014. Sua estimativa é de custo total de US$ 1,4 bilhão em todo o Mundial. A entidade ainda alega que deixa em torno de US$ 800 milhões no país.


Copa-2014 já iguala atraso de estádios da África do Sul-2010
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O presidente da Fifa, Joseph Blatter, está certo ao dizer que o Brasil demorou a iniciar a preparação da Copa-2014. Mas depende do ponto de vista concordar com sua afirmação de que o atual Mundial é o mais atrasado de sua gestão. Levantamento do blog mostra que, no momento, o país igualou os descumprimentos de prazo da edição anterior da competição, na África do Sul, em 2010. Corre o risco de se tornar o mais lento se continuar a postergar inaugurações.

Até o meio do ano passado, o Brasil estava um pouco na frente dos sul-africanos com seis estádios (Maracanã, Arena Pernambuco, Arena Fonte Nova, Castelão, Mineirão e Mané Garrincha) prontos há um ano da Copa, contra cinco dos antecessores (Ellis Park, Free State Stadium, Royal Bafonkeng, Mbomblea Stadium, e Lotus Versefeld).

Ressalte-se que ambos deixaram suas arenas prontas de última hora para a Copa das Confederações e estouraram todos os prazos da Fifa. Ressalte-se que ambas as preparações para o Mundial eram as mais lentas já vistas em comparações a outras edições.

Só que, a partir do meio de 2013, o Brasil enfrentou enormes problemas com seus estádios restantes, como os acidentes fatais no Itaquerão e na Arena Amazônia. Em resumo, não entregou nenhuma arena nova até o final de 2013. E a África do Sul terminou o Moses Mabhida, em Durban, até novembro de 2009. Até ai, os países empatavam em progresso dos locais dos jogos, com o lembrete que 2010 tinha dois estádio a  menos.

Porém, duas arenas africanas, o Green Point, na Cidade do Cabo, e Peter Mokaba, em Polokwane, foram inaugurados com jogos em janeiro de 2010, ano da Copa.

Dos seis estádios restantes do Brasil, a Arena Pantanal e a Arena das Dunas têm datas de inauguração previstas para o final de janeiro. O Beira-Rio informou estar perto da conclusão das obras, mas sem precisar uma data para sua finalização.

E a Arena da Baixada e a Arena da Amazônia vivem incertezas sobre as conclusões dos seus trabalhos e de suas inaugurações, após atrasos e problemas financeiros enfrentados pelo Atlético-PR, e acidentes fatais, no caso da arena do Norte.

Por fim, o Itaquerão, após acidente em novembro, tem previsão de inauguração para o meio de abril. Repete o roteiro de atraso do Soccer City, estádio da abertura e da final da Copa-2010 que foi concluído em abril do ano da Copa-2010 e teve o primeiro jogo de grandes proporções em maio.

Outro estádio sul-africano que só foi entregue às vésperas da Copa foi o Mbomblea Stadium, em Nelspruit, cuja partida inicial ocorreu no meio de maio, a apenas um mês da Copa.

Se levarmos em conta apenas o número de estádios para entrega, a seis meses do Mundial, o Brasil já está até mais atrasado do que a África do Sul visto que ainda tem seis incompletos, contra quatro sul-africanos. Mas havia menos arenas naquele Mundial. Em resumo, a Copa-2014 está prestes a confirmar a declaração de Blatter e se tornar a mais atrasada de toda sua gestão na Fifa.


Favorita, Alemanha enfrenta calor e deslocamentos
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Entre os cabeça-de-chave, a Alemanha é que a que enfrentará maiores desafios logísticos e calor com o sorteio da Copa-2014. A equipe terá dois jogos às 13 horas no calor nordestino, em Salvador e Recife, e terá de viajar o país quase inteiro se confirmar seu favoritismo no grupo.

A estreia alemã será na Bahia, no primeiro horário, contra o forte time de Portugal de Cristiano Ronaldo. Na sequência, o time volta a atuar no Nordeste, desta vez às 16 horas, diante de Gana. E encerra a participação na primeira fase contra os EUA, de novo às 13 horas, agora em Recife.

Caso se classifique em primeiro, o time sairá do calor de Pernambuco para o outro extremo do país, onde atuará em Porto Alegre pelas oitavas-de-final. Haverá um contraste de clima visto que deve estar frio no inverno no Sul.

Seguindo na Copa, enfim, chegará ao Sudeste, mas, mais uma vez, para atuar às 13 horas, no Rio de Janeiro.

Os países europeus tinham deixado claro que seus maiores temor eram os desafios logísticos, mais do que os adversários. A Alemanha, no topo entre os favoritos, terá de enfrentar ambos.

E cresce a possibilidade de os alemães se hospedarem em Porto Seguro, e não em São Paulo. As duas opções estavam sendo estudadas pelos alemães, mas o Nordeste se torna mais atraente por conta dos deslocamentos e pela aclimatação.

 


Com verba privada, sorteio da Copa sai mais barato que evento preliminar
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Evento principal antes da Copa-2014, o sorteio final dos grupos do Mundial, na Costa do Sauípe, em 6 de dezembro, sairá por um preço menor do que o sorteio preliminar, no Rio de Janeiro, se levarmos em conta gastos temporários. Nesta edição, coincidentemente, haverá bem menos verba pública e mais dinheiro privado que no primeiro evento.

Na Bahia, o custo total será de R$ 26,5 milhões. Desse total, o governo da Bahia bancará R$ 6,5 milhões entre estruturas provisórias como as tendas de cobertura, segurança e operação. Já a Fifa investirá R$ 20 milhões em produção global para televisão, performance de artistas e infraestrutura para a mídia.

No Rio, o gasto total atingiu R$ 30 milhões. Neste caso, a federação internacional não teve que botar a mão no bolso. O Governo do Estado e a prefeitura do Rio dividiram os custos da estrutura gigantesta montada na Marina da Glória, no Aterro do Flamengo. O dinheiro foi todo destinado a Geo Eventos, da Globo, que organizou a festa em julho de 2011.

A explicação do COL (Comitê Organizador Local) é de que havia uma necessidade de maior estrutura provisória, como cabeamento e e estrutura de mídia na Marina da Glória, onde não havia nenhuma dessas instalações disponíveis. No Sauípe, os administradores do conglomerado de hotéis investiram R$ 14 milhões em um novo palco, que seria construído independemente do sorteio.

O dinheiro do governo do Estado foi destinado a Costa do Sauípe S.A., justamente essa empresa que administra o resort.

“A gente vai produzir um documento posteriormente para avaliar o impacto do evento para a Bahia”, afirmou a coordenador para Copa do Estado da Bahia, Lilian Pitanga.  “Mas já fizemos campanhas e vamos preparar programas para mostrar a região para a mídia estrangeira.”

A estimativa da Fifa e do COL é de que o sorteio seja assistido por 500 milhões de pessoas pelo mundo. Segundo eles, isso traria um retorno de exposição de mídia bem superior ao investimento feito pelo governo. Mas é fato que a entidade queria que o governo baiano botasse mais dinheiro no evento, o que foi rechaçado.

Ressalte-se que o caderno de encargos da federação internacional, contrato entre as cidades-sede e a entidade para receber o Mundial, não prevê nenhum dinheiro público para esse tipo de evento. Pelas regras anteriores ao Brasil, eles teriam de ser bancados com dinheiro da Fifa. O evento será na sexta-feira.