Blog do Rodrigo Mattos

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Queimado, Coronel Nunes seguirá como representante da CBF na Conmebol
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O presidente da CBF, Coronel Nunes, ficou queimado na Conmebol após descumprir acordo para votação da sede da Copa-2026. Não foi em evento da confederação nesta quinta-feira. Mas, pelas regras, terá de continuar como representante do Brasil em reuniões da Conmebol que vão tratar da Libertadores, Copa Sul-Americana e Copa América. Há uma pressão da Conmebol para evitar isso.

Pelas regras da Conmebol, o representante do país no Conselho da entidade, cúpula do poder do futebol sul-americana, é o presidente da federação nacional. Essa tradição foi quebrada pelo Brasil porque Marco Polo Del Nero não podia viajar para o exterior sob o risco de ser preso.

Foi substituído pelo presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, durante dois anos. Este, no entanto, tentou uma chapa de oposição ao futuro presidente da CBF Rogério Caboclo. Sendo assim, foi destituído do cargo neste ano em favor justamente do Coronel Nunes.

Agora, cria-se a situação constrangedora na Conmebol porque, pelas regras, não seria possível substitui-lo. Só que o clima para o Coronel na confederação sul-americana é péssimo. Além disso, a CBF teria de confiar nele como representante do voto brasileiro nas decisões. Como se viu, sua posição pode ser inconstante. Além do Coronel, Fernando Sarney participa das reuniões de cúpula da Conmebol como membro da Fifa.

No segundo semestre, a Conmebol terá reuniões para discutir a organização da Copa América e possivelmente a divisão de dinheiro da Libertadores. Haverá um novo contrato de televisão para 2019 com o triplo do valor pela competição de clubes. Ou seja, o Brasil precisará ser ouvido sobre a divisão.

Obviamente, o Coronel deve ser alijado das discussões práticas sobre posição da CBF. No final da linha, no entanto, o voto brasileiro é dele.


Posição do Qatar congela plano de inchar Copa com 48 times na edição 2022
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O Qatar tornou difícil que se concretize o aumento da Copa do Mundo para 48 seleções já na edição de 2022. Durante reunião do Conselho da Fifa, no último domingo, o país-sede do próximo Mundial expressou preocupação com a possível expansão, especialmente com a possibilidade de ter de dividir o evento com outras nações da região. Essa posição congelou o plano para o inchaço imediato da competição que agora terá de ser rediscutido.

A proposta de aumento da Copa já em 2022 foi feita pela Conmebol. Por trás da ideia, estava o incentivo do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que tem o interesse político de expandir o número de vagas mais rápido com vistas a sua reeleição. Inicialmente, o Qatar deu aval para a discussão levantada pela confederação sul-americana.

Mas, com o desenvolvimento da ideia, passaram a surgir diversos entraves. Entre eles, tem de haver um aumento da estrutura, com mais estádios, o que poderia obrigar a inclusão de outro país-sede: a Arábia Saudita tem interesse. Além disso, todos os contratos com a Fifa teriam de ser mudados. A intenção da cúpula da Fifa era que o seu congresso aprovasse um estudo de viabilidade entidade.

Só que, na reunião do Conselho, a federação do Qatar disse que a inclusão de outros países causaria muitos problemas legais, e rechaçou a divisão. Os qatarianos lembraram que ganharam a eleição com a proposta de Copa com apenas um país.

Pior, o Qatar está isolado politicamente na região com um embargo comercial declarado por outros sete países que atrapalhou até as obras da Copa. A Arábia Saudita é um deles, isto é, o país teria de fazer um acordo legal com um inimigo comercial.

Diante da posição qatariana, Infantino retirou do Congresso da Fifa a votação sobre viabilidade da Copa com 48. Alegou que tem que conversar com o Qatar. Ele admite que não tem como levar adiante a proposta sem a concordância do país árabe.

Neste cenário, o plano foi congelado. A Fifa tem até 2019 para tomar uma decisão por conta das eliminatórias do próximo Mundial que já teriam de levar em conta o número definitivo de participantes. O cenário atual é de que o aumento da Copa antecipado se torna improváve, a não ser em caso de reviravolta. Em 2022, devemos ter a fórmula clássica com 32 times.


Copa inchada e Mundial de Clubes viram chaves na disputa de poder da Fifa
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O aumento da Copa do Mundo para 48 times já na próxima edição e a criação do novo Mundial de Clubes viraram chaves em uma briga por poder e dinheiro dentro da Fifa. Ambos os temas vão permear a agenda da reunião da cúpula da Fifa em Moscou, neste domingo. Não deve haver nenhuma decisão sobre os dois pontos até porque a falta de consenso adiará os tópicos para depois da Rússia.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é patrono das duas iniciativas: vender um novo Mundial de Clubes para uma proposta bilionária de um grupo financeiro e aumentar a Copa já no Qatar-2022. Seu objetivo não declarado é usar esses projetos como trunfos políticos para se reeleger à presidência no próximo ano.

No caso da Copa, foi a Conmebol quem apresentou a proposta de elevar para 48 times a Copa do Mundo já em 2022 – para 2026, isto está aprovado. A reunião teve a presença de Infantino. Nos bastidores, a ideia não saiu dos cartolas sul-americanos. A própria federação do Qatar, que estava presente, deu aval para o aumento, segundo apurou o blog.

Infantino já classificou a ideia como positiva e a levou adiante para ser discutida no Congresso da Fifa, nesta quarta-feira. Em paralelo, analisa-se a viabilidade logística de realizar o aumento de times. Oficialmente, no entanto, ele se mostra cauteloso: reafirmou que só haveria a mudança se o Qatar aceitasse por conta do contrato. Mas o país arábe já deu um ok extra-oficial.

Se conseguir aprovar a ideia, Infantino, de cara, consegue oferecer 16 vagas a mais na Copa na próxima edição. Esses postos vão beneficiar mais confederações como a africana, a asiática e as das Américas. Juntas, elas ficariam com 13 das vagas. A Europa será a que percentualmente menos crescerá com o aumento do Mundial.

Ora, Infantino tem atualmente como maior opositor a UEFA, do presidente Aleksander Ceferin. É este dirigente, por exemplo, quem criticou de forma mais dura a ideia do presidente da Fifa de vender o novo Mundial de Clubes e a Liga das Nações para um grupo financeiro por US$ 25 bilhões.

Foi a pressão da UEFA que barrou a tentativa de Infantino de aprovar às pressas o Mundial de Clubes ainda antes da Copa. O assunto está na agenda do Conselho, mas membros da cúpula entendem que não haverá nenhuma medida definitiva sobre o caso. Isso justamente porque a posição firme da federação europeia impediu o dirigente da Fifa de acelerar o seu projeto.

A pressa de Infantino em aprovar o novo Mundial de Clubes é por conta da possibilidade de um grande volume de dinheiro na entidade. Assim, poderia distribuir esses recursos para federações nacionais, confederações continentais e clubes. Isso obviamente aumentaria seu capital político para a futura eleição como presidente.

Na América do Sul, há entusiasmo com o projeto por parte de dirigentes da Conmebol. Isso porque, além da Conmebol aumentar suas receitas, os clubes teriam uma receita extra e aumentariam sua força para tentar minimamente segurar seus jogadores para reduzir o abismo para os europeus.

Diante deste cenário, a reunião do Conselho da Fifa em Moscou promete não ter decisões definitivas, mas uma disputa quente nos bastidores para saber quem dominará os próximos passos. O aumento da Copa-2022 e o novo Mundial de Clubes devem ter uma definição no segundo semestre deste ano.

 


Fifa veta propaganda até no fone de ouvido e celulares de jogadores na Copa
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As regras de marketing da Fifa tornaram-se bastante restritas para a Copa-2018 enfocando até itens como os fones de ouvidos de jogadores. A entidade já vinha proibindo iniciativas de atletas, federações nacionais ou torcedores de fazer marketing de emboscada no Mundial. Mas, para a edição russa, há um nível de detalhismo não visto anteriormente.

O regulamento da Copa-2018 é similar ao de 2014 em relação à questão do equipamentos. Ambos proíbem genericamente qualquer marca que não seja a das parceiras da Fifa em equipamentos. Mas, no Brasil, não havia sido divulgado um regulamento de marketing detalhado. Para a Rússia, a entidade internacional especificou regras de mídia e marketing que tratam do que pode ou não pode nos estádios, seja nos dias dos jogos, seja na véspera.

Em uma das proibições, está dito que não pode usar marcas das empresas nos fones de ouvidos, bolsas (esportivas ou não), aparelhos de comunicação (celulares e laptos). É permitido no máximo uma marca pequena do fabricante. Quem tentar dar um enganada com uma logo maior pode se enrolar com o regulamento. Diz o texto da Fifa: “limitada (o nome da empresa) ao tamanho e à forma de representação, na opinião razoável da Fifa, prevenindo o reconhecimento dos produtos”.

Outro item que não pode ter nenhuma marca são os ternos usados pelos jogadores. Só é permitido ter o emblema da federação.

O atacante Neymar, por exemplo, tem um patrocinador produtor de fone de ouvido. Na Copa-2014, a Fifa chegou a investigar um possível marketing de emboscada do jogador ao exibir uma sunga em jogo da seleção, sendo que era feita por empresa que não era a que produzia o uniforme da seleção. A entidade concluiu que foi involuntário e apenas advertiu a CBF a tomar cuidado com a questão.

Além de marcas comerciais, também são proibidas mensagens políticas, religiosas e pessoais nos equipamentos esportivos. Levado ao extremo, o regulamento proibiria a mensagem escrita por Cafu em seu uniforme na Copa-2002 quando levantou a taça: estava escrito “100% Jardim Irene” em referência ao seu bairro de infância. Manifestações religiosas já vêm sendo reprimidas pela Fifa.

Essas proibições já foram explicitadas em reunião com as delegações, o que inclui vetos a postagens em redes sociais dentro do estádio, como mostrou o blog do Marcel Rizzo. As mensagens em vídeo ou em foto em redes sociais são, atualmente, um grande meio de receita para os jogadores. Uma postagem de Cristiano Ronaldo, por exemplo, pode valer milhões de euros.

Há proibição também que qualquer membro da delegação do país faça vídeos ou imagens em movimento nas áreas de controle, isto é, em estádios. Ou seja, nenhum deles pode filmar imagens nessas áreas e depois veicula-las em qualquer tipo de mídia. A CBF também está proibida de distribuir brindes de patrocinadores ou exibir as marcas desses nas áreas oficiais, estádios e locais de treinamento.

Caso a Fifa entenda que houve um descumprimento do regulamento de marketing, os casos serão levados para o Comitê Disciplinar da entidade que vai investigar e depois julgar a eventual quebra da regra.

Esse aumento nas restrições se deve ao entendimento da Fifa de que, cada vez mais, o ganho de dinheiro com marketing está nas mãos de jogadores por meio de mídias sociais ou por meio do uso de marcas. A intenção da entidade, portanto, é restringir isso para que sejam apenas seus patrocinadores que usufruam da exploração associada à Copa do Mundo. As receitas de marketing da federação internacional vinham caindo após os escândalos de corrupção com a perda de parceiros.


Após Brasil-2014, Fifa cria regra contra elefantes brancos na Copa
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Após exigir estádios que se tornavam ociosos, a Fifa criou uma regra para impedir que países-sede usem arenas que vão se transformar em elefantes brancos após a Copa do Mundo. O exemplo mais recente foi do Brasil-2014 que produziu quatro estádios para o evento que hoje têm pouquíssima utilização, fora outros com problemas. Agora, um país-sede pode perder a chance de receber a Copa se seus planos indicarem arenas que futuramente estarão vazias.

Sempre foi prática da diretoria da Fifa exigir de países estádios dentro de seu alto padrão sem se importar como o que aconteceria depois. Foi assim na África do Sul-2010, no Brasil-2014 e ocorre o mesmo na Rússia-2018. Possivelmente, o Qatar-2022 terá arenas ociosas se não as desmontar.

Para a escolha da sede de 2026 – os candidatos são EUA/México/Canadá e Marrocos -, a federação internacional criou um critério técnico para a avaliação dos candidatos. As diretrizes das regras foram aprovadas pelo Conselho da Fifa em outubro de 2017. A divulgação de seus detalhes só aconteceu agora em março de 2018.

Pois bem, pelas regras, a infraestrutura conta 70% na avaliação, sendo 35% apenas relacionado a estádios. Cada projeto de estádio apresentado ganhará uma nota de 0 a 5, tendo de atingir a nota mínima de 2. Sem a nota mínima, será eliminado antes da votação na assembleia da Fifa. E um dos pontos mais relevantes é a possibilidade de subutilização da arena após o Mundial.

“Mais do que isso, a Fifa deseja evitar a ocorrência dos estádios “elefantes brancos” – referindo-se a projetos de estádios custosos (em termos de construção e manutenção) considerados desproporcionais para sua frequência e uso e valor de legado”, explica o documento da Fifa.

Há uma fórmula para calcular a possibilidade de um estádio virar elefante branco. A Fifa contratou um estudo do instituto CIES que fez um levantamento na média de público em estádios europeus e fora da Europa. A pesquisa incluiu o Brasileiro da Série A, além de outros cinco campeonatos não europeus.

Com esse estudo, foi constatado que o tamanho da população de uma cidade tem relação com a média de público. Fora da Europa, um estádio só tem média de público de 19 mil se tiver mais de 5 milhões de pessoas na cidade. Cidades com até 1 milhão de habitantes têm arenas com média de público em torno de 10 mil pessoas.

Diante desses números, se o estádio for 50% maior do que a média de público prevista pelo estudo, a autoridade da arena tem que explicar como vai gerar público. E, sem justificativa plausível, a Fifa classificará aquele estádio como de alto risco para se tornar elefante branco e ele terá nota abaixo de 2, tendo grande chance de desclassificação.

Arena Amazônia, Arena Pantanal, Arena das Dunas e Mané Garrincha todos não passariam pelo novo critério da Fifa. Na realidade, mesmo estádios como Arena Pernambuco, Fonte Nova, Mineirão e Maracanã  também não atenderiam o critério, embora tivessem justificativas por conta de ter times importantes em suas sedes. Pelo novo critério da Fifa, um terço dos estádios da Copa-2014 seria provavelmente excluído da competição, não teria sido construído e não iria gerar o prejuízo para o Estado.

Na época, o então secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke pressionou o Brasil a realizar rápido os estádios no padrão da Fifa, embora a decisão por mais sedes tenha sido do país. Valcke e o ex-presidente Joseph Blatter foram excluídos da entidade por receber pagamentos indevidos. Na eleição, ganhou Gianni Infantino, que criou as novas regras.

Agora, não há também obrigação de garantia do governo, nem de isenção total de impostos como fez o Brasil. Mas a Fifa recomenda que seja dado desconto nas taxas, o que vai melhorar a candidatura aos olhos dos eleitores da entidade. Na prática, um alto nível de perdão de impostos deve ocorrer, embora talvez não de forma absoluta.

Neste novo critério da Fifa, os EUA, México e Canadá levam enorme vantagem sobre Marrocos. Já têm estádios prontos (o que conta a favor) e têm atividade esportiva constante para suas arenas. Há reclamações do país africano de ter sido prejudicado com as regras, segundo o site “Inside World Football”.

Fato é que, no novo processo, o Brasil teria de passar por um escrutínio técnico para ter sua candidatura referendada, mesmo sendo única. Em 2007, a CBF apresentou uma candidatura com dados errados, incompletos e com projeções completamente equivocadas (todos os estádios teriam investimento privado e seria gasto pouco mais de US$ 1 bilhão nas construções). Mesmo assim, a Fifa aprovou sem questionar, com elogios.

 

 


Fifa deve aprovar árbitro de vídeo na Copa e definir novo Mundial de Clubes
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A reunião do Conselho da Fifa deve aprovar o árbitro de vídeo para a Copa do Mundo da Rússia-2018 e definir o novo formato do Mundial de Clubes. Além disso, haverá a discussão sobre a criação da Copa das Nações com seleções de todo o mundo, em substituição a amistosos. O encontro será em Bogotá nesta sexta-feira.

A International Football Association Board (IAFB) aprovou em março a utilização do árbitro de vídeo no futebol, cabendo ao Conselho referendar se será usado na Copa-2018. Entre os membros do organismo, é dado como certo que o mecanismo será aprovado para o Mundial. A Uefa tem se manifestado contrária à tecnologia, mas é minoritária entre as confederações.

A Fifa já testou o árbitro de vídeo no Mundial de Clubes e na Copa das Confederações. Nessas competições, consolidou os procedimentos para chegar com a tecnologia pronta para a Copa.

Outro tópico é relacionado ao formato do Mundial de Clubes que será modificado porque é considerado pouco atrativo e deficitário. A última edição com a atual fórmula será em 2018 nos Emirados Árabes Unidos. Na agenda da reunião, está descrito que será discutida “a estratégia para competições de clubes (para aprovação)”.

A proposta do presidente da Fifa, Gianni Infantino, é realizar um Mundial a cada quatro anos com 24 clubes do mundo inteiro. A primeira edição só deverá ocorrer no período similar ao da extinta Copa das Confederações, isto é, um ano antes da Copa do Mundo. No formado idealizado, mais da metade dos clubes seria da Europa e da América do Sul. A fórmula, no entanto, não é unanimidade e tem resistência de alguns clubes europeus. Por isso, sua aprovação não é certa, segundo membros do Conselho da Fifa.

Um terceiro ponto é a discussão da criação da Copa das Nações. Pelo modelo proposto, os amistosos disputados atualmente seriam substituídos por jogos entre seleções a serem jogados em datas Fifa. O formato seria de campeonato, com grupos. Se houver um avanço e aprovação nas discussões, poderia ser disputado o torneio ainda em 2019.

A fórmula é inspirada no inventada pela Uefa para uma Copa das Nações Europeias, que já começa a ser disputado neste ano. Para atrair apoios no Conselho da Fifa, o presidente Infantino acena com verbas para todas as seleções participantes, o que incluiria o planeta inteiro.


Saiba como a Globo deve faturar R$ 3 bilhões no ano da Copa da Rússia
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A Globo deve faturar R$ 3 bilhões com patrocinadores de futebol para o ano da Copa-2018. Esses dados constam dos pacotes publicitários da empresa para TV aberta e fechada, sendo que a maior parte já tem acordos fechados. E isso não inclui todos os ganhos da empresa. A receita da emissora será levemente superior a do Mundial-2014 quando o evento foi no Brasil.

No final de agosto, o apresentador do Jornal Nacional William Bonner anunciou que a emissora fechara seus pacotes de futebol para 2018 que incluem as partidas da temporada regular, excluída a Copa. Cada cota foi vendida por R$ 230 milhões para seis empresas. No total, o valor é de R$ 1,380 bilhão.

Houve uma leve redução em relação à cota do ano passado por conta do Mundial e pela queda no número de partidas oferecidas na temporada. Foram 85 datas de jogos de futebol no pacote quando normalmente eram entre 90 e 95. Isso se explica pela Copa do Mundo e porque não estão incluídos os amistosos da seleção. Mas, ainda assim, são oferecidas 1.974 inserções publicitárias.

Outro pacote já negociado é o da SporTV para a Copa-2018. Foram oferecidas seis cotas de R$ 108,7 milhões nas propriedades publicitárias que começaram a ser exploradas em março de 2017. Foram vendidas para cinco empresas, somando R$ 543 milhões. A oferta é de 205 jogos entre Copa das Confederações, Copa sub-20, Copa do Mundo, eliminatórias, amistosos, entre outros.

Por fim, há o pacote da Copa do Mundo da Globo. Cada uma das seis cotas é de R$ 180 milhões, valor igual ao cobrado para o Mundial-2014. Esse preço é válido até outubro de 2017 com prioridade para as empresas que já são parceiras da emissora para o restante do futebol. A perspectiva de faturamento total, portanto, é de R$ 1.080 bilhão.

Para convencer os anunciantes, a Globo lembra que teve em torno de 80% da audiência na última Copa. E atingiu 164 milhões de pessoas. Somado a isso, a empresa viu um aumento na audiência da seleção desde a chegada do técnico Tite quando o time começou a vencer nas eliminatórias.

No total, o valor a ser arrecadado com patrocinadores pela Globo é de R$ 3,003 bilhões. Na Copa-2014, a emissora faturou com as mesmas propriedades R$ 2,853 bilhões. De novo, isso não inclui todos os ganhos da emissora com o futebol, pois há o valor recebido pelo SporTV de operadoras (percentual do montante pago pelo assinante), pay,per,view e ainda revenda de anúncios para empresas afiliadas, entre outros benefícios.

Ressalte-se que, em compensação, a Globo tem que gastar valores milionários e até bilionários com a compra de direitos de televisão. Só o Brasileiro custará R$ 1,1 bilhão à emissora em compras de direitos. Na temporada 2015, foi R$ 1,3 bilhão gasto em todos os direitos dos campeonatos nacionais, e nem era ano de Mundial. Para a Copa, a Globo tem de pagar um valor mantido em segredo para a Fifa.

Há ainda custos de produção para realizar as transmissões e para operar o sistema de pay-per-view, embora esses gastos sejam bem inferiores aos pagos pelos direitos.

Está claro que o ano de Mundial é vantajoso para a emissora já que o faturamento de R$ 3 bilhões é igual à receita integral do futebol da emissora em um ano, puxada pelo Nacional.

Dentro da Globo, a avaliação é de que a Copa da Rússia será um evento tão benéfico quanto a do Brasil. Não houve, no entanto, crescimento do valor total no ritmo da inflação. Isso é atribuído dentro da emissora mais à crise econômica do país do que ao fato de a Copa ser em outro país.

De fato, no mercado de TV Fechado, por exemplo, tem ocorrido uma redução do número de assinantes. Atualmente, estão em 18,6 milhões, quantidade inferior ao pico de 20 milhões. Mas, na TV Aberta, a Globo tem obtido aumento de audiência no futebol nos últimos anos, o que potencializa o valor econômico de seus pacotes.


Como a política agressiva de Trump pode afetar a Copa
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Crédito: NICHOLAS KAMM/AFP)

Um grupo de seis países do Oriente Médio anunciou um boicote ao Qatar por supostas ligações com terrorismo o que gerou uma série de problemas logísticos à nação. A medida atinge a sede da Copa-2022 escolhida pela Fifa e já cercada de controvérsia. E tem o dedo do presidente Donald Trump cuja política externa agressiva já ameaça afetar edições futuras do Mundial.

O boicote da Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes, Iêmen e Líbia tem como suposto motivo o financiamento a movimentos islâmicos radicais. “Durante minha recente viagem ao Oriente Médio, eu disse que não pode mais haver financiamento de redes ideológicas”, afirmou Trump no Twitter, nesta terça-feira. “Os líderes apontaram o Qatar.”

A medida é controversa visto que a própria Arábia Saudita é acusada de ligações com movimentos radicais e parece ter o objetivo de atingir o Irã, mais próximo do Qatar. Mas há, sim, dados que apontam ligações do reino qatariano com grupos radicais como Hamas, exércitos na Síria, além de partido político no Egito.

De qualquer maneira, o boicote gerou uma reação em cadeia que vai afetar voos regulares, o abastecimento de alimentos e o livre fluxo de trabalhadores para o Qatar que tem um pequeno território. Dados do “Financial Times” apontam que isso pode impactar na capacidade do país de organizar a Copa-2022 se o fechamento das fronteiras com esses países for mantido por longo prazo.

Questionada pelo blog sobre o boicote, a Fifa informou apenas que “está em contato regular com o Comitê Organizador do Qatar-2022 e o Supremo Comitê de Entrega e legado ligando com assuntos sobre a Copa-2022”. E não respondeu as perguntas sobre os problemas logísticos.

Já é a segunda vez este ano que a política de Trump afeta a Copa do Mundo. Em abril, EUA, México e Canadá anunciaram uma candidatura conjunta para serem sede da Copa-2026. Essa postulação tem diversas implicações com a administração Trump que manifestou apoio à tentativa de receber o Mundial.

Primeiro, o presidente da federação norte-americana de futebol, Sunil Gulati, disse que a candidatura considerava o cenário internacional, demonstrando união entre os países. “Levando em conta o que tem acontecido no mundo, especialmente nos EUA, os assuntos que estamos enfrentando, uma candidatura com o México e Canadá é um grande plus”, contou ele à “Sports Illustrated”.

Trump promete construir um muro na fronteira com o México, mas seu departamento de Estado manifestou apoio à candidatura. Há, no entanto, questionamentos sobre como funcionará a política de vistos para delegações e torcedores visto que o presidente americano quer impor restrições a cidadãos de países como Irã.

A Copa não será em sua administração, mas será negociada nela e votada até 2020. E a Fifa só aceitará dar o Mundial se tiver garantias de visto a países participantes. Gulati disse que isso será negociado no futuro com a administração Trump.

O jornalista Grant Wahl, da “Sports Illustrated”, indicou que a inclusão do México e Canadá serviria justamente como alternativa de abrigar jogos de países que possam ter problemas com visto nos EUA. Mas, se esses países avançarem no Mundial, os norte-americanos serão obrigados a dar garantias de que vão recebe-los.

Outra questão é que, com Trump na Casa Branca, aumenta a antipatia com os EUA, o que pode gerar travas à candidatura na votação na assembleia da Fifa. Isso será minimizado porque a tendência é de uma candidatura única, apenas com possibilidade de um adversário da África, que seria mais fraco. Como de hábito, a Fifa se mantém em silêncio até agora sobre os potenciais problemas.


Nova Copa deve mudar eliminatórias da América do Sul: fórmula é discutida
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Aprovada pela Fifa, a expansão da Copa para 48 países em 2026 gera uma discussão sobre as eliminatórias nas Américas do Sul, Central, do Norte, e caribe. Há uma proposta de unificação da competição da Conmebol e Concacaf que, no momento, tem pouca força para se concretizar. Ao mesmo tempo, cartolas da região do Sul reconhecem a necessidade de rever seu sistema classificatório sob risco de vê-lo se tornar sem sentido.

Antes da reunião oficial do conselho da Fifa, o venezuelano Laureano González, vice-presidente da Conmebol, sugeriu que houvesse uma unificação do processo classificatório no continente. O presidente da Fifa, Giani Infantino, gostou da ideia como uma possibilidade de tornar o torneio mais atraente.

Só que outros dirigentes da América do Sul se mostraram bastante incomodados com a proposta do colega. Neste grupo, o argumento é de que a Concacaf, com mais membros e a presença dos EUA, poderia se tornar predominante sobre os países do Sul.

Há dois fatores que são considerados positivos na unificação: impacto econômico do mercado dos EUA e a possibilidade de ampliar ainda mais os classificados. Neste contexto, as duas confederações poderiam até estreitar mais os laços com interações também entre os clubes.

Só que, na atual conjuntura, é mais provável que prevaleça o argumento político que impede a unificação e que garante vagas para América do Sul. Sem apoio da Conmebol, a união deve ruir pois Infantino não quer se indispor com futuros eleitores. Foi para agrada-los que aumentou a Copa.

Neste cenário, surgiria um problema: a Conmebol provavelmente ficará com seis vagas e meia para 10 países. Isso tornará possível que um país se classifique com muitas rodadas de antecedência no atual formato de eliminatórias, já que 60% ou 70% entrariam na Copa.

Dirigentes da Conmebol admitem que há um problema para a competição. Defendem que a solução seja pensada com calma pois ainda falta bastante para as eliminatórias da Copa-2026 começarem.


Fifa pressiona por inchaço de Copa para ter ganho extra de até US$ 1 bilhão
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pressiona membros do conselho da entidade para inchar a Copa do Mundo com o objetivo de aumentar os ganhos comerciais em até US$ 1 bilhão. Na próxima semana, estarão em discussão na federação internacional fórmulas para inflar o evento para 40 ou 48 times, acima dos 32 atuais.

Desde o ano passado, Infatino lançou sua campanha para o aumento da Copa a partir de 2026. Formatou uma proposta com 48 times, com variações de fórmulas. Esse tamanho é o seu preferido. Há uma corrente na Fifa que defende o formato com 40 times, o que apenas aumentaria o número de equipes em cada grupo.

As duas fórmulas com suas variações foram enviadas para análise dos membros do Conselho da Fifa em dezembro. A ideia é que cada um apresente ideias novas, o que deve acontecer no caso da Conmebol. A questão é que há um sentimento no conselho de que Infantino pressiona pelo número de 48 times e por impor sua vontade.

E há duas explicações: 1) a estimativa da Fifa é de que o crescimento da Copa proporcionará um aumento entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão nos contratos de televisão do Mundial. 2) Incrementar o número de vagas por continente agrada mais países e portanto membros do Congresso da Fifa, que elegeu Infantino ao cargo e que decidirá se ele continua.

No caso do aumento de renda de televisão, isso significaria que a Fifa subiria em 20% as suas receitas por ciclo de Mundial, que atualmente giram em torno de US$ 5 bilhões. Em relação a agrados políticos, a Conmebol, por exemplo, passaria a ter 6,5 vagas, isto é, classificaria quase o continente inteiro já que são dez países na região.

Com 48 times, Infantino prefere um formato que tem 16 já pré-classificados para o grupo de 32 equipes. Outros 32 países disputariam mais 16 vagas em uma espécie de torneio eliminatório. A partir daí, se manteria a fórmula da Copa do mundo atual. Outra possibilidade são 16 grupos de três times, com dois primeiros classificados para o mata-mata.

A ideia é que nas reuniões do dia 9 e 10 em Zurique se discuta o aumento da Copa do Mundo, mas não se feche questão. Mas membros do conselho dizem que não ficarão surpresos se Infantino pressionar por uma aprovação imediata.