Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa Rússia

Alvo de discussão, simulação foi infração menos punida na Copa
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A simulação de faltas tornou-se centro da discussão da Copa da Rússia-2018, mas foi a infração com menor punição com cartão amarelo no Mundial. É o que mostra um levantamento da Fifa em cima da atuação da arbitragem sobre a parte disciplinar da competição. Só uma advertência foi dada por conta de fingimento de um total de 223 cartões.

O atacante Neymar foi o pivô do debate mais acalorado em relação à simulação, com críticas e defesa dos seus exageros em campo. Mas é um erro achar que foi o único. O fingimento de faltas foi marcante no Mundial como se viu, de forma mais notória, no confronto Inglaterra x Colômbia.

Jogadores campeões do mundo como os franceses como Mpappé e o próprio Griezmann também são apontados como simuladores de falta. A falta que resultou em um dos gols na final ocorreu quando o atacante do Atlético de Madri retardou a passada para receber uma suposta falta do defensor croata.

O único jogador punido por fingir receber uma falta foi o sul-coreano Heungmin Son em jogo contra a Alemanha, ainda na primeira fase da competição. Neymar, por exemplo, recebeu um amarelo por arremessar uma bola no chão, o que pode ser classificado como “comportamento antidesportivo”. Houve sete advertências por esse motivo.

No total, a Fifa listou 13 motivos para dar cartões amarelos na Copa. O maior número de advertências foi por faltas duras em um total de 119, sendo subdivididas em disputas e uso ilegal dos braços. Na sequência, estão 57 faltas táticas, entre agarrões, parar um ataque e mão na bola.

Por fim, há os cartões por questões disciplinares que somaram um total de 47. Neste item, as discussões geraram o maior número de amarelos com um total de 18. Houve ainda oito cartões por cera, oito por agarrar e até dois por excesso de celebração de gol. E apenas a solitária advertência por simulação.

Ao evitar a punição por fingimento, a arbitragem da Fifa parece ter um objetivo claro de não deixar as principais estrelas do Mundial de fora de jogos importantes. Afinal, em geral, são os atacantes que recebem advertências deste tipo. O problema é que, sem punição, esse tipo de lance tenda a ser cada vez mais utilizado pelos jogadores.


Com fórmula difícil de entender, novo ranking da Fifa dá maior peso à Copa
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O Conselho da Fifa mudou o ranking da entidade com objetivo de dar mais peso a jogos oficiais, como os de Copa do Mundo, em relação a amistosos. A nova fórmula, no entanto, continua tão complexa quanto a anterior. Até cartolas que aprovaram o novo modelo admitiram nos bastidores dificuldade de entende-lo.

A mudança do ranking da Fifa foi uma consequência de críticas generalizadas ao atual sistema que vai durar até o final da Copa. Federações nacionais apontavam falta de sentido no sistema que valorizava excessivamente amistosos que pouco valiam contra adversários fracos. A pressão surtiu efeito nesta reunião do Conselho pouco antes do Mundial da Rússia. A nova pontuação valerá após a Copa.

A importância do ranking crescerá para os próximos ciclos de Copa. Além de cabeças-de-chave nos grupos, ajudará a definir vagas nas eliminatórias.

A questão é que o ranking incluiu como peso de jogo uma competição que sequer existe no momento: a Liga das Nações. É um campeonato que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenta a aprovação por conta de uma proposta milionária de um grupo financeiro. Veja as principais diferenças entre os dois modelos:

Peso por jogo

Atual – Atualmente, um jogo amistoso tem peso 1 para o ranking, e um jogo de Copa do Mundo, 4, com gradaçoes entre. Não há distinção entre partidas amistosas oficiais, nem entre jogos de grupo e de mata-mata das competições.

Novo – haverá uma tabela complexa para peso de jogos. São os seguintes pesos: 5 para amistosos fora de datas oficiais; 10 para amistosos em datas oficiais; 10 para Liga das Nações fase de grupo; 25 para Liga das Nações fase mata-mata; 25 para eliminatórias; 35 para Copa América (ou Euro) até quartas; 40 para Copa América (ou Euro) a partir das quartas; 50 para Copa do Mundo até as quartas; 60 para Copa a partir das quartas. O detalhe é que agora um jogo de Copa pode valer até 12 vezes um amistoso sem importância. E a Liga das Nações já tem peso apesar de não existir ainda: só sua versão europeia.

Força do oponente

Atual – Leva em conta a força do adversário do time de acordo com seu ranking, e também leva em conta a confederação. A Conmebol é a mais valorizada, próxima da UEFA, ambas com maior peso. O ranking dá 3 pontos por vitória, e um por empate.

Novo – O ranking dá um ponto por vitória e 0,5 por empate. Só que da pontuação é subtraído o “resultado esperado para o jogo”. Esse item é calculado em fórmula complexa levando em conta os rankings dos times. Resumindo, se um time forte pega outro fraco, sua expectativa de vitória será alta. Então, a seleção forte somará um percentual menor do ponto.

Ganho e perda de pontos

Atual – O ranking final era determinado pela média dos últimos 12 meses do time. Com menor peso, eram contabilizadas as partidas de antes desse um ano, que se depreciavam conforme o tempo.

Novo – Acabou a média atual. Foi implantado o sistema Elo pelo qual são subtraídos e adicionados pontos conforme o período e os resultados.


Acusado, Del Nero se defende a cartolas e promete “trem da alegria” na Copa
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Atingido por seguidas delações na Justiça dos EUA nas últimas semanas, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, fez a defesa de sua inocência em discurso a presidentes de federações na confederação. Além disso, fez uma promessa de viabilizar um “trem da alegria” com todos os cartolas aliados para a Copa da Rússia, o que lhe rendeu aplausos. Ou seja, Del Nero não deve ir ao Mundial por estar ameaçado de ser preso, mas deve pagar para outros irem.

O discurso de Del Nero ocorreu na segunda-feira, em almoço com os presidentes de federações, no mesmo dia do prêmio de melhores do Brasileirão. O objetivo do dirigente era fazer uma espécie de resumo da situação da entidade no final do ano.

Em meio a sua fala, ele se defendeu das acusações que sofreu em delações nos EUA. Seguidos depoimentos de Alejandro Burzaco e José Hawilla, entre outros, apontaram Del Nero como beneficiário de propinas por contratos da Copa América e da Copa do Brasil. Há gravações telefônicas com o ex-presidente José Maria Marin e anotações feitas por Kléber Leite, que tem contrato com a CBF, para embasar as acusações.

Del Nero afirmou que o FBI deveria investigar e procurar o caminho do dinheiro. E garantiu que, se isso for feito, não será encontrado seu nome em nenhum momento na ponta de depósitos. E afirmou que até agora nada foi encontrado com transferência em seu nome.

Ainda disse que passava um procuração para qualquer um ficar com dinheiro que fosse atribuído a ele. E, por isso, afirmou estar sem preocupação sobre o assunto, considerando sua situação tranquila. O discurso foi bem recebido pelos dirigentes.

Na versão das acusações, os depósitos eram feitos em esquema articulado por Ricardo Teixeira com contas em países distantes, na Ásia e Oriente Médio. Há ainda informações de outros pagamentos por meio de doleiros. Na corte dos EUA, já foram mostradas evidências de depósitos para José Maria Marin.

Em seguida, Del Nero afirmou que Rogério Caboclo, executivo da CBF, estava analisando a possibilidade de viabilizar a viagem de todos os 27 presidentes de federações para a Rússia, pelo menos para assistir à primeira fase da Copa. Seria um incremento na generosidade da CBF com seus aliados já que, normalmente, são sorteados quatro ou cinco dirigentes para irem ao Mundial. Ao fazer essa promessa, o presidente da confederação foi aplaudido efusivamente pelos presentes.

A ida ao Mundial era uma demanda dos presidentes de federações para a diretoria da CBF. Foi o que explicou José Vanildo, presidente da Federação do Rio Grande do Norte, que considera a viagem justa para os dirigentes.

“Havia a expectativa como nas vezes anteriores de que quem participa de tudo do futebol participe do grande evento. Não tem por que guardar isso (evitar divulgação), tem total correção com nossa função”, contou Vanildo, que afirmou que será um aprendizado para os dirigentes em relação à organização de competições. “Tem que ser tratado com publicidade e transparência porque corresponde às nossas funções”.

 


Brasil não costuma dar azar em sorteio, mas grupo forte ajuda campanha
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A semana do sorteio da Copa-2018 faz ressurgir a expectativa: quem vai cair no grupo da morte? Essa tensão aumenta com a Espanha no segundo pote podendo cruzar com favoritos. Bem, a seleção brasileira não costuma dar azar com as bolinhas. Mas o histórico do Mundial mostra que pegar adversários fortes logo de cara pode ser favorável à campanha.

O sorteio está marcado para a capital russa Moscou, na sexta-feira. Os cabeças-de-chave são Rússia (país-sede), Alemanha, Brasil, Portugal, Argentina, Bélgica, Polônia e França. Por conta do ranking da Fifa de outubro, a Espanha ficou no segundo pote, pois ocupava a oitava posição – agora já subiu para a sexta.

Um levantamento da Fifa mostrou os grupos mais fortes do Mundial em cada edição desde 1994, a primeira que contava com o ranking. Baseou-se na posição média dos times no ranking, isto é, quanto mais baixa a pontuação, mais forte o grupo.

O Brasil não ficou no grupo mais forte de acordo com o ranking em nenhuma das seis edições desde então. A Itália e Inglaterra pegaram duas vezes os adversários mais fortes, a Argentina, Espanha e Alemanha, uma. Entre os campeões mundiais, França e Uruguai também escaparam.

Teoricamente, isso significa uma sorte para time brasileiro. Mas, nas últimas três Copas do Mundo, o campeão saiu justamente do grupo considerado mais forte pelo ranking. Em 2006, a Itália pegou República Checa, Estados Unidos e Gana, antes de abrir caminho para o título.

Quatro anos depois, a Espanha enfrentou Suíça, Chile e Honduras, tendo, na média, o melhor ranking. Há até uma discussão se este era um grupo mais forte do que o brasileiro, que tinha Costa do Marfim e Portugal, além da fraca Coréia do Norte. Mas, pelo ranking, era o primeiro.

Em relação à Copa-2014, o ranking colocava como grupo mais difícil o da Alemanha, com Gana, Portugal e Estados Unidos. Mas, naquela edição, havia um outro com três campeões mundiais, Inglaterra, Itália e Uruguai, que foi considerado o mais difícil pela mídia.

De qualquer forma, o Brasil só pegou um grupo realmente difícil na primeira fase em 1994, quando teve Rússia, Suécia e Camarões. A média do ranking desses times era parecido com o considerado mais forte pela Fifa que reunia Itália, Irlanda, Noruega e México. E, naquele Mundial, a seleção foi campeã.

Para o sorteio de sexta-feira, talvez a pior combinação para o Brasil seria ter de enfrentar a Espanha, Dinamarca e Nigéria, uma possibilidade diante dos potes. Mas, pelo história da Copa, ter azar no sorteio não é necessariamente uma má notícia para o restante do Mundial.

Além dos adversários, a delegação do Brasil está considerando a logística e tempo de treino, ao analisar as melhores possibilidades para o sorteio.


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