Blog do Rodrigo Mattos

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Após Carille, Liga da Arábia Saudita paga dívida com Fla e mira atletas
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O mercado brasileiro viu três negociação que aparentemente são aleatórias, mas que, na verdade, fazem parte de um mesmo movimento. O Corinthians perdeu seu técnico Fábio Carille, o Flamengo recebeu o valor de uma dívida após quatro anos de calote e o atleticano Otero foi contratado. Tudo isso faz parte de uma reestruturação do futebol da Arábia Saudita com o objetivo de virar uma potência no esporte, financeiramente e politicamente.

O futebol saudita tinha vários clubes com problemas financeiros, endividados, e por isso punidos pela Fifa. Por exemplo, o Al Nassr, que devia ao Flamengo, já estava fora da Champions da Ásia e com decisão de perda de pontos pendente que levaria ao rebaixamento. O Al Wehda também estava punido.

O príncipe Mohammed Bin Salman decidiu por uma reestruturação do futebol local com o objetivo de virar uma força política dentro do esporte e da Fifa, como mostrou o “New York Times”. Já houve um encontro com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e uma articulação para formação de um grupo de países na Ásia dentro da Fifa.

Ao mesmo tempo, há uma possibilidade de entrar na Copa do Qatar-2022 caso o Mundial aumente de tamanho para 48 times. Em paralelo, há dinheiro da Arábia Saudita, junto ao japonês, na proposta de US$ 25 bilhões por um novo Mundial de Clubes e da Liga das Nações.

Localmente, o príncipe estabeleceu uma intervenção na liga nacional para resgatar clubes. Foi criado um fundo para cobrir todas as dívidas dos times. A informação é de que há dinheiro para cobrir 70% de todos os débitos.

Por isso, o Al Nassr procurou o Flamengo para pagar a dívida após quatro protelando. O dinheiro veio do fundo e foi negociado um acordo com pequeno desconto, com o clube carioca recebendo 5 milhões de euros líquido. Faltam apenas trâmites do Banco Central para o dinheiro entrar. Com o pagamento, o Al Nassr, um dos times sauditas mais populares, vai poder voltar à Champions League local.

No caso do Al Wedha, também houve injeção de dinheiro para dívida e para contratações. Por isso, o time levou Fábio Carille e agora fechou a contratação de Otero. Lembre-se que Carille, ao ser contratado, falou que havia um projeto grande da liga local. E, antes, outro time saudita quase o contratou.

Agentes brasileiros já foram procurados para identificarem outros atletas que possam ir para o país. A princípio, a procura é por jogadores de renome, tarimbados, que deem prestígio à liga saudita, não jovens jogadores como fazem os europeus.

A primeira parte do projeto saudita é pagar os débitos para limpar os nomes dos clubes e os devolverem as competições internacionais. Ainda é difícil saber qual o tamanho do investimento, e se vai se assemelhar ao chinês. Certo é que o príncipe decidiu botar a Arábia Saudita no mapa do futebol do novo para alavancar seus projetos relacionados à Fifa.


Globo faz rotação e reduz Corinthians e Flamengo na TV aberta no Brasileiro
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A Globo decidiu reduzir as presenças de Corinthians e Flamengo na TV aberta no Brasileiro-2018, e estabeleceu uma maior rotação entre os times em sua tela. Há dois objetivos: turbinar a presença dos dois clubes no pay-per-view e incrementar receitas; além de estabelecer um maior equilíbrio entre as equipes na exibição pública. Essa política será mantida em todo o Nacional.

Pela tabela do Brasileiro, serão oito jogos de Flamengo e Corinthians na TV aberta em um total de 24 partidas dessas 12 rodadas iniciais. Ou seja, apenas um terço das partidas dos dois clubes (33%), quatro de cada um, passará na Globo nesta primeira parte do Nacional.

Em comparação, o Brasileiro-2017 teve nove partidas de Flamengo e Corinthians na TV aberta nas 10 primeiras rodadas. No total, foram 45% dos jogos na Globo, sendo seis do Corinthians e três do Flamengo. O número de jogos rubro-negros é similar (33% contra 30%), mas isso será compensado durante o restante do Nacional.

A mudança na estratégia global tem como meta uma maior diversidade entre plataformas neste ano. Isso porque rubro-negros e corintianos já têm seus times bastante exibidos em TV aberta na Libertadores.

No Nacional, a ideia é apostar no pay-per-view, inclusive botando os dois times em horários alternativos. Dados apontam que não é apenas o tamanho da torcida que influencia o público a comprar pacotes de pay-per-view: tem de haver muitos jogos exclusivos do seu time neste projeto. Com mais partidas exclusivas, corintianos e rubro-negros tendem a comprar mais esse produto.

Sob o ponto de vista dos clubes, Flamengo e Corinthians passarão a ter a maior parte de sua receita de TV do Brasileiro-2019 atrelado ao pay-per-view. Essa renda vai variar de acordo com o número de adesões de torcedores que se declarem de seus times, o que aumenta seus ganhos. Ao mesmo tempo, deve haver alguma perda no percentual relacionado à exibição em TV Aberta, embora seja um valor menor.

Além disso, há a intenção de atender demandas de outros times como Palmeiras e Santos, cujas torcidas sempre reclamaram de aparecer pouco na TV. No caso palmeirense, há outro fator: o alto investimento tornou o time alviverde mais relevante no cenário nacional e portanto atrativo para torcidas além da sua.

Outra ideia é que o Brasileiro seja um campeonato de interesse pleno para os torcedores, isto é, além dos jogos só do time específico do telespectador. Assim, o objetivo é estimular o torcedor a acompanhar equipes que disputam posição com a sua, ou rivais que interessem.

Ainda não é possível fazer uma avaliação da nova estratégia da Globo sob o ponto de vista de impacto de audiência na TV aberta e receita do pay-per-view. O sistema pago está sob questionamento para 2019 porque clubes como Palmeiras, Atlético-PR, Coritiba e Bahia ainda não assinaram o seu contrato. É um produto prioritário dentro da emissora.

 


Brasileiro já tem série de times mistos com impacto na briga na frente
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O calendário com excesso de jogos já leva alguns clubes a usar times mistos ainda no início do Brasileiro. Isso causa impacto na briga com a liderança do Brasileiro. É um cenário similar ao do ano passado, mas que, desta vez, começou cedo.

Na rodada do final de semana, o Cruzeiro enfrentou o Atlético-MG no clássico com uma formação reserva, de olho na última rodada da primeira fase da Libertadores. Foi derrotado e viu o rival mineiro se apoderar da ponta.

Enquanto isso, Corinthians e Grêmio jogaram com times mistos em suas partidas também por conta de compromissos pela competição sul-americana. Tinham alguns titulares. Ambos apenas empataram diante de Sport e Paraná.

Foi a segunda vez que os gremistas não tiveram a formação principal em seis jogos e estão em 8o no Nacional. Corintianos também já tinham atuado sem a força principal diante do Ceará e perderam pontos naquele jogo.

Ao mesmo tempo, o Flamengo teve seus titulares no clássico contra o Vasco. Mas tinha poupado boa parte do time na derrota para a Chapecoense quando deixou adversários se aproximarem da ponta, perdida agora nesta 6a rodada. Segurou o time principal justamente pelo jogo decisivo diante do Emelec, embora tivesse atletas como Diego e Guerrero em campo.

O Palmeiras não chegou a escalar reservas no Nacional: rodou alguns jogadores na partida contra a Chapecoense. Líder, o Atlético-MG preferiu escalar reservas na Copa Sul-Americana, quando foi eliminado pelo San Lorenzo.

Todos esses movimentos dos clubes têm relação com um calendário bastante apertado feito pela CBF. Por conta de Estaduais de três a quatro meses, serão 12 rodadas do Brasileiro espremidas até Copa: haverá jogos até às vésperas do Mundial na Rússia. Em paralelo, ocorrem a primeira fase da Libertadores e as oitavas da Copa do Brasil que tornam o cronograma ainda mais embolado.


Corinthians e Fla não aceitam cota igual e venderão placas separadamente
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Flamengo e Corinthians decidiram ficar de fora do grupo de 18 clubes que aceitou uma proposta pelo pacote das placas publicitárias do Brasileiro-2019 porque entendem que podem ganhar mais negociando individualmente. Ambos não aceitaram receber cotas iguais às outras equipes. A proposta para outros clubes só depende de detalhes contratuais para ser assinada.

A princípio, a proposta pelo pacote de placas do Brasileiro não muda apesar de perder 20% das partidas sem Flamengo e Corinthians. Ou seja, os outros times poderão dividir em torno de R$ 137 milhões por ano, oferecido pelo grupo de investidores organizado pelo banco Riza Capital. O time carioca e paulista aceitaram participar da venda conjunta de direitos internacionais, que todos os clubes assinaram.

A diretoria do Corinthians decidiu ficar de fora da negociação das placas porque pretende incluir os ativos como mais uma propriedade da sua arena, que precisa ter aumento de receita. Então, por exemplo, a venda de naming rights poderia ser acrescida de placas, ou de um acerto com um patrocinador do clube. Enfim, haverá flexibilidade para aumentar a receita.

A diretoria corintiana precisa aumentar a receita da arena para cobrir um pagamento mensal de R$ 6 milhões pelo empréstimo do BNDES. Atualmente, as rendas de bilheteria não são suficientes para fechar essa conta.

Já o Flamengo não quis aceitar a divisão igualitária dos valores das placas. O entendimento da diretoria rubro-negra é que sua marca tem maior valor e por isso deveria receber mais.

Como já acertou um contrato longo com o Maracanã, que ainda precisa de aval definitivo, o clube poderá explorar esse ativo dentro do estádio. Há inclusive um acordo com uma empresa de marketing para vender outras propriedades da arena como propaganda em telões. Assim, o Maracanã se torna mais rentável para o clube rubro-negro.

Ambos os clubes entendem que, desta forma, podem ganhar um valor superior aos R$ 7 milhões que seriam destinados a cada clube por ano.

Tradicionalmente, as placas em volta do campo no Brasileiro eram negociadas pela Globo que pagava um montante único aos clubes. Para o contrato de 2019, essa propriedade ficou do lado de fora. Em conjunto com os clubes, a CBF criou uma concorrência com agências de marketing para negociar as propriedades. Uma comissão de times definiu a melhor proposta entre agências concorrentes.

Segundo envolvidos na negociação, contratos de transmissão com a Globo preveem que a emissora continuará a exibir as placas como faz atualmente. Essa é uma pre-condição para o acordo com os 18 clubes.


Clubes negociam placas e direitos no exterior do Brasileiro por R$ 137 mi
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Com Pedro Ivo Almeida

Os clubes aceitaram a proposta de um grupo de investidores pelos direitos de placas no país e internacionais do Brasileiro por R$ 137 milhões por ano. Houve uma concorrência conduzida pela CBF e esta foi a maior oferta avaliada pelos times e pela entidade, faltando acertar detalhes contratuais. Flamengo e Corinthians estão fora do acordo das placas. Tudo terá divisão igualitária dos recursos.

A notícia foi veiculada primeiro pela “Veja” e confirmada pelo UOL. Houve uma concorrência que reuniu várias agências. Pela avaliação, foi vencedora a proposta do grupo de investidores coordenado pelo banco de investimentos Riza Capital. Entre os investidores, estão Patricia Coelho, Cesar Rocha (ex-presidente do STJD) e Alexandre Grendene. Sua proposta foi de R$ 550 milhões por quatro anos de contrato, o que dá R$ 137,5 milhões por temporada.

O pacote envolve todos os direitos do Brasileiro no exterior e as placas de 18 times no território nacional. Só ficaram de fora das negociações de placas o Flamengo e o Corinthians, que, no entanto, estão incluídos no acordo internacional. Os dois clubes negociarão em separado as placas de seus jogos em casa.

“O mais importante é que, além de ser a melhor proposta, a empresa está disposta a atuar junto com os clubes na promoção do futebol brasileiro no exterior com a venda dos direitos. Os clubes querem participar”, afirmou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antonio Lage, um dos que participou da comissão de clubes que negociou o contrato.

“Não vai haver reversão porque essa foi a melhor proposta. Só falta acertar detalhes”, explicou Lage. Outros clubes confirmaram o acordo, ainda sem assinatura de contrato. Houve outras propostas de empresas como a IMG que participaram da concorrência.

O dinheiro será dividido igualmente entre todos os 20 clubes da Série A. Isso significa que cada um ficará com um valor pouco menor do que R$ 7 milhões por ano. Historicamente, os clubes arrecadam pouco com direitos internacionais do Brasileiro.

As placas, no entanto, são um ativo valioso que antes era comercializado pela Globo que o adquiria em contratos separados dos clubes. Para o ano de 2019, a emissora abriu mão de atuar neste mercado


CBF pede a Corinthians e Grêmio liberação de atletas antes da Libertadores
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Com Pedro Ivo Almeida

A comissão técnica da seleção vai conversar com Corinthians e Grêmio para tentar liberar Cássio e Geromel antes dos jogos finais dos clubes na primeira fase da Libertadores. Mas a própria CBF reconhece que os dois times têm a prerrogativa de segurar os jogadores, de acordo com as regras da Conmebol.

Pelas regras da Fifa, o período entre 20 e 27 de maio deveria ser para o descanso de atletas. Na Europa, teoricamente, os atletas convocados não podem mais jogar a não ser a final da Liga dos Campeões. Só que, na América do Sul, pode haver jogos neste período.

A apresentação da seleção está marcada para segunda-feira. Então, Cássio e Geromel chegariam três ou quatro dias atrasados. Isso porque o Grêmio joga no dia 23 de maio, contra o Defensor, e o Corinthians, no dia 24 de maio, diante do Milionários.

“A Conmebol mandou uma carta para nós dizendo que os clubes têm essa prerrogativa de ficar com os atletas neste período”, contou o coordenador técnico da seleção, Edu Gaspar. “Na quarta-feira e na quinta, eles poderiam jogar pelo clube, mas vamos conversar com o clube. Seria responsabilidade dos clubes segurar os atletas quando já estariam convocados. Vamos explicar isso.”

A palavra final, no entanto, será dos próprios clubes que poderão negar a convocação antecipada. No início da semana, estão previstos exames e testes físicos, considerados essenciais pela comissão técnica. Contundido, Fagner irá se apresentar no prazo.


Com rotação, Facebook terá pacote da Libertadores incluindo brasileiros
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Na concorrência feita pela Conmebol, o Facebook adquiriu um pacote de direitos de transmissão da Libertadores-2019 que inclui todas as partidas da quinta-feira. Isso significa algo entre 20 e 30 jogos, entre compromissos de fase de grupo e alguns eliminatórios. Como haverá rotação de times na tabela, é certo que haverá jogos de times brasileiros que só passarão na plataforma digital, um fato inédito para campeonatos nacionais e internacionais no país.

A concorrência da Conmebol para o Brasil foi dividida em quatro pacotes, TV Aberta, TV Fechada A, TV Fechada B e todas as partidas de quinta-feira. A Globo levou a primeira propriedade, a Fox Sports, a segunda, e o Sportv, a terceira, como revelou o blog do Flávio Ricco. O Facebook ficou com essa quarta fatia.

No total, são 155 jogos da Libertadores-2019 a serem divididos pelos pacotes. A Globo tem direito a dois por rodada, incluindo a final da competição. Fora isso, todos os jogos são divididos entre os outros três pacotes.

O pacote número 1 de TV fechada tem em torno de 60 partidas, com a decisão da Libertadores. O pacote número 2 de TV Fechada tem em torno de 60 jogos, sem a final e com transmissão até a semifinal. No caso do Facebook, serão entre 20 e 30 partidas a que a plataforma terá direito com compromissos até as quartas-de-final.

A questão é que, pelas regras da concorrência, a Conmebol não dá mais às emissoras poder sobre a tabela. Agora, será a confederação sul-americana quem decidirá quais jogos serão em cada dia. E foi colocado nas regras que haveria uma rotação entre os grandes times.

Diante dessas regras, a Conmebol já dá como certo que clubes relevantes do continente com os brasileiros e argentinos terão jogos também nas quinta-feiras, ainda que em menor número do que nos outros pacotes. Ou seja, neste cenário, será a primeira vez que clubes nacionais terão jogos de seus times principais transmitidos exclusivamente no Facebook em competições nacionais ou internacionais.

Após longas conversas com a Conmebol, a plataforma de mídias sociais entrou forte na concorrência da Libertadores. Está disputando direitos de TV Aberta no pacote de outros países, fora o Brasil, e também apresentou interesse nos direitos internacionais para fora da América do Sul. Ainda não estão claros os resultados dessas concorrências, separadas da brasileira, mas é certo que o Facebook fez propostas relevantes.

Até recentemente, o Facebook negava que fosse investir na compra de direitos de competições. No Brasil, tinha apenas adquirido um campeonato brasileiro de aspirantes juntamente com o Esporte Interativo. Ainda não está claro como a plataforma digital vai explorar comercialmente as transmissões. Certo é que tem uma base de anunciantes considerável em seus negócios.


Sem times da Turner, todos os clubes podem ter queda de renda de TV
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Se os três clubes parceiros do Esporte Interativo (Atlético-PR, Bahia e Palmeiras) não assinarem com a Globo, todos os outros times podem ter perda de receita de televisão pelo Brasileiro em 2019. Explica-se: haverá impacto na venda do pacote do pay-per-view do Nacional e deixa de valer a garantia mínima da emissora de pagamento para os clubes.  Assim, a receita de TV destinada às outras 17 equipes pode cair no próximo ano.

Até agora, a Globo assinou com 17 times para TV Aberta e pay-per-view, mesmo alguns times que já tem contrato com o Esporte Interativo como Santos, Internacional e Coritiba. A questão é que esses aceitaram um acordo com fatores de redução por terem fechado parceria com a Turner. Atlético-PR, Bahia e Palmeiras não aceitam essa queda de valores.

O Esporte Interativo deu uma garantia a esses times de cobrir parte dos valores ganhos com a Globo na TV Aberta. Essa garantia foi prorrogada e os clubes podem estender a negociação até março de 2019.

A questão é esses três times bloqueiam praticamente 30% dos jogos da Série A para o pay-per-view e Aberta caso não assinem. Isso significa que o pacote a ser vendido pela Globo seria de 70% do atual. O assinante do ppv não necessariamente vai aceitar pagar o mesmo valor por um produto que não tem todos os jogos. Isso pode representar uma queda na arrecadação dos valores com o programa.

A Globo deu uma garantia mínima de R$ 750 milhões para os clubes caso as vendas não atinjam o valor esperado. Caso superem as expectativas, os times ficam com 38% do total do pay–per-view, sendo que o restante fica com a Globo. A questão é que, pelo contrato, se não houver adesão plena dos clubes, a garantia mínima não vale mais. A distribuição de receita será feita por fatia da torcida.

Para se ter ideia, clubes como Corinthians e Flamengo devem arrecadar mais de R$ 100 milhões em pay-per-view em 2019, o que representaria quase metade de suas receitas de televisão do Brasileiro. Proporcionalmente, outros clubes que têm forte presença no ppv como Atlético-MG e Cruzeiro também seriam afetados. A participação dos clubes nos ganhos do ppv é um outro questionamento feito pelo Atlético-PR em relação ao contrato: não concorda com a distribuição de receita que é feita por declaração de torcida.

Enquanto negocia com os clubes do Esporte Interativo, a Globo pensa em estratégias para evitar uma queda na receita do ppv no caso de um pacote incompleto. Entre outros pontos, há a possibilidade de se lançar novos produtos por internet para tentar maximizar receitas.

Outro ponto em que a Globo pode ser afetado é na venda de publicidade do seu pacote futebol para 2019. Isso costuma ser feito até o final do terceiro trimestre do ano anterior, mas a emissora agora não sabe o tamanho do que tem a oferecer. Mais um prejuízo lateral é no game Cartola FC, como revelou a “Folha de S. Paulo”. Bahia e Atlético-PR já avisaram que não aceitarão nomes de seus times incluídos no programa se não tiverem assinado contrato.


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
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A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

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Corinthians obtém duas vitórias no início em um terço dos Brasileiros
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A liderança do Corinthians no Brasileiro após duas rodadas repete um hábito de largar forte no campeonato. É a quinta vez que o time consegue duas vitórias logo no início em um total de 15 edições disputadas, isto é, um terço das vezes. Isso não significa necessariamente uma campanha vitoriosa, mas é um trunfo mais à frente.

No ano passado, o time de Carille disparou no início, mas não houve duas vitórias seguidas no início. Os pontos foram se acumulando nas rodadas seguintes que deram larga vantagem ao final do primeiro turno, o que foi o suficiente para garantir o título. Nos dois primeiros jogos, a equipe obteve quatro pontos.

O Corinthians largou com duas vitórias logo de cara em dois outros anos de título: 2015 e 2011. Em ambos, o time então treinado por Tite se destacou, acabou o primeiro turno na frente e conseguiu administrar a pontuação até o final.

Em 2010, o time corintiano também obteve duas vitórias de início, fez uma boa campanha e acabou na terceira colocação. O ponto fora da curva é o Brasileiro-2007. Aquela equipe que foi rebaixada ao final da temporada iniciou também com duas vitórias. O único caso em que o time largou mal e foi campeão ocorreu em 2005, em que só somou um ponto na primeira rodada.

A consistência do jogo corintiano durante o ano é outro fator que indica pelo menos uma boa campanha. Sem ser brilhante, o time pode até jogar mal em certas oportunidades, mas mantém seu estilo eficiente. Segundo o Footstats, a equipe de Carille é a mais certeira em suas conclusões, com seis gols em seis arremates no gol — houve outros seis para fora.

Essa é uma questão para o Corinthians: a produção ofensiva do time continua a não ser grande, apesar de ser o ataque com mais gol nestas duas rodadas. O Grêmio, por exemplo, exibiu um jogo coletivo ofensivo melhor do que o corintiano nas duas primeiras rodada, ainda que não tenha acertado o pé nas conclusões, pois só fez um gol. São os dois times mais organizados do país neste início do Brasileiro e candidatos a disputar o título.

Há obviamente outras equipes que podem evoluir no Nacional, há a influência de outras competições como Copa do Brasil e Libertadores. O que a largada forte do Corinthians indica é uma boa campanha. A ver se resultará em título.