Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Cruzeiro

Clubes e CBF racham sobre venda de direitos internacionais do Brasileiro
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Os clubes racharam na negociação por direitos internacionais do Brasileiro. De um lado, 11 times já assinaram um acordo com a empresa BR para venda das propriedades com o apoio da CBF. Do outro, agremiações como Flamengo, Corinthians, Atlético-PR, Bahia e Cruzeiro querem mais tempo para analisar outra proposta superior de um fundo antes de referendar um negócio. Uma reunião em Brasília tratou da questão e há contrariedade de parte dos clubes.

Antes da Copa, a CBF se propôs a intermediar a negociação de direitos internacionais e placas do Brasileiro já que a Globo não adquiriu essas propriedades. Houve uma concorrência e uma comissão de clubes juntamente com a confederação aceitou uma proposta do grupo BR Foot, que faz parte de um grupo com o Riza Capital. Eram R$ 550 milhões por quatro anos de contrato.

As negociações já estavam nos trâmites contratuais com finalização dos documentos para assinatura. Mas, durante o processo, uma proposta de um fundo inglês chegou por meio de um clube e já foi oficializada para a CBF. A proposta é de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), mas tem um formato diferente da primeira. Esse é o valor que pode ser atingindo, dependendo de condições, e seria como luvas descontado dos valores obtidos na revenda. Além disso, outros grupos acenaram com fazer ofertas pela propriedade.

Diante disso, os clubes se reuniram em Brasília nesta terça-feira para discutir a questão. Um grupo composto por Corinthians, Flamengo, Bahia e Cruzeiro votou para que não houvesse uma assinatura agora e se estudasse melhor a questão. Na reunião, estava o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que informou que outros 11 times já tinham assinado o contrato.

“Confere, não assino tendo proposta melhor”, afirmou o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez sobre a informação.

O vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que conduz as negociações, disse que, de fato, a primeira proposta estava já aprovada, mas que os clubes têm que analisar um possível ganho ecômico maior. A questão é saber se o novo fundo vai dar garantias de pagamento como fez o anterior, pois seu valor oferecido é bem superior. Representaria R$ 10 milhões por ano para cada clube se dividido igualitariamente.

“O que ficou definido é que faremos uma avaliação dessa proposta. Procurar o interessado para que ele oficialize”, disse ele. “Não tem problema quem assinou porque no final vai assinar todo mundo. O formato de revenda internacional é com participação dos clubes, mas temos que analisar o aspecto econômico.”

Há uma outra questão que tem gerado contrariedade em alguns clubes. Dois dirigentes dizem que a CBF levaria comissão no contrato da BR Foot em um percentual de 10%, isto é, ficaria com R$ 55 milhões. Por isso, veem pressão da entidade para assinatura do novo contrato. Questionada sobre o assunto, a confederação não respondeu sobre esse tema.

Dentro da confederação, extraoficialmente, há uma posição de que foram os próprios clubes que aprovaram a proposta da BR Foot. Nesta versão, a entidade não fez pressão por um acordo porque até preferia que uma das grandes empresas de marketing esportivo mundial como a IMG comercializasse o campeonato por uma maior difusão. A CBF já recebeu a nova proposta, mas caberá aos clubes analisá-la mais ao fundo.

 


Nova proposta por direitos internacionais do Brasileiro balança clubes
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Uma nova proposta de um fundo inglês pelos direitos internacionais do Brasileiro a partir de 2019 leva os clubes a repensarem o acordo com um grupo nacional que ainda não foi assinado. A nova oferta é de um valor garantido de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), superior aos R$ 110 milhões aceitos anteriormente do banco Riza Capital por quatro anos. Dirigentes de clubes marcaram nova reunião para discutir o caso pois a segunda proposta já foi enviada à CBF.

Com os novos contratos do Brasileiro para 2019, a Globo não comprou os direitos internacionais, nem de placas em volta do campo. Isso deixou em aberto esses direitos e a CBF se ofereceu para negociar em nome dos clubes.

Houve uma concorrência e apresentação de propostas. A melhor delas até então foi do banco de investimentos Riza Capital, que tem entre seus investidores Alexandre Grendene, Patrícia Coelho e Cesar Rocha. A oferta foi de R$ 550 milhões por ambos os direitos, sendo R$ 440 milhões pelas placas e R$ 110 milhões pelos direitos internacionais.

A comissão de clubes aceitou a oferta e o contrato estava pronto para ser assinado. Durante a Copa, no entanto, surgiu uma nova proposta de um fundo inglês cujo nome não foi revelado que a apresentou por meio de um dos clubes. Inicialmente, era uma oferta informal, mas esta foi formalizada nesta semana.

Estão na mesa US$ 220 milhões. Mas esse dinheiro seria como luvas que seriam pagas aos clubes. Enquanto isso, todas as vendas de direitos internacionais ficariam com o fundo até que se atingisse esse valor. A partir daí, os clubes e o fundo passariam a dividir o dinheiro meio a meio.

No caso do Riza Capital, o contrato seria de quatro anos com R$ 110 milhões garantidos pelos direitos internacionais. Clubes e o grupo atuariam de forma conjunta para a venda dessas propriedades.

Foi marcada uma reunião para terça-feira em Brasília com os clubes que fazem parte da comissão para discutir a nova proposta. Entre os times, estão Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético-PR e Coritiba. Também se analisará a possibilidade de criação de uma associação dos clubes para revender os direitos em vez de a CBF atuar como intermediadora.

“Já tinha sido encaminhado o acerto com esse fundo (Riza Capital) então existe uma discussão que os clubes vão ter sobre o timing dessa proposta. Temos que ver quanto teremos de tempo para analisar a nova proposta (do fundo inglês) porque a outra estava para ser assinada”, contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que é parte da comissão.  “Economicamente, existe uma vantagem. Clubes têm que ver se abrem nova negociação.”

Lage ainda ressaltou que entende como importante que os clubes tenham participação na negociação dos direitos internacionais do Brasileiro que são uma propriedade pouco trabalhada no exterior. Quer a valorização desta marca. “Temos que desenvolver um projeto para tornar o produto mais conhecido.”

Para o dirigente do Cruzeiro, a negociação pode se dar por meio da CBF, sem necessidade da criação de uma associação de clubes. Questionada, a confederação não informou se já recebeu, de fato, uma nova proposta.

Há ainda uma demanda de alguns clubes de que a Globo abra mão dos direitos que tem no exterior para o seu canal internacional. É improvável, no entanto, que este pedido seja atendido visto que a emissora tem contratos que lhe garantem isso.

Em relação às placas, é possível que exista uma nova proposta também pelos direitos de placas. Flamengo e Corinthians já se retiraram do acordo relacionado às placas por entenderem que é mais vantajoso negociarem individualmente essas propriedades.


Brasileiro já tem série de times mistos com impacto na briga na frente
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O calendário com excesso de jogos já leva alguns clubes a usar times mistos ainda no início do Brasileiro. Isso causa impacto na briga com a liderança do Brasileiro. É um cenário similar ao do ano passado, mas que, desta vez, começou cedo.

Na rodada do final de semana, o Cruzeiro enfrentou o Atlético-MG no clássico com uma formação reserva, de olho na última rodada da primeira fase da Libertadores. Foi derrotado e viu o rival mineiro se apoderar da ponta.

Enquanto isso, Corinthians e Grêmio jogaram com times mistos em suas partidas também por conta de compromissos pela competição sul-americana. Tinham alguns titulares. Ambos apenas empataram diante de Sport e Paraná.

Foi a segunda vez que os gremistas não tiveram a formação principal em seis jogos e estão em 8o no Nacional. Corintianos também já tinham atuado sem a força principal diante do Ceará e perderam pontos naquele jogo.

Ao mesmo tempo, o Flamengo teve seus titulares no clássico contra o Vasco. Mas tinha poupado boa parte do time na derrota para a Chapecoense quando deixou adversários se aproximarem da ponta, perdida agora nesta 6a rodada. Segurou o time principal justamente pelo jogo decisivo diante do Emelec, embora tivesse atletas como Diego e Guerrero em campo.

O Palmeiras não chegou a escalar reservas no Nacional: rodou alguns jogadores na partida contra a Chapecoense. Líder, o Atlético-MG preferiu escalar reservas na Copa Sul-Americana, quando foi eliminado pelo San Lorenzo.

Todos esses movimentos dos clubes têm relação com um calendário bastante apertado feito pela CBF. Por conta de Estaduais de três a quatro meses, serão 12 rodadas do Brasileiro espremidas até Copa: haverá jogos até às vésperas do Mundial na Rússia. Em paralelo, ocorrem a primeira fase da Libertadores e as oitavas da Copa do Brasil que tornam o cronograma ainda mais embolado.


Clubes negociam placas e direitos no exterior do Brasileiro por R$ 137 mi
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Com Pedro Ivo Almeida

Os clubes aceitaram a proposta de um grupo de investidores pelos direitos de placas no país e internacionais do Brasileiro por R$ 137 milhões por ano. Houve uma concorrência conduzida pela CBF e esta foi a maior oferta avaliada pelos times e pela entidade, faltando acertar detalhes contratuais. Flamengo e Corinthians estão fora do acordo das placas. Tudo terá divisão igualitária dos recursos.

A notícia foi veiculada primeiro pela “Veja” e confirmada pelo UOL. Houve uma concorrência que reuniu várias agências. Pela avaliação, foi vencedora a proposta do grupo de investidores coordenado pelo banco de investimentos Riza Capital. Entre os investidores, estão Patricia Coelho, Cesar Rocha (ex-presidente do STJD) e Alexandre Grendene. Sua proposta foi de R$ 550 milhões por quatro anos de contrato, o que dá R$ 137,5 milhões por temporada.

O pacote envolve todos os direitos do Brasileiro no exterior e as placas de 18 times no território nacional. Só ficaram de fora das negociações de placas o Flamengo e o Corinthians, que, no entanto, estão incluídos no acordo internacional. Os dois clubes negociarão em separado as placas de seus jogos em casa.

“O mais importante é que, além de ser a melhor proposta, a empresa está disposta a atuar junto com os clubes na promoção do futebol brasileiro no exterior com a venda dos direitos. Os clubes querem participar”, afirmou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antonio Lage, um dos que participou da comissão de clubes que negociou o contrato.

“Não vai haver reversão porque essa foi a melhor proposta. Só falta acertar detalhes”, explicou Lage. Outros clubes confirmaram o acordo, ainda sem assinatura de contrato. Houve outras propostas de empresas como a IMG que participaram da concorrência.

O dinheiro será dividido igualmente entre todos os 20 clubes da Série A. Isso significa que cada um ficará com um valor pouco menor do que R$ 7 milhões por ano. Historicamente, os clubes arrecadam pouco com direitos internacionais do Brasileiro.

As placas, no entanto, são um ativo valioso que antes era comercializado pela Globo que o adquiria em contratos separados dos clubes. Para o ano de 2019, a emissora abriu mão de atuar neste mercado


Com rotação, Facebook terá pacote da Libertadores incluindo brasileiros
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Na concorrência feita pela Conmebol, o Facebook adquiriu um pacote de direitos de transmissão da Libertadores-2019 que inclui todas as partidas da quinta-feira. Isso significa algo entre 20 e 30 jogos, entre compromissos de fase de grupo e alguns eliminatórios. Como haverá rotação de times na tabela, é certo que haverá jogos de times brasileiros que só passarão na plataforma digital, um fato inédito para campeonatos nacionais e internacionais no país.

A concorrência da Conmebol para o Brasil foi dividida em quatro pacotes, TV Aberta, TV Fechada A, TV Fechada B e todas as partidas de quinta-feira. A Globo levou a primeira propriedade, a Fox Sports, a segunda, e o Sportv, a terceira, como revelou o blog do Flávio Ricco. O Facebook ficou com essa quarta fatia.

No total, são 155 jogos da Libertadores-2019 a serem divididos pelos pacotes. A Globo tem direito a dois por rodada, incluindo a final da competição. Fora isso, todos os jogos são divididos entre os outros três pacotes.

O pacote número 1 de TV fechada tem em torno de 60 partidas, com a decisão da Libertadores. O pacote número 2 de TV Fechada tem em torno de 60 jogos, sem a final e com transmissão até a semifinal. No caso do Facebook, serão entre 20 e 30 partidas a que a plataforma terá direito com compromissos até as quartas-de-final.

A questão é que, pelas regras da concorrência, a Conmebol não dá mais às emissoras poder sobre a tabela. Agora, será a confederação sul-americana quem decidirá quais jogos serão em cada dia. E foi colocado nas regras que haveria uma rotação entre os grandes times.

Diante dessas regras, a Conmebol já dá como certo que clubes relevantes do continente com os brasileiros e argentinos terão jogos também nas quinta-feiras, ainda que em menor número do que nos outros pacotes. Ou seja, neste cenário, será a primeira vez que clubes nacionais terão jogos de seus times principais transmitidos exclusivamente no Facebook em competições nacionais ou internacionais.

Após longas conversas com a Conmebol, a plataforma de mídias sociais entrou forte na concorrência da Libertadores. Está disputando direitos de TV Aberta no pacote de outros países, fora o Brasil, e também apresentou interesse nos direitos internacionais para fora da América do Sul. Ainda não estão claros os resultados dessas concorrências, separadas da brasileira, mas é certo que o Facebook fez propostas relevantes.

Até recentemente, o Facebook negava que fosse investir na compra de direitos de competições. No Brasil, tinha apenas adquirido um campeonato brasileiro de aspirantes juntamente com o Esporte Interativo. Ainda não está claro como a plataforma digital vai explorar comercialmente as transmissões. Certo é que tem uma base de anunciantes considerável em seus negócios.


Vasco cai com pior campanha brasileira em grupos da Libertadores em 16 anos
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O Vasco foi eliminado antecipadamente da Libertadores com a pior campanha de um time brasileiro na fase de grupos em 16 anos. Com a derrota para o Cruzeiro em casa, o time somou apenas dois pontos em cinco jogos, nenhuma vitória.

Nesta quarta-feira, o time carioca foi goleado pelo Cruzeiro por 4 x 0 em São Januário. Foi a segunda goleada na fase de grupos, e terceira na Libertadores.

Faltando uma rodada, o time vascaíno só pode atingir 5 pontos se vencer a Universidad do Chile. A última vez em que uma equipe brasileira esteve em situação similar foi quando o Flamengo somou apenas quatro pontos nesta fase, e o Atlético-PR, cinco. Ambos foram eliminados. Em todas as outras edições desde então, os times brasileiros tiveram desempenho superior nos grupos.

Além disso, houve duas eliminações em fase prévia da Libertadores. O Corinthians para o Tolima, em 2011, e a Chapecoense, agora em 2018.

A partida diante do Cruzeiro foi um retrato do que se viu deste Vasco na Libertadores. Um time desorganizado em sua defesa que só funcionou em uma partida diante dos cruzeirenses em Minas Gerais. Fora isso, foi uma peneira.

Os laterais Pikachu e Henrique davam espaços nas costas, os zagueiros olhavam para os rivais dentro da área, e os volantes estava mal posicionados para protege-los. É preciso que se diga que o primeiro gol cruzeirense foi marcado em impedimento de Léo. Mas o atropelamento foi tal que fez pouca diferença no resultado final.

E a defesa era o ponto forte vascaíno no ano passado, com nomes diferentes. De qualquer forma, o técnico Zé Ricardo, que tinha esse mérito, não parece conseguir encontrar novamente uma forma de botar o time para se defender de forma eficiente. Ofensivamente, o time tinha uma falta de talento absoluta, tentando vencer só na pressão e vontade.

Os gols cruzeirenses foram saindo com naturalidade. Thiago Neves recebeu livre após jogada pela direita e aumentou. Depois disso, Sassá ampliou. E a torcida vascaína se revoltou: começou a gritar time sem vergonha, criticou a diretoria… Isso causou uma briga porque parte dos torcedores tentou abafar o protesto. Houve quem chamasse de protesto político. Como dizer que é política quando uma torcida reclama de um vexame desses?

O cenário melancólico se seguiu. Quando o Cruzeiro acelerou: fez mais um gol. A torcida brigou de novo. E assim o Vasco se despediu com a pior campanha brasileira na Libertadores em mais de uma década.

 


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
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A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

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Agentes escondem ganhos com comissões da CBF e desrespeitam regra da Fifa
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Com Vinícius Castro

Empresários de jogadores não estão informando seus ganhos com comissões em transferências e contratos de jogadores, descumprindo o regulamento de intermediários da CBF. É possível constatar a omissão com um cruzamento de dados do relatório da CBF para agentes, além de documentos financeiros de clubes. A confederação admite o problema e vai notificar agentes para regularizar a situação. Na lista oficial, quem paga mais é o Corinthians.

No fim de março, em cumprimento à regra da Fifa, a CBF publicou o relatório de intermediários de 2018, que inclui o prazo entre abril de 2017 e março deste ano. O documento tem a relação de cada empresário que participou das 732 transações do período.

Na lista dos clubes aparece um total de R$ 35,333 milhões pagos em comissões. Neste cenário, seriam R$ 48 mil de pagamento aos empresários por cada transação, um número bem abaixo do valor no mercado.

“Sempre falo isso [que a maioria dos empresários não informa seus ganhos]. De 300 ou 400 transações, 50 ou 100 declaram os valores. Por que não declaram?”, questiona o diretor do departamento de registros da CBF, Reinaldo Buzzoni. “Clubes não estão descumprindo nada porque só têm de dizer que há o intermediário.”

Os balanços comprovam a afirmação, já que os clubes declararam o quanto pagaram aos agentes. O Flamengo, por exemplo, relatou em seu balanço pagamento de R$ 17,7 milhões em comissões em 2017. Na lista da CBF, que deveria ser preenchida pelos empresários, não aparece nenhum valor pago pelo clube. No caso do Palmeiras, o clube fez 33 transferências registradas com participação de agentes. No entanto, os intermediários só informaram ter recebido R$ 1,2 milhão do clube alviverde.

Quem pagou o maior número de comissões declaradas foi o Corinthians, com um total de R$ 12,9 milhões pagos aos agentes – o clube alvinegro é responsável por mais de um terço do total declarado. O blog apurou que isso tem relação com a Elenko, do empresário Fernando Garcia, estar informando suas comissões depois de várias notificações. A empresa tem número considerável de operações do clube.

A CBF está cruzando dados do registro de comissões com balanços financeiros dos clubes que foram repassados pelas agremiações. Notícias de imprensa também serão utilizadas nesse processo. A partir daí, a confederação vai notificar o empresário para informar os valores e perguntar se ele recebeu. Caso o empresário esconda os dados, enfrentará processo na Câmara de Resolução de Disputas da CBF, que decide questões sobre transferências.

“Já existem vários processos relacionados a isso. Está evoluindo. Em 2015 ninguém declarava, em 2016, aumentou, em 2017, também”, contou Buzzoni. “Vamos cruzar as informações. Se o clube diz que participou, ele não recebeu nada? Trabalhou de graça?”

O regulamento dos intermediários da CBF prevê que os empresários têm até 30 dias para notificar o valor que receberam de comissões a partir do registro da transação. Ele tem de preencher um formulário nesse sentido. Posteriormente, se a confederação tiver dúvida, também pode perguntar para os clubes o valor que pagaram para cruzar os dados. Um processo na CNRD (Câmara de Disputas) pode até levar ao descredenciamento do agente.

A atividade financeira de empresários de futebol já está na mira da Receita Federal, que também prepara uma legislação específica para regulá-los. A intenção é justamente coibir sonegação. Veja abaixo quem pagou mais comissões declaradas:

Corinthians – R$ 12,9 milhões

São Paulo – R$ 4,5 milhões

Santos – R$ 4 milhões

Internacional – R$ 3,7 milhões

Palmeiras – R$ 1,2 milhão

Cruzeiro – R$ 1,2 milhão


Após dois anos de Profut, Receita não definiu tamanho da dívida dos clubes
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Após de mais de dois anos da implantação do Profut, a Receita Federal ainda não determinou de fato quanto devem os clubes brasileiros. Boa parte das dívidas fiscais dos times continua pendente de homologação pelo órgão, e os times estão pagando os parcelamentos com base nos seus próprios levantamentos dos débitos. Houve descontos de pendências e multas com base nesses cálculos.

A Lei do Profut foi implementada em agosto de 2015, sendo o decreto que a regulamenta feito em janeiro de 2016. Mas, nos últimos meses de 2015, houve a adesão da maior parte dos clubes brasileiros. Só no Brasileiro da Série A eram 17 times naquela época.

Pelo procedimento, os clubes apresentavam seus levantamentos de dívidas com a Receita, INSS e FGTS para as autoridades fiscais. Os parcelamentos e os descontos de multas foram feitos com base nesses cálculos. Mas o governo federal teria de conferir e homologar esses valores.

O processo, no entanto, tem sido bastante lento. Veja como exemplo o Flamengo que aderiu ao programa em outubro de 2015, pouco depois da implantação. O clube até já tinha um levantamento de suas dívidas pois as tinha regularizado anteriormente e pago um valor à Receita.

Pois bem, após dois anos da adesão, o clube rubro-negro registrou em seu balanço de 2017 que sua dívida fiscal é de R$ 283 milhões. Desse total, apenas R$ 108,2 milhões já foram homologados pela Receita, entre valores de imposto e INSS. Ou seja, falta confirmar R$ 174,8 milhões. Durante o ano de 2017, menos de R$ 10 milhões foram consolidados. O documento registra que o valor pode ser alterado pelos cálculos.

Não é um caso único. A última demonstração financeira do Santos, do terceiro trimestre de 2017, registra uma dívida fiscal de R$ 156,3 milhões. No documento, está escrito que “os tributos citados ainda não foram consolidados pelos órgãos responsáveis e até sua homologação poderá sofrer alterações.”

O site do Botafogo também registra que os débitos fiscais estão em processo de homologação. O clube alvinegro registra R$ 144 milhões em dívidas incluídas no Profut.

Não é possível confirmar a situação dos outros clubes porque ainda não fecharam suas demonstrações contábeis ou não essas estão disponíveis no site (o prazo é final de abril). Mas o blog apurou que a situação é comum a maioria dos times visto que a Receita tem sido lenta na homologação dos cálculos, o que neste caso não é culpa dos times.

Há portanto uma indefinição sobre qual o tamanho do débito real dos times. Dependerá da organização de cada clube para saber o quão preciso foi seu levantamento. Neste caso, a Apfut (órgão fiscalizador) não tem interferência pois é responsável pela fiscalização do cumprimento da lei, não pelo valor das dívidas.

Em relação ao pagamento das parcelas do Profut, há clubes em atraso. A nova diretoria do Vasco admitiu que o ex-presidente Eurico Miranda deixou de pagar alguns meses.

O blog enviou perguntas à Receita Federal na sexta-feira sobre o tema. Após três dias úteis, o órgão fiscal não respondeu as perguntas sobre o atraso nas homologações de dívidas. O Ministério da Previdência informou que era tarefa da Receita fazer os cálculos.

 


Caixa fecha patrocínio com 14 clubes sem reajuste e investirá até R$ 153 mi
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A Caixa Econômica Federal já fechou a renovação de contrato com 14 clubes para 2018 com redução ou sem reajustes. Clubes como Flamengo, Cruzeiro a Atlético-MG acertaram acordos com diminuição de espaço na camisa. O orçamento previsto é de um investimento de até R$ 153 milhões, mas ainda não está fechado. A tendência é ser menos do que em 2017.

São os seguintes os clubes que fecharam com a Caixa em lista enviada ao blog: Atlético Mineiro, Avaí, Criciúma, Atlético Paranaense, Paraná, Londrina, Sampaio Correa, Flamengo, Bahia, Ceará, Fortaleza, Goiás e Paysandu. O Cruzeiro confirmou também já ter acertado a renovação.

“Está previsto no ano de 2018 um investimento máximo em clubes de futebol de R$ 152.900,00”, informou a Caixa. Não ficou claro se isso inclui possíveis bônus por premiações que tiveram reajuste em relação ao ano passado.

Houve modificações nas condições já que o orçamento foi reduzido e as negociações durantes entre as partes. Por exemplo, o Flamengo ficou com o mesmo valor fixo de R$ 25 milhões. Só que foi retirada a marca do X da omoplata. Assim, o clube entendeu que aumentará o valor de sua camisa, embora não tenha reajuste da Caixa.

Negociação similar ocorreu com o Atlético-MG e o Cruzeiro. O valor fixo dos dois clubes mineiros caiu de R$ 11 milhões para R$ 10 milhões. Mas ambos deixam de exibir as marcas do banco nas costas, permanecendo como patrocinador máster na frente.

“Os acordos de Atlético-MG e Cruzeiro são iguais por política da Caixa. A diferença é que a premiação possível do Cruzeiro é maior por estar na Libertadores”, contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage. O mesmo aconteceu em favor do Galo no ano passado. O contrato atleticano publicado no Diário Oficial foi de R$ 13,1 milhões, o que inclui as possíveis bonificações.

No caso do Bahia, não houve modificações nas propriedades da camisa do time de Salvador. O valor fixo foi mantido em R$ 6 milhões, com a possibilidade de premiação atingindo R$ 9,3 milhões.

No caso de clubes de menor porte, o Londrina tem como valor máximo R$ 3,1 milhões, o Criciúma, R$ 2,3 milhões, e o Sampaio Corrêa, de R$ 1,3 milhão, em valores já publicados do Diário Oficial. Todos incluem as possíveis premiações.

A Caixa ainda decidiu investir em campeonatos estaduais, como foi revelado pelo blog do Marcel Rizzo.  Entre os campeonatos incluídos, estão o Piauiense, o Paraibano, o Mato Grosso e o Rondoniense. Os valores variam entre R$ 200 mil e R$ 500 mil.