Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Del Nero

Processo contra Marin nos EUA deve afetar futuro de Del Nero na Fifa
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O processo contra o ex-dirigente José Maria Marin por corrupção na Justiça dos Estados Unidos deve ter impacto no inquérito que investiga o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, na Fifa. Em caso de absolvição do ex-colega, Del Nero fará uma tentativa para enterrar o procedimento na federação internacional por falta de provas. Mas, se surgirem evidências contundentes contra ele, a Fifa será pressionada a retomar o caso que está parado.

A informação de que o processo de Marin afetará Del Nero foi publicada primeiro no Globo.com, e confirmada pelo blog. Advogados do presidente da CBF estão em Nova York acompanhando o caso apesar dele não ser julgado.

Marin e Del Nero sofrem as mesmas acusações feitas pelo Departamento de Estado dos EUA, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração. Isso porque supostamente receberam propinas pelos contratos da CBF e da Conmebol. Mas Marin está em prisão domiciliar nos EUA, e Del Nero, no Brasil, solto.

Por isso, o presidente da CBF é citado pela procuradoria norte-americana, mas não pode ser processado por não estar nos EUA. O Departamento de Estado dos EUA, no entanto, conseguiu autorização da Justiça para apresentar provas contra outros acusados que não responderão ao processo.

Assim, se tiverem, procuradores poderão mostrar evidências contra o dirigente da CBF. Até agora, todas as provas que serão exibidas pela procuradoria estão sob sigilo no processo por decisão na juíza Pamela Chen. Só serão apresentadas no momento da acusação. Por enquanto, estão na fase de escolha dos jurados.

Pois bem, advogados de Del Nero já decidiram que, se nada for apresentado de consistente contra seu cliente, vão entrar com um pedido na Fifa para encerrar o procedimento disciplinar contra ele. Esse inquérito se iniciou em 2015, quando o dirigente foi indiciado pelo FBI, e está parado desde então. Motivo: o Departamento de Estado dos EUA se recusa a fornecer provas à Fifa.

Mas, se surgirem depoimentos e comprovantes de pagamentos a Del Nero, aí essas provas se tornariam públicas e poderiam ser utilizadas pela Fifa em seu procedimento disciplinar. Neste caso, sua situação ficaria complicada. Uma retomada desse inquérito com provas robustas poderia até tira-lo do cargo na CBF.

Advogados de Del Nero apostam que nada surgirá contra ele já que sempre alegou inocência e garante que não há evidências que o comprometam. Assim, já se preparam para tirar o que chamam de nuvem da cabeça do dirigente brasileiro.

 


Teixeira, Marin e Del Nero ganharam R$ 33 mi em salários da CBF e Fifa
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Os três últimos presidentes da CBF Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero ganharam R$ 33,7 milhões em salários e bônus de entidades esportivas. Foram pagos pela CBF, pelo COL (Comitê Organizador Local), pela Fifa e pela Federação Paulista de Futebol. Os dados constam das declarações de rendas dos dirigentes no relatório paralelo da CPI do Futebol.

Esses são apenas os ganhos oficiais e legais dos dirigentes, sem incluir nenhum dos relatos de recebimentos irregulares apontados pela comissão de inquérito. O montante foi ganho durante um período de sete anos, de 2007 a 2015.

Mais longevo dirigente da CBF, Teixeira ganhou mais: foram R$ 13,4 milhões de 2007 a 2011, época em que foi quebrado seu sigilo bancário. Da Fifa, ele recebeu R$ 5,4 milhões, do COL, R$ 4,4 milhões, e da CBF, 3,6 milhões. Neste período, ele foi presidente da confederação e do comitê, além de membro do comitê executivo da Fifa.

Em período mais curto de anos, de 2012 a 2015, Marin ficou com R$ 10,3 milhões. Desse total, foram R$ 5,3 milhões do COL; R$ 4,8 milhões da CBF, e outros R$ 198 mil da Fifa. Marin sucedeu Teixeira nos mesmos cargos, com exceção da Fifa onde só exercia funções menores em comissões.

Atual presidente da CBF, Del Nero ganhou R$ 9,4 milhões, de 2012 a agosto de 2015. Sua maior fonte de renda foi a CBF com R$ 4,6 milhões. Ao mesmo tempo, acumulava ganhos na Federação Paulista de Futebol, R$ 2,5 milhões, e na Fifa, R$ 2,2 milhões. Lembre-se que antes de ser presidente ele foi vice da CBF e que desde 2012 ocupava cargo no Comitê Executivo da Fifa. Do COL, levou R$ 140 mil.

 


Investigação indica que Del Nero escondeu recurso da Receita Federal
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O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não declarou à Receita Federal dinheiro supostamente seu mantido no exterior em empresa com sede nas Ilhas Virgens. Isso pode gerar uma investigação por sonegação e lavagem de dinheiro contra o dirigente. Por meio da assessoria, o dirigente afirmou que todas suas movimentações financeiras foram declaradas no Imposto de Renda.

A “Folha de S. Paulo” revelou a existência de uma conta de Marco Polo Del Nero no HSBC Private International Private Bank, em Miami, entre 1999 e 2011. Então, o dinheiro foi transferido para conta da Danford Corporate Services, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

As informações constam de documentos enviados pelo FBI à Polícia Federal e analisados pela CPI do Futebol. Há indícios na investigação de que o dinheiro continuou a pertencer ao cartola após sair da sua conta, embora nas Ilhas Virgens.

No entanto, sua declaração de imposto de renda de 2013 não tem nenhuma informação sobre os recursos mantidos pela Danford, segundo apurou o blog. A conta da Danford foi encerrada justamente em 2013. À CPI, ele tinha negado ter contas no exterior.

Essa empresa tem como dono Silvio de Jesus Gaspar, que era proprietário da empresa RV Brasil Indústria Aeronáutica, com sede em Americana, interior de São Paulo. Há a possibilidade de que seu paradeiro seja investigado para saber sobre qual sua ligação com Del Nero.

A colaboração entre o FBI e a Polícia Federal do Brasil complica o dirigente brasileiro. Afinal, ele é indiciado nos EUA por corrupção, acusado de receber propina por contratos da CBF, assim como José Maria Marin. Há um inquérito sobre dirigentes da confederação no Brasil, mas a PF não tinha obtido ainda os dados dos EUA.

Não está claro, no entanto, o quanto os documentos norte-americanos terão validade para processos no Brasil. Há uma decisão judicial no país que impedia a troca de informações oficial entre os dois órgãos de Justiça por não terem sido aprovados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Não tem novidades em relação a isso. Mas isso não impede colaboração entre as polícias. A questão é que, para os dados terem valor em um processo, tem que ser levado ao STF para pedir autorização”, contou o advogado Michel Asseff Filho, que moveu a ação de bloqueio da troca de informações e defende Kléber Leite e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

Por meio de sua assessoria, Del Nero negou que tenha escondido recursos no exterior. “Sem exceção, toda e qualquer movimentação financeira, em qualquer país, foi e está declarada no IR e seus impostos recolhidos”, afirmou o dirigente, por meio da assessoria.

 


Tite não mudou de opinião sobre Del Nero, mas topou ser seu escudo
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Quando questionado três vezes sobre seu pedido de renúncia de Marco Polo Del Nero na CBF, em 2015, o novo técnico da seleção, Tite, não deu uma resposta objetiva se mantinha as críticas à entidade. É preciso ler nas entrelinhas para perceber que ele não mudou de opinião do que assinara. Para pessoas próximas ao técnico, o discurso deixa claro que ele não alterou sua posição, mas, obviamente, não vai mais externa-la ao se tornar subordinado ao cartola.

“A maneira que tenho de contribuir é essa: manter a mesma opinião, mas evoluir a seleção brasileira. Democratização, transparência, modernização, adjetivos que permanecem como conceito em todas as áreas, seja minha área, política. É aquilo que eu penso”, disse, em uma das respostas sobre o manifesto.

A questão é que, ao assumir a seleção, o ex-treinador corintiano tornou-se um escudo para o Del Nero do qual desaprova a gestão. Basta ver as atitudes do cartola durante o dia da apresentação de Tite para perceber esse cenário.

O presidente da CBF levou um séquito de sua diretoria para seguir todos os passos do novo treinador. Quando ele entrou no museu da confederação, havia dez cartolas atrás dele.

Depois disso, no auditório, Del Nero apresentou o novo treinador, lhe entregou uma camisa com o nome de sua mãe, e o abraçou. E sentou calado na primeira fila para ouvir sua entrevista. Foi Tite que teve que responder questões espinhosas. Já Del Nero não é submetido a escrutínio de jornalistas há tanto tempo que é difícil lembrar.

A quem chama Tite de incoerente, o técnico diz que foi atrás da construção de sua carreira, de seu sonho de dirigir a seleção. E, neste campo, poderá ter autonomia e contribuir para o time brasileiro.

De saldo deste arranjo, Tite terá de trabalhar para um cartola com quem não concorda em relação aos rumos do futebol brasileiro, Del Nero aceitou contratar um treinador que o criticou abertamente. Um ganha em troca o seu sonho de recuperar uma seleção brasileira, o outro ganha um alívio da opinião pública.


De volta à CBF, Del Nero nada fez para se defender nos EUA em quatro meses
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Após promessas de provar sua inocência, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, retornou ao comando da CBF sem ter feito nada para se defender das acusações de levar propina na Justiça dos EUA. Documento do Departamento de Justiça norte-americano indica não ter nenhuma informação pública relacionada ao cartola. Isso ocorre porque ele não se apresentou, nem mandou advogado ao país.

No início de dezembro, Del Nero apareceu como um dos indiciados pelo Departamento de Justiça após investigação do FBI. Foi acusado de levar subornos relacionados aos contratos da Libertadores, da Copa América e da Copa do Brasil. No mesmo dia, Del Nero se afastou. Em seguida, disse que provaria sua inocência e retornaria à CBF.

O relatório do Departamento de Justiça datado de 11 de abril de 2016 mostra que oito acusados de corrupção no futebol estão nos EUA. Outros nove estão em outros países com extradição pendente. Por fim, há oito cartolas sobre quem os procuradores norte-americanos nada sabem para seguir o processo, entre eles Del Nero e Ricardo Teixeira.

Se quisesse demonstrar sua inocência, Del Nero teria que se apresentar à Justiça norte-americana e negociar uma fiança para responder processo. Seus advogados informaram que ele tinha intenção de fazer isso, mas lhe faltava dinheiro. Mas a verdade é que o cartola preferiu ficar no Brasil.

O relatório do Departamento de Justiça traça um cronograma para os advogados dos réus para que eles tenham acesso a todas as provas da investigação do FBI. Eles terão dos meses de junho a dezembro para prepararem sua defesa usando os dados fornecidos pelo procuradores. Isso faz parte de um acordo entre os procuradores e os advogados de defesa. Depois disso,  haverá o início do julgamento do juri em fevreiro de 2017.

No Brasil, em entevista à “Folha de S. Paulo”, Del Nero mudou de discurso e afirmou: “Não aceito acusações sem provas e muito menos ilações sobre fatos não ocorridos. Antes de provar minha inocéncia, precisam provar minha culpabilidade. com fatos concretos e não achismos, como levianamente ocorre.”

Só que Del Nero não tem como ter acesso a nenhuma prova do FBI se não aparece nos EUA. Sua decisão de ficar por aqui significa que só poderá saber o teor básico da acusação, sem analisar provas. Nem tem como rebater o que desconhece. Na prática, em vez de provar sua inocência, decidiu fechar os olhos para o que existe na Justiça norte-americana. O blog tentou contato com o advogado do cartola, mas não obteve retorno até à noite de terça-feira.


CBF e Del Nero reagem com críticas ao processo da Fifa
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Dirigentes da CBF e representantes de Marco Polo Del Nero reagiram com críticas ao processo movido pela Fifa em que pede a ele e a outros cartolas indenização pelos casos de supostas propinas nos EUA. O advogado do presidente licenciado da confederação classificou a ação como “nonsense”. E dirigentes da entidade classificaram o processo como midiático.

Uma investigação do FBI apurou que cartolas sul-americanos levavam subornos para conceder contratos de competições como a Copa América e a Libertadores para a empresa. O caso levou a um escândalo que derrubou até o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Nesta terça-feira, a federação internacional processou cartolas nos EUA para pedir indenizações, entre eles Del Nero, Ricardo Teixeira e José Maria Marin. Cobra a devolução de salários e despesas de viagem, além de indenizações. A Conmebol entrou com ação similar.

“O que a Fifa está querendo é que Del Nero restitua os valores pagos? Essas despesas foram gastas com viagem e despesas a serviço da entidade. É como um Estado querer de volta o dinheiro usado para despesas de um funcionário. É um nonsense”, afirmou Guilherme Batochio, um dos advogados de Del Nero. “A Fifa está querendo se vitimizar.”

Ele informou que serão contratados advogados para defender o cartola nos EUA. Em relação ao processo criminal, não é possível defender o dirigente a não ser que ele vá ao país.

“Em relação ao presidente Marco Polo há uma investigação em marcha sem conclusão”, analisou o secretário-geral, Walter Feldman. “O que sei é que somos credores do dinheiro do legado da Copa que deveria ser pago pela Fifa”, completou. A Fifa travou os pagamentos do total do fundo de US$ 100 milhões após o escândalo na CBF.

Presidentes de federações não entenderam porque Del Nero foi incluído como réu pela Fifa se a entidade não encerrou o processo no Comitê de Ética sobre ele. “A preocupação da Fifa é midiática. Era melhor ter esperado encerrar o processo criminal”, afirmou o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho.

Outros presidentes de federações que pediram anonimato ficaram igualmente surpresos com a ação. Alegam que já passou da hora de a federação internacional concluir essa ação no comitê de ética contra Del Nero que se arrasta desde novembro. Por isso, entendem que a decisão de incluí-lo na ação civil é política.

O presidente licenciado da CBF já disse várias vezes a seus pares que era inocente e provaria isso para poder voltar. Mas a ação da Fifa praticamente inviabiliza esse retorno ao futebol.

Mais do que isso, causa uma cisão entre a federação internacional e a confederação logo após a eleição do novo presidente, Gianni Infantino, apoiado pela confederação. Há cooperação entre as duas entidades em certos campos como controle de transferências, mas a relação fica estremecida com o ataque da Fifa ao cartola que ainda detém a presidência da CBF, ainda que esteja afastado.


Parceiros da CBF têm ligações com negócios particulares de Del Nero
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Na investigação da CPI do Futebol, foram descobertas pelo menos duas conexões entre parceiros da CBF e negócios particulares do seu presidente licenciado Marco Polo Del Nero. Nos dois casos, o dirigente recebeu dinheiro de intermediários que se beneficiaram de pagamentos feitos pela confederação.

Em depoimento na comissão parlamentar, o presidente da entidade nega ter praticado qualquer ato de corrupção e diz que todas suas rendas são fruto de trabalho duro.

O primeiro caso é de um empréstimo de R$ 700 mil feito pelo advogado Angelo Verospi, ex-conselheiro do Palmeiras, para Del Nero, registrado no seu imposto de renda de 2013. No ano seguinte, a dívida já não existia mais. Não há nenhum registro de transferência bancária do dirigente para o advogado no período para quitar o mútuo.

No mesmo ano, Verospi vendeu um apartamento nos Jardins para Wagner Abrahão, dono do Grupo Aguia, conjunto de agências de viagens que realiza todas as viagens da CBF. O imóvel que fica na Alameda Tietê 111 foi negociado por R$ 2,3 milhões, mas o pagamento foi feito em diversas transferências durante o ano de 2013. Entre elas, há dez parcelas mensais justamente de R$ 70 mil, que completariam R$ 700 mil.

Abrahão -cujos filhos já negociaram imóvel com Del Nero como mostrou a “Folha de S. Paulo” – continua se beneficiando do dinheiro da CBF assim como ocorria na época de Ricardo Teixeira. Em 2015, sua agência Atena recebeu R$ 4,8 milhões em pagamentos.

A CPI investiga se as duas operações têm relação. Foi pedida a quebra de sigilo bancário e fiscal de Verospi, mas a bancada da bola barra essa requisição.

“Está no meu imposto de renda. É um mútuo que eu fiz com ele (Verospi). Eu precisei de um dinheiro emprestado, R$600 ou R$700 mil, não me lembro exatamente quanto e eu o paguei. Paguei com dinheiro saindo da minha conta-corrente”, afirmou Del Nero na CPI.

Mas não há nenhum dinheiro saindo de sua conta identificado para Verospi. O que há são diversas movimentações em cheques e saques, mas não é possível saber se algum representou pagamento de empréstimo. O blog tentou achar Verospi, sem sucesso. Consultado, o advogado de Del Nero, José Roberto Batochio, reafirmou que ele pagou o empréstimo.

Verospi é uma figura conhecida no mundo do futebol. Além de ex-conselheiro do Palmeiras, é vice-presidente do Sindafebol (Sindicato Nacional das Associações de Futebol), presidido por Mustafá Contorsi. E já foi indicado pela CBF para grupo para debater plano de previdência para jogadores. E o blog apurou que há uma ligação também de Verospi com o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

Outra figura que liga Del Nero aos parceiros da CBF é Sergio Luis de Souza Gomes, dono da empresa SG Marketing e Comunicação LTDA. Em seu depoimento, Del Nero contou que “ele foi um pessoa que trouxe alguns patrocínios à CBF, um deles foi a Chevrolet.” Em seguida, afirmou que ele intermediou o contrato com a GM, firmado em agosto de 2014.

Não é apenas isso. O “Estadão” revelou que a SG Marketing recebeu R$ 40 mil como intermediação pelos contratos de patrocínios da GM para os estaduais. Esse dado consta da CPI.

Pois bem, no final de 2013, Sergio Gomes decidiu mover um processo cível contra Alessandra Martini. O advogado que o representa é Paulo Sergio Feuz. Trata-se de um dos advogados do escritório de Marco Polo Del Nero e também da FPF (Federação Paulista de Futebol). Desta forma, Gomes pode pagar Feuz pelos seus serviços de advogados.

Quando questionado sobre Sergio Gomes, Del Nero não lembrou de dizer que ele era cliente de um dos seus advogados. A CPI deve tentar levantar os dados sobre a movimentação financeira do escritório de Del Nero.


Licenciado, Del Nero usa manobras secretas para reter poder na CBF em dia D
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Enquanto a oposição à diretoria da CBF protesta e faz críticas públicas, o presidente licenciado Marco Polo Del Nero tem usado manobras sigilosas como a principal arma para manter o poder na entidade. Foi com uma operação dos bastidores que ele se preparou para enfrentar o dia D em que haverá eleição para vice na confederação e seu depoimento na CPI do Futebol.

O dirigente máximo do futebol brasileiro enfrenta uma crise desde que o Departamento de Justiça dos EUA o incluiu no rol de indiciados por corrupção pela acusação de levar propina por contratos da confederação. Teve que se licenciar e sumiu, mas passou a manejar atrás das cortinas.

Primeiro, no dia seguinte, marcou uma eleição para a vice-presidência que era ocupada por José Maria Marin, escolhendo como candidato o Coronel Nunes que se tornaria o mais velho no lugar de Delfim Peixoto. Naquele momento, ele sabia que Marin tinha escrito carta de renúncia em 27 de novembro, coincidentemente logo depois de iniciada a investigação contra Del Nero na Fifa e de novas delações nos EUA que o complicariam.

O dirigente não tornou pública a renúncia, preferindo guardá-la para o momento apropriado. Quando convocou a eleição, também só mostrou o documento informalmente a federações do Nordeste que questionaram a legalidade. Até agora a CBF não respondeu a documento das oito federações que aponta ilegalidade na assembléia.

Convocada a eleição, Del Nero tratou de mandar aliados, sem alarde, recolherem assinaturas de apoio como sempre fez nas eleições na Federação Paulista de Futebol. Conseguiu o apoio públicos de clubes paulistas. A informação da CBF é de que conta com 12 clubes da Série A e 10 da Série B. Questionada, a entidade não quis dizer os nomes.

A convocação da CBF se deu pelo site da entidade. Havia a necessidade de publicar em um jornal de grande circulação. Foram colocados anúncios na sessão de imóveis de “O Globo” na sexta-feira, sábado e domingo. Oficialmente, a entidade não fala sobre o assunto. Mas seus dirigentes dizem que todo mundo sabe da eleição e portanto não havia necessidade de anúncio grande.

O último passo foi derrubar a liminar obtida pelo vice e oposicionista Delfim Peixoto. Para isso, contou com a máquina jurídica da CBF que raramente perde uma ação na Justiça do Rio de Janeiro. Há a possibilidade de desdobramentos nesta quarta-feira pela manhã.

Em relação à CPI, Del Nero manobrou para receber um convite como testemunha para não ser convocado como investigado. Conseguiu marcar para o mesmo horário da eleição na CBF. A comissão prepara um batalhão de perguntas para ele. Mas, pelas regras, o cartola poderá ficar em silêncio e não responder o que não lhe interessar. Não poderá mentir.

Del Nero pode estar licenciado da CBF, mas continua ativo como nunca nos bastidores da luta pelo poder.

 


Del Nero recebeu propina por Libertadores, Copa do Brasil e Copa América
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O documento do Departamento de Justiça dos EUA tornou público o indiciamento de mais 16 dirigentes ligados à Fifa, incluindo o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo Teixeira. O atual dirigente da confederação recebeu propinas de empresas de marketing por facilitar contratos de marketing e televisão da Libertadores, Copa do Brasil e da Copa América, segundo o documento.

Há uma descrição sobre os pagamentos de subornos feitos pela T & T relacionados a contratos da Libertadores. No texto, está dito: “Em vários tempos, os acusados Marco Polo Del Nero, José Maria Marin, José Luis Meiszner (ex-secretário da Conmebol) e Ricardo Teixeira também solicitaram e receberam propinas e subornos de Alejandro Buraco (dirigente da T & T) e do conspirador 12 em troca de seu apoio a T & T como detentora dos direitos da Libertadores, entre outros torneios.”

Não é especificado quanto dinheiro foi ganho por eles. Mas, em relação ao caso da Copa do Brasil, é descrito que levavam R$ 2 milhões anuais para serem divididos entre Teixeira, Del Nero e Marin. Quem pagou foi a Traffic e a Klefer (que não é nomeada no relatório) a partir de 2011 com a renovação do contrato a partir de 2015.

Assim como Marin, Del Nero e Teixeira também aparecem como beneficiários dos esquemas de subornos relacionados à Copa América. A Datisa – empresa que tinha a Traffic, a T & T e a Full Play como sócias – pagou a 14 dirigentes uma quantia que era de US$ 20 milhões por edição a partir de 2015.  Na lista dos oficiais que receberam as propinas, estão Del Nero e Teixeira, em meio a quase todos os outros membros da cúpula da Conmebol.

A CBF ainda não se pronunciou sobre o caso quando procurada pelo blog. Del Nero tem o seu pedido de prisão feito pela polícia americana, mas não há acordo de extradição para o Brasil.

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Questionado, Del Nero ignora escândalo da Fifa e prioriza poder na CBF
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Em meio a uma turbulência sem precedentes na Fifa, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, prioriza sua manutenção no poder e fica alheio ao afastamento do presidente Joseph Blatter. Ele não cogita tirar licença e não viajará para o exterior para reuniões da federação internacional para cuidar da CPI. Foi o que disseram cartolas que estiveram em contato com Del Nero nos últimos dois dias.

Na quarta-feira, houve uma reunião entre presidentes de federações para discutir a lei do Profut e outras questões. Antes do encontro, Del Nero foi interpelado pelos dirigentes sobre sua situação na CBF e sobre a turbulência na Fifa – já havia pedido de suspensão de Blatter.

“Ele disse que estava tranquilo e que não iria para o exterior (para reuniões da Fifa) porque poderia ser convocado para a CPI”, comentou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues. “O Brasil está sem representatividade na Fifa, o que não é bom. Vamos aguardar um mês para ver como fica a situação.”

Del Nero não viaja para o exterior e para reuniões da Fifa desde que foi deflagrada a operação do FBI para prender cartolas envolvidos no pagamento de propina.

Outro que perguntou a Del Nero sobre a situação da CBF e da Fifa foi o presidente da Federação do Rio Grande do Norte, José Vanildo. “Ele disse que estava tudo sob controle, e estava oferecendo informações da CBF à CPI. Afirmou que não tinha a confirmação da saída de Blatter por conta do fuso horário suíço. Contou que a confederação iria superar esse momento com mais regras de transparência. A ninguém falou em se afastar”, contou.

Presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, disse que Del Nero tem direito de escolher se viaja ou não. “Pessoalmente, se fosse eu, eu iria viajar (para a Fifa). Mas ele que deve gerir e tomar uma decisão sobre qual a prioridade. Foi eleito para isso”, disse o cartola. “Pode estar certo de que ele não vai viajar”; disse o vice da CBF, Delfim Peixoto, que é opositor de Del Nero.

Chamou atenção entre os presidentes de federações como o vice da CBF Fernando Sarney teve protagonismo na reunião logo que Del Nero deixou o encontro para tratar de outros assunto. Há a informação não confirmada de que ele teria assumido uma sala dentro da sede da confederação, o que poderia indica-lo como sucessor preferido em caso de licença.

Mas ressalte-se que todas as informações de Del Nero são de que não sai da entidade. O secretário-geral da entidade, Walter Feldman, disse que não existe possibilidade de licença.

Em resumo, a CBF se torna passiva na discussão do futuro da Fifa e do futebol mundial com um presidente que não pode viajar por conta das suspeitas de que está envolvido no caso de propinas desvendado pelo FBI. Ao mesmo tempo, ele não abre mão de seu cargo no Brasil.