Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Doyen

Fla negocia dívida de R$ 15 mi com a Doyen por Cirino
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A diretoria do Flamengo negocia com o fundo Doyen uma dívida em torno de R$ 15 milhões referente à contratação do atacante Marcelo Cirino. O valor venceu no final de 2017. O clube tinha dinheiro para pagar, mas conversa para ou oferecer ativos (jogadores) ou parcelar o valor para alongar.

Realizado no final de 2014, o acordo do Flamengo com a Doyen para aquisição dos direitos de Marcelo Cirino previa que o jogador deveria ser negociado para ressarcir o valor referente a 50% dos direitos do atleta. Em caso contrário, o clube teria de pagar US$ 3,5 milhões ao fundo, com juros de 10% ao ano ao final de dezembro de 2017.

Esse valor atingiu em torno de R$ 15 milhões pelos cálculos do blog. É em torno desse montante o débito que deve ser quitado com possibilidade de variações.

O clube rubro-negro tinha esse dinheiro separado no final do ano passado para quitar a dívida com o Doyen. Mas as duas partes têm bom entendimento, então, o Flamengo decidiu renegociar o valor. Tudo está na mesa: possibilidade de cessão de ativos como jogadores, ou renegociar prazos, quitar uma parte agora. A solução ainda não foi definida.

A decisão do Flamengo de renegociar foi para poder haver uma sobra de dinheiro neste início de 2018, o que poderia ser reinvestido no próprio futebol. O clube está cortando folha salarial, como se pode observar pelas dispensas de 10 jogadores, cedidos e emprestados na última sexta-feira.

Pelo orçamento do clube, só será possível investir em novos jogadores no elenco no caso de maior espaço na folha salarial. Para colocar dinheiro em contratações, também será necessário vender algum atleta. Não há o valor alto disponível do ano passado, quando o time montou seu elenco.


Fundo secreto investiu R$ 118 mi no Brasil e tem no Santos maior parceiro
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O Doyen Sports, fundo com sede no paraíso fiscal de Malta, investiu um total de € 26 milhões (R$ 118 milhões) em transações de jogadores com clubes brasileiros. Esse valor foi revelado por novo vazamento de um relatório do fundo feito pelo site “Football Leaks”. O Santos foi quem realizou mais negócios com o grupo, mas há transações com Flamengo, São Paulo, Atlético-PR e Inter.

O fundo tem gerado controvérsia por conta da origem de seu dinheiro e do tipo de contrato assinado com os clubes. Um exemplo é o acordo para compra de 35% dos direitos do meia santista Geuvânio. Agora, o clube não quer pagar o percentual do grupo. A Fifa atualmente proíbe o TPO, participação de terceiros em negócios de jogadores.

O blog questionou a Fifa se havia uma investigação em curso sobre o Doyen, mas a entidade informou que não poderia comentar. A federação internacional está lidando com cautela com o “football leaks” por não saber a origem das informações, embora até agora nenhuma delas tenha sido questionada. O Doyen acusa o site de tentar uma extorsão, mas reconheceu a veracidade dos dados.

No total, o Doyen fechou negócios de € 18 milhões com o Santos. Além disso, fez dois empréstimos ao time que somaram € 1,8 milhão. A transação mais vultosa é a de Leandro Damião por € 12 milhões, mas no total foram seis atletas em parceria com o clube.

Outros casos de negociações de alto volume são os € 3,5 milhões pagos pelo Doyen em nome do Flamengo por Marcelo Cirino, e os € 4,5 milhões dados ao Atlético-PR por Douglas Coutinho. Ambos ainda não deram o retorno esperado porque não foram transferidos.

Pelos contratos, o Doyen sempre sai ganhando, seja vendido o atleta ou não. Há valores mínimos para os atletas serem negociados que sempre representam lucro para o grupo. Caso o contrato acabe e o time não ganhe nada com o atleta, o fundo tem direito ao valor inicialmente investido mais juros. No mundo inteiro, o Doyen já investiu € 86 milhões em jogadores, principalmente na Europa.

O vazamento ainda mostrou que os clubes deram garantias ao Doyen para o pagamento. O Santos forneceu seus contratos da Nike, de patrocínio e de licenciamento. O Flamengo deu como garantia o contrato de TV da Globo. Veja os valores investidos em cada atleta:

Felipe Anderson (Santos): € 2,5 milhões

Leandro Damião (Internacional – Santos): € 12 milhões – 80%

Lucas Limas (Santos): € 1,7 milhão – 35%

Jonathan Cafu (São Paulo): € 166 mil – 35%

Douglas Coutinho (Atlético-PR): € 4,5 milhões – 65%

Gabriel (Santos): € 1,150 milhões – 20%

Geuvânio (Santos): € 250 mil – 35%

Daniel Guedes (Santos): € 250 mil

Marcelo Cirino (Atlético-PR – Flamengo): € 3,5 milhões

 


Vazamento mostra controle de fundo secreto sobre Santos e Geuvânio
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O contrato entre Santos e o Doyen Sports dá controle quase total ao fundo em qualquer operação de transferência de Geuvânio. O teor do documento ficou conhecido porque o site “football.leaks” vazou seu conteúdo nesta sexta-feira. A divulgação do acordo ocorreu justamente quando o Santos decidiu não pagar a quantia de € 3,85 milhões a que o Doyen teria direito na venda do atleta para o Tinjian Quanjin, da China.

Pelo contrato com o Santos, o fundo tem direito a receber um valor mínimo pela transferência, ser indenizado em caso de fim de vínculo com Geuvânio, receber juros, ser comunicado sobre propostas, exigir que o clube recompre os direitos e aprovar trocas com atletas. Mais do que isso, o Doyen pode cobrar diretamente do chinês Tianjin Quanjian o percentual de Geuvânio, ou tomar posse de uma conta do Santos. O acordo foi assinado pelo ex-presidente santista Odílio Rodrigues.

O documento está em uma zona cinzenta da regularidade das normas da Fifa. Em sua legislação, a entidade proíbe ingerência de terceiros na gestão do futebol de um clube. A operações do fundo maltês estão sob investigações da Fifa desde o vazamento de seus documentos. A origem do seu dinheiro é incerta já que opera com diversas empresas em paraísos fiscais, e diferentes sócios ocultos.

Para tentar evitar punições, o contrato entre Santos e o grupo estabelece “a independência do clube na gestão da utilização do jogador”. Mas são tantas as restrições para o time que essa liberdade é questionável.

O Doyen pagou € 750 mil pelos 35% dos direitos econômicos de Geuvânio, em novembro de 2014, fim da gestão de Odílio. De cara, o contrato estabelece que o Santos não deve pagar nenhum imposto, e por isso não deve emitir fatura tributária. Se for obrigado por lei, o clube que deveria quitar pendências.

No caso de uma proposta por Geuvânio, o Santos tem de informar detalhes ao Doyen. O valor mínimo para ser aceito era € 4 milhões. Menos do que isso, o clube teria de compensar o fundo para vender o atleta. Ou seja, teria de garantir o € 1,4 milhão referente aos 35% sobre o valor mínimo.

Se fosse feita uma venda conjunta ou troca com atletas, o Santos teria de fazer relatórios para o fundo explicando os valores de cada jogador e a possibilidade de o Doyen trocar os direitos de Geuvânio por outros. Sempre a palavra final é do fundo. Caso o jogador fosse até o final do contrato, e ficasse livre, o Doyen receberia seu investimento inicial, mais juros de 10%, o que daria € 912 mil.

Além de obter as melhores condições para o seu dinheiro, o fundo tem a prerrogativa de sair pelo mundo para oferecer o jogador. E tem o direito de determinar a venda do jogador se chegar ao valor mínimo (€ 4 milhões). Se o Santos não concordasse, poderia segurar o atleta só se indenizasse o Doyen.

A situação atual, em que o Santos não quer pagar o Doyen, também provoca um cenário favorável ao grupo maltês. É dado como garantia o contrato do Santos com a Meltex de licenciamento do clube. É o dinheiro de franquias de lojas e vendas de produtos com a marca santista.

Pior, a diretoria santista deu uma procuração para o fundo operar a sua conta vinculada que recebe os recursos do uso da marca do time. Ou seja, o Doyen pode simplesmente bloquear € 912 mil da conta do Santos. Há ainda uma nota promissória assinada pelo clube neste valor com execução imediata.

O presidente do Santos, Modesto Roma Jr., considerou o atual acordo ilegal e por isso não quer pagar o Doyen. Procurado pelo blog, ele disse que não poderia falar: “Está com o departamento jurídico”, afirmou. Não foi possível contato com o Doyen.

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Vazamento expõe fundo secreto que investiu em Neymar, Damião e Cirino
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Um vazamento de documentos do Doyen Sports revelou a origem do dinheiro do grupo que tem mais de R$ 400 milhões no futebol. O fundo secreto que escondia seus investidores teve direitos de imagem de Neymar, e atuou em contratações do Santos (Leandro Damião e Lucas Lima) e do Flamengo (Marcelo Cirino).

Os documentos foram expostos no site Football Leaks, e sua veracidade foi confirmada pelo fundo. Mas o Doyen alegou em comunicado à agência “Bloomberg” que hackers obtiveram os dados e só os liberaram após tentarem obter vantagens para não revelá-los.

A série de documentos mostra que o fundo teve disponível para investimento um total de € 100 milhões, boa parte gasto em direitos de jogadores desde 2011. Esse dinheiro passa por empresas com sedes e contas em paraísos fiscais como Malta, Curaçao e Panamá.

O caminho dos montantes foi tortuoso, mas revela a real origem dos recursos. O Doyen Sports recebeu empréstimos da Bennington, que detém parte de suas ações. As duas empresas têm a sede no mesmo endereço em Malta.

Já o dinheiro da Bennington veio de empréstimos do turco Malik Ali, que, teoricamente, era a fonte de valores da Doyen. Mas Ali recebeu dinheiro de Refik Arif, um empresário do Kasaquistão que atua na área de petróleo, gás e indústrias químicas em seu país.

Arif é, portanto, o real investidor do Doyen, o que sempre foi escondido pelos diretores do grupo. Seu conglomerado, que cresceu com o final da União Soviética, estende-se por outros países incluindo negócios de hotelaria e troca de comodities, com sedes em Londres e no Panamá.

Entre os investimentos feitos pelo Doyen, está a compra dos direitos de imagem de Neymar. Em agosto de 2012, pagaram € 6 milhões para a empresa do jogador Neymar Sports Marketing Ltda. O jogador teve que fazer campanhas na Asia e teve sua imagem explorada pela empresa. O blog apurou que o contrato já expirou, e a empresa teria levado prejuízo já que ganhou apenas € 2 milhões com sua imagem.

Mais tarde, o Doyen comprou Leandro Damião do Inter para o Santos. Além disso, a empresa tem a maior parte dos direitos de Lucas Lima, meia da seleção. O clube registra uma dívida de R$ 50 milhões com a Doyen referentes a Damião e Felipe Anderson. Há diversos pagamentos do Doyen à empresa de Anderson entre os documentos financeiros.

Outro negócio concluído com dinheiro do Doyen foi a compra de Marcelo Cirino pelo Flamengo junto ao Atlético-PR. O clube carioca tem um débito de € 3,5 milhões com o Doyen.

No exterior, o fundo negociou com clubes como o Atlético de Madrid, Porto, Getafe, entre outros. O jogador mais importante que pertenceu ao Doyen foi o colombiano Falcão Garcia. A atuação do fundo secreto na compra de jogadores deveria ser interrompida por determinação da Fifa que proibiu a participação de terceiros em direitos.

Mas isso não impediu o Doyen de continuar a negociar direitos de atletas como revelaram documentos de transação com o Twente, clube holandês. Com o vazamento dos dados, a Federação Holandesa pressionou a diretoria do clube a dar explicações, e o presidente renunciou. É provável que o caso chegue até a Fifa, segundo o blog apurou.

 


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