Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : eleição

Para fechar chapa única, CBF prometeu agrado e investimento a federações
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Nas negociações da chapa única, a diretoria da CBF prometeu um agrado extra e investimento em estrutura para presidentes de federações estaduais. A tática deu certo e a situação da confederação reuniu 25 assinaturas de federações pela candidatura de Rogério Caboclo à presidência, barrando qualquer chance de oposição. Ele é escolhido do presidente Marco Polo Del Nero, afastado pela Fifa por corrupção.

Ciente de que deve ser afastado em definitivo pela Fifa, Del Nero articulou com as federações pela chapa de seu aliado. Na quinta-feira e na sexta-feira, Caboclo conversou com as federações em reuniões separadas para pedir os apoios.

Nas conversas, um dos pontos levantados pelo diretor-executivo da CBF foi a promessa de facilitar a liberação do dinheiro do legado da Copa pela Fifa. O valor a ser investido é de US$ 100 milhões. Inicialmente, a Fifa travou os recursos, mas depois fez um acordo com a CBF para fiscalização e liberação desses. A saída de Del Nero deve agilizar o processo.

Caboclo sinalizou que esse dinheiro vai sair para os Estados que não receberam Copa do Mundo, como já havia sido combinado. O valor será usado em projetos de centros de treinamento. Até agora só foi feito um no Pará.

Informalmente, outro agrado sinalizado foi em relação à viagem dos presidentes de federações para a Rússia. O pacote da CBF é para incluir os dirigentes das 27 entidades com passagens e estadias em jogos da primeira fase. Esse voo da alegria foi prometido por Del Nero em dezembro quando ele foi suspenso pela Fifa.

A princípio, não haveria direito a acompanhantes. Mas funcionários da CBF informaram que as passagens para os cartolas serão de executiva ou primeira classe. Assim, se eles quiserem, poderão quebrar as passagens para usar o valor para levar sua esposa. A confederação não aumentaria seu gasto, nesta versão.

Politicamente, a CBF ainda tem oito vagas de vices-presidentes, contra cinco no passado, para atender dirigentes de federações. O blog não conseguiu apurar se já há definição sobre quem formará a chapa.

Em sua argumentação para defender a candidatura, Caboclo deixou claro que pretende fazer uma gestão de continuidade e exaltou medidas tomadas por ele durante a presidência de Del Nero. Entre os pontos destacados, estão o aumento de receita da CBF com novos contratos de televisão da Copa do Brasil e da seleção, e o investimento feito em competições como as Séries B, C e D.

O contrato de televisão da Copa do Brasil aumentou porque estava bastante defasado em relação ao Brasileiro. A CBF ganha dinheiro com a Copa do Brasil e com a Série B. Portanto, o dinheiro investido em séries inferiores, na prática, é retirado em sua maior parte das outras competições.

Segundo relatos de federações, não houve nenhuma explicação detalhada de uma plataforma de propostas para o futebol brasileiro feitas por Caboclo.

Alijados da formação de chapa, os clubes foram procurados só na noite de quinta-feira com o cenário já definido. Há alguns times que ficaram irritados e têm conversado sobre se reunir em um fórum para discutir a situação da eleição da CBF. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tem sido bastante ativo com uma proposta de encontro em São Paulo. Mas não há definição ainda sobre isso.


Cinco desafios que o futuro presidente tem para recuperar o Vasco
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A eleição vascaína marcará o início de um desafio considerável para o futuro presidente, seja ele reeleito (Eurico Miranda) ou um nome da oposição (Julio Brant e Francisco Horta). O clube vive há pelo menos 15 anos um período em que se afastou da elite dos clubes nacionais, seja financeiramente, seja esportivamente. Acumulou três rebaixamentos e apenas um título nacional no período. O blog lista aqui os principais desafios a serem enfrentados pela gestão.

São questões a serem resolvidas em relação às finanças, à credibilidade, à democratização, à infraestrutura, entre outros pontos. Não será tarefa fácil porque, tanto nas gestões de Eurico quanto de Roberto Dinamite, o clube teve enorme dificuldade para atrair investimentos e ser vitorioso nacionalmente.

Finanças

Oficialmente, o Vasco tem um dívida de R$ 457 milhões, mas há números sobre os quais há incertezas porque o balanço do clube não é transparente, segundo especialistas em contas. O valor é alto em relação aos débitos fiscais e haverá aumento das parcelas a serem pagas no Profut, pelas regras do programa. Fora isso, o clube quita pendência com credores como ex-jogadores Romário, Edmundo e Felipe, além de entidades como CBF.

O valor dos débitos é alto para um clube que tem receita de R$ 213 milhões quase toda concentrada na TV Globo, responsável por cerca de 80% do total. Com isso, o clube fica asfixiado e já houve atrasos durante de salários durante o ano. O Vasco pena para fechar o ano de 2017, nenhum balancete foi apresentado até agora. Fora isso, o nível de investimento no time é baixo em contratações, concentrando-se em jogadores veteranos ou jovens.

Credibilidade

Para aumentar as receitas do clube, o novo presidente terá a missão de recuperar a imagem. Por exemplo, o sócio-torcedor só atrai 17.063 pessoas, sendo apenas o 18º em números, atrás do Santo André. Ora, a torcida vascaína costuma aparecer como a quinta do país, segundo a maioria das pesquisas. Isso mostra a falta de apoio da torcida à atual gestão.

Em relação a patrocinadores, o Vasco tem um contrato da Caixa Econômica bem inferior a rivais, e tem dificuldade para atrair outros parceiros. A crise no país, óbvio, atrapalha à obtenção de receitas, mas a agremiação tem sido mais impactada do que outros.

Infraestrutura

O Vasco fez um campo de treinamento e um centro para tratamento de jogadores (Capres) dentro de São Januário. É uma infraestrutura bem inferior a praticamente todos os grandes clubes brasileiros. Todos maiores times de São Paulo, os do Rio Grande do Sul, o de Minas Gerais, do Flamengo e Fluminense têm estruturas separadas de estádios, com melhor nível. O Botafogo já comprou um CT.

Há necessidade ainda de melhorias em São Januário que passou por uma renovação, mas ainda não conta, por exemplo, com assentos na maior parte dos lugares. Para adaptar o estádio às condições modernas, será preciso um investimento maior em todos os setores, tudo isso com o já relatado problema de falta de recursos.

Democratização

As desconfianças sobre a eleição do Vasco, com denúncias de eleitores irregulares, não são novidade e se repetiram em pleitos anteriores, como o que levou Roberto Dinamite à presidência. Além disso, a agremiação é uma das poucas que ainda mantém eleição indireta. Os sócios elegem uma chapa vencedora que fica com 120 vagas no Conselho Deliberativo, e o segundo colocado fica com 30. Ainda há conselheiros natos, que podem chegar a 150, embora os que de fato compareçam as reuniões sejam bem menos.

Outros clubes, além de acabarem com eleições indiretas, também passaram a adotar o modelo de Conselho Administração, com divisão de poderes do presidente. Ex-aliados dizem que Eurico Miranda tinha prometido dividir o poder em sua volta, o que não ocorreu, segundo eles.

Perda de terreno para rivais

Até há 15 anos, o Vasco costumava disputar os principais campeonatos na ponta da tabela, tendo vencido o Brasileiro pela última vez em 2000 na Copa João Havelange. Depois dessa conquista, foram três rebaixamentos. Só no ano de 2011 e em parte de 2012, o Vasco conseguiu repetir disputar na frente, ao vencer a Copa do Brasil, disputar o Brasileiro até o final com o Corinthians e ir até as quartas de final da Libertadores.

Em relação às receitas de cotas da TV Globo, participava de um grupo juntamente com Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo entre os que mais ganharam, patamar do qual caiu no início da atual década. Atualmente, os dois primeiros clubes ganham mais do que os outros. No geral, consideradas todas as fontes, a agremiação rubro-negra tem receita maior do que Fluminense e Vasco juntos.

 


CBF recusou acordo com MP que devolveria poder a clubes em eleição
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Antes de pedir o afastamento de dirigentes da CBF, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro tentou um acordo com a diretoria da entidade para devolver o poder aos clubes na eleição. A proposta era que a confederação desfizesse a mudança em seu estatuto que deu mais peso a votos de federações. A CBF recusou por entender que agiu na legalidade.

Lembre-se que, em março, a CBF organizou uma assembleia só com federações que mudava o peso dos votos na sua eleição. As entidades passavam a ter peso três, somando 81 votos, enquanto os clubes das Sérias A e B ficavam com pesos dois e um, totalizando 60. Assim, o presidente Marco Polo Del Nero evita que os times tenham maioria quando disputará a reeleição.

Houve reclamação de alguns clubes, mas nenhuma ação prática. Até que o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), autor da Lei do Profut, entrou com representação no Ministério Público para pedir peso igual a todos, em respeito à legislação aprovada.

O promotor Rodrigo Terra, então, propôs a CBF um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ao instaurar um inquérito civil. “A proposta inicial seria a anulação, por parte da própria entidade, da alteração do regulamento no que ocorreu ilegalidade, o que evitaria o ajuizamento da ação coletiva com o pedido de destituição dos dirigentes”, afirmou o promotor, por meio da assessoria.

Mas a CBF recusou por entender que havia legalidade em sua assembleia. Por isso, o promotor entrou com pedido de afastamento dos dirigentes da entidade, com base no Estatuto do Torcedor. Na ação inicial do promotor, afirma-se que a confederação reconheceu que não convocou nenhum clube para a reunião para alterar o estatuto, o que seria obrigatório, de acordo com a lei.

Ainda não existe uma decisão da Justiça. O caso está no Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, como juiz Guilherme Shcilling Duarte, que vai decidir se dá uma liminar de afastamento dos dirigentes como pede o promotor. Apesar de não ter sido intimidada, a CBF já mobiliza seus advogados para confrontar a tese do MP.

“Atuei dentro da legitimidade do meu mandado, dentro do que diz o texto da lei. Houve um desrespeito, estou confiante da decisão”, afirmou o deputado Otávio Leite.

Houve seis clubes que se reuniram para traçar uma estratégia para discutir a mudança de estatuto. Um deles foi o Flamengo cujo presidente Eduardo Bandeira de Mello afirmou que entende que a lei previa peso igual para clubes e federações.

“Eu já havia me manifestado antes dizendo que entendia que o espírito do legislador no caso do Profut era no sentido de dar pesos iguais a clubes e federações”, disse ele, que defendia um decreto de lei para regular o caso. “Com a medida tomada pelo MP, a justiça vai se pronunciar, o que não invalida meu entendimento inicial.”

A diretoria da CBF mantém a sua posição de que a alteração do estatuto é legal:

“A CBF reafirma sua absoluta convicção de que a convocação e as deliberações da referida Assembleia Geral obedeceram a todos os procedimentos previstos em lei, opinião avalizada por pareceres de alguns dos juristas mais importantes do país. Sendo assim, reitera sua tranquilidade em relação à tramitação do processo e à decisão do Poder Judiciário”


Derrota judicial de Nuzman abre caminho para chapa de oposição no COB
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O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, sofreu uma derrota judicial em disputa relacionada à eleição na entidade. A tendência é que essa decisão abra caminho para uma chapa de oposição no pleito que deve ocorrer em setembro. O dirigente quer a reeleição, mas há confederações insatisfeitas.

O Estatuto do COB estabelecia que as chapas para presidente teriam de ser inscritas até o dia 30 de abril, embora o pleito seja no último trimestre do ano. Então, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa entrou com uma liminar na Justiça alegando que isso causaria medo entre as filiadas ao comitê de represálias às vésperas da Olimpíada. Pedia que as chapas pudessem ser inscritas até 30 dias antes do pleito.

A Justiça do Rio de Janeiro deu liminar favorável à confederação de tênis em primeira instância, em 26 de abril. Afirmou que isso atendia anseio democrático de possibilitar mais de uma chapa na eleição.

O COB recorreu à segunda instância para tentar derrubar essa decisão. Na quarta-feira, o desembargador da 22a Vara Cível, Marcelo Lima Buhatem, negou o pedido do COB. Ele alegou que não há urgência de derrubar a medida porque a eleição é só em setembro.

“Fato é que nos parece evidente a ausência de requisito processual tido como essencial, qual seja, a urgência, refletida no periculum in mora, sendo certo que as eleições das quais pretende a entidade recorrida participar ocorrerão somente no mês de setembro, portanto, daqui a cerca de quatro vindouros e relativamente longínquos meses”, afirmou o desembargador.

O COB ainda pode recorrer ao pleno da 22a Vara Cível. Se for mantida a decisão, a tendência é que o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo, lance uma chapa de oposição a Nuzman.


Novo presidente só limpará Fifa se interferir em filiadas como a CBF
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Após 42 anos, nesta sexta-feira, a Fifa tem a chance de eleger um presidente e encerrar de vez a era Havelange-Blatter. Um novo comandante, no entanto, não é suficiente para limpar a corrupção na entidade. É preciso uma faxina em boa parte das 209 associações eleitoras na votação da federação internacional.

Não é difícil chegar a constatação de que os problemas do futebol mundial estão na base de seu poder. Os casos de corrupção descobertos pelo FBI envolvem uma série de presidentes de federações nacionais. Veja o caso da América do Sul, onde dirigentes de nove dos dez países da Conmebol foram acusados de receber propinas.

Essa realidade se estende para a América Central e do Norte nos casos investigados pelo FBI. Mas escândalos anteriores também pegaram cartolas africanos, asiáticos, europeus e da Oceania. Não há continente imune à praga.

Ora, de que adianta implementar uma série de reformas na Fifa para criar uma governança correta se o poder político continuar nas mãos de entidades sem controle ou fiscalização?

Peguemos o nosso exemplo por aqui. Após tudo que aconteceu no país, com três ex-presidentes acusados de receber propina em processo na Justiça Norte-Americana, lá está o Coronel Nunes a nos representar na eleição da Fifa. Esse Coronel Nunes alçado ao poder por uma manobra feita pelo afastado Marco Polo Del Nero que continua a dar as cartas na entidade de longe.

Se dentro do âmbito do futebol nacional não existir mudança, não haverá mudança nenhuma. Seria como a CBF propor uma reforma no futebol brasileiro e não querer mexer na estrutura viciada da a maioria das federações. (Aliás isso está em curso por aqui)

Entre os cinco candidatos à presidência da Fifa, nenhum deles propôs de fato uma reforma que comece por baixo e exija um novo tipo de governança das associações nacionais. Que jogadores possam votar para presidente, maior poder aos clubes, fim de cláusulas de barreiras eleitorais, transparência de contas, etc. Claro, não é popular falar em obrigações para eleitores.

Mas essas medidas devem ser impostas pela Fifa sobre suas filiadas por meio de obrigações estatutárias, e com o risco de desfiliação no caso de descumprimento. Qualquer coisa diferente disso terá pouco efeito no triste quadro geral do futebol. Se não for para mudar tudo, era melhor deixar o Blatter por lá. Pelo menos ele nos divertia com sua tragédia.


Eleição na CBF mostra clubes frágeis e desunidos
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A eleição do vice-presidente da CBF Coronel Nunes foi uma demonstração de fragilidade dos clubes brasileiros no poder do futebol nacional. Desunidos, adotaram posições isoladas ou em grupos pequenos sem efeito nenhum. Na prática, Marco Polo Del Nero e as federações aliadas saíram fortalecidas apesar dos escândalos de corrupção.

Um exemplo foram os clubes paulistas. Juntos com a federação, fecharam apoio a Nunes desde que eles se comprometessem com medidas para aumentar o poder dos clubes que tomariam conta do Brasileiro.

O blog apurou que os times de São Paulo votaram em Nunes, mas não receberam nenhuma garantia ou resposta da CBF de que a sua agenda seria cumprida. Palmeiras, Santos e Corinthians foram, mas saíram sem se manifestar. Não foi possível confirmar a presença do São Paulo.

Entre os clubes, o Coritiba, que era membro da Liga Rio-Sul-Minas, também votou no vice Nunes.  “Se houve golpe, foi de quem foi a Justiça”, defendeu o diretor do Coritiba Valdir Barbosa. Ele afirmou que não sabe se será realizada a liga em 2016 e defendeu que ela deveria tentar autorização da CBF.

Os clubes de Minas Gerais, que já foram artífices da liga, não foram à confederação. Deram procuração para o presidente da federação local votar em seu lugar, mas Castellar Neto voltou a Minas porque sua mulher teria filho. Outros artífices da Liga, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e do Atlético-PR, Mauro Celso Petraglia, não foram à CBF. O clube rubro-negro apenas apresentou pacote de mudanças na CBF.

Um dos poucos clubes a se manifestar, o presidente do Bahia, Marcelo Sant’ana, reconheceu a desmobilização dos clubes. “As federações estão bem à frente dos clubes nesta questão do poder. Os clubes tinham que conversar mais. Mas os clubes ficam mais preocupados com a operação do dia a dia e isso não acontece”, contou ele, que discursou no plenário.

 


Justiça cancela eleição e chama CBF de ‘desacreditada’; entidade recorrerá
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A Justiça do Rio de Janeiro cancelou a eleição para vice-presidência da CBF alegando irregularidades no processo de convocação do pleito. A decisão foi tomada pelo juiz Mario Cunha Olinto Filho, da 2a Vara do Tribunal de Justiça, após pedido de liminar do vice-presidente da confederação da Região Sul, Delfim Peixoto. A diretoria da confederação vai recorrer assim que for citada e defende a regularidade do processo.

A confederação marcou para a próxima quarta-feira, no dia 16, a eleição para substituição de José Maria Marin, preso nos EUA acusado de receber propinas. Há um candidato único da situação: o Coronel Nunes, da Federação Paraense, que se tornaria o vice mais velho e substituto potencial do presidente licenciado Marco Polo Del Nero.

Entre os argumentos para conceder o cancelamento, o juiz alegou que não foi comprovada a vacância do cargo de Marin, nem há indicação de sua renúncia. Mais, afirmou que não houve nenhuma publicidade de sua saída da entidade.

Além disso, afirmou que a convocação foi feita às pressas e não respeitou ritos do estatuto, pois a licença de Marco Polo Del Nero deveria ser verificada pelos outros vices-presidentes, sendo que dois deles não foram chamados para tratar do assunto. Por fim, a decisão afirma que a CBF está desacreditada por “sucessivos escândalos públicos”.

O vice-presidente jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, afirmou que assim que for citado irá recorrer da decisão: “Não vi a inicial, mas ela é baseada em uma falácia em relação ao Marcus Vicente (presidente interino) não poder ser presidente pelo que ouvi. Ele já obteve licença da Câmara. Quanto ao Marin já foi respondido  às federações que ele renunciou em carta do dia 27 de novembro. Não mostramos a carta porque não queríamos expôr o Marin. O processo é regular e vamos mostrar isso para o juiz”, analisou o advogado da confederação

Veja os principais trechos da decisão da 2a Vara Cível:

“Há verossimilhança nas alegações autorais. Há uma convocação pelo Presidente em exercício da ré, para suprir um dos cargos de Vice-Presidente, sem que haja sequer a indicação de qual dos cinco cargos estaria vago. Presumindo-se que seja o de José Maria Marin, preso no exterior, haveria erro quanto a isso, já que, em que pese a sua situação particular, não há indicativo de renúncia nem notícia de sua destituição, mediante o rito que prevê o artigo 22, do Estatuto Social, não havendo tecnicamente vacância (artigo 37, do Estatuto, a contrario sensu).”

“No mais, há indícios de irregularidades na forma de convocação (em 4 de dezembro de 2015), feita às pressas por conta do pedido de licença de Del Nero no dia anterior, não sendo clara a observância dos artigos 32 e 40, IX, do Estatuto, que determinam que aos membros da Presidência, sem prejuízo de supervisão, coordenação, direção e fiscalização do Presidente, compete…conceder licença aos seus membros e aos integrantes dos demais poderes e órgãos de cooperação´. Como o Presidente não pode deliberar sobre a sua própria condição pessoal, sendo que Marin se encontra preso com impossibilidade óbvia de participação, caberia aos outros três Vice-Presidentes conceder – ou não – a licença. O autor afirma que sequer foi consultado. Além disso, não há indicativos de eventual aquiescência dos demais para que o Sr. Marcus Vicente assumisse o exercício interino do cargo de Presidente.”

“Em relação à publicidade, há indícios de não observância do disposto no artigo 22, da lei 9.615/98, em especial o seu inciso terceiro, que impõe convocações com publicidade por pelo menos três vezes, em jornais de grande circulação. A bem da verdade, tal consideração aqui é secundária, já que ainda haveria tempo para que ela ocorresse, posto estar o ato designado para o dia 16. Assim, para que não se alegue no futuro dúvidas quanto ao processo eleitoral em prejuízo seja do autor, seja da própria ré – já desacreditada por conta de sucessivos e públicos escândalos – defiro a antecipação, para suspender a realização da Assembleia Geral eleitoral, convocada para o dia 16 de dezembro de 2015, às 14 horas, até o julgamento final ou por decisão de reconsideração. A realização implicará na inexistência de eficácia dos atos lá decididos. Cite-se e I-se pessoalmente a ré, por plantão, desta decisão.”


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